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Blog Bestialmente Conhecido

Os filhos perfeitos que não temos

Tenham alguma paciência para mim hoje, que isto vai ser longo, não esperem!, vocês já estão habituados, isto aqui nesta chafarica é como com os livros dos JRS, é um bom rácio quantidade preço, barato à folha.

Vou falar de pais e filhos e depois de filhos e pais…pano para mangas…mas prometo que no fim há musica.

 

Como diriam os ingleses: bare with me just a little.

 

Ando nisto de estar viva há pouco mais de 34 anos e nunca encontrei um ser humano perfeito. Conheci gente que gosto, conheci gente que não gosto, gente a quem me apetecia arrear umas valente porradas; mas perfeição é coisa que este par de olhos nunca vislumbrou.

Faz-me crer que isto de ser perfeito está mais ou menos no mesmo patamar de realidade que os unicórnios, as fadas e as sereias.

Os chalupas e os bêbados de quando em vez lá dão por eles, mas a malta razoavelmente sã e completamente sóbria, nunca lhes pôs os glóbulos oculares em cima.

 

Muito se fala hoje da educação das crianças, da falta dela, do que é melhor e do que nunca deve acontecer. Toda a gente quer molhar a sopa porque é tema que tem assunto para dar e vender. Não há comprovações cientificas e por isso toda a gente pode alvitrar a sua tese.

Comummente, como devem ser educados os filhos dos outros, porque problemas de vida alheia resolvo eu bem.

Custam-me em particular os “instrutores” sem filhos. Pessoas que não fazem a menor ideia do que é criar um ser humano, mas que acham que têm a solução para todas as duvidas, até dos pais mais experientes.

Na berlinda estão sempre os maus comportamentos dos filhos (dos outros) e as más escolhas dos pais. A ocasional “no meu tempo levava umas lambadas” e o “se fosse comigo ia ver”. Mas na verdade não ia ver nada. Porque a maior parte das pessoas que conheço que prometiam, faziam e aconteciam, passaram a piar como canários roucos sem acesso a Mebocaína 6 meses depois de o primeiro filho nascer.

 

Antes de mais ter um filho é como jogar na lotaria. Podemos ganhar um grande prémio, como ficar na bancarrota. Pode ser mais fácil e melhor do que pensávamos, como pode ser mais difícil.

Quando eu andava na faculdade estudávamos Piaget, de forma muito sucinta Piaget acreditava que a influência exterior determinada a construção do indivíduo. Nunca gostei de Piaget porque não concordo com ele. Lá em casa éramos 4 filhos, os mesmos pais e a mesma educação. Todos temos formas diferentes de olhar para o mundo.

Há algo que pertence apenas à pessoa, e os mesmos fatores externos interagem com essas condicionantes de forma completamente diferente para cada individuo.

 

É por isso mesmo que há filhos maravilhosos que têm pais de merda. Histórias magnificas de sucesso.

E há pais fantásticos cujos filhos não se tornaram no que estavam à espera. Lembro-me de estar na faculdade e ter entrevistado um ex-toxicodependente com 40 anos, os pais eram tudo o que um filho podia querer, mas as influências, os amigos e a sua própria natureza ditaram que roubasse os pais, que os agredisse e que lhes tivesse destruído a vida.

 

São histórias de vida.

 

Por isso chateia-me esta permanente e incessante demanda em culpar ao pais. Se dão uma nalgada é uma desgraça, se não dão o miúdo fica mal educado.

É pá chega! As pessoas têm de olhar para dentro das suas casas e trabalhar para melhorar o que têm dentro das suas quatro paredes, em vez de ter sempre os olhos postos na tabanca dos outros.

 

Mas comecei com a perfeição e entretanto derrapei. Tenham calma, em principio vou chegar a qualquer lado.

 

Os miúdos querem-se perfeitos. Querem-se cheios de atividades extra curriculares para depois dizer aos colegas do trabalho como os miúdos são bons a tudo. Se não gostam têm de papar na mesma com aquilo, até porque o filho da Maria Amélia da Contabilidade faz e dá-se muito bem.

 

É suporto os miudos serem o que os pais não foram. Olhe-se para a quantidade de gente formada em temas que detesta. Os pais quiseram que tivessem o canudo - obviamente com a melhor das intenções - para que arranjassem, não um trabalho, mas um emprego. Para que pudesse estar à secretária todo o dia a ditar coisas e quem sabe um dia mandar em alguém.

Sim, porque neste nosso Portugal a carreira só levanta voo quando se manda em alguém.

 

E assim colocam-se as expectativas nos miúdos.

Não se lhes dá o acompanhamento necessário, não se conversa com eles, mas tiram-se fotos para pôr nas redes sociais e declarar o amor que não se diz ao ouvido antes de deitar.

 

Os miúdos revoltam-se com isto.

 

Os miúdos são umas pestes. Não prestam para nada.

 

Mas há motivos.

 

As crianças passam o tempo todo a desejar ser crescidas e quando lá chegam percebem que a vida não é nada do que estavam à espera. Os adultos só têm temas de merda.

As contas para pagar, o trabalho que detestam (na maioria), as maleitas de saúde, os miúdos que querem e querem e querem e a pessoa só queria estar descansada 5 minutos.

Então colocam-se os sonhos nos ombros dos filhos. A pessoa fracassou em tudo, mas aquele, aquele vai saber tudo e ter todo o acompanhamento necessário.

Mais ou menos como a promessa que se faz de ir ao ginásio no dia 31 de Dezembro. Parece tão real naquele dia, mas depois na prática é tudo tão mais complicado.

Vai daí e a criança ainda não largou as fraldas e o miúdo da Clarisse do arquivo até já limpa o rabo sozinho e tem menos 2 meses.

 

O filho da Joaquina só tira cincos e o idiota lá de casa mal passa a matemática.

 

Os sonhos começam a desvanecer.

 

A vida apressa os pais e os pais apressam os filhos: para aprender, para brincar, para crescer.

Pedem que se despachem a torto e a direito, tenham a idade que for, bufam: “ai filho, vá lá!” tantas vezes que as crianças já não sabem porque o estão a ouvir.

Eu sei, temos o jantar para fazer, o trabalho, os banhos, a casa, a roupa, os cães, os gatos e mais um par de botas. Têm lá agora vida para andar a jogar à apanhada.

Mas depois querem que os miúdos os ouçam, que se interessem, que brilhem.

 

Tudo o que os pais fazem é sempre pelos e para os filhos, e um dia, tal como os seus pais lhes disseram a eles e os avós disseram aos pais, um dia eles vão entender.

O quê, nem os pais sabem muitas vezes.

Por um motivo simples: fazem assim porque sempre se fez assim e quando passou a  haver maturidade para entender começou a faltar tempo para pensar.

Compram uma casa melhor, para eles.

Compram um carro mais caro, para eles.

As férias, são para eles.

São o bode expiatório para o tanto que os pais trabalham e é isso que se diz aos filhos: “temos de ir trabalhar para ganhar tostões”.

Não é por acaso que um dia acabem por achar que é para isso que os pais servem: para ganhar tostões.

 

Mas não é de propósito. As pessoas não queriam fazer assim. E os miúdos, no final das contas sabem que os pais não servem apenas para ganhar dinheiro.

 

Porque não há pais perfeitos.

Nem há filhos perfeitos.

Há educação.

Há algo intrínseco que apenas cada individuo consegue mudar.

E há a sorte que pode fazer toda a diferença.

 

Quando se está sempre a falar mal dos miúdos de hoje, quando se começa com a treta de que os miúdos agora não têm educação, importa lembrar que nós também já fomos miúdos e já fomos parvos. Para os nossos pais também foi esquisito lidar com os punks e freaks e piercings e coisas. Os putos de hoje também devem ter a oportunidade de errar.

Na loucura os pais podem optar por - e tenham calma, é só uma sugestão - falar com os miudos, explicar-lhes as coisas. Demonstrar porque é que está certo e porque é que está errado.

Mais ou menos o contrário do que aconteceu connosco porque eles agora têm acesso ao Google que lhes pode dar com uma serie de informação errada.

Na altura que éramos putos bastava que os pais dissessem: "é pá porque te estou a dizer pá!", e estava resolvido.

 

No fim, não fosse o tema da educação (ou falta dela) um nicho que alimenta muita coisa decide-se criar um programa para “resolver” - ou piorar (a ver) - a vida de miúdos que, obviamente, já não estão lá muito bem.

Programas que eu considero sensacionalistas e que expõem as fragilidades de uma criança.

Não vi, nem faço qualquer intenção de participar para o share de audiências. Também não vou bater no programa (acho que já foi dito mais do que suficiente), levanto apenas uma questão: estamos perante miúdos problemáticos, cujos pais já não sabem o que fazer com eles e consideramos, mesmo, que o melhor que há a fazer é expor todas as suas frustrações e fragilidades na TV generalista e em horário nobre?

A sério que achamos isto?

Como terá sido a segunda-feira na escola?

Terão sido gozados?

E daí por uma semana.

Será que não se vão sentir obrigados a fazer pior? Porque é óbvio que não têm as ferramentas necessárias para viver em sociedade.

Não se sentirão humilhados?

E será que a humilhação é a melhor forma de ensinar?

É apenas um pensamento de uma mãe que muito falha, com muitas imperfeições, mas parece-me que uma senhora super cool, com uns óculos de professora marota e ar de quem vai dar umas palmadas (não às crianças) mas aos papás mal comportados, não é a solução. Especialmente se acompanhada de câmaras.

 

Porque não há pais perfeitos.

Nem há filhos perfeitos.

Há educação.

Há algo intrínseco que apenas cada individuo consegue mudar.

E há a sorte que pode fazer toda a diferença.

 

O meu álbum favorito de todos os tempos é o Jagged little pill da alanis morissette. Na faixa 3 tema temos a musica Perfect, não é uma canção de amor como a do Ed Sheran, é sobre ser criança e o que se espera muitas vezes. Para quem é pai, para quem é mãe eu convido a ouvir, a olhar para os próprios defeitos (todos os temos) e perceber se às vezes é assim.

 

Sometimes is never quite enough
If you're flawless, then you'll win my love
Don't forget to win first place
Don't forget to keep that smile on your face

Be a good boy
Try a little harder
You've got to measure up
Make me prouder

How long before you screw it up
How many times do I have to tell you to hurry up
With everything I do for you
The least you can do is keep quiet

Be a good girl
You've gotta try a little harder
That simply wasn't good enough
To make us proud

I'll live through you
I'll make you what I never was
If you're the best, then maybe so am I
Compared to him compared to her
I'm doing this for your own damn good
You'll make up for what I blew
What's the problem, why are you crying

Be a good boy
Push a little farther now
That wasn't fast enough
To make us happy
We'll love you just the way you are
If you're perfect

 

 

 

O Skyr é o novo Aloe Vera

Eu devia ter os meus 9 anos quando uma amiga da minha mãe lhe recomendou uma mezinha caseira com uma planta que era uma espécie-de-cacto-gordo-que-não-pica. Naquela altura, no inicio da década de 90 as pessoas não sabiam dar nomes a cactos. Um cacto era um cacto e acabou.

Perto de nós havia uma quinta onde, se pedíssemos com jeitinho, os proprietários deixavam entrar para "roubar" umas folhas do cacto.

Assim o fizemos, depois de descarnar aquilo, lá foi cozido e, junto com whisky, mel e mais uma catrefada de especiarias ficou ali uma mistela um xarope que era uma maravilha. A minha mãe tomou aquilo até lhe terem identificado mais um quisto, afinal de contas andava a castigar-se a papar plantas alcoolizadas com mel e os problemas de saúde estavam lá na mesma. Borrifou-se para aquilo.

Muitos anos passaram e, creio que à cerca de uma década começou a febre do Aloe Vera, se não estou em erro primeiro foram os cremes caros, depois os suplementos, a seguir vieram os iogurtes e agora até os detergentes de loiça mais baratos têm a dita planta. Aquilo sofreu uma massificação tal que a determinada altura era quase difícil comprar alguma coisa que não tivesse um cheiro da planta milagreira.

Mas, como qualquer bom milagre comercial, não há nada melhor do que arranjar outra coisa magnifica para o bem estar que a destrone e, pelo que me vou apercebendo esse novo milagre chegou este ano, em formato de iogurte e através do LIDL: estamos a falar do Skyr.

A primeira vez que ouvi esta designação falava-se de uns iogurtes que, não só esgotavam, mas faziam com que pessoas crescidas se metessem em filas à porta do hipermercado para comprar caixas. Estava sempre esgotado.

Comprei esta bodega uma vez, detestei, fiquei com a boca a saber a qualquer coisa que seria um híbrido de palha com cortiça e esferovite.

Desde então tem sido uma loucura com as coisas designadas de Skyr (lacticínios que alegadamente têm uma maior percentagem de proteínas que os outros). Mais do que uma marca comercializa e até já há gelados de vários sabores. Estou à espera do dia em que aparecem os cremes, os quais nos vão fazer absorver proteína por via cutânea; seguidos dos shampoos e acabando com o detergente de lavar chão Skyr, até porque toda a gente sabe que um bom chão é um chão saudável, cheio de músculos e bem alimentado.

 

#fartadestasmodas

 

Fugiram de casa de seus pais

Não vi o primeiro episódio quando estreou. Com muita pena minha.

Não vi o segundo episódio quando passou na televisão. Para minha vergonha.

Foi ao terceiro que me apercebi que havia algo a passar na RTP com o Bruno Nogueira e o Miguel Esteves Cardoso.

Ah, a desgraça de ter a vida a passar no Panda. A catástrofe cultural de ver mais Patrulhas Pata que programas de adultos.

No fim de semana vi os programas “em atraso” porque estão disponíveis na RTP online. E desde então não perco.

Infelizmente não contribuo para o share de pessoas que assiste, porque às 23 horas de uma terça feira estou em debate vivo com Sôtor para que este vá dormir.

Depois disso, por regra, tenho uma espécie de apagamento geral, retomando a parte dos meus sentidos pelas 6 e tal da manhã do dia seguinte.

 

Há muito que não passava na TV generalista algo que me desse tanto prazer ver. E quem diz generalista diz na TV no seu todo. Com mais de 200 canais é fantástico como uma pessoa pode fazer zapping 3 vezes a todos e chegar à conclusão que não passa nada que valha gastar 15 minutos do nosso tempo.

Aqui temos meras conversas de poltrona, sobre temas do dia a dia, coisas do nada, trivialidades, banalidades e algumas irritações. Um olho simples sobre a sociedade em que vivemos, sem estudos de Universidades estrangeiras. Umas gargalhadas honestas com a aterradora simplicidade cómica do MEC e o acutilante sarcasmo do Bruno Nogueira.

Adoro a combinação de ambos e faço de meu pai. Falo com a televisão e comento. “Ah como isto é verdade!”, “Sim realmente não se entende…”, “Ai, eu faço isto….”, os telemóveis que interrompem conversas, as conversas que acontecem por telemóvel, as redes sociais, o nosso comportamento em restaurantes, as pessoas que nos encontram na rua e perguntam “então nunca mais dizes nada?”, como se houvesse uma espécie de obrigação nossa de ir reportando o nosso estado de vida, entre tantas outras coisas que dão as melhores conversas. Aquelas em que quando olhamos para as horas percebemos que o temo voou.

A fuga tão inteligente e deliciosa às entrevistas quadradas e estudadas, formatadas com planos cortados para o drama e a tragédia de sempre. Ou para as respostas esperadas onde só falta um pôr do sol atrás e o som do mar no fundo.

Tudo fica ainda mais animado (como é possível) com a entrada na conversa de um convidado, assim, a meio do nada e o desejo sério de estar sentada naquela terceira cadeira, nem diria para participar, só para ter o prazer de assistir aquelas duas cabeças a pensar. A comentar entre si.

Depois disto só tenho pena de uma única coisa, com o qual sei que não concordo mesmo nada, é aquela coisa de saber que tem um fim. Não vai ser todas as semanas durante os próximos 10 anos. E é uma pena.

 

Filme: As mulheres do Século XX

Depois de o meu filho ter nascido já gastei um numero simpático de horas a pensar no futuro.

É inevitável preocupar-me com as mudanças do mundo, com o desconhecido e tudo aquilo para o qual não tenho a certeza de saber como o preparei.

Sei que quero que seja uma boa pessoa.

Um bom homem.

Que saiba desviar-se do que está errado, que tente fazer as melhores escolhas e que quando errar, não tenha consequências demasiado grandes.

Porque errar faz parte de crescer e eu não espero que ele seja perfeito.

Este foi o meu filme deste fim se semana. 

Podia ser sobre mulheres. Podia ser sobre criar um miúdo numa família monoparental. Podia ser sobre os anos 70.

Mas a verdade é que é sobre a vida e sobre as pequenas coisas que perduram e nunca perdem a moda.

Como a preocupação de uma mãe pelo futuro de um filho.

(como conseguimos ser tão parecidos com os nossos pais e os nossos filhos tão semelhantes a nós)

 

 

12 Badaladas e 0 (zero) Resoluções, que venha 2018!

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Ora temos de falar de resoluções não é?!

Assim de repente pode parecer que sim.

O ano está a acabar, estamos já enjoados dos fritos e do bacalhau, meio ressacados do vinho e do champanhe que bebemos na consoada, programa que se arrastou para dia 25, afinal de contas é preciso malhar o cabrito no forno e degustar as sobras que ficaram do dia 24. Olhamo-nos ao espelho e em vez de começar a fazer o que já nos faz falta há mais de um ano, adiamos mais uns dias "porque é esquisito começar coisas a dia 26".

É com este espírito e motivação que se fazem as listas de resoluções.

Normalmente as resoluções não são mais que uma lista de compras para ações que não temos na verdade grande vontade de fazer. Ou melhor, são coisas que gostávamos que acontecessem, mas sem que tivéssemos muito trabalho para isso.

Emagrecer por exemplo. Fazendo uma estatística rápida, que tem a mesma credibilidade que a maior parte dos estudos que se apresentam hoje em dia, diria que 5 em cada 10 pessoas tem como resoluções: inscrever-se no ginásio e começar a comer melhor. O que na realidade constitui duas resoluções fáceis de cumprir, porque o que é certo é que os ginásios em janeiro estão a rebentar pelas costuras (só voltam a estar assim lá para maio, porque o coelho da pascoa lixa tudo com os ovos de chocolate), e a conversa do comer melhor é uma excelente forma de continuar a encher a mula, basta comprar light e bio, assim já se come melhor, não se come é menos (gastroenterites não contam para as resoluções). As pessoas não entendem que gastar uma pipa de massa em joia e inscrição não faz com que uma pessoa comece a ficar em forma. É necessário, de facto, levar o lombo até ao ginásio, pô-lo em cima das máquinas e fazer coisas com elas. Pode parecer estranho, mas é dessa forma que ficamos em forma.

Normalmente a pessoa fica cansada e suada, com um certo odor a cavalo (ou égua) quando está a caminho do balneário. Se isso não acontecer é porque provavelmente não estiveram lá a fazer nada. Tirar selfies com um peso não equivale a fazer 15 series de biceps, OK?

O pior é que a maioria das pessoas percebe lá para dia 15 de janeiro que ir ao ginásio é cansativo e, aproveitando que lá para a última semana de janeiro há o dia mais deprimente-ou-depressivo-ou-lá-o-que-é do ano, vão começando a sair mais tarde do escritório e a dizer "bem tento mas não há meio de conseguir ir, é uma chatice". Nas primeiras semanas de janeiro foram todos os dias e queixaram-se muito porque sairam de lá doridos, para não falar no dia seguinte. Sim, porque as pessoas acham que podem passar 20 anos sentadas no sofá e depois quando entram no ginásio são logo a Carolina Patrocinio. Não é assim, minha gente.

Em fevereiro já só foram 2 vezes e em março estão a escrever no livro de reclamações porque tinham assinado um contrato de 6 meses sem dar conta e, para cancelar a inscrição têm de: ter um problema de saude grave, ir trabalhar e viver para um sitio onde não haja ginásio da marca a 50 km ou esperar até que o periodo de 6 meses acabe pagando para não ir.

Aproveitando o clima depressivo e porque também não conseguem ir ao ginásio concluem que mais vale voltar aos hambúrgueres e batatas fritas, aos banana splits, porque sem exercício de que vale comer melhor.

Faz sentido, né!?

Primeiras duas resoluções rebentadas antes do fim do primeiro trimestre, para voltar a constar da lista de resoluções do ano seguinte.

Diria que a outra estatística fácil é a realização de viagens de sonho, que normalmente é estourada porque a pessoa tem uma avaria no carro e porque, apesar de gostar muito de viajar, rebentou com o dinheiro do visa em roupa nas promoções pós natal e nos trapos novos para a praia. Lá vai tudo com a mala às costas para a Costa da Caparica dar-me cabo da vida nas filas.

 

À primeira vista pode parece que estou a falar de cor, mas não. Fiz um estudo de dois anos a esta coisa das resoluções tendo como elementos de análise 2 pessoas: eu e o meu marido.

Nunca fui dada a resoluções, sempre tive a cabeça demasiado ocupada, por isso, ali 5 minutos antes das 12 badaladas lá me dedicava aos desejos. Se os 3 primeiros estivessem garantidos já me dava por contente.

No entanto, nos últimos 2 anos decidi começar a fazer uma lista de coisas que ia fazer no ano seguinte. As minhas resoluções. Sabem quantas garanti? Aquelas que a sorte me permitiu e aquelas que já tinha começado. Porque quando queremos fazer uma coisa não precisamos que um mês comece, nem a semana seguinte, muito menos um ano novo.

Se é algo que queremos fazer, hoje é um bom dia para começar.

Se eu acho que preciso fazer exercício não tenho de esperar por dia 2 de janeiro para me inscrever no ginásio, posso hoje mesmo calçar os ténis e ir correr. Não posso sair para correr porque tenho de tomar conta do puto? Sem stress, posso pegar no telemóvel e descarregar uma das mil apps de treino e fazer uns exercícios. Acho que ando a comer mal? É só pousar o bolo e ir buscar uma banana ou uma maçã. Não é preciso esperar por dia 2 de janeiro.

Quero escrever? Se tenho teclado hoje porque raio só escrevo no inicio do ano?

As resoluções não passam de uma forma de mantermos a esperança viva enquanto nos recostamos no sofá. Queremos fazer alguma coisa, é deitar mãos à obra.

Os desejos são outra coisa: saúde e sorte. Os essenciais para que tudo o resto aconteça. O que sobra depende da vontade. Da disposição. Ponto.

Este ano a minha única resolução é: não fazer resoluções.

Aquilo que quero fazer é começar a fazer no dia, ou quando chegar o momento, porque às vezes não é a hora certa.

Pessoas lindas, tucanos azuis de penas aveludadas que tantas vezes me desprezam, tenham uma boa passagem de ano, entrem com os dois pés (nunca se sabe bem qual é o melhor, pelo que mais vale saltar para dentro de 2018). Pensem bem nos vossos desejos e não se esqueçam, para que se concretizem há que trabalhar neles.

Bom ano Novo, que seja cheio de saúdinha da boa e com muita sorte para todos nós!

 

Os Bolos-Rei da Padaria Portuguesa

Seria de esperar que o fogo não tivesse o seu expoente forte em clima húmido, com aguaceiros persistentes. Seria desejável que ele não lavrasse em pleno dia de Natal. Mas há um fogo que arde permanentemente sem se ver, o fogo das redes patetas, aquele que, sempre à procura de um culpado para qualquer coisa, seja ela qual for, queima e arrasta tudo à frente mesmo naquele que devia ser um dia de pleno amor: o dia de Natal.

Mas, tal como qualquer boa fachada para o vizinho ver, o melhor da vida é tirar fotos de muita alegria, partilhar mensagens de inspiração, motivação e força com árvores de natal digitais. O amor é sempre o mais importante, ultrapassa tudo. E bla-bla-bla pardais ao ninho, como diria a minha sábia avozinha. Porque apesar de tanto amor, sempre que haja a mais pequena hipótese da vizinha ter posto a pata na poça, lá vem o machado atrás dela.

Ora pois que desta vez a vizinha foi a Padaria Portuguesa. Quase consegui ouvir pelo ecrã aquele celebre discurso que todas as alcoviteiras de meia tigela usam: "eu não sei bem se é assim, por isso não ouviste de mim, mas dizem que foi tal....eu cá não sou de intrigas mas parece-me que....já viste...não têm vergonha nenhuma....eu tinha feito....e isto..."

Uma fotografia com uma dúzia de bolos-rei em cima de uma caixote e lixo que estava à porta da Padaria Portuguesa da Graça foi o suficiente para gerar uma corrente de indignação sanguinária quanto à cadeia de Padarias.

Não estou aqui para defender nada nem ninguém, muito menos a Padaria Portuguesa, não sou colaboradora nem acionista, e creio que nem me podem considerar uma cliente. Desde aquele dia em que me cobraram 2,5 € (por extenso, dois euros e cinquenta cêntimos) por um pão de Deus misto, fazendo-me ter vontade de o vomitar mesmo antes de o comer, raras vezes lá pus os pés. A verdade é que os acho careiros e a qualidade não justifica o preço. Mas isso é a minha opinião enquanto cliente e não deve, em nada, influenciar a minha opinião quanto a esta...nem sei bem o que lhe chame...ocorrência, talvez. É uma questão civilizacional.

A única coisa que gostaria de defender é o bom senso. Aquele desgraçado que é apedrejado a cada 5 minutos neste planeta dos macacos em que vivemos.

Ora pois que, à boa moda de qualquer sociedade com elevados níveis de civilizacionais, não foram procuradas razões, nem se questionaram elementos base do que se mostrava na fotografia, para quê?, houve um salto imediato para o julgamento sumário do costume, com certezas irrefutáveis, porque aquela cadeia de Pastelarias não apresenta o mínimo de compaixão e solidariedade para com aqueles que nada têm.

Será que não se achou um tudo ou nada estranho que, com baldes de lixo vazios, ou parcialmente vazios, os bolos tenham sido colocados logo em cima de um dos caixotes de lixo? Ninguém acha assim um pouco, no mínimo suspeito, terem logo tirado uma foto fresquinha aos bolos assim que os acabaram de colocar? Não haverá a possibilidade de, em vez de haver diretrizes da empresa tenha sido um colaborador a tomar uma decisão errada? Será assim tão descabido que um colaborador insatisfeito tenha pregado com os bolos cá fora, naquele belo espetáculo, mesmo em cima do balde e tenha tirado a foto? Afinal de contas hoje em dia é fácil difamar, basta mandar um fosforo para a lareira sempre em funcionamento das redes patetas. As pessoas pegam logo, como se pôde ver. Não seria possível que alguém, de outra pastelaria ou hipermercado tivesse feito aquele belo serviço?

Não sei o que aconteceu, não lá estava. Contudo houve muita gente que se comportou como se tivesse assistido a tudo, ao detalhe. É evidente que nem no dia de natal as pessoas se coíbem das seus julgamentos sem pensamento. Imediatos e sem preocupação. É bastante nítido que há gente que, em vez de andar a dar uma sopa a quem tem fome anda a policiar os comportamentos de quem não ajuda. Só é pena que haja mais policias do bom comportamento que voluntários para ajudar quem precisa. Será porque para ser policia basta ter um telemóvel com acesso à net e um polegar e para ajudar têm de levantar o befe do sofá?!

É maravilhoso assistir à aplicação prática do "mais vale sobrar que falte", garantindo que o bandulho está cheio e que a família vê que ali em casa é tudo à farta, mas depois a teoria adaptável à casa dos outros é a do "é uma tristeza, tanta comida para a rua com gente a passar fome". 

A revolta dos que nunca contribuem nem se deram ao trabalho de fazer meio dia de voluntariado, mas que mesmo assim acha que as empresas devem garantir que o que sobra nas pastelarias deve ser bem distribuído pelos menos favorecidos, tudo isso enquanto nega uma moeda a um pobre e raspa o prato meio cheio quando há sempre alguém em falta. A mesmíssima pessoa que ainda a semana passada prometia que nunca mais contribuía para nenhuma associação, porque: "são tudo uma cambada de ladrões"; e é lógico que já estavam fartos de saber isso.

O que os outros devem fazer. O que os outros devem garantir.

Os sempre presentes CEO's de polegar.

Sentados do seu sofá são de facto uns maravilhosos campeões, com o bandulho cheio de rabanadas e coscorões que disseram que não iam comer e a lista de papel com as resolução do ano passado: ir ao ginásio e fazer dieta, quem sabe algum voluntariado para ajudar os pobrezinhos e desfavorecidos, para não serem como os mau maus das grande empresas e já agora aproveitarem para tirar uma selfie com o pobrezinho, têm de colocar nas redes patetas com duzentos hashtags para mostrar aos amigos como são altruístas, porque sem a foto para partilhar é um dia perdido de voluntariado.

 

Madonna e a "lenda viva"

No seguimento das cantorias entre a estrela internacional Madonna e a “lenda viva” Celeste Rodrigues, ocorridas durante uma noite de forrobodó Lisboeta, decidi entrevistar uma das pessoas que, em total êxtase decidiu colocar like, comentar e partilhar a noticia onde proclama que a Senhora Dona Celeste Rodrigues é a maior.

 

Eu Entrevistadora (EE) - Ora muito bom dia.

Pessoa que fez like e partilhou em êxtase (PQFLPE) – Bom dia.

EE – Verificamos que gostou imenso de ver o vídeo da Sª D. Celeste Rodrigues a cantar com a Madonna.

PQFLPE – Sim foi brutal, a voz daquela senhora mesmo com a idade que tem.

EE – Sabe a idade que tem?

PQFLPE – Não, mas parece ser bastante idosa.

EE – Tem 94 anos. Mas adiante. Visto que é alguém que preza pode dizer-nos o nome de um dos discos de Celeste Rodrigues que mais gostou de ouvir.

PQFLPE – (ri um bocado e pensa) Não tenho muito jeito para nomes de discos, não me consigo recordar de nenhum agora.

EE – É de facto uma pena. Já conhecia Celeste Rodrigues?

PQFLPE – Sim, claro que sim.

EE - Se lhe disser o nome de 3 músicas de Celeste Rodrigues acha que me consegue dizer de qual gosta mais?

PQFLPE - Sim, claro.

EE - Então aqui vão: a) Crazy; b) Caminho sem ver; c) Eu levo no pacote.

PQFLPE - Sem dúvida a "A" porque a "C" é da Rosinha e a "B" acho que nem existe.

EE – Sabe de quem era irmã?

PQFLPE – Era irmã da Amália.

EE – Que por sua vez era….?

PQFLPE – Uma banda com a Sónia Tavares.

EE – Incorreto. A Amália Rodrigues foi o maior nome do fado português.

PQFLPE – Ahhhh, essa Amália, sim claro. Pareceu-me uma pergunta de rasteira.

EE – Sabe se a Amália ainda é viva?

PQFLPE – Sim creio que sim.

EE – Muito bem, e onde acha que estaria nesta noite em vez de estar na ramboia com a irmã?

PQFLPE – Provavelmente num lar, porque já tem uma idade avançada.

EE – E se eu lhe disser que Amália Rodrigues já morreu há mais de 15 anos.

A pessoa entrevistada entrou em choque e não conseguiu prosseguir com a entrevista. Decidiu fazer 3 dias de luto e ia fazer uma carta ao Parlamento para pedir que seja feriado nacional pela perda de tamanha lenda.

 

É lógico que todo este paleio corresponde a uma espécie de fábula criada na minha mente, contudo acredito piamente que não estará muito longe da realidade. Eu dava dois tostões e meio (porque esta designada noticia não vale mais do que isso) para saber:

1. Das pessoas que vibraram com esta partilha nas redes patetas quantas sabiam quem era Celeste Rodrigues?

2. Destas quantas sabiam que era irmã de Amália Rodrigues?

3. Destas quantas sabiam que Celeste Rodrigues ainda estava viva?

4. E já que falamos em estar viva, destas quantas sabem que a Amália já faleceu há mais de 15 anos?

5. Das pessoas que partilharam quantas alguma vez ouviram um disco de Celeste Rodrigues?

6. Uma musica?

7. Numa noite de fados?

 

Provavelmente as respostas seriam: poucas; pouquinhas; quase nenhumas; algumas; nenhuma; praticamente ninguém; as que o fizeram já não fazem parte deste mundo. Respetivamente.

A ultima vez que eu ouvi falar de Celeste Rodrigues foi quando saiu o filme Amália e esse já tem quase 10 anos.

Em resumo o que temos aqui é mais uma daquelas situações de sobrevalorização da valorização dos outros. Se a senhora calha a ser apanhada a cantar sozinha na noite Lisboeta tinham-lhe dado uma moeda e dito “coitadita”. Se a senhora calha a cantar com outro fadista, ainda podia ser que achassem engraçado. Mas como foi a Madonna a dizer que Celeste Rodrigues é uma “lenda viva” já é toda uma outra conversa.

Eu não tenho qualquer aporrinhamento que a rainha da pop partilhe os seus vídeos nas suas redes patetas, mas confesso que me faz alguma confusão que os meios de comunicação tratem uma situação destes como noticia.

Podia também dizer que é triste a valorização atribuida por uma sociedade que nunca deu um cavaco pela senhora e que lhe dá agora tanto mérito quando aparece ao lado de uma estrela internacional, mas isso é pedir às pessoas que não vão atrás dos outros e isso é-lhes muito difícil, especialmente quando estão com o telemóvel na mão a fazer likes e a partilhar cenas na net que 25 dos seus outros amigos já catalogaram como “Brutal”.

A mim o que me fazia partilhar com o #brutal era se a sodona Madonna fizesse um dueto com o Quim Barreiros a cantar o “I like to suck on the tits of the little lamb”, isso era coisa para me dar um certo alento. Era isso e se a ela lhe apetecesse convidar o Elvis, afinal de contas a rainha da pop diz que ele a segue para todo o lado.

 

Sobre patologias, coisas que me ocorrem e a senhora manda chuva da Associação que mais se fala nos ultimos tempos

Já acabei o meu curso há muitos anos. Confesso que são muitas as coisas que desaprendi e que olvidei por não fazerem parte do meu dia a dia.

Na ultima semana e pouco tem-se falado muito de uma Associação que faz bem a quem precisa (e que merece continuar a ter todo o apoio, pois os seus utentes são as maiores vitimas de todo este cenários dantesco), mas que é dirigida por uma senhora que tem um apresso desmedido por marisco e roupa de marca. Uma senhora de outros tempos que gosta que os outros se levantem à sua passagem e que a tratem com distinção.

Uma senhora que confrontada com as evidências se acha digna de um despedimento sem justa causa, de uma indemnização e fundo de desemprego.

Uma lady com conhecimentos reais que acredita que vai receber um pedido de desculpas do país.

Vai daí e fui à wikipédia, pesquisei a descrição de psicopata e a memória não me falhou, encaixa que é uma maravilha.

"Psicopatia é a designação atribuída para um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela presença de uma atitude de dominância desmedida. Esse tipo de comportamento agonista é relacionado com a ocorrência de delinquência, crime, falta de remorso e dominância, mas também é associado com competência social e liderança.

A psicopatia, descrita como um padrão de alta ocorrência de comportamentos violentos e manipulatórios, é frequentemente considerada uma expressão patológica da agressão instrumental, além da falta de remorso e de empatia"

 

Nota: Realço, para a eventual circunstância de processos legais que isto é apenas uma opinião leiga de quem não exerce a profissão, e que, nos seus tempos livres tentou fazer uma espécie de connect the dots e considerou viável esta possibilidade.

 

 

Um pouco de má lingua

Hoje de manhã, enquanto tomava o meu pequeno almoço e fazia scrool pela minha conta de Instagram fui dar com uma daquelas páginas de motivação para a boa forma física. Dizia a pessoa motivadora que, apesar do frio gélido que se fazia sentir, tinha-se levantado às 7:30 da manhã, para conseguir estar ás 8:00 da manhã a treinar e deixar essa "tarefa" logo concluída. A pessoa escreveu tal coisa certamente convencida de que estava a demonstrar a sua forte tenacidade para cumprir com o seu plano e que - como invariavelmente acontece - se a própria consegue, todo o mundo deve conseguir.

Aquela cena do #noexcuses que me irrita para lá do para dedéu!

Eu pensei cá para com os meus botões: que valente, olha eu levantei-me às 6:30 para dar leite ao miudo que já se queixava, entretanto levantei-me porque já estava a fazê-lo com 30 minutos de atraso; entretanto fui despachar-me, tipo, arranjar as cenas para o dia, a marmita, vestir, lavar - essas cenas básicas - tudo para conseguir estar às 8:00 a treinar a fila de trânsito para a 25 de Abril, porque diz que às 09:00 tenho de ter o pandeiro sentado no escritório e fazer aquela coisa louca que é trabalhar.

Essa, meus amigos é #withexcuses e #noexcuses porque senão é #nomoney e #nohouse e #nofood.

Ok, ok, posso se só eu que sou má língua, mas arrelia-me esta coisa do: olha vez como eu sou tão bom e consigo e faço e não arranjo desculpas, quando nada se sabe da vida dos outros.

É pá façam frases motivadoras, mostrem treinos, tirem fotos de comida, agora não me lixem com conversas do "se eu consigo toda a gente consegue", porque ninguém sabe porra nenhuma da vida dos outros.

Fim.

Uma tarde, quatro filmes

Antes de ter filhos conseguia estar sempre em cima dos últimos filmes a sair. Ia mais vezes ao cinema e passava as tardes chuvosas em casa a ver tudo o que aparecia de novo para alugar e a comer pipocas. Sim, aquela coisa da caneca de chocolate quente fica bem nas fotografias e na idealização de cenário patético-romântico, mas na vida real uma pessoa quer terrincar.

(aceitam-se também gomas ou Estrelitas na ausência de pipocas)

Hoje em dia tudo isto é mais difícil, com sorte, durante uma das sestas do fim de semana lá nos conseguimos espojar no sofá a ver um filme, tendo em atenção que tudo o que tem mais de 120 minutos provavelmente terá de ser visto em prestações.

Ah, mas podem sempre ver o filme ao final do dia?

Podemos, pessoas-sem-filhos-que-não-sabem-nada-disto ou pessoas-que-já-têm-filhos-teenagers, mas ao final do dia acabamos por "desmaiar" em cima da cama e não há filmes para ninguém.

Por isso, motivados por um imenso cansaço e depois de comprar um brinquedo para atenuar o nosso sentimento de culpa, enviámos o rebento para os avós por dia e meio. 

Objetivo: comprar algumas coisas em falta sem que um de nós ande a correr atrás dele entre as lojas; e descansar. Estar refastelados no sofá a fazer nada. Apenas isso.

Ah a beleza do ócio.

De manhã tratámos da primeira parte, de tarde vestimos os fatos de treino, calçámos as peúgas brancas de raquete, eu abracei-me a dois pacotes de pipocas de supermercado e sentámo-nos para ver um filme. Depois decidimos ver outro. Chovia que se fartava lá fora e como não havia ainda fome...vimos mais um. Jantámos fruta e biscoitos. Vimos mais um filme.

Matei saudades destas tardes de sofá que normalmente me dão aquele sentimento de que gastei uma demasiado tempo da minha vida com nada e que sou uma inútil. Um sentimento que hoje categorizo de maravilhoso. É como um diamante, vale mais porque é raro.

E que filmes vimos?

Ora é mesmo disso que vou falar.

Filme 1: "Fences" ou em tuga "Vedações" (aqui está uma tradução em que era difícil fazer cagada)

 

 

Com origem numa peça de teatro interpretada mais de 100 vezes pelo mesmo ator principal - Denzel Washington. Um interpretação brilhante deste ultimo e uma não pior da Viola Davis.

Um filme "parado", presumo que em resultado da adaptação de teatro. A história vive sobretudo das interações entre os personagens, parecendo dessa forma ser algo mais estagnado.

Gostei bastante.

 

Filme 2: "American Pastoral" ou em tuga "Uma história Americana"

 

 

Seymour Levov e Dawn Levov são alvo das invejas e expectativas de toda uma cidade. Ele era o atleta perfeito, filho de um grande empresário, bonito. Ela a menina que se fez miss. A princesa. Casam-se e têm uma filha. Uma menina diferente, que se preocupa com os temas mais profundos da condição humana, pouco criança e demasiado complexa para a idade. Menos bela que a mãe, menos bem sucedida que o pai, enfrenta a gaguez extrema desde pequena.

Torna-se revolucionária, debate-se politicamente e traz a guerra para a sua cidade.

Acaba por desaparecer. O pai desespera por encontra-la. A mãe encontra formas para ultrapassar a perda da filha que não consegue encontrar, quer começar do zero.

Tudo acaba de forma diferente do esperado.

Não adorei, mas gostei bastante.

 

Filme 3: "Bleed for this" ou em tuga "Sangue pela vitória"

 

 

Baseado numa história verifica, conta a história do pugilista Vinny Pazienza que após um acidente de viação fratura uma vértebra crucial no pescoço. Os médicos dizem que mal conseguirá voltar a andar, ele acredita que vai voltar a combater.

E é isso mesmo que acontece. O fim do filme não é uma novidade, não fosse um retrato de uma pessoa real. A forma como as coisas acontecem é bastante interessante.

Uma história de perseverança e sorte. Há sempre sorte ao barulho.

 

Filme 4: "Infinitly polar bear" e em tuga "Pai bipolar"

 

 

Adorei este filme. Tinha-o gravado há mais de 6 meses e andei sempre a adiar ver. Uma pena, porque o filme é espetacular.

Cam Stuart é maniaco-depressivo, uma condição que lhe foi diagnosticada desde cedo, quando ainda era estudante em Harvard. Maggie Stuart apaixonou-se por ele, estávamos nos anos 60 e como ela própria dizia, naquela altura toda a gente parecia meio descompensada, por isso, não se sabendo muito de bipolaridades, pareceu-lhe algo tolerável. Tiveram duas filhas e as crises voltaram. Ela acabou internado, ela a cuidar das filhas. Uma mulher negra numa sociedade preconceituosa para com os negros, para com as mulheres e para com mães solteiras.

O amor que têm pelas filhas e um pelo outro permitiu que, dentro do caos, encontrassem uma solução para criar as miúdas e ter uma vida melhor.

Um filme delicioso sobre a vida.