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Blog Bestialmente Conhecido

Pérolas da parentalidade (2)

Por hábito é o pai que o vai buscar. Eu vou adiantando o jantar ou passeando os cães.

Casas onde há mais tarefas que mãos para as fazer é assim....é preciso escalonar, dividir e tentar organizar.

Ontem, como tínhamos coisas para arrumar (com o aniversário do homem ao fim de semana relaxámos um bocado), pedimos ao meu sogro para trazer o artista ao final do dia.

Faltavam 5 minutos para as 20 quando desço as escadas, pareceu-me que era melhor alombar eu com o pequeno escada acima do que fazer um senhor com 70 anos - que passou o dia a levar uma esfrega do neto - carregar com ele.

Quando vejo o carro a chegar aproximo-me.

Assim que o tiro do carro diz para o avô:

- Vá, agora vai-te embora.

- Não digas isso ao avô, coitadinho. Dá-lhe um beijinho, um abraço e diz "até amanhã". - digo-lhe eu.

Deu o abraço. Deu o beijinho e disse-lhe:

- Vá agora vai para o teu carro e vai-te embora.

Se eu não soubesse que o avô sabe bem a peça que ali está ficava mais embaraçada. Assim...

 

Chegamos à porta do prédio e eu não consigo pôr o código da porta. Um dos números está meio avariado e por mais que o pressione não consigo que funcione.

Pouso o pequeno enquanto bufo e ele diz-me:

- O avô hoje disse "porra mais isto!".

- Aí sim, e quando foi isso?

- No caminho. O carro avaliou e ele disse. Tem de ir à ofichina.

Deve ter sido bateria outra vez. Afinal de contas o carro já é um clássico, há que lhe dar um desconto. Pensei com os meus botões.

Chego a casa e peço ao Nuno para ligar ao pai, ficar a saber se havia algum problema com o carro e se era preciso alguma coisa.

Resultado: com o frio que fazia o vidro embaciou demasiado e o velhote teve de parar para limpar o livro. Para o neto foi uma avaria.

 

Vamos brincar para o quarto enquanto o jantar se faz. Levanta uma espécie de uma passadeira almofadada que tem no quarto e avisa-me que construiu uma casa.

Finjo que bato à porta e ele diz-me:

- Quem é?

- É a mãe, podes abrir?

- Não vai tabalar pa ganhar dinheio.

WTF?!? Atão mas quê isto pá!?

Finjo que vou trabalhar e que volto. Bato à "porta" outra vez.

- Quem é?

- É a mãe filho. Voltei do trabalho. Podes abrir a porta?

(ele finge que abre)

- Posso entrar?

- Não, já aqui tá muita gente. Nã cabis.

E é para isto que eu te crio!?

 

À noite, antes de ir para acama foi tomar banho. Deixei-o a brincar na banheira pequena - onde ainda toma banho - a brincar com os bonecos enquanto eu fui arrumar a mala para o dia seguinte.

A determinada altura chama-me.

Ponho a cabeça dentro da casa de banho e ele diz-me com o maior sorriso possível:

- Olha o que eu fizei!

O que ele fizou foi encharcar o chão da casa de banho com água. 

Estava numa alegria só.

O que é que eu faço com um sacripanta destes!?

 

Pérolas da parentalidade (1)

Passar o fim se semana com sôtor meu filho é o mesmo que andar à caça do tesouro, há moedas de ouro e pérolas a cada esquina.

É também bastante desgastante e infantil, considerando que, à parte dos momentos de sesta, com uma criança de menos de 3 anos passamos o dia a toque de caixa dos seus "queo, queo, queo, queo".

Este fim de semana não foi exceção.

No sábado, para comemorar o aniversário do Nuno vieram cá jantar algumas pessoas de família onde estavam incluídos (como seria de esperar) os meus sogros.

Sôtor passa os dias com os avós paternos e, ao final do dia e fim de semana quer estar apenas com os pais, mandando frequentemente para casa os avós (se calham a vir cá a casa por algu motivo) porque estar com os pais, aparentemente, é mais fixe.

Vai daí e o meu irmão e a minha cunhada preparam-se para ir embora porque a minha sobrinha tinha um trabalho de grupo para fazer na faculdade e precisava de ir ter com as colegas. Com eles foi também o meu pai.

Vendo todos de partida sôtor pegou na trela do cão dos meus sogros, entregou-a ao avô e disse-lhe:

- Tu também vais.

Todos nos rimos.

Não satisfeito e já depois de todos saírem, os avós foram ter com ele ao quarto.

Foi então que perguntou:

- Onde estão os outros?

Eu respondi:

- Foram para casa.

E ele disse para o avô e para a avó:

- Só faltam vocês. Adeus!

Fiquei sem palavras.

 

No Domingo, ao final do dia fui dar uma corrida. Quando cheguei disse ao pai:

- A mãe chegou, agora vai lá tu correr....

Contemos o riso.

Sentei-me com ele no chão a brincar e ele diz-me:

- Ai mãe, gosto tanto quando ficamos os dois sozinhos em casa...

Contive o riso. Sei que é egoista, mas é tão bom ouvir estas coisas.

 

Estávamos sozinhos em casa e eu fui à cozinha desligar um aparelho enquanto ele ficou no quarto a brincar. Quando ia ter com ele vejo-o a correr na minha direção. Dobro-me e digo:

- Oh amor, vens dar um abraço à mãe...tão bom.

Ele diz-me continuando a correr e passando ao meu lado:

- Sai da fente, tá a dar uma Patulha Pata!

 

E eu fiquei ali de braços abertos.

Depois ri-me.

Ah, as maravilhas da parentalidade (pérolas para o pai e pérolas para a mãe).

 

Então e esse Natal?

Podia dizer: passou-se, mais ou menos como nos outros anos. Mas a verdade é que não foi bem assim.

Quando temos filhos pequenos o Natal ganha uma magia diferente. Por eles e através da alegria deles, há um reviver da fantasia de natal.

É não é!?

Podia ser. Se o meu filho não fosse a cópia chapada da sua mãe.

 

A consoada foi passada em minha casa. Presentes: sogros, marido (era o que mais faltava que não estivesse), filho e Augustinho (também conhecido como pai).

O Augustinho, homem sempre à frente, decidiu arranjar uma prenda extra para o neto, e, em vez de a embrulhar e entregar à filha, por sua vez mãe do neto que ainda devia acreditar no Pai Natal, para que esta a escondesse. Não. Decidiu coloca-la em cima da mesa da cozinha. Não demorou 5 minutos para o miúdo dar conta de um camião da policia.

Passei 20 minutos a explicar-lhe que não era certo de que a prenda fosse para ele e que não podia reivindicar todos os brinquedos que via.

Assim fiz até o Augustinho aparecer e dizer:

- Claro que é para ti, para quem mais havia de ser!? - colocando-me a mim, enquanto mãe e pessoa que forma um ser humano para a vida numa excelente condição.

Nesse preciso momento havia de sentir a primeira sensação de que o RAP tinha razão: a melhor ceia de Natal é com desconhecidos, os de sempre já sabemos o que a casa gasta.

O miúdo põe-se doido com o brinquedo e chegam os meus sogros. O puto vai ter com os avós e esclarece:

- O meu avô Augusto deu-me esta prenda! Olhem!

O meu sogro começou a ficar agitado porque também queria ver o neto abrir uma prenda sua.

Para apaziguar ansiedades tive uma ideia: eu garantia ao pequeno que se ele comesse a sopa toda o Pai Natal vinha mais cedo. Para isso, depois de a sopa estar comida ele tinha de ir para a cozinha com os avôs para que o Pai Natal pudesse sentar-se ao pé da lareira, a comer as bolachas que lá deixámos e a beber o seu copinho de leite, enquanto consultava o seu caderno de bom comportamento.

O rapaz, filho cético de sua mãe desconfiada, não se afiançou nem um segundo. Comeu a sopa a contragosto e foi para a cozinha com ar de quem achava que aquela palhaçada não tinha ponta por onde se pegue.

Claro que não ajudou o Augustinho dizer: “para com isto porque ele não está a acreditar nesta merda!”, sempre no mais alto nível de pedagogia.

Recebo indicações do Pai Natal que os presentes estavam colocados (ou seja o Nuno ficou a tratar de tudo e a falar com o Pai Natal para argumentar a favor do filho, quase parecia um episódio de uma serie de advogados), saímos para a sala e Sôtor não se quis acreditar com tanta caixa para abrir. Coitadinho, depois de ganhar o Super Wings achou que já nem ganhava mais nada. Quando lhe entrego o presente maior com a prenda que anda a pedir há perto de 6 meses, acho que a criança ia desmaiando.

Esteve entretido com as coisas dele nas 2 horas seguintes.

 

Criança entretida e velhotes apaziguados porque o neto já tinha as prendas fomos ao bacalhau.

Tal como previ o Augustinho estava satisfeito depois de chuchar a terceira espinha, possivelmente por conta da quantidade de azeite que pôs no prato – fiquei nitidamente com a noção de que o bacalhau ia voltar à vida e começar a nadar bruços. A minha sogra estava cheia antes de o bacalhau chegar ao prato e pediu para pôr mesmo muito pouco porque comer muito lhe dá azia de noite ou lá o que é.

Eu botei abaixo 2 copos de tinto que me deixaram logo mais alegre e até parece que pedi tangerinas aos meus sogros, porque eles apareceram lá em casa no 25 a alegar que eu tinha dito que queria que me trouxessem um saquinho.

 

Antes da meia noite estavam os velhotes a caminho de casa e eu a ver a Patrulha Pata, tentando desesperadamente convencer o meu filho que a noite de Natal também serve para dormir.

 

No dia 25 sôtor acordou feliz de sua vida, deserto de pegar nos brinquedos outra vez. Inicialmente não queria ir almoçar à casa do meu irmão, mas lá aceitou quando soube que o primo também ia.

Chegámos todos à mesma hora e o que aconteceu a seguir foi aquilo a que chamo: uma tourada.

O meu sobrinho tem mais 9 anos que o meu filho, mas juntos parecem ter mais ou menos a mesma idade. O pequeno é terrível e convence o outro desgraçado a fazer as coisas à maneira dele.

Nisto pressionou o primo a despachar-se a comer, tentou saquear todas as batatas fritas do prato do primo, porque eu lhe tinha dito que só comia mais batatas se comesse chicha também, correu pela casa e até partiu uma arte de um dos brinquedos que lhe deram.

A determinada altura despediu-se de mim e do pai, disse que ele e o primo iam ficar a brincar na casa do meu outro irmão – tio dos dois. Foi quando o ouvimos gritar para o primo: “anda Duarte, vamos partir a casa toda!”, e gritava esta alarvidade satisfeito da vida dele.

Os crescidos, por mais que tentassem controlar aquilo, partiram-se a rir. Como é que uma coisa daquelas que ainda nem fez 3 anos tem aquela pica toda.

Estava a ser impossível "desliga-lo".

O meu irmão já dizia: "o puto não tem off?!" - e ria-se que nem um perdido.

Quando finalmente o conseguimos agarrar para se despedir de toda a gente, acalmou-se mas quis que o primo viesse viver connosco. Expliquei-lhe que não era possível, o primo tem escola. Aceitou.

Estávamos nós já no carro, a passar ao lado do portão da casa do meu irmão, tentando fazer os últimos adeus quando ele grita para o primo:

- Duarte, VAI PARA A ESCOLA!

Como quem avisa, não vens brincar é bom que vás estudar.

Adormeceu ao fim de 5 minutos.

 

E foi assim, o meu Natal foi o meu filho, ele e as histórias dele. É tão bom registar para não esquecer.

 

Sôtor é um engraçadinho!

Habituado que está a que senhora sua mão - minha pessoa - lhe faça tudo, ontem, espraiado na minha cama disse-me:

- Mãe vamos buscar um leitinho!

E fomos, ele carregou o seu bonequinho de dormir (para os mais chiques, o seu doudou) e eu carreguei com os dois.

Trazemos o leite para o quarto, pouso a criatura de cabelos desgrenhados e diz-me, novamente estiraçado na cama:

- Mãe pega o menino!

- Não, vens tu sentar-te ao colo da mãe para beberes o leitinho. - digo-lhe eu.

- É muito mais divertido quando me pegas. - argumenta.

- Pois mas tu estás muito pesado e a mãe não consegue.

Levantou-se a custo. Sentou-se ao meu colo com cara de quem tem uma mãe incompetente e insolente.

Digo-lhe:

- Sabes o que era mesmo giro? Era tu beberes o teu leitinho sozinho.

Ele responde-me:

- Não consigo, estou muito pesado!

WTF.

A pulga já tem, definitivamente, catarro!

 

#toufeitaaobife