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Blog Bestialmente Conhecido

147

(post número 147 deste brilhante e bestial blog)

 

A noite de domingo para segunda foi pesada. Tenho a ideia que acordei de hora a hora e que a noite foi uma espécie de fila de espera da segurança social. Eu tinha a última senha. Levantei-me de contra vontade. O dia ia ser pesado. O miúdo ia dormir aos avós. Criança entregue. Avós contentes. Mãe desgostosa porque tem um dia de merda pela frente. Trânsito. Chuva. Tempo cinzento. Detesto tempo cinzento. Detesto dias sem sol. Fico sempre um pouco deprimida e sem vontade. Começo a semana como o Bolt começa as corridas. Sempre um pouco mais atrás. Mas não as acabo como ele. Sempre na dianteira. Isso é que é pena. Chego mais cedo. Pelo menos isso. Reuniões. Pesadas as reuniões. Um dia de pressão. Muita pressão. Mil perguntas e um cansaço tremendo. Sair às 18 e saber que a fila leva duas horas para chegar a casa. Fugir por aqui e por ali. O miúdo está com os avós. “Hoje não há banho para dar, nem jantar, somos só nós”. Parecia um descanso. Estranho parecer um descanso. Chegar. Fazer exercício para limpar com o dia e esquecer o dia. Tomar um banho quente. Preparar o jantar. Comer a ver casas a ser remodeladas. “É para isto que eu tenho dias destes, porque um dia vou comprar uma casa daquelas”. Um café. Só um. Para ele. Porque eu não bebo. Um jantar que acaba com o silêncio de uma casa sem crianças e a frase “já não me lembro dos serões antes de ele nascer”. Porque parece que já não me lembro. Parece que fazem parte de uma vida passada. Um tempo longínquo. Um episódio do “This is us”. No fim o desabafo “quando ele não está nem sei o que uma pessoa faz com o tenpo”. Porque não havia jantar para dar. Brincadeiras para fazer. Banhos para dar. Histórias para ler. Leite para dar e um petiz que adormece no meio de uma cama grande enquanto a mãe acaba mais um capitulo do livro. Começar a ler um livro novo. Apaixonar-me pelo livro ao fim de 5 páginas e saber que tenho uma grande história pela frente. Um “vá lá, nem tudo é mau”. Acordar cedo, não tão cedo quanto queria. Tomar um banho para ganhar forças. Comer. Vestir. Mais um dia de trabalho. A fila de transito maior que o dia anterior. Os revezes do dia. O relembrar que não importam as 1000 vezes que fazemos bem. Conta aquela uma vez que fazemos mal. O que faz sentido. Afinal de contas se mandarmos o carro contra um muro a 160 km/hora pouco importa se andamos a comer bem nos últimos 20 anos. Acreditar que a parte mais difícil do dia já faz parte do passado. Fazer uma pausa para escrever este post feito de notas soltas e voltar para o dia com a esperança de que o tempo passe a correr sem mais percalços. Ir buscar o miúdo aos avós e ter quem me ocupe as horas de final de dia para que não as sinta vazias outra vez.

 

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