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Blog Bestialmente Conhecido

The End

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Como todas as histórias, boas ou más, também este blog tem o seu fim.

Hoje.

 

Aos que leram e acompanharam as minhas dissertações, louvo a vossa paciência; aos que se conseguiram rir com meu sentido de humor, o meu obrigada por entenderem, nem sempre é fácil encontrar quem ache graça às mesmas coisas, especialmente neste mundo que se melindra com tanta facilidade; para quem deixou de vir, tiro o meu chapéu, nem sempre é fácil fazer a escolha certa mas vocês conseguiram; aos que nunca deram com isto, garanto-vos que são 5 centímetros mais felizes que qualquer um dos outros.

 

À falta de um titulo melhor, chamemos-lhe: Eutanásia

Sou daquelas pessoas que acha que ninguém se deve meter na vida dos outros, muito menos tomar decisões pelos mesmos. Sou aquele tipo de pessoa que acha que, a menos que estejam envolvidos menores que não sejam capazes de ser responsáveis pelos seus atos, cada um sabe de si. Ninguém deve dar opiniões e muito menos tomar decisões por conta de outrem. Vá que não vá achar qualquer coisa, mas sem muita intromissão.

Porventura será por isso mesmo que, ao abrir o jornal, me cause uma profunda angustia perceber que pouco mais de 2 centenas de pessoas que pouco ou nada sabem da vida - vão-se contentando em saber o que acham dela - tenham a possibilidade de votar para decidir sobre a vida dos outros. Ou sobre a sua vontade de que a vida deixe de existir. A vida pertence a cada um e, por mais estranho que possa ser à mente de muitos – daqueles que todos os dias se esfrangalham por andar vivos mais um dia – cada individuo deve ter o direito de decidir o que quer fazer com o que resta da sua, procurando a sua paz, já que não encontra a de corpo, que se conforte com a de espírito.

 

É estranho para mim, que uma pessoa à beira da morte não possa decidir o que quer fazer com a sua vida, mas 2 dezenas de pessoas que nunca o viram possam, olhando para aquela mesma pessoa embutida num algarismo que os permitirá decidir se pode ou não escolher o que fazer consigo mesma.

 

Estranho, que os outros possam escolher, mas o individuo não.

 

Enquanto uns, ainda menores, querubins que deviam estar alheios a qualquer maleita, se batem por uma vida em corredores provisórios de hospitais, com conselhos de paciência de quem governa; outros usam recursos que não querem, debatendo-se pelo direito de escolher o que fazer com a própria vida, ou o que resta dela.

 

Stress e a corrida para apanhar o que ainda não está feito

Acordar a pensar no que há para fazer no emprego. Tanto que pode acontecer estar quase, mas mesmo quase, a pôr uma colherada de café no chá. Conduzir para o trabalho com as tarefas de casa em mente, o que é preciso comprar, o que as crianças precisam, para que irmãos é preciso ligar, não esquecer os aniversários, dar conta de que um aniversário foi ontem ou – ainda chegando a tempo – é hoje. Usar o Facebook para não esquecer os amigos nos seus dias especiais, afinal de contas sempre se recebe um alerta. Rogar pragas aos que se recusam a deixar lá a data de nascimento, raça de gente que quer mesmo que nos lembremos.

Chegar ao trabalho fora das horas previstas. Excomungar o trânsito e todos os outros seres humanos que têm o desplante de também habitar o planeta, quem é que esta gente pensa que é! A colocar-se nas filas e a roubar o nosso tempo?

Chegar ao trabalho e sentir o peito apertar com a atualização da caixa de e-mail. A cabeça a fugir para a futilidade. Usar listas no desktop, listas em papel, listas em agenda, alertas de Outlook, alertas via despertador do telemóvel, descarregar aplicações que ajudam à memória. Tudo para alertar e re-alertar para as tarefas por fazer. Aquelas das quais a mente teima em fugir.

Pensar em casa, pensar nos filhos, pensar no fim de semana, de como podemos organizar-nos para chegar mais cedo, ir àquele site e só mais àquele e já agora só mesmo a mais um, que é para ver se temos as boias todas que precisamos para as férias de verão que chegam já daqui a dois meses. Há que garantir tudo o que faz falta.

As saudades que temos dos filhos. A pena de não lhes dar mais atenção, de não gozar mais o momento. A culpa de não estar mais tempo presente, de não usufruir de todos os momentos. Mal os vemos crescer com esta vida de trabalho sempre fora de casa.

 

Voltar às tarefas. Ter os metade dos neurónios de colher de pau na mão, prontos a arrear umas porradas nos desgraçados que querem é ferias, que têm saudades dos filhos, que guincham pelo aconchego da cama. É para estar com atenção ao que se está a fazer. Pensar no almoço, pensar no lanche, pensar nas tarefas que há para fazer em casa e não esquecer de comprar courgettes para o jantar quando dermos um salto ao hipermercado naqueles 15 minutos que sobram depois de mandar abaixo o que está na marmita.

 

O dia acaba, toca uma campainha imaginária, aquela que está dentro da nossa cabeça e que badala forte e feio quando os olhos veem, ali no canto inferior direito do ecrã, a hora de ir para a outra vida, aquela onde acontecem as coisas que estivemos a pensar todo o dia. As que mais nos preocuparam.

 

Entramos no carro e pensamos no que ficou para o dia seguinte, aí meu Deus, isto amanhã tem de ser mesmo muito mais produtivo, mais foco, como dizem lá as moças do Instagram ou lá o que é aquilo.

 

E seguimos caminho, a cabeça ainda no trabalho, na Joaquina da Contabilidade que não mandou o ficheiro para o relatório, no Zé Manel da Logística que não arranjou o dossier que era preciso para organizar a papelada que está em cima da mesa, porque se aquela papelada se organizar toda a qualidade da nossa vida aumenta de sobremaneira, toda a gente sabe da importância de um bom dossier para a organização de vida do ser humano; da Clotilde das estatísticas que está cada vez mais antipática e só diz bom dia de quando em vez.

Deve pensar que tenho dividas com ela, vou deixar de a cumprimentar, que eu cá comigo é assim, ou me falam também ou eu não conheço. Que raio lhe fiz?

Bla-bla-bla. Rebeubeubeu e ali ficamos a remoer aquela ideia mais do que o cão a roer o osso. Não se sabe nada da vida de nenhum, mas todos temos uma ideia de como a vida deles devia ser.

 

A ansiedade cresce, o stress pesa, o que ficou por fazer, o que ainda há, a quantidade de trabalho que cresce e o tempo que não aumenta. Malvado.

 

Vamos buscar as crianças, querem atenção, são as mesmas de quem sentimos saudades. Mas agora estamos ainda enfiados nas folhas de Excel do trabalho, preocupados com o que ficou por fazer, com o que ainda há ali pendente, com os atrasos, os objetivos, as tarefas e as avaliações.

A criançada chama e a paciência é pouca, afinal de contas estamos a fazer o jantar, o arroz quase que se queimou e nós ainda enfiados no raio de relatório.

 

Mesa, jantar, lavar mãos, comer, lavar a loiça, não esquecer de estender roupa, de apanhar a outra, o Joãozinho que tem um trabalho de grupo na sexta-feira e a Matilde que traz outra vez exercícios para duas horas a martelar cadernos com equações e teoremas e conjugações verbais das quais não nos lembramos, afinal de contas ultimamente conjugamos mais vernáculo que verbos.

Abençoado Google.

 

Banhos, pijamas, dentes, cama.

 

Preparar mochilas, a roupa do dia seguinte, deitar, pegar no livro e pensar que não estivemos tempo nenhum de qualidade com os miúdos, que temos saudades das brincadeiras com eles, que eram giros com 2 e com 3 anos. Que passa depressa. Que amanhã vai ser diferente. Mas o relatório, amanhã logo de manhã temos de enviar aquele relatório, e “se a tipa da contabilidade não mandar o ficheiro vai ouvir das boas!”

 

Acordamos a pensar no que há para fazer no emprego. Tanto que pode acontecer estar quase, mas mesmo quase a pôr uma colherada de café no chá. Conduzir para o trabalho com as tarefas de casa em mente, o que é preciso comprar, o que as crianças precisam, para que irmãos é preciso ligar, não esquecer os aniversários….

 

Nunca estamos onde devíamos estar. É como se a cabeça estivesse sempre 2 horas adiantada ao corpo, a fazer as tarefas que ainda faltam, quando na verdade estamos ali, empacados no momento do que tem de ser feito. Preocupamo-nos com o que temos para amanhã, e pouca atenção damos ao que temos hoje, porque amanhã é uma preocupação que pode ser adiada…já a de hoje…está ali, a morder-nos os calcanhares.

 

Tou tão focada c'até me custa a piscar os olhos

Trabalho numa equipa pequena, somos, ao todo, 6 pessoas. Estamos num espaço relativamente aconchegado e dependendo do nível de dificuldade auditiva de cada um, até conseguimos dar pela musica que passa no MP3 do lado.

Um decide ir buscar pães com chouriço. A esta hora saem quentes na Padaria Portuguesa.

Quatro destas almas decidem pedir pães. Está um cheiro a pão com chouriço quente qu'eu quase sinto tonturas.

Todos á minha volta a malhar o pãozinho e eu, eu focada. Saco do poster da Ritinha e penso: este verão vão-a-ver vamos ficar tão parecidas qu'eu ainda cresço 10 centímetros. Dizem que a moça é estrabica, a moça explica que tem os olhos juntos, eu não lhe olho para os olhos porque estou preocupada em ter uma barriga igual à da magana.

Vai daí e vamos-a-ver, fico magra, fico sarada, fico morena, e se olharem bem até vai um olho para as bolas de Berlim e outro a dar conta de onde anda o miúdo.

Agora vou ali buscar a minha fatia de pão com centeio que até se me está a crescer água na boca a pensar na bendita!

 

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Reeducação alimentar – o primeiro choque frontal com a balança

As expectativas estavam altas. Uma semana a pão de centeio, queijo com baixos níveis de gordura, sopa sem batata, zero açúcares e uma peça de fruta ao dia indiciariam que a pessoa alvo de tamanha tortura gastronómica teria perdido, um mínimo de, vá, 2 quilitos. Para quem nada se importa com o que come, uma semana de comida parecida poderia não ter qualquer impacto; mas para mim, que gosto de uma chichinha com molho, de umas batatinhas fritas, de um polvinho à lagareiro assim bem regadinho de azeite e alho, de um arrozinho de pato (tudo assim em inho para parecer mais fofinho e menos calórico), é um desafio.

Não posso dizer que tenha passado fome, porque não passei. A nutricionista garantiu que eu comesse vezes que cheguem ao longo do dia para me sentir saciada e sem quebras de açúcar. Mas iogurtes naturais sem adicionar uma única colherzita de mel, uma geleia de frutos vermelhos…..aiiiiiii….

Valeram-me os iogurtes de soja naturais da Alpro, que são menos azedos e que se mantém numa taxa de açúcares inferior a 5 gramas por cada 100 gramas.

 

Assim na sexta-feira estava esperançosa. Sem sentir grande coisa de diferença, aliás até me sentia mais inchada do que o habitual, mas estava esperançosa (porque a esperança é a última a morrer, afinal de contas!). Há que ter em conta que até tenho andado a beber água que chegue para as minhas células se terem precavido com coletes salva vidas, não vá haver alguma espécie de enchente. Devem estar a pensar que estou a encher as barragens do lombo. Só pode. Passar de 0,1 litros/dia para 1,25 litros/dia, é coisa para deixar uma célula confusa.

 

A consulta de acompanhamento estava marcada para o final do dia. Chego e sou logo atendida. No gabinete, tanto a Sr. Graça do secretariado, como a Dra. Margarida são uns amores. Uns amores em forma e ali bem esguias numas calças que presumo ser um 34, mas um doce, qualquer uma delas.

 

Entro e dedicamos tempo às questões, queixumes e dúvidas.

 

A minha primeira questão era essencial: durante quanto tempo teria de viver em provação? Quando é que iria ver fundo ao tacho dos legumes e dos bifes grelhados?

Uma pessoa sabe que é para mudar a sua alimentação, que é suporto ser uma coisa que não é temporária, é para a vida, como o matrimónio. Mas, tal como o matrimónio, aparentemente, também a reeducação alimentar é uma coisa que se tem de contrair, o que, pela palavra “contrair” não indicia que seja uma coisa saborosa. Ou seja, à semelhança do que acontece com o casamento, também aqui há a sua dose de peúgas pretas na cesta de roupa branca, mas em formato de pão escuro e iogurtes adoçados com o apoio do imaginário de cada um.

 

Como é óbvio foi-me esclarecido que o objetivo era encontrar uma alimentação equilibrada para mim, que eu pudesse manter para a vida, conhecendo melhor o meu corpo, o que me faz bem, o que não me faz tanto bem, e que tipo de “crimes” gastronómicos é que posso cometer para não andar em yo-yo, mantendo um peso estável e sentindo-e saudável.

Ou seja, a nutricionista teve de ter para comigo a mesma abordagem que tenho com o meu filho de 3 anos quando ele quer comer o pacote inteiro das gomas e só podem ser duas. Eu explico de forma racional, e no fim, ele diz "mas eu queo!".

 

Com as palavras da nutricionista quase ganhei um novo alento e me imaginei, nos meus cinquentas, seca e gostosa, já podre de rica nessa altura, a passear-me nas praias do Havai envergando um biquíni com pouco de tecido e de uma marca astronomicamente cara que ainda não inventaram (afinal de contas ainda me faltam uns 15 anos para os 50….  pensando bem, já só me faltam 15 anos para os 50…..  (gritos no meu cérebro, confusão e recusa a aceitar a verdade….no fim acalmia)).

 

Tiradas mais algumas dúvidas quanto ao plano alimentar, chegou a hora de subir para a balança. Confesso que quando a nutricionista me deu uma espécie de volante para eu segurar e e pediu para subir para a maldita, enquanto os números se acertavam, pude jurar que ouvia a música de suspense do Biggest Loser, e depois, ao contrário do que acontece na primeira semana de acampamento dos gordos, que largam ali 5 e 10 quilos de cada vez, eu perdi a estonteante quantia de 300 gramas. Isso mesmo, nem um cabrão de um quilo.

 

Primeiro a negação.

A merda da balança tem de estar errada. Aquilo deve ter falta de pilhas. Só pode. Ou deve estar a fazer mal a contagem.

 

Depois a procura de motivos.

É do casaco, de certeza que este casaco pesa muito. Não, não é do casado, é das cuecas, bem me pareceu quando peguei na embalagem que este algodão era mais pesado. Se calhar devia ter ido à casa de banho antes de me pesar. Por acaso estava aflita para fazer xixi, é esta água toda que me esta a lixar. Vou pedir para ir vazar a bexiga e já volto.

 

O aceitar da realidade.

Não perdi peso. Não é do casaco. Não é do mijo. Não é das calças, mas é do cu equ ainda está grande. Há qualquer coisa que não está a funcionar, eu anotei tudo o que comi e há alguma coisa que não está a dar certo.

 

A revolta.

Que se foda isto! Se é para estar gorda que seja a comer o que me apetece. Gorda a comer bolos e gorda a comer queijo fresco e iogurtes sem açúcar, voto na gorda lambuzada de croissant. Vou cagar para isto. Vou comer o que me apetece.

 

Ouvir quem sabe.

Ao que parece todos os corpos reagem de forma diferente, e, aparentemente, o meu não reage como o da Gisele Bunchen, pelo que tenho de dar tempo ao tempo. Pelas medidas, pela resposta da máquina e pelas contas da nutricionista, o meu corpo – que tem a mania que é esperto e está, evidentemente, em negação face a tudo isto – decidiu começar por perder líquidos, ou seja, reduzir a retenção de líquidos que tinha. Por outras palavras, abriu a escotilha da barragem e agarrou-se à chicha. Eu, olhei profundamente para o meu interior e pensei: mas eu quero é perder sólidos, suas células ignóbeis!

A nutricionista explicou-me que às vezes pode demorar 2 e até mesmo 3 semanas para o corpo se acomodar às alterações e começar a perder o peso. Que até lá devia ajustar as quantidades de fibra porque, como eu já havia indicado, quando as como em excesso o meu organismo não funciona bem e incha.

Porque o organismo desta menina acha que não é plebe, que deve ser alguma espécie de chiqueza, porque a maioria das pessoas tem de comer fibra para que tudo seja regular. Aqui a menina tem de comer fibra de forma comedida para não inchar como um balão de feira. Uma espécie de porquinha presa por um cordel.

 

Saí de lá com cara de quem era capaz de arrear umas porradas em qualquer coisa. Fiquei de neura até à manhã do dia seguinte, mas suportei a minha neura acompanhada por uma saladinha pouco temperada e um bifinho de peru grelhado.

 

No sábado – o dia que guardei para a minha cheat meal – fui buscar um valente de um jesuíta que papei saboreando cada dentada, com vista para o Tejo, no jardim ao lado da Fundação Champalimaud (e consegui escrever este nome sem erros e sem ajudas, estou orgulhosa de mim!)

O puto – que às vezes me dá a ideia que parece que é filho da Isabel Silva com o Salgueiro – fez-me andar a correr atrás dele e a subir e descer escadas como uma alucinada, pelo que, me pareceu que merecia mais 2 miniaturas de pastel de feijão. Deglutido o último, despedi-me da caixa de prazer com um “até para a semana” e agora vamos ver como corre.

É segunda, ontem já não houve refeição livre e estou nesta de me comportar como uma menina crescida até sexta para ver como corre.

 

Caro Universo (ou entidade delegada para o tratamento da vida quotidiana dos pobres terrestes)

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Venho por este meio tirar algumas satisfações gastronómicas com vossemecê. O planeta terra, e muito em especifico o piqueno retângulo à beira mar plantado aqui na Europa, tem um vasto leque de matérias degustáveis que eu e a maioria dos meus conterrâneos terrestres apreciamos, falo de um bom cozido à Portuguesa, de Cachupa (que não é de origem mas agente tamém gosta), de Leitão da Bairrada (com molho é claro!), de batatinhas fritas com molho do Bife da Portugália; falo de chanfana, de um bitoque, de uma francesinha (não a gaja, mas o amontoado de carnes, pão e molhanga que se come no Porto); falo de bifinhos com cogumelos, de frango assado no churrasco, o qual sem ser acompanhado de batatinha estaladiça não sabe ao mesmo; falo de um belo hambúrguer em bolo do caco barrado com manteiga de alho,; falo de pizza extra queijo. Hummm, tás a ver do que falo. Se fores mais para o guloso, meu caro Universo (ai como te compreendo!), falo de uma boa mousse de chocolate, de um palmier duplo com creme de manteiga, de palmier coberto, de palmier simples (pronto!), de um belo de um pastel de Belém, de um croissant do careca; falo de um travesseiro de noiva, de uns ovos moles, de umas natas do céu; atrevo-me a lançar um bolo de bolacha, um croissant de chocolate e até, em determinados momentos da vida, bolo de aniversário desde que coberto de massa de açúcar.

Estamos alinhados sobre o tema para falar? Hummm. Estamos?

Ainda bem.

Ambos concordamos que estas delicias devem ser degustadas, certo? Exato.

 

Mas se assim é, porque carga de água é que todas elas fazem mal? Porque raio de cosmos é que têm tanta caloria? Aliás, porque raio é que a caloria engorda? Podia dar-se o caso de terem imeeeeeensas calorias, mas depois a caloria ser uma coisa que não acresce à nádega de uma pessoa, que não causa entrave ao nível da cintura, dando aquele volume indesejado e que obriga à aquisição de fatos de banho slim. Que é o mesmo que dizer “fatos de banho que empurram as tripas para dentro a ver se a cintura, não podendo parecer de vespa, também não se compara à de uma hipopotama”.

 

Porque raio de ideia é que se cria todo um mundo pornográfico de prazer culinário e depois a pessoa tem de escolher entre as calças da Zara e o bola de Berlim? É que uma pessoa está espojada na areia, malha forte a Bola de Berlin e depois, culpada, sente-se tentada a ir nadar 10 km bruços mesmo com a bandeira vermelha, sujeita a ficar-se ali perto das rochas. Ao menos boia melhor, com o pneu em torno da cintura.

 

Universo, a cintura de uma pessoa está dependente de talos de aipo, rodelas de cenoura, sopa sem batata, carnes grelhadas e peixe no forno com menos de colher e meia de azeite. As nádegas têm de se tornar submissas a uma ditadura de courgette e beringela salteadas. Quem sabe, na loucura, uns rebentos de soja. Resignadas à contagem de peças de fruta para que não excedam a unidade.

 

Porque raio não se troca esta tendência? Que sejam as courgettes do mal. Que se condenem as cenouras e as alfaces. Que se excomunguem as beringelas.

 

Universo, vamos dizer sim ao pastel de nata e não aos frutos secos.

 

Pensa nisso Universo, o mundo seria mais perfeito. Estou certa disso.

 

Assinado:

Pessoa desesperadamente necessitada de um croissant de chocolate, daqueles que depois de darmos uma dentada escorre chocolate derretido por todo o lado. Tudo cagado. Quase pornográfico. Não fosse a realidade revestir-se de talos de aipo.

 

 

Às 16 horas e 39 minutos desta quinta feira…

…decidi o que quero para a minha vida.

 

Quero ter o corpo e a saúde de um atleta, com pernas rijas, lives de celulite e com abdominais definidos e pele sedosa…

 

…levando uma vida de obeso, comendo tudo o que me apetece e podendo estar espraiada como um choco sedentário sem fazer nada todódia.

 

Se alguém encontrar solução para que eu possa atingir os meus objetivos envie e-mail para o endereço que está no prefil.

 

Obrigada

Esta coisa de rir e fazer rir

Fazer rir pode ser um lugar muito só. As pessoas olham para nós com uma certa imposição de “então, faz-me lá rir, pá! É para isso que aqui venho”. Essa imposição pesa, pesa porque nem sempre existe disposição para fazer rir. Aliás, muitas vezes não há qualquer vontade de rir sequer. Mas quem faz rir (ou quer fazer rir, vá!) também usa o humor como uma catarse individual e egoísta, para melhorar o seu dia, um momento, nem que seja para esquecer as trivialidades nefastas do dia a dia, quem sabe aquilo que corre mal e que lhe apetece guardar para si.

“Mais vale rir”, diremos.

Todas as pessoas têm direito a maus dias, mas quem faz rir, quem “tem sentido de humor”, perde, de alguma forma, esse direito que se não é, devia ser constitucional. Ou seja, o direito à liberdade para se sentir sem pachorra para arrancar uma gargalhada a alguém. Para estar sem paciência para falar de coisas, sejam elas quais forem. Sem o direito de poder ser sério, se assim entender.

Há uma espécie de jogo do sério, mas na vida real, em que quem faz rir parece perder, de alguma forma, uma parte da sua credibilidade, o que diz tem de ser sempre uma chalaça, quando não tem graça há sempre a avaliação do “ficou chato” que é como quem diz “hoje não me causaste entretenimento”. Tudo isto até ao dia em que se pisa os calos a alguém, nesse momento, no segundo concreto em que a piada não surte o efeito pretendido, invariavelmente pelas seguintes ordens de razão: mexemos com crenças, gostos e hábitos de alguém; fizemo-lo em relação a alguém que gostam. Nessa altura, quem faz rir ganha drasticamente uma seriedade que não procurava e passa a ser um pulha da sociedade. Um alvo para critica desmedida, ofensa ocasional e desdém, perdendo qualquer interesse tudo o que fez até esse momento.

Fazer rir é das posições mais ingratas que se podem encontrar. Primeiro porque é preciso ter uma opinião. E sabemos que ter opiniões hoje em dia, se não forem ao encontro das modas, está logo tudo estragado.

Fazer rir pode oferecer dos momentos mais gratificantes que podemos encontrar, arrancar uma gargalhada a alguém que está a ter um mau dia é uma espécie de prenda. Melhora o dia de quem se ri e melhora o dia de quem fez rir.

 

Mas para rir e fazer rir é sempre preciso a participação despretensiosa, descomplexada, não-paranoica e não-critica, de pelo menos 2 pessoas: a que ri e a que faz rir.

Isso nem sempre acontece.

 

Frustra-me ver que existem pessoas que se intitulam ao direito de definir aquilo sobre o qual podemos rir. Cada um sabe o que é que lhe arranca uma gargalhada, nem a própria pessoa sabe porque é assim, é. Ponto. Como um mistério não desvendado dentro da nossa cabeça.

Espanta-me que em pleno seculo XXI ainda se considere que há um tipo de humor certo. Parecem existir caixinhas imaginárias sobre temas que podem ter usados para rir e outros não. As mulheres estão a chegar ao poder (Ámen), a liberdade sexual já não é um tabu (Graças a Deus), mas o humor, esse ainda está nas trincheiras, um negro, outro alternativo, presumo que haja um branco e ainda o cor-de-rosa.

As pessoas que fazem humor têm de ter sempre as mesmas características e as exigências que lhe são feitas sempre iguais. Fazer rir independentemente da sua vontade porque quem gosta de fazer rir gosta sempre, cá agora problemas quotidianos a meter-se pelo caminho e escolher bem os temas em que se mete porque se a pata pisa a poça “está o caldo entornado”.

Por cima disso ainda tenho o direito de lhe dizer das boas se a graçola não me cair cá no goto como eu acho que devia.

 

Este provavelmente é mais um daqueles posts que nem são lidos até ao fim, como já me foi dito. Não fazem rir, não têm palhaçada imediata, pelo que, adiante.

 

Hoje não me apetece fazer rir, porque também eu estou assim um pedaço blhec cá para mim.

 

Ósculos e Amplexos

JJ fala sobre o terror em Alcochete

Atão agente tavamos a ver as tatisticas de jogo (masca forte), estivéramos a treinar forte, fizéramos ejercicios dificeles e estivéramos cansados.

Eu estava a motivarem a equipe por causas que ficaramos sem os pontos que erem pecisos pa ir à Liga dos champinoles majagente tem de olharem para a frente e quando estaramos ali com o dedo grande das patas a pisar o abisque temos de darem o passo à frente para chegarem-mos antes dozotres.

(masca forte….suga saliva pelo canto direito da boca…ajeita cabelo mal pintado)

Tava o Baza Dosta a despirem os calções pa ir pó banho e a gentes começa a ouvirem uma chinfrineira do ca…muita forte.

Cando olháramos pa porta vinham a entrarem uns mafarricos com encapaçados que começarem a partirem tudo. Os mês nérones – aquelas cebulas que a gentes tem no miole, tarem a ver? – disserem uns-pós-otres “Cralhe!”. E foi aí que um encapaçado me deu uma arroichada.

Eu pus-me a andar dali pa fora e só vi os gaijes irem direites ao Baza Dosta e arreaem-lhe com umas mocadas.

Pensei, foirem-xe! Aquele irem levar pontes!

Os encapaçados não digeriram palavres págente e per’isso não saberamos por que cargas de bóis levaramos uma cronhadas.

É uma vergonhe, fizéramos o melhor que saberamos. Nem quando eu viverem na Amadora cafamilia vi tanto gaijo de capuz pronto pa arrear umas porradas num gaijo. (masca forte….sorve com força…ajeita cabelo pintado).

Eu tiverem a Amadora cá dentres, mas tive de cavar porque uma Amadora contra uma caitrefada de gaijos da Juba Levo não s’aguenta!

Eu e os j’gadores esperáramos que estes malandres sejam encontrades e que se faça injustiça.

É tudo o que tenha a d’zer!

(masca forte…sorve alvo e ajeita melenas de cor indefinida)

 

Lady in the green malhinha

Esta manhã descobri uma nova super-heroína, uma força da natureza do dia a dia, que supera as provações do trânsito e fá-los agasalhada pela sua malhinha verde de Primavera.

 

Estávamos na primeira das 63 rotundas porque passamos até chegar à Ponte 25 de Abril. Bondosa decido dar passagem a quem queria virar à esquerda porque estava entupido para seguir em frente. Atrás de mim o tipo da Esegur, munido da sua barbicha mal aparada, decide apitar. Eu, do alto da minha graciosidade, aceno com a mão para o retrovisor ao mesmo tempo que digo:

- QUÉ-QUE-QUERES-PÁ!?

O que, mais do que uma pergunta retórica é uma espécie de ameaça ao condutor que já seguiu pela via rápida contrária.

 

Entre dentes resmungo:

- Podes vir com a tua barbinha, que ainda levas umas porradas aqui da Lady in the green malhinha! Apanhavas cá uma vergonha. A apanhar lambada de uma senhora de malhinha verde.

 

O Nuno parou a olhar para mim. Desfez-se a rir. E agora trata-me por Lady in the green malhinha. É uma espécie de cognome.