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Blog Bestialmente Conhecido

Uma tarde em casa, um dia muito frio e um bolo de laranja

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De manhã fomos à piscina. Já tinha saudades e nadou até cair para o lado. Saltou das pranchas inventadas com tapetes de borracha, bateu as pernas agarrado à prancha, boiou com a ajuda da batata frita e deu mergulhos para apanhar arcos. Estava nas sete quintas. Ele e eu, que adoro a água e me sinto tão em casa como um peixe. Ficam a faltar as guelras.

Chegados a casa quis dormir, o dia tinha começado cedo, o desgaste era muito e o Domingo frio em casa sabe a cafune, mantas enroladas no sofá, desenhos animados na televisão e ao colo da mãe e do pai, que à vez, o abraçam horas a fio e ouvem atentos a sua descrição das peripécias daqueles bonecos que tanto admira.

O miúdo que tem cães que falam, os cães que salvam pessoas e animais, o avião conduzido por um robot e o autocarro que até tem home cinema.

A loucura para qualquer adulto, quanto mais uma criança.

 

Acordou da sesta com um sorriso, acordou com a calma que gosta, sem avisos para se despachar, espreguiçou-se quanto lhe apeteceu. Ele e eu, espraiada no meu sofá.

Perguntei-lhe:

- Queres ir ao jardim?

- Não…

- Ou ao shopping?

- Não, queo ficar em casa a bincar.

 

E dicámos.

Às vezes insisto, não quero que esteja sempre fechado em casa, ou que pense que os dias com os pais são de tarefas e de clausura. Por isso é para mim importante os momentos de passeio em família. Que tenhamos coisas que fazemos juntos. E ficar uma tarde em casa, a não fazer nada também é fazermos coisas juntos.

Ver o tempo passar sabe tão bem e é tão raro.

 

Lembrei-me de fazer um bolo. Há algum tempo que me apetecia uma tarde em que fazia um bolo para o lanche. Nada daqueles muffins que faço quase todas as semanas, receitas adaptadas das adaptações, com 10 ingredientes em vez de 5, metade deles para substituir as matérias que hoje têm aquilo que se abomina. O glúten, os lacticínios, o açúcar, o diabo a quatro. Habituei-me a estas modificações e são essas que faço por regra.

Mas desta vez apetecia-me um bolo com cheiro a bolo. Um bolo com farinha (mesmo farinha, daquela que a minha mãe usava quando a única coisa que fazia mal era a fome), manteiga, ovos, açúcar para alegrar a alma. Apetecia-me um bolo fofinho para partir e o cheiro adocicado que emana do forno quando há bolinho para sair. Toda a casa fica com aroma.

Meti-me na cozinha, peguei na primeira receita que encontrei. Só queria uma que tivesse poucos ingredientes e fosse rápida de fazer. Encontrei esta.

O bolo não ficou nenhuma figura, mas soube-me pela vida.

 

Tirei do forno e tirei-lhe uma foto. É o passo que se acrescenta à era da minha mãe. “Que tolice”, diria, tirar fotografias a bolos, “onde é que já se viu?!”. Depois todos o admirámos. O pai e o filho perguntava “quando é que se pode comer?” e eu perdi a conta às vezes que respondi “quando arrefecer, quente dá dores de barriga!”

 

Lanchámos os 3 à mesa, na televisão os desenhos animados, o bolinho uma delicia, e nós satisfeitos connosco mesmo. Até acho que o maridão se esqueceu das dores nas costas por 5 minutos.

 

Acho que era isso que me apetecia, um bolo que fosse mesmo um bolo e não uma adaptação-de-um-bolo. Uma tarde calma com todos e casa sem muita coisa para fazer. Um lanche caseiro com uma caneca de chá.

Soube-me pela vida.

 

(pena foram as tarefas que deixei para o final do dia….mas isso são outros quinhentos)

 

 

 

 

 

 

 

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