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Blog Bestialmente Conhecido

O ócio forçado

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Admito que sou uma pessoa que preza sobejamente os dias de ócio.

Gosto daquela sensação de não ter nada para fazer, sem compromissos, sem tarefas, sem responsabilidades, sem pendurezas metafóricas.

Gosto da possibilidade de me sentar no sofá e não fazer nada que contribua para nada. Nem para a beleza, nem para a auto-estima, nem para ter uma casa mais bonita, nem para a minha cultura geral.

Só isto: espraiar-me no sofá a ver um filme parvo, ou ficar espojada numa espreguiçadeira a contemplar o nada (de preferência a trabalhar para o bronze com uma bebida colorida mesmo ao lado).

Recordo-me se der miúda e achar que os tempos em que não tinha escola, quando as amigas não queria fazer nada, eram um tédio depressivo. Tentava convencer toda a gente a arredar pé do jardim onde nos juntávamos à conversa só mesmo para "fazermos alguma coisa".

Mas a verdade é que foi mesmo nesses dias em que não tínhamos mais nada na cabeça, que tivemos as ideias mais engraçadas, ou que se passaram as conversas mais interessantes. Não tínhamos mais nada senão tempo para gastar.

E gastávamo-lo assim. Com o que nos desse na real gana.

Não havia telemóveis, não havia selfis, não havia Facebook, nada tinha um propósito de posteridade, apenas gozar aquele momento.

Agora, casada, com responsabilidades, filhos, cães e tarefas múltiplas, tenho saudades desses tempos, em que o tempo era o que mais tinha.

Nos dias em que precisada de 36 horas e só se arranjam 24, lembro-me dessas tardes em que tinha uma conta bancária cheia de tempo.

Tenho estado com gripe, ontem vim para casa à tarde, trouxe comigo o PC - maravilhas do mundo moderno que me permitem trabalhar à distância. Menos produtiva é certo, mas sempre com alguma produção.

Assim não fico com tanto trabalho atrasado.

Ontem passei metade da tarde a ver programas de pessoas que estão só a fazer isso, a viver. Com vidas que em nada se comparam à minha, ou à de qualquer pessoa dita "normal". (ok tive a ver as Kardashians). A outra parte da tarde estive a trabalhar.

Hoje o dia está idêntico.

Ainda não despi o pijama. Arrasto-me com uma equipa de lenços, chás e mezinhas. Tenho dois robes em cima e mesmo assim ainda sinto algum frio.

Não tenho cabeça para pensar em muito.

Trabalhei de manhã e depois de almoço fui repousar um bocado.

Tenho quase 300 canais e não encontrei nada que me interessasse. Ao fim de menos de uma hora estava a trabalhar outra vez.

 

O problema é que estou em casa sozinha e forçada. Incapaz de pensar de forma clara. É uma espécie de ócio forçado, e esse não me interessa nada.

 

O pequeno está com os avós, não o vejo há 2 dias e vamos caminhar para 3, confesso que não o quero aqui em casa comigo cheia de bichesa e capaz de o fazer ficar doente.

É a primeira vez que vou estar tantos dias sem o ver.

E isso deixa-me triste.

O que vale é que tenho dores e a cabeça obstruída, assim tenho menos capacidade para pensar no que quer que seja.

 

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