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Blog Bestialmente Conhecido

A ensinar língua portuguesa como ninguém desde mil nove e troca o passo

Rotina

Beber leite à noite antes de ir dormir

 

Acontecimento

Copo novo para beber o leite

 

Horário

23:00 (pais já desesperados e filho com toda a energia do mundo)

 

Eu – Vá encosta-te lá à mãe para beberes o leitinho.

Sôtor – Quero ver o copo por dento!

(abro e mostro-lhe que o leite está lá dentro)

Eu – Vá, já viste o leite agora vamos tratar de beber o beber.

(bebe um gole)

Sôtor – Quem está naquela tugrafia?

Eu – A mãe e o pai.

Sôtor – Onde?

Eu – Numa estamos noutra casa e na de baixo estamos em Aveiro.

(bebe um gole)

Sôtor – Aveiro?

Eu – Sim.

Sôtor – Tens ali goupa para agumar.

Eu – Pois tenho. Agora bebe o leite.

(bebe um gole)

Sôtor – Acho que já não queo mais.

Eu – OK, então o pai vai levar. Nuno, levas o leite para a cozinha?!

(ele faz o teatro que não quer e nós fazemos o teatro de que vamos levar o leite)

Sôtor – Nãããããão! Espea, é queo beber.

Eu – Então paramos com a brincadeira e bebes o leite. Já é tarde e tens de ir dormir.

Sôtor – Tá bem. Ê poto bem!

(bebe mais um gole)

Sôtor – Vamos lê a banca de neve.

Eu – Não, não vamos. A mãe já leu a Capuchinho Vermelho e o Rei vai nu uma vez, e o pai leu outra vez…as duas histórias. Amanhã há mais. Bebe o leite.

(bebe um gole)

Sôtor – Queo ver o teu livo.

Eu – Vês o meu livro depois de beberes o leite. Bebe o leite.

(bebe um gole)

Sôtor – Queo ver o malinheiro que tá no copo.

Eu – Agora não.

Sôtor – Queo ver o leite lá dento.

Eu – Já viste. Bebe o leite.

Sôtor – Queo…

Eu – Já chega, não bebes o leite o pai vai levar e acabou a brincadeira.

(chamo novamente o Nuno, repetimos o teatro e desta vez aviso que a paciência está a chegar ao fim e se voltar a brincar não voltamos atrás)

Sôtor – Pai, na leves. Ê bebo.

(voltamos ao inicio, retoma a beber o leite, bebe o primeiro gole)

Sôtor – Quem está naquela tugrafia?

Eu – Bebe o leite.

Sôtor – Tens ali goupa para agumar.

Eu – Eu sei. Bebe o leite.

Sôtor – Queo ver o teu livo.

Eu – Agora não. Bebe o leite.

Sôtor – Queo ver o malinheiro que tá no copo.

Eu – Bebe o leite.

 

Finalmente acaba de beber o leite.

 

Sôtor – Queo ver o teu livo.

(mostro-lhe a capa, gosta de ver o titulo e a imagem da capa, tem uma foto de Paris e inventamos coisas sobre o que se passa naquela imagem)

Sôtor – O que diz aqui?

(aponta para o titulo)

Eu – O Livreiro de Paris.

Sôtor – Aqui tá uma estada onde passam popós.

Eu – Exatamente.

Sôtor – E aqui tá uma avuoe.

Eu – Sim, está uma arvore. Agora vamos dormir porque passa largamente da tua hora.

(Eram 23:25. Deitou-se ao meu lado. Eu pego no meu livro para ler uma página até ele adormecer e eu depois ir coloca-lo na cama dele)

Sôtor – Tens aí muitas letas!

Eu – Pois tenho.

Sôtor – E muitas palavas.

Eu – É verdade.

Sôtor – As letas fazem palavas.

Eu – E as palavras fazem frases.

Sôtor – O que são fases?

Eu – São uma espécie de gangues de palavras. Agora dorme.

 

Gosto muito de usar canela, mas às vezes não chega um frasco era preciso um contentor.