Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blog Bestialmente Conhecido

Meu amor, ainda és tão pequenino...

 

Numa semana em que se falou tanto de crianças, de educação, da falta dela, de pais - uns bons, outros piores, ou talvez apenas diferentes.

Numa semana de tantas opiniões.

Vou resumir a minha a esta música.

Isto com mais amor, mais 10 segundos de tempo, 1 caneca de paciência, uma pitada de ralhetes, meia dúzia de caras feias, umas gargalhadas, muita relativização e um punhado de exemplos. São coisa para ajudar nisto de criar os filhos.

Por hoje amor e encher de beijos.

A minha música para este fim de semana, da autoria da brilhante Luísa Sobral.

 

As palavras também fazem cócegas

...

- Ai, cruzes, credo! – disse o Sr. Nervoso…

- Ahahahahahahahahaahhah (gargalhada alta e sonora) cuzes, quedo, cuzes, quedo. Otavez mãe! Lê otavez….

...

 

É assim que se passa a leitura da história à noite.

 

Gosto de ler. Gosto de livros. Gosto de lhes pegar, de folhear, de sentir o cheiro, do mundo desconhecido que está dentro daquelas página. Deslumbra-me a capacidade de alguém juntar um conjunto de palavras umas às outras e conseguir criar um mundo paralelo na minha cabeça. A história desenrolasse à minha frente, abusando da minha própria imaginação. Fará parte de mim para sempre.

Os livros fazem-nos pensar, fazem-nos rir, entretem-nos nos momentos mais chatos, ajudam-nos a ultrapassar dificuldades e dão-nos a conhecer o maior numero possível de: palavras.

Como diria o Ricardo Araújo Pereira: acho que gosto de palavras. Do poder que podem ter. Conseguem fazer chorar, fazer rir e podem ter um impacto que causa mais dor do que um murro na cara.

Criam um sentimento sem que tenhamos fisicamente de tocar alguém.

É essa a força das palavras.

 

Estava ainda grávida e lia em voz alta para pequeno sôtor. Tinha lido algures que me conseguia ouvir e queria que se habituasse, lá está, a palavras.

Quando ele nasceu, recordo-me de o colocar na espreguiçadeira e sentar-me à frente dele a ler em voz alta. Ele muito atento.

Com poucos meses de vida as crianças não conseguem ainda assimilar uma história, mas aprendem a gostar de ouvir histórias. Sem saberem cresce o prazer de ouvir palavras.

Li livros inteiros – meus – para ele.

 

Quando começou a ter tamanho suficiente, fui-lhe perguntando se queria ler uma história para dormir. Importa que seja algo que lhes dê prazer, e não uma obrigação. Isso é o que os professores se veem obrigados a fazer nas escolas (e faço notar que os professores não o fazem de propósito mas têm de cumprir o seu papel e blablabla…só mesmo para evitar mal entendidos…).

Agora, com quase 3 anos não vai dormir sem ler uma história e, como é algo que gosta tanto, se eu ameaço que não há história porque se está a portar mal, orienta logo o comportamento.

 

Gosta de me ouvir ler, gosta que lhe faça perguntas sobre a história, mas acima de tudo gosta das palavras. Particularmente das que são diferentes do seu léxico de dia a dia, em especial aquelas que o fazem rir.

Quando tem uma história nova com palavras que ainda não conhecia, pequenas expressões, quer ler todos os dias a mesma. Às vezes duas semanas seguidas. Ri imenso com as palavras que mais gosta, pede para repetir.

Para mim é um encanto. Ainda que às vezes esteja cansada e à beira de cair para o lado….

 

O livro que estamos a ler agora tem, a páginas tantas, a empressão “cruzes, credo!”, e ele ri como se alguém lhe estivesse a fazer cocegas. Acho que nos quatro andares do prédio toda a gente o consegue ouvir.

E é delicioso.

 

Lá está, se não fossem as palavras, como é que eu escrevia esta história para me lembrar daqui a 20 anos….

 

Às 5 da manhã não é justo...

O karma é tramado.

Ontem publiquei um texto sobre pais e filhos. Sobre as fragilidades. Sobre como temos de compreender que os miúdos têm de fazer as suas patetices e como temos de os entender.

Hoje, por volta das 4 horas e 50 minutos da madrugada, estive por um fio para retirar tudo o que disse.

 

Eram cerca de 4 e meia da manhã ouvimos:

- Pai! Mãe!

O pai foi lá, e deu para eu ouvir no nosso quarto.

- Queo ir pá cama do pai e da mãe…

Aquela hora e com aquele nível de desgaste não debatemos, arranjamos espaço para ele.

Chega à cama e mal os costados tocam nos lençóis já está a dizer:

- Queo bebê leitinho.

Lá foi o desgraçado do pai – que está com uma carraspana em cima - buscar leite morno.

Eu dou-lhe o leite, porque tudo na vida daquela criança tem um circuito.

Bebe o leite e mergulha de cabeça na cama.

Menos de 10 minutos depois abre os olhos e começamos neste diálogo:

- Vamos buscar o patulheiro autocarro…

(queria ir ao Continente comprá-lo….faltavam 20 minutos para as 5 da manhã e aquele boneco só o vai ver se o Cristiano Ronaldo lho quiser comprar porque é uma porcaria de um carro que custa 120 €. Respira que esta foi à Saramago e quase me aleijou o bolso)

- Dorme…

- Posso estacioná o veliculo do Maschal debaixo da tua mofada?

- Não. Dorme…

- Posso estacioná otos veliculos debaixo da tua modafa?

- Não. Dorme…

- Posso pô a mina cabeça na tua mofada?

- Podes.

Nisto abarbatasse de tal forma à almofada que eu fiquei com 10 % (ou seja a ponta da fronha) e ele ficou com a almofada toda.

Continuou:

- Mãe, a Patulha Pata vai ajudá!

- Dorme…

- Podemos ir busca o Patulheiro autocarro?

- Não é muito caro…dorme…

- É muito caro?

- Sim. Dorme.

- Posso…

(interrompo-o)

- Não tarda nada voltas para a tua cama. Abarbatas-te a minha almofada e estás aí que é só rebeubeubeu e a mamã tem de dormir filho. Vai dormir, amanhã falamos…

Passado um bocado adormeceu…e acabou por sair de cima da almofada.

 

Agora vejamos uma coisa, quando eu decidi ter filhos deram-me várias informações, por exemplo:

Que ia chorar – check

Que ia fazer birras – check

Que ia apresentar fraldas que pareciam cenários de crime mas em cocó – check

Que eu quase ia morrer com o cheiro – check

Que o quarto ia parecer um cenário de guerra 10 minutos depois de eu ter ganho 3 bicos de papagaio nas costas, ali debruçada a apanhar tralha para o manter arrumado – check

Que eu ia acordar de madrugada para falar da porra da Patrulha Pata – NÃO!!!! Não há check para isto.

E eu sou uma pessoa que precisa do seu sono.

 

Bom. Por enquanto por aqui me arrasto, a sentir quase uma espécie de stress pós traumático quando vejo a publicidade dos desenhos animados nos cartazes da NOS.

 

Um bom dia para as pessoas que, do alto da sua vida maravilhosa, puderam dormir a noite sem ser interrompidos.

 

O meu filho à solta numa grande superfície de bens de desporto

Estávamos a caminhar para a porta de entrada e disse-nos:

- Lá dento queo andá xójinho!

- Tá bem filho, lá dentro a mãe deixa-te ir sozinho. - respondo eu já meio a soar profusamente porque sei o que me espera.

Passamos a segunda porta, pouso-o no chão, ergue o braço direito e corre enquanto grita:

- Bichicletaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

À frente aparece-me uma miúda saída de não sei onde, quer bloquea-lo, ele ignora-a, ela decide ser mais incisiva e empurra-o. Meto-me ao barulho:

- Ó amiguinha, empurrões não!

Faz-me sempre uma certa confusão esta coisa de aparecerem crianças vindas do nada em grande espaços comerciais, sem pais, irmãos, avós, nenhum acompanhante com idade que se apresente. Faz-me lembrar os jogos de computador, deve dar pontos ou coisa que o valha.

Ultrapassada a criatura-perdida-de-mãe-lá-atrás-que-nem-chamou-a-filha-à-atenção porque alguém lhe deve ter ensinado que os outros é que a têm de educar; sôtor monta-se na primeira bicicleta com rodinhas que encontra. Já está a tentar encaixar os pés nos pedais e diz-me:

- Falta-me o capichete!

Lá vou eu buscar um capacete, lá ouço outra vez que aquele não é o que ele gosta mais.

Anda para trás e para a frente duas vezes - empurrado pelo pai porque ainda não sabe andar de bicicleta - e salta lá de cima. Quer experimentar mais três ou quatro "bichicletas" e quando lhe digo que a profissional é para crescidos passa à secção seguinte. Arranca em modo Bolt e diz: 

- Vamos ao meu xitio pifiido!

Que é a secção de fitness onde estão os kettlebels, os pesos livres e as passadeiras. Tenta levantar todos os pesos, informa que são mesmo pesados e lança-se para as passadeiras. Sobe e desce todas elas e depois chama-me, aponta para os botões e para as ranhuras no painel das passadeiras de corrida e diz-me:

- Mãe põe aí uma mieda!

Quando acabo de lhe explicar que aquilo não é o carrossel de um supermercado arranca na direção contrária, enquanto corre diz-me:

- Vamos ao meu xitio pifiido!

Que é a secção das bolas. Quando o alcanço já está a lançar a primeira para ser apanhada. O objetivo dele é atirar todas as bolas para o fundo da loja. O nosso é tentar impedir que passemos - nós os crescidos - mais de um quarto de hora a apanhar bolas à vez. Eu vou apanhar uma e o pai fica com ele, assim que acaba de o repreender ela lança outra bola, arranca o pai e eu estou a chegar. Não pode ficar sozinho, porque da ultima vez que isso aconteceu, por 2 segundos não estava ninguém logo ao lado - estava no ângulo de visão - ele arrancou e já estava com uma cana de pesca na mão, quase a enfiar um anzol na boca de um velhote que estava a escolher isco. 

Ultrapassada a secção das bolas começamos a apressar-nos para a saída. Eu já estou em fraqueza e preciso de passar na zona das barras energéticas. Gastei tudo o que tinha. Tiro duas ou três e ele diz-me:

- Que é isso mãe?

- São barras de chocolate?

- Quero...

- Então temos e ir pagar.

Quando lhe digo isto arranca em voo picado para a caixa enquanto grita:

- PARARIIIIIIII!

Quando chegamos à fila já estou quase a desfalecer, a moça da caixa pretende informar-me dos pontos que tenho, ao que parece estou quase a receber um vale de 6 Euros. Sorrio, não sei se me aguento até à saída.

Adoro ir à "Detaton" é sempre muito "divitido".

 

Às vezes falta-me a pachorra...

...e é por isso que cada vez menos opto por partilhar coisas muito minhas. Sabe quem me seguia no Em Busca da Felicidade que o fazia com bastante frequência.

Mas....

As pessoas acham que, porque escrevemos num espaço público, partilhando opiniões, situações, peripécias e até sentimentalismos baratos, porque deixamos em aberto uma minúscula fresta da nossa vida, lhes é concedido uma espécie de direito divino para dizer o que querem, como querem. De opinar sobre o que somos e em respeito às decisões que tomamos.

Pequeno e breve esclarecimento:

Cada um sabe de si e Deus, a existir, lá saberá da maioria. Porque até Ele, sendo o sábio dos sábios, não terá certamente vagar para tanta idiotice a sabichonice da treta.

 

Uma boa noite, um bom fim de semana e um grande bem haja para todas as mães que, tal como eu, nem sempre sabem o que fazem, que têm medos e que se aporrinham com coisas aparentemente irrisórias.

 

#osparvoshaviamdeterumacaganeirasemprequeapoquentamosoutros

 

As mães não sabem o que querem….

IMG_20170830_111147_303.jpg

 

Quando ainda não era mãe, e parava para pensar em como seria no dia em que esse momento chegasse, tinha um milhão de certezas.

Ia ser medianamente assertiva, o miúdo ia para a escola logo aos 6 meses, porque as crianças com os avós ficam mimadas e precisam de conviver com os seus pares, não ia desatar a chorar quando o deixasse aos cuidados da educadora e nunca me afligiu a ideia de deixar um filho com uma perfeita desconhecida.

As coisas eram o que eram e eu, pessoa prática e que despacha coisas diversas, ia gerir a maternidade como uma espécie de brisa porque tinha uma ideia clara de como as coisas se haviam de passar.

 

Quando o pequeno nasceu, a ideia de o deixar com 6 meses, pequeno e indefeso, aos cuidados de uma pessoa que eu não conhecia começou a atormentar-me.

Por isso convidei os meus sogros a mudar-se do Alentejo para Lisboa para que cumprissem um único propósito: tomar conta do neto.

Não fazia sentido ter ciúmes da minha sogra. Eu era a mãe e o meu filho sabia disso.

Não foi preciso um mês para perceber que me incomodava a ideia de a minha sogra estar mais tempo com o meu filho do que eu. Começou a preocupar-me a possibilidade de aquele ser, tão meu, tão mais meu do que eu própria me pertenço, pudesse, sequer de forma remota, gostar mais da avó do que de mim.

O tempo foi-me tranquilizando. Todas as manifestações de carinho que tem comigo e a alegria com que me recebe, a par com o abraço que se acompanha com um sentido “estou tão contente por te ver mãe!”, apaziguaram a caixinha vermelha que trago ao peito.

 

Nos primeiros tempos que ficava com os avós não havia choros nem tristezas. Depois, quando começou a perceber que os pais iam fazer alguma coisa sem ele, começou a pedir que ficássemos, que fossemos todos passear, que estivéssemos sempre com ele.

Fomos-lhe explicando que os pais tinham de trabalhar. Foi percebendo e hoje fica com os avós sem dizer nada. Ou melhor, às vezes lá esclarece: “vá, vão lá tabalar!”.

 

A primeira vez que o vi chorar porque não queria que o deixasse fiquei com o coração partido. Queria ligar para o trabalho e dizer que não ia, não trabalhava até o meu menino dizer que estava bem, que eu podia ir.

Agora que essa fase passou percebi que me afeta que ache normal que eu vá embora horas a fio.

Uma espécie de “então caraças, afinal não tens saudades da mãe”.

Volta aquele receio de que venha a gostar mais dos avós que de nós. Afinal de contas eles dão-lhe muito mais tempo que os pais.

Zango-me comigo, afinal de contas quero-o independente ou dependente?

Acho que queria uma espécie de medida intermédia que nem eu sei bem qual era.

 

Suspiro quando está sempre a chamar-me para brincar. O pai está sempre no banco de suplentes. Tem oportunidade de descansar. Depois chama pelo pai porque prefere fazer uma brincadeira com ele e a minha cabeça pensa “olha, está a começar a perceber que a mãe é uma tola e que o pai é muito mais fixe!”

Um dia isso vai acontecer.

Eu sou uma pessoa destrambelhada, tola, que fala pelos cotovelos, tendencialmente infantil e que tem a mania que tem graça. Nos dias maus sou uma trombuda da pior espécie, abuso do sarcasmo bem ácido e tenho pouca paciência.

Para ele sou sempre a primeira, a segunda desaparece quando ele está.

É claro que ralho, e que me descabelo, especialmente quando anda a correr pela casa e corre o risco de abrir a cabeça contra a quina de uma mesa. Afinal de contas ainda no outro dia me caiu em voo picado, ficando completamente estatelado no chão, porque tinha tropeçado num edredão.

 

Ontem chamou-me para brincar, no meio da brincadeira explica-me as regras:

- Mãe, tu vais tabalar pa ganhar dineio. Eu fico em casa shojinho. Tá bem!?

E eu pensei com os meus botões que tinha estado o dia todo fora e agora ele queria brincar a eu ainda ir trabalhar outra vez.

Tonteira. Eu sei.

 

Hoje acordou às 6:20 da manhã, a primeira coisa que me disse foi:

- Vá, vamos para os avós!

Ainda pedi que confirmasse, ele esclareceu:

- Vamos para os avós. Vai-te vistiri.

 

E eu a pensar no que é que eu estou a errar, para o meu rico menino, às 6 da manhã, acordar com vontade de estar nos avós em vez de dizer “bora lá ficar em casa mãe!”.

Custa-me esta coisa de me sentir a passar para segundo plano.

Ele vai fazer 3 anos.

E atormenta-me a ideia de que um dia, se tudo correr bem, ele vai ser um homem independente, que, com muita sorte, me liga uma vez por dia e vai ter a vida dele. Independente da minha.

 

Na minha cabeça crio a ideia que há um mundo de mães que pensa assim, faz de conta que pertenço a uma espécie de gangue com um certo grau de psicose normal nesta coisa dos filhos. Preciso de acreditar que há mais como eu, quase tanto como os astronautas precisam de acreditar que há vida noutros planetas.

 

Os filhos, os telemóveis e as encrencas em que nos metem

Ora muito bons dias.

tsitude?! Boa!

Então e eu?

Cá ando, com aquelas dores do costume e hoje a acrescer uma pontada de vergonha pelas situações em que me filho me coloca.

O meu maravilhoso rebento é uma criança tremendamente ativa e eu, pela hora de jantar sou uma mãe extremamente cansada. Ele quer correr pela casa toda. Eu quero sentar-me durante 10 minutos a comer uma bucha jantar, enquanto vejo um qualquer programa de decoração na TV.

Para que eu possa ter esses singelos 10 minutos tenho de o manter entretido e, manda-lo para o quarto brincar com as coisas dele não é opção, essencialmente porque com todas as horas que teve longe de nós quer atenção, em especial atenção da mãe, passando o todo a perguntar: “Já acabaste de comer, mãe?!”. O interrogatório de uma só questão começa, normalmente, antes mesmo de eu me sentar.

Vai daí e eu empresto-lhe o meu telemóvel. Normalmente vai sempre ao Youtube para ver os vídeos do homem aranha e do Hulk.

Ontem, depois de um dia de chuva e transito e trabalho e o diabo a sete, não foi exceção. Emprestei-lhe o telemóvel e comia a minha sopinha de espinafres biológicos (todo este post é para dizer que como sopa de espinafres biológicos) quando ouço o Nuno:

- O que é que estás a fazer? Dá cá o telemóvel.

Sem que nós estivéssemos a dar conta o pequeno estava a mandar por messanger uma todo nossa para todos os meus contactos. Conseguiu mandar para quase 30 pessoas. Entre os destinatários estavam o meu responsável do trabalho, a responsável do Nuno, a antiga responsável do Nuno, familiares, amigos, pais de amigos e ainda colegas de escola que já não vejo há quase 20 anos.

E que foto era?

Uma foto linda.

Quando eu e o Nuno fizemos 1 ano de casados achámos graça fazer uma montagem de fotos que tirámos nesse dia: nós abraçados, os dedos entrelaçados com as alianças, um beijinho com a lua atrás. Enfim, lamechices que fazem sentido quando se faz um ano de casado e ainda se está movido pela emoção de ter sido pais há menos de 6 meses.

Então foi essa montagem que seguiu para toda a gente.

Das pessoas que receberam a maravilhosa missiva recebi todo um pot-pourri de respostas...para as quais criei uma hierarquia para as que me fizeram rir mais.

Vamos ver? Bora lá!

  

Em 6º lugar ficam as pessoas que se borrifaram completamente para a foto.

Não disseram aí nem ui. Já sabem mais ou menos o que a casa gasta e, à partida, a menos que eu estivesse a ter algum acesso de paragem cerebral não estaria a mandar mensagem privada com uma foto daquelas para ninguém.

 

No 5º lugar estão os que perguntaram “isto é para mim?”.

Pessoas sensatas que quiseram apenas alertar numa espécie de: “se querias mandar para alguém parece-me que te enganaste!”.

 

No 4º lugar estão as pessoas que saíram do seu caminho para dizer que estamos lindos.

Ou seja é malta tão do bem que acha que eu, pessoa trombuda e circunspeta, com toda uma panóplia de redes sociais à disposição, havia enviado uma foto romântica por mensagem privada. Pessoas lindas….

 

No 3º lugar estão as pessoas que de facto pararam para nos dar felicidades.

Não sei o que raio lhes terá passado pela cabeça, mas pelos vistos acharam que nós andamos por aí, a uma terça-feira, a mandar fotos com montagens por mensagem privada. Não faço isso pessoas. Nunca. Melhores foram os que acharam mesmo que tínhamos voltado a casar. A sério? Com o mesmo homem. Que canseira….

 

No 2º lugar estão as que já sabiam quem tinha mandado a foto. E com estas escangalhei-me a rir.

Respostas como: “minha querida, acho que o teu príncipe está a bombar no facebook” e a minha favorita “estão lindos. Gosto de todas as fotos que o Ricardo me envia”, fizeram-nos partir a rir em casa. É gente que já está habituada a receber mensagens de meu filho e faz pouco disso. Gosto de gente desta.

 

A cereja no topo do bolo, a que leva o primeiríssimo prémio vai para o meu querido chefe. Homem sério e circunspeto que, após eu lhe ter mandado uma mensagem a dizer para desconsiderar a foto me disse “eu já tinha calculado”, quando lhe respondi que havia pessoas que tinham achado que tínhamos voltado a casar, deu-me a melhor resposta de todos os tempos “quando amamos, casamos todos os dias!”. AHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAHAHAAH. Fartei-me de rir. Claro que lhe respondi à altura com um “bla bla bla pardais ao ninho”.

 

E é isto. Estive mais de 30 minutos a explicar a pessoas que havia ocorrido uma situação de telemoveljacking feito por meu filho. Sendo aquela missiva o resultado de um equivoco.

Já sei que me vão dizer que as crianças não devem andar com os telemóveis e não lhe devia emprestar o objeto e ele devia saber estar quieto e rebeubeubeu e a Branca de Neve limpou a casa dos Sete anões e a Capuchinho Vermelho deu os queques a comer ao lobo quando fizeram um walk and talk pela floresta e tal e coise.

O que é certo é que uma pessoa está cansada ao final do dia e usa dos recursos que dispõe para que as coisas corram, se possível, a velocidade cruzeiro.

Algo que não aconteceu ontem, visto que bati de frente com este iceberg.

 

Pérolas da parentalidade (2)

Por hábito é o pai que o vai buscar. Eu vou adiantando o jantar ou passeando os cães.

Casas onde há mais tarefas que mãos para as fazer é assim....é preciso escalonar, dividir e tentar organizar.

Ontem, como tínhamos coisas para arrumar (com o aniversário do homem ao fim de semana relaxámos um bocado), pedimos ao meu sogro para trazer o artista ao final do dia.

Faltavam 5 minutos para as 20 quando desço as escadas, pareceu-me que era melhor alombar eu com o pequeno escada acima do que fazer um senhor com 70 anos - que passou o dia a levar uma esfrega do neto - carregar com ele.

Quando vejo o carro a chegar aproximo-me.

Assim que o tiro do carro diz para o avô:

- Vá, agora vai-te embora.

- Não digas isso ao avô, coitadinho. Dá-lhe um beijinho, um abraço e diz "até amanhã". - digo-lhe eu.

Deu o abraço. Deu o beijinho e disse-lhe:

- Vá agora vai para o teu carro e vai-te embora.

Se eu não soubesse que o avô sabe bem a peça que ali está ficava mais embaraçada. Assim...

 

Chegamos à porta do prédio e eu não consigo pôr o código da porta. Um dos números está meio avariado e por mais que o pressione não consigo que funcione.

Pouso o pequeno enquanto bufo e ele diz-me:

- O avô hoje disse "porra mais isto!".

- Aí sim, e quando foi isso?

- No caminho. O carro avaliou e ele disse. Tem de ir à ofichina.

Deve ter sido bateria outra vez. Afinal de contas o carro já é um clássico, há que lhe dar um desconto. Pensei com os meus botões.

Chego a casa e peço ao Nuno para ligar ao pai, ficar a saber se havia algum problema com o carro e se era preciso alguma coisa.

Resultado: com o frio que fazia o vidro embaciou demasiado e o velhote teve de parar para limpar o livro. Para o neto foi uma avaria.

 

Vamos brincar para o quarto enquanto o jantar se faz. Levanta uma espécie de uma passadeira almofadada que tem no quarto e avisa-me que construiu uma casa.

Finjo que bato à porta e ele diz-me:

- Quem é?

- É a mãe, podes abrir?

- Não vai tabalar pa ganhar dinheio.

WTF?!? Atão mas quê isto pá!?

Finjo que vou trabalhar e que volto. Bato à "porta" outra vez.

- Quem é?

- É a mãe filho. Voltei do trabalho. Podes abrir a porta?

(ele finge que abre)

- Posso entrar?

- Não, já aqui tá muita gente. Nã cabis.

E é para isto que eu te crio!?

 

À noite, antes de ir para acama foi tomar banho. Deixei-o a brincar na banheira pequena - onde ainda toma banho - a brincar com os bonecos enquanto eu fui arrumar a mala para o dia seguinte.

A determinada altura chama-me.

Ponho a cabeça dentro da casa de banho e ele diz-me com o maior sorriso possível:

- Olha o que eu fizei!

O que ele fizou foi encharcar o chão da casa de banho com água. 

Estava numa alegria só.

O que é que eu faço com um sacripanta destes!?

 

Pérolas da parentalidade (1)

Passar o fim se semana com sôtor meu filho é o mesmo que andar à caça do tesouro, há moedas de ouro e pérolas a cada esquina.

É também bastante desgastante e infantil, considerando que, à parte dos momentos de sesta, com uma criança de menos de 3 anos passamos o dia a toque de caixa dos seus "queo, queo, queo, queo".

Este fim de semana não foi exceção.

No sábado, para comemorar o aniversário do Nuno vieram cá jantar algumas pessoas de família onde estavam incluídos (como seria de esperar) os meus sogros.

Sôtor passa os dias com os avós paternos e, ao final do dia e fim de semana quer estar apenas com os pais, mandando frequentemente para casa os avós (se calham a vir cá a casa por algu motivo) porque estar com os pais, aparentemente, é mais fixe.

Vai daí e o meu irmão e a minha cunhada preparam-se para ir embora porque a minha sobrinha tinha um trabalho de grupo para fazer na faculdade e precisava de ir ter com as colegas. Com eles foi também o meu pai.

Vendo todos de partida sôtor pegou na trela do cão dos meus sogros, entregou-a ao avô e disse-lhe:

- Tu também vais.

Todos nos rimos.

Não satisfeito e já depois de todos saírem, os avós foram ter com ele ao quarto.

Foi então que perguntou:

- Onde estão os outros?

Eu respondi:

- Foram para casa.

E ele disse para o avô e para a avó:

- Só faltam vocês. Adeus!

Fiquei sem palavras.

 

No Domingo, ao final do dia fui dar uma corrida. Quando cheguei disse ao pai:

- A mãe chegou, agora vai lá tu correr....

Contemos o riso.

Sentei-me com ele no chão a brincar e ele diz-me:

- Ai mãe, gosto tanto quando ficamos os dois sozinhos em casa...

Contive o riso. Sei que é egoista, mas é tão bom ouvir estas coisas.

 

Estávamos sozinhos em casa e eu fui à cozinha desligar um aparelho enquanto ele ficou no quarto a brincar. Quando ia ter com ele vejo-o a correr na minha direção. Dobro-me e digo:

- Oh amor, vens dar um abraço à mãe...tão bom.

Ele diz-me continuando a correr e passando ao meu lado:

- Sai da fente, tá a dar uma Patulha Pata!

 

E eu fiquei ali de braços abertos.

Depois ri-me.

Ah, as maravilhas da parentalidade (pérolas para o pai e pérolas para a mãe).

 

A ensinar língua portuguesa como ninguém desde mil nove e troca o passo

Rotina

Beber leite à noite antes de ir dormir

 

Acontecimento

Copo novo para beber o leite

 

Horário

23:00 (pais já desesperados e filho com toda a energia do mundo)

 

Eu – Vá encosta-te lá à mãe para beberes o leitinho.

Sôtor – Quero ver o copo por dento!

(abro e mostro-lhe que o leite está lá dentro)

Eu – Vá, já viste o leite agora vamos tratar de beber o beber.

(bebe um gole)

Sôtor – Quem está naquela tugrafia?

Eu – A mãe e o pai.

Sôtor – Onde?

Eu – Numa estamos noutra casa e na de baixo estamos em Aveiro.

(bebe um gole)

Sôtor – Aveiro?

Eu – Sim.

Sôtor – Tens ali goupa para agumar.

Eu – Pois tenho. Agora bebe o leite.

(bebe um gole)

Sôtor – Acho que já não queo mais.

Eu – OK, então o pai vai levar. Nuno, levas o leite para a cozinha?!

(ele faz o teatro que não quer e nós fazemos o teatro de que vamos levar o leite)

Sôtor – Nãããããão! Espea, é queo beber.

Eu – Então paramos com a brincadeira e bebes o leite. Já é tarde e tens de ir dormir.

Sôtor – Tá bem. Ê poto bem!

(bebe mais um gole)

Sôtor – Vamos lê a banca de neve.

Eu – Não, não vamos. A mãe já leu a Capuchinho Vermelho e o Rei vai nu uma vez, e o pai leu outra vez…as duas histórias. Amanhã há mais. Bebe o leite.

(bebe um gole)

Sôtor – Queo ver o teu livo.

Eu – Vês o meu livro depois de beberes o leite. Bebe o leite.

(bebe um gole)

Sôtor – Queo ver o malinheiro que tá no copo.

Eu – Agora não.

Sôtor – Queo ver o leite lá dento.

Eu – Já viste. Bebe o leite.

Sôtor – Queo…

Eu – Já chega, não bebes o leite o pai vai levar e acabou a brincadeira.

(chamo novamente o Nuno, repetimos o teatro e desta vez aviso que a paciência está a chegar ao fim e se voltar a brincar não voltamos atrás)

Sôtor – Pai, na leves. Ê bebo.

(voltamos ao inicio, retoma a beber o leite, bebe o primeiro gole)

Sôtor – Quem está naquela tugrafia?

Eu – Bebe o leite.

Sôtor – Tens ali goupa para agumar.

Eu – Eu sei. Bebe o leite.

Sôtor – Queo ver o teu livo.

Eu – Agora não. Bebe o leite.

Sôtor – Queo ver o malinheiro que tá no copo.

Eu – Bebe o leite.

 

Finalmente acaba de beber o leite.

 

Sôtor – Queo ver o teu livo.

(mostro-lhe a capa, gosta de ver o titulo e a imagem da capa, tem uma foto de Paris e inventamos coisas sobre o que se passa naquela imagem)

Sôtor – O que diz aqui?

(aponta para o titulo)

Eu – O Livreiro de Paris.

Sôtor – Aqui tá uma estada onde passam popós.

Eu – Exatamente.

Sôtor – E aqui tá uma avuoe.

Eu – Sim, está uma arvore. Agora vamos dormir porque passa largamente da tua hora.

(Eram 23:25. Deitou-se ao meu lado. Eu pego no meu livro para ler uma página até ele adormecer e eu depois ir coloca-lo na cama dele)

Sôtor – Tens aí muitas letas!

Eu – Pois tenho.

Sôtor – E muitas palavas.

Eu – É verdade.

Sôtor – As letas fazem palavas.

Eu – E as palavras fazem frases.

Sôtor – O que são fases?

Eu – São uma espécie de gangues de palavras. Agora dorme.

 

Gosto muito de usar canela, mas às vezes não chega um frasco era preciso um contentor.