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Blog Bestialmente Conhecido

Pente Fino

No supermercado onde costumamos ir comprar alguns viveres à hora de almoço há um responsável de caixas que eu apelidei de "Pente Fino".

Como não temos paciência para estar na fila para pagar dois ou três itens (normalmente um chocolate para adoçar a tarde e alguma coisa para fazer o jantar) optamos pelas caixas rápidas.

Regra geral os responsáveis por estas caixas parecem descontraídos e se dão conta de tudo o que acontece, não aparenta ser o caso.

Mas não com o "Pente Fino", ele está em cima do acontecimento e da por qualquer falha, nada de libertar a máquina que indica que é preciso chamar o operador sem ir lá ver, bem de perto, o que sucedeu.

Hoje, quando chegámos à fila disse ao Nuno, assim entre-dentes: "temos pente fino!"

Ele riu-se.

Quando acabámos de pagar, olhou para mim a rir-se.

- O que foi? - disse-lhe eu.

- Atão! Põe-te fino! - diz-me ele.

- Não é "Põe-e fino" é "Pente fino".

- "Pente Fino"!?, mas isso não faz sentido.

- Claro que faz, "Pente fino" de passar as coisas a pente fino. Nada lhe escapa da malha!

- Ahhhh.

Ou seja, andavamos a rir-nos de piadas diferentes.

Dois totós. É o que é!

 

Sou...uma mãe com canela...

Eu devia estar no meu segundo ano de faculdade quando numa aula, já não me recordo de que cadeira, a professora decidiu contar a história das gémeas.

Pretendia com esta história demonstrar que o meio pode ter uma influência determinante no desenvolvimento de uma pessoa, e a forma como criamos esse meio, para crianças e adultos, pode definir o seu carácter bem como a forma como encaramos a vida e nos relacionamos com os outros.

Reza a história que algures nos Estados Unidos duas irmãs gémeas foram entregues para a adoção. Não sendo possível encontrar uma família que as acolhesse a ambas, foi tomada uma decisão tremendamente “inteligente”. Separaram as irmãs, tendo cada uma sido adotada por famílias diferentes.

Nenhuma das famílias sabia que a filha que adotada tinha uma irmã gémea e, para a pessoa que decidiu este destino era bastante evidente que jamais se encontrariam.

Anos mais tarde, um grupo de estudantes universitários teve acesso às fichas da associação que havia acolhido essas gémeas, procuravam demonstrar que apesar do passado dos pais biológicos, os filhos, se entregues a famílias equilibradas e coesas, podiam desenvolver-se para ser crianças felizes e adultos adaptados.

No meio deste estudo encontraram as pastas das irmãs gémeas e decidiram contactar as famílias para compreender como tinha sido o crescimento de cada uma.

Quando falaram com a primeira mãe, esta mostrou-se feliz com a sua filha tendo apenas um queixume. Tinha sido uma criança muito difícil para comer. A mãe tinha sofrido muito com isso. “Só queria comer coisas com canela”, dizia a mãe.

Quando falaram com a segunda mãe, que havia adotado a outra irmã o discurso foi similar, igualmente muito feliz com a sua filha. Sabendo da entrevista da mãe anterior perguntaram-lhe como tinha sido a alimentação da sua filha, se era uma criança difícil para comer.

A resposta da mãe foi simples: “Uma maravilha, comia de tudo e limpava o prato! Bastava pôr um nadinha de canela e ela comia tudo”.

 

Entendem?, tudo depende da nossa abordagem à vida.

 

A minha mãe faleceu quando eu ainda era miúda, pelo que fiquei com os seus exemplos mas muita coisa se perdeu pelo caminho. Por isso era para mim fundamental observar outros exemplos, construir na minha mente que tipo de mãe quereria ser, um dia que tivesse um filho.

Nesse dia decidi que seria uma mãe com canela. Daquelas que pondera bem as sua batalhas, que negoceia, que explica e que, se for preciso, põe um pequeno condimento para levar as coisas a bom porto.