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Blog Bestialmente Conhecido

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(post 148 desde brilhante e bestial blog)

 

Hoje estou sem paciência para títulos. Mas se tiver de dar nome ao dia de hoje chamava-o de dia de lixo. Porque há dias que parecem de lixo. São parecidos com as piores folhas de rascunho. Aqueles que escrevemoss e rabiscamos e riscamos. Depois amachucamos. Bem amarfanhado. O mais prensado possivel. Uma bola de papel pronta a lançar ao balde para marcar 3 pontos de nada. Um jogo onde não há vencedores. Só há cansados. O trânsito estava pior que de manhã. Fila para qualquer ponte. Acidentes. As 3 pingas de água que lixam qualquer estrada nacional e os orçamentistas que não param para ajudar mas querem chegar a casa e contar qual vai ser o valor do arranjo. Vamos buscar o querubim mais cedo que o habitual. Está zangado porque ontem não veio para casa. Não sabe lidar com as emoções e quer que lhe seja sentida a falta. Recusa o meu abraço. Eu brinco. A sogra que fica em júbilo com a rejeição do neto. Afinal de contas a mãe do neto não é filha, é nora. E nora que é nora é sempre malograda. O que a senhora não consegue entender é que o amor tem destas coisas. Empurra o que mais se quer. A seguir puxa o que mais se quer. Numa especie de jogo de quem não quer contar quem ama mais. Dois biscoitos da padaria. Um saquinho de caralhotas (que são carcaças), uma amiga nova. Está alegre outra vez. Quer brincar com as coisas dele. É tarde e já não há tempo para exercicio. Paro para pensar e percebo que não dá. Amanhã tento arranjar 15 minutos para mim. Porque escrevo enquanto dou jantar. Porque escrevo à hora de almoço. Porque eacrevo ao final do dia, no meu caderno de mesa de cabeceira, tarde e a mas horas. Mas as unicas que tenho. Exercicio quer roupa para isso. Quer suor. Quer saltos e pesos. Amanhã é dia outra vez. A vida do pobre remediado é a mais frustrante de todas. Porque não é pobre para ser totalmente pobre. Trabalhar perto de casa. Viver com o que dá e entregar-se à condição que tem. Também não é remediado porque esse tem mais tempo e mais dinheiro para orientar a vida de outra forna. Remedeia-se descansado. O pobre remediado já está melhor que o pobre, mas está a uma nesga de distância do remediado. Ahhhh e como é irritante não dar mais esse salto.

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(post número 147 deste brilhante e bestial blog)

 

A noite de domingo para segunda foi pesada. Tenho a ideia que acordei de hora a hora e que a noite foi uma espécie de fila de espera da segurança social. Eu tinha a última senha. Levantei-me de contra vontade. O dia ia ser pesado. O miúdo ia dormir aos avós. Criança entregue. Avós contentes. Mãe desgostosa porque tem um dia de merda pela frente. Trânsito. Chuva. Tempo cinzento. Detesto tempo cinzento. Detesto dias sem sol. Fico sempre um pouco deprimida e sem vontade. Começo a semana como o Bolt começa as corridas. Sempre um pouco mais atrás. Mas não as acabo como ele. Sempre na dianteira. Isso é que é pena. Chego mais cedo. Pelo menos isso. Reuniões. Pesadas as reuniões. Um dia de pressão. Muita pressão. Mil perguntas e um cansaço tremendo. Sair às 18 e saber que a fila leva duas horas para chegar a casa. Fugir por aqui e por ali. O miúdo está com os avós. “Hoje não há banho para dar, nem jantar, somos só nós”. Parecia um descanso. Estranho parecer um descanso. Chegar. Fazer exercício para limpar com o dia e esquecer o dia. Tomar um banho quente. Preparar o jantar. Comer a ver casas a ser remodeladas. “É para isto que eu tenho dias destes, porque um dia vou comprar uma casa daquelas”. Um café. Só um. Para ele. Porque eu não bebo. Um jantar que acaba com o silêncio de uma casa sem crianças e a frase “já não me lembro dos serões antes de ele nascer”. Porque parece que já não me lembro. Parece que fazem parte de uma vida passada. Um tempo longínquo. Um episódio do “This is us”. No fim o desabafo “quando ele não está nem sei o que uma pessoa faz com o tenpo”. Porque não havia jantar para dar. Brincadeiras para fazer. Banhos para dar. Histórias para ler. Leite para dar e um petiz que adormece no meio de uma cama grande enquanto a mãe acaba mais um capitulo do livro. Começar a ler um livro novo. Apaixonar-me pelo livro ao fim de 5 páginas e saber que tenho uma grande história pela frente. Um “vá lá, nem tudo é mau”. Acordar cedo, não tão cedo quanto queria. Tomar um banho para ganhar forças. Comer. Vestir. Mais um dia de trabalho. A fila de transito maior que o dia anterior. Os revezes do dia. O relembrar que não importam as 1000 vezes que fazemos bem. Conta aquela uma vez que fazemos mal. O que faz sentido. Afinal de contas se mandarmos o carro contra um muro a 160 km/hora pouco importa se andamos a comer bem nos últimos 20 anos. Acreditar que a parte mais difícil do dia já faz parte do passado. Fazer uma pausa para escrever este post feito de notas soltas e voltar para o dia com a esperança de que o tempo passe a correr sem mais percalços. Ir buscar o miúdo aos avós e ter quem me ocupe as horas de final de dia para que não as sinta vazias outra vez.