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Blog Bestialmente Conhecido

Fugiram de casa de seus pais

Não vi o primeiro episódio quando estreou. Com muita pena minha.

Não vi o segundo episódio quando passou na televisão. Para minha vergonha.

Foi ao terceiro que me apercebi que havia algo a passar na RTP com o Bruno Nogueira e o Miguel Esteves Cardoso.

Ah, a desgraça de ter a vida a passar no Panda. A catástrofe cultural de ver mais Patrulhas Pata que programas de adultos.

No fim de semana vi os programas “em atraso” porque estão disponíveis na RTP online. E desde então não perco.

Infelizmente não contribuo para o share de pessoas que assiste, porque às 23 horas de uma terça feira estou em debate vivo com Sôtor para que este vá dormir.

Depois disso, por regra, tenho uma espécie de apagamento geral, retomando a parte dos meus sentidos pelas 6 e tal da manhã do dia seguinte.

 

Há muito que não passava na TV generalista algo que me desse tanto prazer ver. E quem diz generalista diz na TV no seu todo. Com mais de 200 canais é fantástico como uma pessoa pode fazer zapping 3 vezes a todos e chegar à conclusão que não passa nada que valha gastar 15 minutos do nosso tempo.

Aqui temos meras conversas de poltrona, sobre temas do dia a dia, coisas do nada, trivialidades, banalidades e algumas irritações. Um olho simples sobre a sociedade em que vivemos, sem estudos de Universidades estrangeiras. Umas gargalhadas honestas com a aterradora simplicidade cómica do MEC e o acutilante sarcasmo do Bruno Nogueira.

Adoro a combinação de ambos e faço de meu pai. Falo com a televisão e comento. “Ah como isto é verdade!”, “Sim realmente não se entende…”, “Ai, eu faço isto….”, os telemóveis que interrompem conversas, as conversas que acontecem por telemóvel, as redes sociais, o nosso comportamento em restaurantes, as pessoas que nos encontram na rua e perguntam “então nunca mais dizes nada?”, como se houvesse uma espécie de obrigação nossa de ir reportando o nosso estado de vida, entre tantas outras coisas que dão as melhores conversas. Aquelas em que quando olhamos para as horas percebemos que o temo voou.

A fuga tão inteligente e deliciosa às entrevistas quadradas e estudadas, formatadas com planos cortados para o drama e a tragédia de sempre. Ou para as respostas esperadas onde só falta um pôr do sol atrás e o som do mar no fundo.

Tudo fica ainda mais animado (como é possível) com a entrada na conversa de um convidado, assim, a meio do nada e o desejo sério de estar sentada naquela terceira cadeira, nem diria para participar, só para ter o prazer de assistir aquelas duas cabeças a pensar. A comentar entre si.

Depois disto só tenho pena de uma única coisa, com o qual sei que não concordo mesmo nada, é aquela coisa de saber que tem um fim. Não vai ser todas as semanas durante os próximos 10 anos. E é uma pena.