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Blog Bestialmente Conhecido

Os filhos, os telemóveis e as encrencas em que nos metem

Ora muito bons dias.

tsitude?! Boa!

Então e eu?

Cá ando, com aquelas dores do costume e hoje a acrescer uma pontada de vergonha pelas situações em que me filho me coloca.

O meu maravilhoso rebento é uma criança tremendamente ativa e eu, pela hora de jantar sou uma mãe extremamente cansada. Ele quer correr pela casa toda. Eu quero sentar-me durante 10 minutos a comer uma bucha jantar, enquanto vejo um qualquer programa de decoração na TV.

Para que eu possa ter esses singelos 10 minutos tenho de o manter entretido e, manda-lo para o quarto brincar com as coisas dele não é opção, essencialmente porque com todas as horas que teve longe de nós quer atenção, em especial atenção da mãe, passando o todo a perguntar: “Já acabaste de comer, mãe?!”. O interrogatório de uma só questão começa, normalmente, antes mesmo de eu me sentar.

Vai daí e eu empresto-lhe o meu telemóvel. Normalmente vai sempre ao Youtube para ver os vídeos do homem aranha e do Hulk.

Ontem, depois de um dia de chuva e transito e trabalho e o diabo a sete, não foi exceção. Emprestei-lhe o telemóvel e comia a minha sopinha de espinafres biológicos (todo este post é para dizer que como sopa de espinafres biológicos) quando ouço o Nuno:

- O que é que estás a fazer? Dá cá o telemóvel.

Sem que nós estivéssemos a dar conta o pequeno estava a mandar por messanger uma todo nossa para todos os meus contactos. Conseguiu mandar para quase 30 pessoas. Entre os destinatários estavam o meu responsável do trabalho, a responsável do Nuno, a antiga responsável do Nuno, familiares, amigos, pais de amigos e ainda colegas de escola que já não vejo há quase 20 anos.

E que foto era?

Uma foto linda.

Quando eu e o Nuno fizemos 1 ano de casados achámos graça fazer uma montagem de fotos que tirámos nesse dia: nós abraçados, os dedos entrelaçados com as alianças, um beijinho com a lua atrás. Enfim, lamechices que fazem sentido quando se faz um ano de casado e ainda se está movido pela emoção de ter sido pais há menos de 6 meses.

Então foi essa montagem que seguiu para toda a gente.

Das pessoas que receberam a maravilhosa missiva recebi todo um pot-pourri de respostas...para as quais criei uma hierarquia para as que me fizeram rir mais.

Vamos ver? Bora lá!

  

Em 6º lugar ficam as pessoas que se borrifaram completamente para a foto.

Não disseram aí nem ui. Já sabem mais ou menos o que a casa gasta e, à partida, a menos que eu estivesse a ter algum acesso de paragem cerebral não estaria a mandar mensagem privada com uma foto daquelas para ninguém.

 

No 5º lugar estão os que perguntaram “isto é para mim?”.

Pessoas sensatas que quiseram apenas alertar numa espécie de: “se querias mandar para alguém parece-me que te enganaste!”.

 

No 4º lugar estão as pessoas que saíram do seu caminho para dizer que estamos lindos.

Ou seja é malta tão do bem que acha que eu, pessoa trombuda e circunspeta, com toda uma panóplia de redes sociais à disposição, havia enviado uma foto romântica por mensagem privada. Pessoas lindas….

 

No 3º lugar estão as pessoas que de facto pararam para nos dar felicidades.

Não sei o que raio lhes terá passado pela cabeça, mas pelos vistos acharam que nós andamos por aí, a uma terça-feira, a mandar fotos com montagens por mensagem privada. Não faço isso pessoas. Nunca. Melhores foram os que acharam mesmo que tínhamos voltado a casar. A sério? Com o mesmo homem. Que canseira….

 

No 2º lugar estão as que já sabiam quem tinha mandado a foto. E com estas escangalhei-me a rir.

Respostas como: “minha querida, acho que o teu príncipe está a bombar no facebook” e a minha favorita “estão lindos. Gosto de todas as fotos que o Ricardo me envia”, fizeram-nos partir a rir em casa. É gente que já está habituada a receber mensagens de meu filho e faz pouco disso. Gosto de gente desta.

 

A cereja no topo do bolo, a que leva o primeiríssimo prémio vai para o meu querido chefe. Homem sério e circunspeto que, após eu lhe ter mandado uma mensagem a dizer para desconsiderar a foto me disse “eu já tinha calculado”, quando lhe respondi que havia pessoas que tinham achado que tínhamos voltado a casar, deu-me a melhor resposta de todos os tempos “quando amamos, casamos todos os dias!”. AHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAHAHAAH. Fartei-me de rir. Claro que lhe respondi à altura com um “bla bla bla pardais ao ninho”.

 

E é isto. Estive mais de 30 minutos a explicar a pessoas que havia ocorrido uma situação de telemoveljacking feito por meu filho. Sendo aquela missiva o resultado de um equivoco.

Já sei que me vão dizer que as crianças não devem andar com os telemóveis e não lhe devia emprestar o objeto e ele devia saber estar quieto e rebeubeubeu e a Branca de Neve limpou a casa dos Sete anões e a Capuchinho Vermelho deu os queques a comer ao lobo quando fizeram um walk and talk pela floresta e tal e coise.

O que é certo é que uma pessoa está cansada ao final do dia e usa dos recursos que dispõe para que as coisas corram, se possível, a velocidade cruzeiro.

Algo que não aconteceu ontem, visto que bati de frente com este iceberg.

 

Fugiram de casa de seus pais

Não vi o primeiro episódio quando estreou. Com muita pena minha.

Não vi o segundo episódio quando passou na televisão. Para minha vergonha.

Foi ao terceiro que me apercebi que havia algo a passar na RTP com o Bruno Nogueira e o Miguel Esteves Cardoso.

Ah, a desgraça de ter a vida a passar no Panda. A catástrofe cultural de ver mais Patrulhas Pata que programas de adultos.

No fim de semana vi os programas “em atraso” porque estão disponíveis na RTP online. E desde então não perco.

Infelizmente não contribuo para o share de pessoas que assiste, porque às 23 horas de uma terça feira estou em debate vivo com Sôtor para que este vá dormir.

Depois disso, por regra, tenho uma espécie de apagamento geral, retomando a parte dos meus sentidos pelas 6 e tal da manhã do dia seguinte.

 

Há muito que não passava na TV generalista algo que me desse tanto prazer ver. E quem diz generalista diz na TV no seu todo. Com mais de 200 canais é fantástico como uma pessoa pode fazer zapping 3 vezes a todos e chegar à conclusão que não passa nada que valha gastar 15 minutos do nosso tempo.

Aqui temos meras conversas de poltrona, sobre temas do dia a dia, coisas do nada, trivialidades, banalidades e algumas irritações. Um olho simples sobre a sociedade em que vivemos, sem estudos de Universidades estrangeiras. Umas gargalhadas honestas com a aterradora simplicidade cómica do MEC e o acutilante sarcasmo do Bruno Nogueira.

Adoro a combinação de ambos e faço de meu pai. Falo com a televisão e comento. “Ah como isto é verdade!”, “Sim realmente não se entende…”, “Ai, eu faço isto….”, os telemóveis que interrompem conversas, as conversas que acontecem por telemóvel, as redes sociais, o nosso comportamento em restaurantes, as pessoas que nos encontram na rua e perguntam “então nunca mais dizes nada?”, como se houvesse uma espécie de obrigação nossa de ir reportando o nosso estado de vida, entre tantas outras coisas que dão as melhores conversas. Aquelas em que quando olhamos para as horas percebemos que o temo voou.

A fuga tão inteligente e deliciosa às entrevistas quadradas e estudadas, formatadas com planos cortados para o drama e a tragédia de sempre. Ou para as respostas esperadas onde só falta um pôr do sol atrás e o som do mar no fundo.

Tudo fica ainda mais animado (como é possível) com a entrada na conversa de um convidado, assim, a meio do nada e o desejo sério de estar sentada naquela terceira cadeira, nem diria para participar, só para ter o prazer de assistir aquelas duas cabeças a pensar. A comentar entre si.

Depois disto só tenho pena de uma única coisa, com o qual sei que não concordo mesmo nada, é aquela coisa de saber que tem um fim. Não vai ser todas as semanas durante os próximos 10 anos. E é uma pena.