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Blog Bestialmente Conhecido

Blog Bestialmente Conhecido

O meu pai chama-se Augusto.

Trato-o por Augustinho há mais de 20 anos. Não sei bem porquê, aconteceu um dia, teve graça, ficou.

O meu pai é um tipo caricato. Poderia dizer que tem lá as suas peculiaridades e idiossincrasias.

Para o meu pai um bom filme é um filme bestialmente conhecido.

Para o meu pai um bom ator é um ator bestialmente conhecido.

As pessoas inteligentes nunca são só inteligentes, são bestialmente inteligentes.

Mais do que isso, só quando são sumidades.

E quando os inteligentes são conhecidos, nunca são só conhecidos, são sempre bestialmente conhecidos.

Temos frequentemente conversas do outro mundo sobre filmes bestialmente conhecidos, com atores bestialmente conhecidos. Ele descreve um pouco da ação e eu deslindo, pela trama e pela cor de cabelo do ator ou atriz de quem possamos estar a falar.

É frequente ouvir: “Estou para aqui a ver um filme que é um espetáculo, pá! … É um filme bestialmente conhecido…é com aquele ruivo…sabes?...tu conheces…é pá não me lembro do nome mas o gajo é bestialmente conhecido. Fez aquele outro filme que eles eram ladrões, lembras-te, com aquela morena alta que é bestialmente conhecida…é pá, olha esse filme também é bestialmente conhecido.”

E assim se passa a chamada do dia.

 

Andava farta do nome do meu blog. A verdade é que quando o criei fazia sentido, não sabia ainda o que queria daquilo, sabia que queria escrever, estava ainda a lidar com todas as novidades de ser mãe e ainda tinha a minha cabeça enterrada na lamechice e nas lembranças de tempos passados. Foi crescendo a minha vontade de partilhar este meu lado mais parvo, que tenho, mas que não é visível para todos. A verdade é que para muitos dos que me conhecem pareço ser uma pessoa fechada, carrancuda. O trabalho sério que tenho também+em não ajuda e foi exatamente por isso que, quando alguns colegas de trabalho descobriram que tinha o blog – nunca escondi, nunca fui anónima – me abordaram porque não reconheciam na tipa do dia a dia a parvalhona que tento ser. Esse meu lado fica sempre visível apenas para os mais próximos, que passam comigo o dia e que sabem bem as baboseiras que sou capaz de dizer.

Então o nome do blog começou a parecer-me desenquadrado com o que lá escrevia. “Em busca da felicidade” dá muito a ideia de que lá se vão encontrar frases de alento, dizeres de pôr do sol, textos lamechas de leva e traz, quando na verdade não é nada disso. Também acontece. Mas menos do que o nome parece indicar. Para além disso é o nome de um filme, é um nome tão próximo do de outros blogs.

Então comecei a fazer uma lista com nomes para um novo espaço. Primeiro pensei em mudar o nome do anterior, depois deu-se a preguiça, e como não queria sair do Sapo, pareceu-me que podia fechar um blog e abrir outro, como quem acaba de escrever a ultima folha de um caderno e abre um novo.

Foi o Nuno que me disse: “Porque não lhe chamas «Blog Bestialmente Conhecido»?”; pareceu-me uma ótima ideia, pareceu-me perfeito. Tem tudo a ver comigo, por causa destas conversas com o meu Augustinho; é diferente; é parvo (logo tem que ver comigo); e é uma forma de um ter indiscutivelmente um blog bestialmente conhecido.

Comecei a imaginar as conversas:

- Tens um blog? A sério?

- Sim.

- Como se chama?

- Blog Bestialmente Conhecido.

- A sério que é bué conhecido? Mas como se chama? Quero conhecer.

- Como disse: Blog Bestialmente Conhecido.

….

E eu deixo arrastar a conversa até explicar com detalhe. E resumo: gozo o prato.

 

E o que é de esperar neste espaço?

O mesmo que no outro. Não vou fazer nada de diferente. Nada de adaptado. São os meus textos, as minhas parvoíces, as minhas opiniões, os meus filmes, os meus livros, as minhas visões cruas sobre os temas, as minhas ocasionais lembranças, umas mais lamechas, outras nem por isso, as minhas peripécias, as patetices maravilhosas de Sôtor (apelido que tem na realidade, não foi criado para o blog). Tal como no anterior, mas com um nome que me parece fazer mais justiça ao que lá acontece. Ou pelo menos não ser contrário.

 

Com isto vai falecer o Instagram do blog anterior, o que até faz sentido porque eu não tenho jeito para o Instagram e por isso até que consiga fazer alguma coisa que se aproveite daquilo mais vale estar quieta. O facebook do “Em Busca da Felicidade” vai também à vida. Queria mudar de nome não dando trabalho a quem já fez like, mas diz que os senhores do Facebook consideram enganador mudar assim o nome à bruta. Por isso, e tentando olhar para o lado positivo: as pessoas que fizeram like e já estavam fartas, agora vão ver-se livres assim de "sem querer".

 

Os que gostam do que escrevo ficam a saber onde me podem encontrar, tenho lá a indicação de mudança de loja.

 

E é isto, espero que gostem do nome do espaço. Eu sei que gosto, só tenho pena de não me ter lembrado antes.

 

Nota: o primeiro texto se calhar devia ser assim uma coisa mais glamorosa, mas depois era capaz de induzir as pessoas em erro, por isso, vai na volta o melhor é ser mesmo assim, uma especie de manta de retalhos.

 

Notem a minha atenção e cuidado, com os flocos de neve no fundo só assim para alembrar o mês do Natal. Tornei-me numa fofinha.