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Blog Bestialmente Conhecido

Propostas estúpidas para a resolução do trânsito numa semana de merda e num dia de muito que fazer

Os últimos 2 dias têm sido pesados. Muito pesados. esta semana está a ser esmagadora e confesso que não estou com o meu humor em alta. Apetece-me atirar coisas ao ar, abusar do vernáculo e compreendo que umas aulas de kickboxing poderiam ter um efeito tranquilizador na minha pessoa.

Tenho seriamente de pensar nessa prenda de mim para mim no meu aniversário.

Ainda tenho uns meses para pensar.

Não tenho respondido a comentários mas vou tratar disso.

 

Hoje de manhã, enquanto conduzia a 10 km/hora a caminho da ponte, chamando de ursos e enconados todos os outros condutores, identifiquei uma medida que pode:

1. gerar emprego

2. incutir medo respeito

3. melhorar o trânsito.

 

Então o que é?

Ora quem se lembra do Steven Seagal, com o seu rabinho de cavalo, a sua voz calma e umas valentes mãos que despachava bandidos à lambada? Forma normal, com a palma da mão, tão bem assentes que me parecia que ia sair uma febra tenra do lombo do malvado; e formato padrasto com as costas da mão. Quem se lembra deste marco dos filmes de andar à trolha?!

Eu, que tenho 3 irmãos e não tinha direito a ver filmes de princesas.

Pois diz que este menino é amigo do Putin. O que significa que tem uns quantos amigos russos. Malta nada dada à batatada... O homem está desempregado porque acham que já tem idade a mais para espetar lambadas em criminosos e ficava desenquadrado na Guerra dos Tronos.

Pegando neste raciocínio a minha ideia é a seguinte: Criar o Esquadrão lambada.

Meter o Steven ali ao km 11 antes da ponte e, malta que não guarda distância de segurança na fila, malta que entra à má fila, malta que vai na esguelha até cheirar o cú dos carros dos outros, a esta gente ocorreria uma espécie de multa física.

O Steven tirava o condutor do carro, espetava-lhe com a módica quantia de 6 lambadas (3 normais e 3 padrasto style) e depois arrumava o tipo - nessa altura meio abananado - de volta no seu carro. Todo direitinho e sem roupa amachucada, porque afinal de contas as pessoas têm de ir para o emprego e parece mal aparentarem ter acabado de sair de um bar de alterne onde foram fortemente agredidos pelo chulo depois de não terem pago à trabalhadora em nome individual com competências de apoio social e criativo.

Se voltasse a transgredir via-se a braços com um dos russos amigos do Steven. E aí estava entregue a Deus. Muito provavelmente entregue aos anjos.

Aposto que em menos de 3 semanas deixavam de haver Fittipaldis da Amora, Schumachers de Corroios, Campeões do Fogueteiro e chicos-espertos dos quatro cantos da Margem.

Era limpinho, mas o Governo não há meio de pôr os olhos nas minhas propostas...

 

steven.gif

(assim a titulo de exemplo)

 

 

148

(post 148 desde brilhante e bestial blog)

 

Hoje estou sem paciência para títulos. Mas se tiver de dar nome ao dia de hoje chamava-o de dia de lixo. Porque há dias que parecem de lixo. São parecidos com as piores folhas de rascunho. Aqueles que escrevemoss e rabiscamos e riscamos. Depois amachucamos. Bem amarfanhado. O mais prensado possivel. Uma bola de papel pronta a lançar ao balde para marcar 3 pontos de nada. Um jogo onde não há vencedores. Só há cansados. O trânsito estava pior que de manhã. Fila para qualquer ponte. Acidentes. As 3 pingas de água que lixam qualquer estrada nacional e os orçamentistas que não param para ajudar mas querem chegar a casa e contar qual vai ser o valor do arranjo. Vamos buscar o querubim mais cedo que o habitual. Está zangado porque ontem não veio para casa. Não sabe lidar com as emoções e quer que lhe seja sentida a falta. Recusa o meu abraço. Eu brinco. A sogra que fica em júbilo com a rejeição do neto. Afinal de contas a mãe do neto não é filha, é nora. E nora que é nora é sempre malograda. O que a senhora não consegue entender é que o amor tem destas coisas. Empurra o que mais se quer. A seguir puxa o que mais se quer. Numa especie de jogo de quem não quer contar quem ama mais. Dois biscoitos da padaria. Um saquinho de caralhotas (que são carcaças), uma amiga nova. Está alegre outra vez. Quer brincar com as coisas dele. É tarde e já não há tempo para exercicio. Paro para pensar e percebo que não dá. Amanhã tento arranjar 15 minutos para mim. Porque escrevo enquanto dou jantar. Porque escrevo à hora de almoço. Porque eacrevo ao final do dia, no meu caderno de mesa de cabeceira, tarde e a mas horas. Mas as unicas que tenho. Exercicio quer roupa para isso. Quer suor. Quer saltos e pesos. Amanhã é dia outra vez. A vida do pobre remediado é a mais frustrante de todas. Porque não é pobre para ser totalmente pobre. Trabalhar perto de casa. Viver com o que dá e entregar-se à condição que tem. Também não é remediado porque esse tem mais tempo e mais dinheiro para orientar a vida de outra forna. Remedeia-se descansado. O pobre remediado já está melhor que o pobre, mas está a uma nesga de distância do remediado. Ahhhh e como é irritante não dar mais esse salto.

147

(post número 147 deste brilhante e bestial blog)

 

A noite de domingo para segunda foi pesada. Tenho a ideia que acordei de hora a hora e que a noite foi uma espécie de fila de espera da segurança social. Eu tinha a última senha. Levantei-me de contra vontade. O dia ia ser pesado. O miúdo ia dormir aos avós. Criança entregue. Avós contentes. Mãe desgostosa porque tem um dia de merda pela frente. Trânsito. Chuva. Tempo cinzento. Detesto tempo cinzento. Detesto dias sem sol. Fico sempre um pouco deprimida e sem vontade. Começo a semana como o Bolt começa as corridas. Sempre um pouco mais atrás. Mas não as acabo como ele. Sempre na dianteira. Isso é que é pena. Chego mais cedo. Pelo menos isso. Reuniões. Pesadas as reuniões. Um dia de pressão. Muita pressão. Mil perguntas e um cansaço tremendo. Sair às 18 e saber que a fila leva duas horas para chegar a casa. Fugir por aqui e por ali. O miúdo está com os avós. “Hoje não há banho para dar, nem jantar, somos só nós”. Parecia um descanso. Estranho parecer um descanso. Chegar. Fazer exercício para limpar com o dia e esquecer o dia. Tomar um banho quente. Preparar o jantar. Comer a ver casas a ser remodeladas. “É para isto que eu tenho dias destes, porque um dia vou comprar uma casa daquelas”. Um café. Só um. Para ele. Porque eu não bebo. Um jantar que acaba com o silêncio de uma casa sem crianças e a frase “já não me lembro dos serões antes de ele nascer”. Porque parece que já não me lembro. Parece que fazem parte de uma vida passada. Um tempo longínquo. Um episódio do “This is us”. No fim o desabafo “quando ele não está nem sei o que uma pessoa faz com o tenpo”. Porque não havia jantar para dar. Brincadeiras para fazer. Banhos para dar. Histórias para ler. Leite para dar e um petiz que adormece no meio de uma cama grande enquanto a mãe acaba mais um capitulo do livro. Começar a ler um livro novo. Apaixonar-me pelo livro ao fim de 5 páginas e saber que tenho uma grande história pela frente. Um “vá lá, nem tudo é mau”. Acordar cedo, não tão cedo quanto queria. Tomar um banho para ganhar forças. Comer. Vestir. Mais um dia de trabalho. A fila de transito maior que o dia anterior. Os revezes do dia. O relembrar que não importam as 1000 vezes que fazemos bem. Conta aquela uma vez que fazemos mal. O que faz sentido. Afinal de contas se mandarmos o carro contra um muro a 160 km/hora pouco importa se andamos a comer bem nos últimos 20 anos. Acreditar que a parte mais difícil do dia já faz parte do passado. Fazer uma pausa para escrever este post feito de notas soltas e voltar para o dia com a esperança de que o tempo passe a correr sem mais percalços. Ir buscar o miúdo aos avós e ter quem me ocupe as horas de final de dia para que não as sinta vazias outra vez.

 

Será que os meus neurónios se estão a transformar em pequenos Hannibal lecters?

O meu filho nasceu no dia 10 de Fevereiro de 2015 e, desde dia 9 de Fevereiro de 2015 que eu não durmo uma noite seguida, tranquila e sem sobressaltos ou acordamentos com pedidos de coisas e patrulhas patas e penicos e brinquedos e idas a parques de diversões e toda uma outra panóplia de coisas que podem apetecer a uma criança a meio da noite.

 

No dia anterior ao nascimento dele não consegui dormir com a ansiedade de o conhecer, aquele era o ultimo momento com a minha barriga. A nossa barriga. Foi uma noite e tanto.

No dia seguinte, pela mesma hora eu só dizia “porque raio não aproveitei para dormir ontem?!”.

 

Durante o primeiro mês de vida de meu rico filho dormi uma média de 1 hora por dia (sim 1 hora, 1) e andava meio tantã da cabeça. Acho que já alucinava e tudo.

 

Depois, um dia, pousei-o “só um segundo, só um segundo mesmo” – disse para mim – em cima da cama, no meio de nós. Adormeci. Dormi 3 ou 4 horas e quando acordei fiquei em pânico porque o miúdo estava na nossa cama e não estava no berço que tinha de estar 10 centímetros elevado e eu podia ter caído para cima dele e um de nós podia ter-lhe dado uma patada. Ufa! Passei-me. E jurei que não voltava a acontecer.

Aconteceu no dia seguinte.

O miúdo descansava. Percebemos que, quando dormia no meio de nós dormia um sono tranquilo e nós conseguíamos descansar. Borrifámo-nos no que os livros diziam e, tal como no momento de escolhermos o nome dele dissemos o mesmo: olha, na pior das hipóteses cresce para ser um palerma!".

Há momentos na vida dos pais em que é preciso relativizar, relaxar e acreditar que, a seu tempo, com amor, carinho, atenção, tempo, limites e dedicação, tudo se acabará por resolver da melhor forma.

Temos de pensar assim porque ninguém controla o futuro.

 

A minha vida transformou-se num mar de rosas. Aos meus olhos era perfeita.

 

Estava em casa e geria as minhas horas. Tinha o meu filho comigo – e o miúdo até nem era de birras nem nada. Lia bastante. Dormia todas as horas que precisava. Escrevia todos os dias. Via os programas que me interessavam. Só não estava bom tempo para andarmos a bater perna.

 

Depois acabou a licença de parentalidade e eu regressei ao trabalho.

 

Poucas horas de sono. Todas partidas em nacos de 2 horas porque o puto mamava de 2 em duas horas. Levantar às 6 da manhã. Adormecer muitas vezes depois das 23. A cabeça começou a ficar feita em bosta.

 

Pensei que fossem mil coisas, mas hoje tenho a certeza que a privação de sono dá cabo de mim. E não são só as poucas horas, é o facto de não conseguir dormir sequer 6 horas seguidas.

 

Por isso decidi pesquisar no Dr. Google “Privação de Sono” e cheguei à conclusão de que, mesmo quando dormia muitas horas tinha privação de sono. Conclui também que era importante escrever este texto, para guardar registo e exigir a Sôtor meu rico filho, que arranje uma profissão que pague bem e que compense sua mãe por todas estas calamidades vividas por conta das parcas horas de sono.

 

Ora diz a wikipédia que a privação de sono pode causar:

 

Confusão mental – confirma-se mas já é anterior à gravidez. Acho que sempre fui um tudo nada confusa.

Raciocínio lentificado – se for para equações e física quântica nem é lento, é parado.

Coordenação motora lentificada – sempre tive. Pareço uma tartaruga. Por exemplo quando vou dar uma corrida com o senhor meu marido…é uma vergonha.

Problemas de memória – por favor, vamos mesmo falar disto?

Irritabilidade – não é a falta de sono que me irrita. São as pessoas que eu encontro depois de dormir mal.

Hipoglicémia – às vezes penso que sim, mas parece-me que é mesmo só gula.

Aumento ou diminuição da pressão arterial – confirma-se. TA de periquito.

Prejuízo na capacidade de julgamento – pode ocorrer. Não estou certa. Tenho alguma dificuldade em julgar isto.

Desmaio – Nada. Felizmente.

Delírio e alucinação – há coisas que se me acontecem no dia a dia em que eu fico na dúvida se não estou a delirar, tipo quando me pedem 4 euros por um sumo de laranja natural.

Queda da imunidade – já esteve pior. Confirma-se.

Acidentes (especialmente automobilísticos) – até há data sinistralidade zero, mas lá está, ando quase sempre à pendura…não sei se conta.

 

Atão e comé que a Wikipédia sugere que se previna isto:

 

Refeições leves à noite – já faço e, em resultado do que corro atrás do meu filho, estou capaz de jantar outra vez quando me vou deitar.

Dormir e acordar sempre na mesma hora, mesmo aos fins de semana – acontece mais ou menos, o mal é que acordo sempre à mesma hora às 3, às 5 e por aí em diante. Quanto ao fim de semana: deixem o meu tempo de descanso em paz.

Fazer exercício físico apenas no período diurno – ora vamos lá a ver, na wikipedia as pessoas trabalham? Ah? É que dá a ideia que não. Ora se uma ‘ssoa sai de casa ainda de noite e volta depois de o sol de pôr como é que orienta o exercício com o sol?

Manter o quarto bem arejado e com temperatura agradável – estas pessoas haviam de ir passar 15 dias ao microclima onde eu habito que era para verem o que é bom pa tosse.

Evitar cafeína, nicotina e álcool nas ultimas horas do dia – café, enjoei. Nicotina, enjoei. Álcool, bebo tão pouco que um terço de um copo me deixa com uma cadela que nem vejo o caminho pro quarto direito.

Fazer exercícios de relaxamento ou tomar banho quente antes de deitar – Relaxamento não preciso porque já tenho o corpo suficientemente amassado ao final do dia, mas banho tomo, porque de manhã não há tempo.

Evitar dormir mais de uma hora por dia depois das três da tarde – Estão a brincar certo?

Se estiver deitado por mais de trinta minutos sem conseguir pegar no sono, saia da cama e vá ler um livro sob a luz de um abajur – portanto deixem-me tomar nota, tem mesmo de ser sob a luz de um abajur, não pode ser um candeeiro do IKEA ou uma lanterna? OK, então deve ser isso. Ficar 30 minutos sem conseguir dormir?! Vou mandar-me para o chão a rir pá!

 

E acaba aqui. Atão mas ninguém fala das pessoas que não conseguem dormir porque há “agentes” terceiros que os acordam? Pois, porque para esses não há soluções de caracaca, não é verdade bebés?!

 

Vai disto e dou com esta peça da Visão: “Privação de sono leva o cérebro a comer-se a si próprio” e imagino os meus neurónios todos com a cara do Anthony Hopkins, sentados à mesa, de guardanapo à volta do pescoço, talheres erguidos e à espera de limpar o cebo a outros para os malhar ao jantar.

Ou seja, tenho metade dos meus neurónios a ocupar o seu tempo a tentar descobrir como é que comem outros neurónios, e a outra metade cagada de medo de ser comido.

 

Como é que eu depois hei-de ter cabeça pro resto. Não dá!

 

Banco "Mãe"

Domingo é dia de piscina e compras da semana. 

Com as semanas atarefadas que temos é importante fazer as compras durante o fim de semana para que não passemos os dias a ir comprar coisas em falta ao supermercado.

Por isso, e tendo em conta que a piscina e o nosso supermercado de escolha são mesmo ao lado um do outro temos sempre o mesmo programa: piscina seguida de compras semanais.

O pequeno já sabe disso e, quando sai da piscina, pergunta logo se vamos à compras a seguir.

 

Sôtor tem uma preocupação extrema com os seus dentes. Não sei explicar porquê, mas gosta de lavar os dentes. De manhã, antes de almoço, depois de almoço, a meio da tarde, antes de jantar, depois de jantar, antes de deitar e, se por acaso passar à porta da casa de banho e se lembrar disso pede para lavar os dentes.

Não os lava sempre com pasta, a maioria das vezes esfrega só um pouco os dentes com a escova e lá vai à vida dele.

 

Quando vai às compras ao fim de semana gosta de compras escovas de dentes. Isso mesmo: escovas de dentes.

Prefere isso a um kinder surpresa.

 

Hoje não foi exceção.

 

Chegámos ao supermercado e começou por pedir gomas. Estão logo à entrada e são dos poucos doces que ele gosta de comer.

- Não, não podes comprar mais gomas, senão qualquer dia em casa nadamos em pacotes de gomas.

Disse-lhe eu, porque já temos gomas a mais para esta habitação.

- Então queo compá uma escova de dentes nova!

Responde imediatamente.

E eu que ele tinha comprado a semana passada duas escovas.

E ele que precisava na mesma de outras de cor diferente.

Lá falámos e ficou decidido que comprava as escovas. Assim que se viu com as benditas na mão comportou-se lindamente e não quis mais nada. 

Quer dizer...ainda tentou pedir um ovo de chocolate (as lojas já começam a estar cheias de coisas de Pascoa, sou só eu ou ainda falta um bocado de tempo?!), mas não teve sorte, porque depois não o come, só o quer abrir e fico eu, que preciso de aligeirar o tamanho do meu lombo, agarrada ao ovo de chocolate.

 

Estávamos a caminho da caixa quando ele me diz:

- Mãe eu consigo pagar as minhas escovas sozinho.

- Aí é filho. Então e tens dinheiro para isso?

- Não. Tenho muita pena, mas não tenho dinheiro.

Parou um pouco para pensar.

...

...

- Mãe?

- Sim.

- Tu tens dinheiro?

- Tenho.

- Empestas-me pa eu pagar as minhas escovas?

 

#sem problema.

Em caso de falta de verba é pedir ao "Banco" Mãe. Vai tendo saldo e é a spread 0%.

 

Utopia para realistas

O trabalho é o refúgio de quem não tem nada melhor para fazer.

 

Oscar Wilde

 

 

E a prisão dos que têm contas para pagar.

Mas talvez seja por isso, por ser refugio para aqueles que decidem, por ser o entretém de quem não tem nada melhor para fazer, que as leis do trabalho não melhoram. Não se reduzem.

Talvez seja por isso que se continua a acreditar que estar 40 horas num posto é condição direta para mais trabalho e bem feito.

Porventura por isso, por falta de entretém, e porque à mulher de César não basta ser é preciso parecer, haja tanta gente que se deixa pendurado nos postos de trabalho, a fazer tarefas fora de horas e nos períodos que deviam ser usados para laborar bebem café, metem a conversa em dia, tratam das leituras de jornal.

Por ser refugio dos que não se querem metidos em casa, a aturar mulheres e maridos, filhos ranhosos e em birras, ter de jogar à apanhada ou ir passear o cão que os putos lá quiseram enfiar em casa.

O trabalho é a desculpa, é o refugio e é a necessidade.

Num mundo em que já foram dadas todas as provas necessárias de que a quantidade de horas de trabalho não resultam numa maior e melhor qualidade e quantidade de trabalho, nada mais do que esta frase de Oscar Wilde, pode explicar porque as leia laborais não mudam. Não se tornam mais amigas dos colaboradores que têm mais e melhores coisas para fazer.

 

Hoje fui beber um café depois de almoçar, estava pronta para cirandar pelas livrarias quando vejo em escaparate o próximo livro que vou comprar "Utopia para realistas".

Não faço ideia de corrobora este meu pensamento.

Mas folhei-o e lá dentro encontrei esta frase. Fez-me sentido neste final de 6ª feira.

Talvez deva ser lido por quem gere o país, talvez deva ser pensado por quem governa, porventura compreendido de uma vez por todas que um colaborador feliz, com tempo para si, para o que gosta, para a família, é, invariavelmente um colaborador mais feliz e mais disponível para trabalhar. Mais satisfeito.

Porque as pessoas não trabalham por desporto, trabalham porque precisam de ter um vencimento para financiar todas as outras coisas que querem fazer.

 

utopia.jpg

 

A minha gravidez, o meu peso e meia dúzia de bombocas

A minha gravidez não foi o mar de rosas que eu sempre pensei que ia ser.

Sempre que me imaginava grávida, via-me uma daquelas grávidas super despachadas e praticas em que a única coisa que mudava era o tamanho da barriga.

 

Nada disso.

Mesmo nada disso.

 

Provando a mim mesma que ia ser assim, 3 dias depois de descobrir que estava grávida fui para Paris sozinha. Aviões, azafama, uma terra cuja língua não entendo nem à lei da bala.

Reuniões de empresa, formação e aproveitar para ficar o resto da semana e apresentar ao marido esta bela terra que é Paris (eu já lá tinha ido mais do que uma vez, para o Nuno era a primeira).

 

Tinha algumas restrições alimentares (como a salada por não ser imune à toxoplasmose) mas podia comer praticamente tudo e sentia-me bem. Cansada. Mas bem.

 

Dois dias depois chegou o Nuno, depois de uma gincana pelo metro francês encontramo-nos à porta do hotel onde tínhamos reservado estadia, a 500 metros da Torre Eiffel. A bonita ali ao virar da esquina.

 

O primeiro dia de passeio foi bom, percebi que não estava com a energia habitual para andar 15 km por dia a pé, mas estava bem para andarmos a bater perna.

O segundo dia a mesma coisa.

Ao final do segundo dia fomos comer a um bistro na rua do hotel. Comemos uma salada de entrada e eu pedi um bife de novilho com batatas fritas. Lancei-me ao prato como uma leoa se lança a uma presa e devorei o meu jantar.

O Nuno nunca me tinha visto comer tão depressa.

 

Mas eu estava fina e era normal ter “mais algum apetite”.

 

No dia seguinte acordei a pensar que me finava em terras de Napoleão. Estava capaz de vomitar todos os órgãos que tinha no corpo e, a única coisa que me ocorria, era que o bife tinha de estar estragado. Mas estava tão saboroso.

O mal estar matinal aliviou e, como me sentia capaz para passear lá fomos nós continuar a nossa excursão por terras de Edith Piaf.

Rien de rien, pensei eu. Vim passear e vou ver o que tenho a ver nem que seja com um vómito em cada esquina.

 

Recordo-me de estar sentada num banco ou coisa parecida na descida da praça dos pintores, de frente para um restaurante que se chamava “le Lapin” (as pessoas que me conhecem compreenderão que é cómico), com um croque monsieur na mão e forçar o dito goela abaixo porque tinha de comer.

Enjoei croque monsieur e até hoje, só a ideia de comer um me causa náuseas.

 

Estava na terra dos croissants e de toda pastelaria maravilha e só me apetecia fruta. A sorte é que também têm fruta maravilhosa e lá me safei.

No ultimo dia que passei em Paris só me apetecia comer 3 coisas: canja (prato que há à venda em qualquer esquina, como podem calcular), azeitonas e iogurte.

 

De tarde percorremos várias mercearias em busca de azeitonas.

 

Lembro-me de ter passado parte dessa tarde enjoada, sentada na ponta da cama com um iogurte numa mão e um frasco de azeitonas na outra. Uma colher de iogurte, uma azeitona, uma colher de iogurte, uma azeitona. Enquanto comia esta mistela estava bem. Quando o frasco de azeitonas acabou fiquei mal disposta outra vez.

Ao jantar procuramos em todos os bistros algum que servisse canja. Por estranho que possa parecer a única coisa que encontrámos foi sopa de peixe. Mas não era daquela das bifanas e foi um martírio para engolir aquilo.

 

Passei os primeiros 4 meses de gravidez a caminho da casa de banho. No tempo em que não vomitava tinha de estar a comer alguma coisa, e só me apeteciam porcarias. Dessa forma não ficava enjoada.

Ao 6º mês fui recambiada para casa. E não podia fazer quase nada, para além de comer, bater as pestanas e andar por casa.

 

Muitas vezes pensei que se calhar o miúdo ia nascer com os genes do avô materno. O meu pai não come praticamente nada saudável. Já perdi a conta ao numero de vezes que lhe disse: “Tu, um dia que calhes a comer um brócolo, tens um fanico. O corpo vai rejeitar a substancia”.

As únicas coisas verdes que o meu pai come são: alface, m&m’s verdes e gomas verdes. O resto são substancias não reconhecidas como alimentos.

 

Ao todo engordei quase 20 quilos.

 

E não voltei ao meu peso inicial.

 

Consegui perder 12 desses 20 e até não fiquei chateada.

 

Ontem fui-me pesar. Fui a uma daquelas máquinas em que uma senhora grita para pormos a mão no sitio certo e medir a tensão arterial, que nos manda estar direitos para tirar a altura e que no fim berra “SAIA DA PLATAFORMA”.

 

Tinha mais 2 quilos que da ultima vez.

Quê?! Atão mas eu ando a fazer exercício com bastante regularidade. Ali a esfalfar-me forte e é isto, em vez de derreter banhas as gajas estão a ganhar mais força.

 

Cuarailho!!! Fiquei mesmo danada!

 

Se calhar tenho de ir para o kickboxing, diz que aquilo deixa uma pessoa sequinha e ainda dá competências ao nível da defesa.

 

Chego ao escritório e a colega do lado tinha trazido uma caixa de bombocas. Quatro tipos de coberturas diferentes.

Eu sou viciada em bombocas, era capaz de comer a caixa toda sozinha em menos de meia hora.

 

Comi uma.

Depois outra.

Só mais uma.

E juro que é a ultima.

É pá ò coisa se tu me trazes mais disto pá, não te falo mais.

É desta que é a ultima.

E foi.

Foram 6 bombocas pró bucho.

Uma maravilha.

É hoje. É hoje que não meto mais uma grama de açúcar neste corpo…mas depois lá está, a outra maria-coisa-e-tal também fez anos e diz que traz bolo….

Lá está o meu objetivo de ser a Gisele no verão totalmente fucked....é o que é...

 

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