Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blog Bestialmente Conhecido

Entrevistámos Clotilde Ribeiro, enfermeira do PR na sua recente cirurgia

Na sequência da cirurgia de urgência à qual foi submetido o nosso querido Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o Blog Bestialmente Conhecido procurou entrevistar alguns dos elementos responsáveis pelos cuidados do nosso digno e irrequieto Presidente neste momento de maior fragilidade.

Os médicos estavam extenuados e a maior parte dos enfermeiros de baixa médica, pelo que apenas nos foi possível trocar algumas impressões com Clotilde Ribeiro, a enfermeira chefe que recebeu o PR logo após a cirurgia.

 

Enfermeira Clotilde, pode contar-nos como foi esta experiência de cuidar do nosso querido Presidente?

Olhe, de inicio pensámos que iria ser muito divertido. O Presidente é um homem muito simpático, dá muitos beijinhos e abraços, mas é também um homem com uma energia fora do normal, mas como ia ser sujeito a uma dose significativa de anestésicos e outras drogas contávamos que estivesse, como hei-de dizer?, no estado de agitação de uma pessoa comum.

E foi isso que aconteceu?

Não. De todo. Poucas horas depois de ter saído do bloco já estava a acordar. Pediu à enfermeira do recobro alguns livros para tirar umas notas. Esta negou, não podia cansar-se, vai saí quis ter acesso à net. Foi-lhe negado. Pediu então à Lurdes que lhe falasse da vida dela, há quanto tempo estava ali, se gostava do trabalho que fazia, se ela queria um abraço...

Foi simpático então?

Sim, o pior foi que na cama ao lado estava outro senhor que queria descansar, desatou a refilar com a Lurdes porque queria repouso e não se calavam. Entretanto o Presidente foi levado para o quarto dele e a Lurdes ficou agarrada com o outro paciente que se enervou bastante e teve de ser sedado de novo.

Foi aí que encontrou o Presidente?

Sim. Inicialmente foi um dia muito feliz. O quarto estava muito arranjadinho e nós estávamos muito contentes. Depois o Presidente pediu o telefone e alguns documentos. Tentámos evitar dar-lhos, mas ele levantou-se e desapareceu, fomos dar com ele na copa a falar com as cozinheiras, ele, o tripé com os medicamentos, bata meio aberta e a conversar com as senhoras e a querer dar beijinhos, saber como tinha sido o Natal, onde iam passar o ano novo, essas coisas. Quando entrámos no quarto e não o vimos entrámos em pânico. Aqui há uns anos perdi o meu neto no jardim, fomos encontrar o traste do miúdo ao pé do carrinho dos gelados, nem nesse dia me senti tão aflita. É que é muito aflitivo uma pessoa perder o chefe de Estado.

E depois?

Depois fizemos o mesmo que eu faço com a minha Clarinha, que é a minha neta, quando ela não está quieta e eu preciso de fazer alguma coisa empresto-lhe o telemóvel, por isso demos o telefone e os documentos ao Presidente.

E a partir daí as coisas acalmaram?

Ai, nem por isso! Olhe foi dar com as declarações do Maduro e ficou um pedaço chateado. Queria fazer um comunicado mesmo lá da sala. Nós a querer dar-lhe a medicação e ele a querer ditar informação. Lá apareceu um senhor muito bem falante que quase o convenceu a deixar o assunto de lado.

E deixou?

Não. Tivemos de chamar o médico para seda-lo.

Então ficaram mais tranquilos?

Eu não, porque sou uma pessoa que sofre com o sistema nervoso e com aquilo tudo de o Presidente me andar perdido dentro do hospital a dar beijos na cozinha no meio de tachos e panelas, comecei a ter ataques de pânico. Fui à ala de psiquiatria e falei com um dos doutores.

Mandaram-na para casa?

Nessa altura não. O psiquiatra, o Dr. Ribeiralves, disse-me que era melhor tomar um chá, não havia nesse momento motivos para baixas e medicação pesada.

E então tudo se resolveu pelo melhor?

Não. Quando eu estava a sair do gabinete do Dr. Ribeiralves estava a passar o Presidente com o tripé de medicação e a bata, chamei o Dr. Ribeiralves para ver. Como previ, nessa altura já estava toda a gente à procura do Presidente e ninguém sabia onde ele andava. É que mesmo com o tripé ele deslocava-se sempre pelas escadas, dificultando saber onde andava.

E o que fez o Dr. Ribeiralves?

Ficou mais nervoso que eu. Foi falar com o Presidente, perceber o que andava por ali a fazer. Ao que parece havia acordado do drunfo que lhe deram e alguém o informou que enquanto dormitara tinha saído o comunicado para o Maduro (mentiram para o tranquilizar), terá lanchado qualquer coisa e enquanto comia promulgou 4 diplomas. Como já não tinha mais nada para fazer foi cumprimentar os "extraordinários profissionais da ala de psiquiatria".

Não sabia que os técnicos especializados também diziam drunfo?

Às vezes acontece.

Muito bem. Depois disso encaminharam o Presidente para o seu quarto?

Não faço ideia. Só sei que o Dr. Ribeiralves entrou no consultório e me passou os papeis para a baixa por motivo de esgotamento nervoso. Estou de baixa neste momento, mas como vim para casa mais cedo estou já mais tranquila do que alguns dos meus colegas.

Apesar de tudo está contente que o Presidente esteja já totalmente recuperado?

Claro que sim e desejo do fundo do coração que numa outra situação seja seguindo no Santa Maria. Têm lá excelentes profissionais e há muitos metros quadrados para palmilhar.

E a senhora enfermeira não trabalha lá...?

Exatamente.

Olhe, se não estou em erro é o Presidente que vem ali...exatamente, confirma-se é mesmo o Presidente.

 

A entrevista foi interrompida porque o Presidente quis cumprimentar pessoalmente todos os profissionais de saúde que o acompanharam neste momento de fragilidade e, sabendo-os desgastados, quis dar-lhe alguma força.

Foi bonito ver o Presidente dar um abraço e um beijo sentido a Clotilde, pena o ar de terror na cara da coitada.