Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blog Bestialmente Conhecido

Kong Fu ganga

Gaja que é gaja quando compra uma calça de ganga quer com ela fazer boa figura. Ou isso ou procura uma coisa barata para fazer de pré-panos em casa. Aquele trapo mal enjorcado que se usa para as limpezas e para despejar o lixo.

Vai daí e a gaja entra na loja que vende o artigo pretendido e procura o que está na moda, que, de acordo com os meus parcos conhecimentos pode ser:

Temos a calça de ganga boyfriend jean

Que é aquela calça de ganga que tem um corte adaptado para o maridão, pela largura das ditas será sempre um grande calmeirão: alto e largo. A cintura fica larga, nas ancas sobra pano e depois espeta-se com um cinto. Assim um bocado naquela de fazer de conta que dormimos ontem lá em casa e como o vestido era muito formal ele nos emprestou dois trapos para meter em cima, assim confortáveis e que fazem de nós mulheres sensuais, porém desarranjadas e que não querem saber porque já têm um grande machão consigo.

 

Temos a calça de ganga com remendos

Que é aquele artigo que parece que a pessoa esteve num acidente de mota grave mas só a roupa ficou aleijada. As mais estranhas são as que vêm mesmo com um pedaço de tecido pendurado, qual estropiado em estado pré-coma. Esta calça pode ser encontrada na versão super larga, ali próxima do boyfriend jean, que pretende dar a ideia que foi o namorado que emprestou as calças de ganga depois de ele ter tido uma acidente de mota grave. A outra hipótese é o skinny jean, que é aquela calça de ganga tão justa que mais parece um legging mas cheio de buracos e farrapos.

 

Temos a calça de ganga de cintura descaída

Que é aquela calça onde a pessoa quando se agacha, se a blusa não for comprida, fica com a asa delta à vista.

 

Temos a calça de ganga com a cintura subida

Que é aquela calça de ganga que tem tanta cintura que a calça acaba mais ou menos no esófago, mesmo ali abaixo das marias. A ideia é esmifrar a organlhada de maneira a parecer que a pessoa tem uma cintura de vespa. Mesmo que os órgão se mantenham em sofrimento.

 

Detalhado que está um espetro relativamente vasto das macro categorias de calças de ganga deparamo-nos com um problema no momento da aquisição e posterior utilização pós lavagem.

Este obstáculo não se coloca para as calças de ganga que parecem ser 4 números acima do da pessoa, mas concretamente nas calças que se querem justas e firmes em torno do pernil da elemento que adquire.

 

Ora pois que a gaja dirige-se à loja e pretende comprar uma calça de ganga justa, quer aquela que arredonda a nalga e dá a impressão de que debaixo daquele trapo está um par de glúteos que Sim Senhor!, vai daí e pede apoio ao funcionário da loja para saber se a calça é bicha para dar de si, ou se se mantém rijinha.

O funcionário explica que, após utilização é normal que dê um pouco de si, afinal de contas o tecido sempre tem alguma elasticidade, pelo que o melhor é comprar o número mais justo, para que depois não fiquem laças. Ali a criar bolsas no rabo, daquelas que parecem umas babas estranhas, resultando no trágico cú de velha.

Por isso a pessoa pega nas calças apertadinhas e entra no provador, enfia a primeira perna, tudo encaminhado, encaixa a segunda e começam os problemas, há uma estranha barreira criada pelas ancas alavancada pela largura da coxa. É nesse preciso momento que se iniciam as manobras de Kong Fu. A pessoa agarra forte do cós da calça, exercício a duas mãos e, enquanto puxa com força para cima dá um pontapé com a perna direita. Repete o exercício com a esquerda. Arreia forte na parede do provador, sopra o cabelo das ventas e continua o esforço. Inspira para ganhar balanço e expira tudo ao pontapé. Bora lá!, tá quase. A pessoa dá tudo até apertar o ultimo botão. Compreende que tem apenas 25 % dos pulmões ocupados com oxigénio e tenta perceber se é possível manter-se vivo dessa forma.

Confirma-se. Adquire o bem.

Nos primeiros dias que usa consegue brilhar por onde passa, afinal de conta a calça já de acomodou ao lombo e tudo corre pelo melhor.

Depois as calças vão para lavar.

E há um dia de manhã em que a gaja fica com as calças pela zona das ancas. Dá-se um momento de falta de reconhecimento do bem. Depois compreende o sucedido e inicia o processo.

Agarra-se a duas mãos, faz força e…pontapé pá direita. Descansa. Pontapé pá esquerda. Recupera. Sopra, Grita um “Yiiiiaaaaa!”, para dar mais vida ao momento.

É o chamado Kong Fu Ganga, em que a calça é sempre a derrotada e quando assim não é, lá vai a auto-estima da gaja pelo cano.

 

Conversas de pendura

Estávamos a sair do Eixo Norte Sul e o Nuno pega no telemóvel para ver não sei o quê:

Eu: Deixa o telemóvel, estás a conduzir.

(pousou o telemóvel)

Ele: Este bocadinho é a direito.

Eu: Mas pode aparecer um animal, por exemplo...uma raposa...

Ele: Ou uma galinha...

Eu: Ou uma galinha...(confirmo)

Ele: Porque é muito comum encontrar galinhas na Segunda Circular.

Eu: Olha, podia ser uma galinha a correr atrás de uma raposa e a gritar "vais comer os ovos é o caralho! volta pó tê monte!", e a raposa atravessava louca pela estrada porque estava acagaçada de medo da galinha.

Ele: Porque na aldeia as raposas comem as galinhas, mas nas cidades as galinhas já são informadas.

Eu: Precisamente.

 

E é assim que se viaja comigo a pendura. Com muita dica de condução. Introduções à natureza e emancipação de animais. Para não falar no desenvolver de capacidades cognitivas e de fala.

Quem ficou agora com vontade de fazer uma viagem comigo para o Porto e volta?

 

crazy-chicken-clipart-16.jpg

 

 

Às 5 da manhã não é justo...

O karma é tramado.

Ontem publiquei um texto sobre pais e filhos. Sobre as fragilidades. Sobre como temos de compreender que os miúdos têm de fazer as suas patetices e como temos de os entender.

Hoje, por volta das 4 horas e 50 minutos da madrugada, estive por um fio para retirar tudo o que disse.

 

Eram cerca de 4 e meia da manhã ouvimos:

- Pai! Mãe!

O pai foi lá, e deu para eu ouvir no nosso quarto.

- Queo ir pá cama do pai e da mãe…

Aquela hora e com aquele nível de desgaste não debatemos, arranjamos espaço para ele.

Chega à cama e mal os costados tocam nos lençóis já está a dizer:

- Queo bebê leitinho.

Lá foi o desgraçado do pai – que está com uma carraspana em cima - buscar leite morno.

Eu dou-lhe o leite, porque tudo na vida daquela criança tem um circuito.

Bebe o leite e mergulha de cabeça na cama.

Menos de 10 minutos depois abre os olhos e começamos neste diálogo:

- Vamos buscar o patulheiro autocarro…

(queria ir ao Continente comprá-lo….faltavam 20 minutos para as 5 da manhã e aquele boneco só o vai ver se o Cristiano Ronaldo lho quiser comprar porque é uma porcaria de um carro que custa 120 €. Respira que esta foi à Saramago e quase me aleijou o bolso)

- Dorme…

- Posso estacioná o veliculo do Maschal debaixo da tua mofada?

- Não. Dorme…

- Posso estacioná otos veliculos debaixo da tua modafa?

- Não. Dorme…

- Posso pô a mina cabeça na tua mofada?

- Podes.

Nisto abarbatasse de tal forma à almofada que eu fiquei com 10 % (ou seja a ponta da fronha) e ele ficou com a almofada toda.

Continuou:

- Mãe, a Patulha Pata vai ajudá!

- Dorme…

- Podemos ir busca o Patulheiro autocarro?

- Não é muito caro…dorme…

- É muito caro?

- Sim. Dorme.

- Posso…

(interrompo-o)

- Não tarda nada voltas para a tua cama. Abarbatas-te a minha almofada e estás aí que é só rebeubeubeu e a mamã tem de dormir filho. Vai dormir, amanhã falamos…

Passado um bocado adormeceu…e acabou por sair de cima da almofada.

 

Agora vejamos uma coisa, quando eu decidi ter filhos deram-me várias informações, por exemplo:

Que ia chorar – check

Que ia fazer birras – check

Que ia apresentar fraldas que pareciam cenários de crime mas em cocó – check

Que eu quase ia morrer com o cheiro – check

Que o quarto ia parecer um cenário de guerra 10 minutos depois de eu ter ganho 3 bicos de papagaio nas costas, ali debruçada a apanhar tralha para o manter arrumado – check

Que eu ia acordar de madrugada para falar da porra da Patrulha Pata – NÃO!!!! Não há check para isto.

E eu sou uma pessoa que precisa do seu sono.

 

Bom. Por enquanto por aqui me arrasto, a sentir quase uma espécie de stress pós traumático quando vejo a publicidade dos desenhos animados nos cartazes da NOS.

 

Um bom dia para as pessoas que, do alto da sua vida maravilhosa, puderam dormir a noite sem ser interrompidos.

 

Vida de mãe incompetente é assim...

Sôtor dorme 50 % da noite da cama dele.

Adormece na nossa cama. Depois de ouvir uma história, de comentar os nossos livros e de tentar arranjar temas de conversa para galhofa em vez de sono.

Nos dias mais cansativos adormece rápido e o pai vai pô-lo na cama.

Por regra, a meio da noite, recebemos um pedido de acolhimento. Tentamos que fique na cama dele, mas estamos tão cansados e cheios de sono que entramos na atitude “que se lixe, mais noite menos noite” e o miúdo lá arranja um bocado de espaço no meio dos pais.

Já sei: somos uns irresponsáveis que estão a criar o novo king jong un da Margem Sul. Vai oprimir pessoas com gargalhadas e injuriar inocentes com piadas. Uma desgraça. Para os que já viram o novo programa da Nanny cool e aprenderam coisas até se lhes arregalam os olhos e se lhes arrepanham as pálpebras a ler isto. Meu Deus os riscos comportamentais que esta criança corre.

Expôr os defeitos de uma criança na TV nacional é como o outro, agora dormir na cama dos pais, isso é que não!

ESCUTEIROS! Ainda se fosse na droga!

Adiante que já se faz tarde e a hora de almoço é curta.

 

De manhã levantamo-nos com pezinhos de lã para nos despacharmos. Vamos tomar o pequeno almoço, tratar das coisas essenciais às pessoas asseadas e voltamos ao quarto para nos vestirmos.

Quando há tempo deixo a roupa já arranjada do dia anterior. Quando não me lembrei lá ando a pescar combinações no guarda vestidos com a ajuda da lanterna do telemóvel.

 

No Domingo, final de fim de semana, logo com algum descanso no lombo, consegui deixar a saia e a camisola de gola alta que ia vestir. À segunda feira é dia de muito frio no escritório e eu tenho de estar agasalhada porque sou uma pessoa que sofre com o frio.

É uma espécie de condição médica.

Quando vesti a camisola senti qualquer coisa estranha no pescoço. Palpei a camisola por dentro e estava do lado certo. Tinha de me despachar. Era cedo e eu estava com neura. Devia estar com comichões porque não me apetecia sair de casa com frio.

Passei o dia a coçar o pescoço, cheia de impressões.

 

Ao fim da tarde, depois de ter passado o dia a esticar a gola da camisola dou conta pedaço de tecido. Era a etiqueta. A camisola estava vestida ao contrário e tinha estado assim o dia todo.

Não dei conta das vezes que estive em frente ao espelho na casa de banho.

Ninguém me avisou.

Nem o meu marido que almoçou comigo.

 

Tentei ajeitar a gola um pouco para fazer de conta que era mesmo assim.

O que vale é que aquilo que mais me vê durante o dia é o ecrã do computador.

 

Lé chon se á abané...

acagaçada.png

 

 

Estava eu descansada da minha vida, ali forte a ler documentos cruciais à minha vida de trabalho, e vai de sentir o chão a mexer-se com vontade própria.

- Ó não-sei-quantas deste conta disto filha, ou fui só eu?

É que às vezes acho que as coisas se dão, porque sou uma caguinchas, e não se passou nada.

Todos confirmaram o abanico menos o chefe, metido com a sua vida achou que estávamos a mangar com ele.

Liguei para casa a saber se alguém tinha sentido alguma coisa, rico filho estava no jardim a dar à perna de um lado para o outro nem se apercebeu de nada.

No Correio da Manhã não tardou a saber-se que o epicentro foi em Arraiolos com uma magnitude de 4.9. E ao fim de poucos minutos já lá havia um reporter. (às vezes tenho medo...parece que estão sempre entre nós...)

Caramba, se menos de 5 se sente tão bem, se isto se me abana como no Japão estamos feitos ao bife. Mas atenção que não houve baixas de pessoas, animais ou objetos.

Durante a hora de almoço já houve quem esclarecesse que os gatos conseguem pressentir terramotos, a minha colega do lado esclareceu que se ouve barulho antes.

Para ir beber o cafezinho à rua fiz as viagens de elevador com um certo tefe-tefe, mas depois enchi-me de coragem e lembrei-me que nos filmes a malta que lerpa sempre são os medrosos histéricos. Os heróis ultrapassam tudo estoicamente e nunca mostram um semblante acagaçado.

Estou a tentar manter esse estado mental para ultrapassar a tarde.

E farei os possíveis nos próximos dias para convencer os RH e o meu chefe de que a melhor coisa para a empresa é adquirir um gato. Fariamos como com o peixinho dourado do Colégio e cada colaborador fica com o gato um fim de semana.

Por enquanto...

...ainda que ache que o melhor era preventivamente evacuarem Lisboa, que assim preveníamos baixas num cenário de catástrofe e eu adiantava as coisas para o jantar.

 

 

Focus Cátia son, focus….

focus.jpg

 

 

O meu pai é um engenheiro autodidata das mais modernas tecnologias.

Sempre o foi.

Criou um método infalível para resolver quaisquer questões, que podem ir da falta de contacto de um fusível dentro da TV à falta de rede de um telemóvel. É sempre o mesmo método e raras vezes falha.

Quando este método já não funciona, normalmente o equipamento está pronto para ir pró lixo.

E muito simples: basta levar a mão que lhe der mais jeito o mais atrás possível, exercer o máximo de força que conseguir e arrear uma valente pantufadona no equipamento.

É um movimento que impõe respeito e repara.

Aquele objeto passará a respeitar-nos para todo o sempre, seja pela nossa conduta, seja por medo de apanhar outra vez.

Tenho muito presente a imagem do meu pai a reparar a TV antiga lá de casa, daquelas que pareciam uma caixa gigante e pesavam toneladas.

 

Quando estou com falta de concentração tenho vontade aplicar a mim mesma este método. Para ver se volto a ter sinal na pinha e se me ligo ao que mais importa.

 

Arre que isto à segunda é muito difícil….

 

O meu filho à solta numa grande superfície de bens de desporto

Estávamos a caminhar para a porta de entrada e disse-nos:

- Lá dento queo andá xójinho!

- Tá bem filho, lá dentro a mãe deixa-te ir sozinho. - respondo eu já meio a soar profusamente porque sei o que me espera.

Passamos a segunda porta, pouso-o no chão, ergue o braço direito e corre enquanto grita:

- Bichicletaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

À frente aparece-me uma miúda saída de não sei onde, quer bloquea-lo, ele ignora-a, ela decide ser mais incisiva e empurra-o. Meto-me ao barulho:

- Ó amiguinha, empurrões não!

Faz-me sempre uma certa confusão esta coisa de aparecerem crianças vindas do nada em grande espaços comerciais, sem pais, irmãos, avós, nenhum acompanhante com idade que se apresente. Faz-me lembrar os jogos de computador, deve dar pontos ou coisa que o valha.

Ultrapassada a criatura-perdida-de-mãe-lá-atrás-que-nem-chamou-a-filha-à-atenção porque alguém lhe deve ter ensinado que os outros é que a têm de educar; sôtor monta-se na primeira bicicleta com rodinhas que encontra. Já está a tentar encaixar os pés nos pedais e diz-me:

- Falta-me o capichete!

Lá vou eu buscar um capacete, lá ouço outra vez que aquele não é o que ele gosta mais.

Anda para trás e para a frente duas vezes - empurrado pelo pai porque ainda não sabe andar de bicicleta - e salta lá de cima. Quer experimentar mais três ou quatro "bichicletas" e quando lhe digo que a profissional é para crescidos passa à secção seguinte. Arranca em modo Bolt e diz: 

- Vamos ao meu xitio pifiido!

Que é a secção de fitness onde estão os kettlebels, os pesos livres e as passadeiras. Tenta levantar todos os pesos, informa que são mesmo pesados e lança-se para as passadeiras. Sobe e desce todas elas e depois chama-me, aponta para os botões e para as ranhuras no painel das passadeiras de corrida e diz-me:

- Mãe põe aí uma mieda!

Quando acabo de lhe explicar que aquilo não é o carrossel de um supermercado arranca na direção contrária, enquanto corre diz-me:

- Vamos ao meu xitio pifiido!

Que é a secção das bolas. Quando o alcanço já está a lançar a primeira para ser apanhada. O objetivo dele é atirar todas as bolas para o fundo da loja. O nosso é tentar impedir que passemos - nós os crescidos - mais de um quarto de hora a apanhar bolas à vez. Eu vou apanhar uma e o pai fica com ele, assim que acaba de o repreender ela lança outra bola, arranca o pai e eu estou a chegar. Não pode ficar sozinho, porque da ultima vez que isso aconteceu, por 2 segundos não estava ninguém logo ao lado - estava no ângulo de visão - ele arrancou e já estava com uma cana de pesca na mão, quase a enfiar um anzol na boca de um velhote que estava a escolher isco. 

Ultrapassada a secção das bolas começamos a apressar-nos para a saída. Eu já estou em fraqueza e preciso de passar na zona das barras energéticas. Gastei tudo o que tinha. Tiro duas ou três e ele diz-me:

- Que é isso mãe?

- São barras de chocolate?

- Quero...

- Então temos e ir pagar.

Quando lhe digo isto arranca em voo picado para a caixa enquanto grita:

- PARARIIIIIIII!

Quando chegamos à fila já estou quase a desfalecer, a moça da caixa pretende informar-me dos pontos que tenho, ao que parece estou quase a receber um vale de 6 Euros. Sorrio, não sei se me aguento até à saída.

Adoro ir à "Detaton" é sempre muito "divitido".

 

Os filhos, os telemóveis e as encrencas em que nos metem

Ora muito bons dias.

tsitude?! Boa!

Então e eu?

Cá ando, com aquelas dores do costume e hoje a acrescer uma pontada de vergonha pelas situações em que me filho me coloca.

O meu maravilhoso rebento é uma criança tremendamente ativa e eu, pela hora de jantar sou uma mãe extremamente cansada. Ele quer correr pela casa toda. Eu quero sentar-me durante 10 minutos a comer uma bucha jantar, enquanto vejo um qualquer programa de decoração na TV.

Para que eu possa ter esses singelos 10 minutos tenho de o manter entretido e, manda-lo para o quarto brincar com as coisas dele não é opção, essencialmente porque com todas as horas que teve longe de nós quer atenção, em especial atenção da mãe, passando o todo a perguntar: “Já acabaste de comer, mãe?!”. O interrogatório de uma só questão começa, normalmente, antes mesmo de eu me sentar.

Vai daí e eu empresto-lhe o meu telemóvel. Normalmente vai sempre ao Youtube para ver os vídeos do homem aranha e do Hulk.

Ontem, depois de um dia de chuva e transito e trabalho e o diabo a sete, não foi exceção. Emprestei-lhe o telemóvel e comia a minha sopinha de espinafres biológicos (todo este post é para dizer que como sopa de espinafres biológicos) quando ouço o Nuno:

- O que é que estás a fazer? Dá cá o telemóvel.

Sem que nós estivéssemos a dar conta o pequeno estava a mandar por messanger uma todo nossa para todos os meus contactos. Conseguiu mandar para quase 30 pessoas. Entre os destinatários estavam o meu responsável do trabalho, a responsável do Nuno, a antiga responsável do Nuno, familiares, amigos, pais de amigos e ainda colegas de escola que já não vejo há quase 20 anos.

E que foto era?

Uma foto linda.

Quando eu e o Nuno fizemos 1 ano de casados achámos graça fazer uma montagem de fotos que tirámos nesse dia: nós abraçados, os dedos entrelaçados com as alianças, um beijinho com a lua atrás. Enfim, lamechices que fazem sentido quando se faz um ano de casado e ainda se está movido pela emoção de ter sido pais há menos de 6 meses.

Então foi essa montagem que seguiu para toda a gente.

Das pessoas que receberam a maravilhosa missiva recebi todo um pot-pourri de respostas...para as quais criei uma hierarquia para as que me fizeram rir mais.

Vamos ver? Bora lá!

  

Em 6º lugar ficam as pessoas que se borrifaram completamente para a foto.

Não disseram aí nem ui. Já sabem mais ou menos o que a casa gasta e, à partida, a menos que eu estivesse a ter algum acesso de paragem cerebral não estaria a mandar mensagem privada com uma foto daquelas para ninguém.

 

No 5º lugar estão os que perguntaram “isto é para mim?”.

Pessoas sensatas que quiseram apenas alertar numa espécie de: “se querias mandar para alguém parece-me que te enganaste!”.

 

No 4º lugar estão as pessoas que saíram do seu caminho para dizer que estamos lindos.

Ou seja é malta tão do bem que acha que eu, pessoa trombuda e circunspeta, com toda uma panóplia de redes sociais à disposição, havia enviado uma foto romântica por mensagem privada. Pessoas lindas….

 

No 3º lugar estão as pessoas que de facto pararam para nos dar felicidades.

Não sei o que raio lhes terá passado pela cabeça, mas pelos vistos acharam que nós andamos por aí, a uma terça-feira, a mandar fotos com montagens por mensagem privada. Não faço isso pessoas. Nunca. Melhores foram os que acharam mesmo que tínhamos voltado a casar. A sério? Com o mesmo homem. Que canseira….

 

No 2º lugar estão as que já sabiam quem tinha mandado a foto. E com estas escangalhei-me a rir.

Respostas como: “minha querida, acho que o teu príncipe está a bombar no facebook” e a minha favorita “estão lindos. Gosto de todas as fotos que o Ricardo me envia”, fizeram-nos partir a rir em casa. É gente que já está habituada a receber mensagens de meu filho e faz pouco disso. Gosto de gente desta.

 

A cereja no topo do bolo, a que leva o primeiríssimo prémio vai para o meu querido chefe. Homem sério e circunspeto que, após eu lhe ter mandado uma mensagem a dizer para desconsiderar a foto me disse “eu já tinha calculado”, quando lhe respondi que havia pessoas que tinham achado que tínhamos voltado a casar, deu-me a melhor resposta de todos os tempos “quando amamos, casamos todos os dias!”. AHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAHAHAAH. Fartei-me de rir. Claro que lhe respondi à altura com um “bla bla bla pardais ao ninho”.

 

E é isto. Estive mais de 30 minutos a explicar a pessoas que havia ocorrido uma situação de telemoveljacking feito por meu filho. Sendo aquela missiva o resultado de um equivoco.

Já sei que me vão dizer que as crianças não devem andar com os telemóveis e não lhe devia emprestar o objeto e ele devia saber estar quieto e rebeubeubeu e a Branca de Neve limpou a casa dos Sete anões e a Capuchinho Vermelho deu os queques a comer ao lobo quando fizeram um walk and talk pela floresta e tal e coise.

O que é certo é que uma pessoa está cansada ao final do dia e usa dos recursos que dispõe para que as coisas corram, se possível, a velocidade cruzeiro.

Algo que não aconteceu ontem, visto que bati de frente com este iceberg.

 

Momento de sensualidade doméstica

Ela entra na sala e sinte o frio.

Está um briol do catano.

Os ossos apertam com as cartilagens, os poucos músculos ficam tensos, as carnes moles ficam moles e ela, à beira de uma enxaqueca provocada pelo gelo que se faz sentir, senta-se no sofá.

No lombo um pijama polar. Por cima do pijama polar, um robe polar. Para aquecer mais um pouco uma manta polar por cima do robe polar que está em cima do pijama polar.

Recosta-se.

Ele senta-se a seu lado.

Todo ele fibras polares.

Encosta os lábios à orelha dela e sussurra:

- Pavimento Radiante.

 

#arrequenãonasceuparaofrio