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Blog Bestialmente Conhecido

Maria Madalena das lamurias

Sou assumidamente uma choninhas. Sou aquela pessoa que, quando tem uma gripe se queixa de tudo e encontra a calamidade em qualquer espirro. 

Melhor. Vou reformular.

Eu era assumidamente uma choninhas. Era aquela pessoa que, quando tinha uma gripe se queixava de tudo e encontrava a calamidade em qualquer espirro.

Deitava-me no sofá a vegetar, com lamurias de "aaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiii a minha vida, aaaaaaaaaaaiiiiiii o meu nariz, aaaaaaaaaiiiiiii a minha garganta". Dezenas e dezenas de lenços de papel à minha volta e filmes repetidos ou programas de lixo na TV.

Tudo mudou. Musdasti? Podem perguntar. Não, o miúdo mudoumi.

Agora a Maria Madalena das lamurias é ele.

Eu tenho de ter forças para tomar conta dele, para lhe dar colo, para atender aos seus pedidos porque, por mais que o pai queira ajudar há coisas para as quais ele me quer só a mim. Como se o mimo da mãe fosse uma espécie de placebo que tem efeitos mais fortes que um anti-biótico forte.

Tirando aquela parte chata de ele não conseguir fazer o sono descansado, de ter o pingo no nariz, das dores no corpo que certamente tem, tal como eu tenho; tirando essas coisas que nos preocupam, tento desconstruir o que tenho em mãos e fazer pouco do que é possível. Felizmente, ele também.

Somos duas Marias Madalenas, mas pelo menos temos sentido de humor.

O nariz está sempre a pingar e ele ainda não se sabe assoar como os adultos. Ainda não sabe e a verdade é que a mãe contando como medicamento, pode fazer por ele. A receita para aniquilar a gripe são: muitos líquidos, Ben-U-Ron, anti-histaminico e mimo da mãe. Fundamental. 

Por isso anda pela casa em lamento e de vez em quando vem atrás de mim:

- Mãe tenho o nariz sujo-aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! - snif.

Tudo é seguido por um "aaaaaaaaaaaaaaaa!", snif. Mãe lê uma s'tória tenho o nariz sujo-aaaaaaaaa!, snif; Mãe queo mais ógute tenho o nariz sujo-aaaaaaaaa!, snif. E o tipo goza com isto. 

Para qualquer lado que vai há um "aaaaaaaaa!" snif!

Eu para aqui ando de robe polar, com os meus lenços sujos no bolso esquerdo e os dele no direito - que é para não haver mistura de microives...

Ainda assim, certo como ele ser um vadio que só quer andar na boa-vai-ela, assim que tomou o medicamento, apesar de estar quase a cair para o lado, com os olhos semi-cerrados, todo ranhoso e com o corpo maçado; assim que apanhou o remédio bucho abaixo, disse-me:

- Mãe, agoa já podemos ir pa caja do tio 'uis?

- Não filho.

- Poquê-aaaaaaaaaaa!? snif.

- Porque tu estás doente e a mamã também.

- E o pai?

- O pai não está doente.

- Então podemos ir?! snif.

Ele pode estar a cair para o lado, com febre, com dores, com o nariz a cair, o que for, o que interessa é ir, vadiar, passear, laréu. 

Definitivamente não nasceu para ser bicho de gaiola.

 

 

Nota: enquanto escrevo - fugi de ler mais histórias porque estou a perder a voz e não me convém nada estar a esforçar mais a garganta - ele quis sentar-se ao colo no pai, a escrever no PC do pai. Com o teclado externo (desligado, note-se!) ele tecla à mesma velocidade que eu. Diz-me: Olha mãe, tou a fazê um tabalo como tu!).

 

Gripefighter

Só há uma coisa mais chata do que apanhar gripe: apanhar gripe quando estamos de férias, num feriado ou em qualquer dia e descanso. Parece-me sempre que ou os astros têm alguma necessidade de nos punir, ou as nossas células são tão workaholics que quando nos apanham em descanso cedem aos micróbios, vírus e qualquer outro organismo nefasto.

Sôtor dormiu mal ontem, acordou com o nariz entupido e, antes das 6 da manhã já estávamos sentados a ver bonecos na TV. Eu e o pai andámos a semana toda em jubilo porque íamos ter 3 dias de descanso, íamos poder passear, ir ao jardim, pôr uns filmes em dia, descansar. Ah, a possibilidade de dormir mais umas horas, até sentia as minhas artroses a bater palminhas.

Neste momento só sinto as artrose a ganir.

Ontem, pela hora de almoço pareceu-me que tudo se ia resolver pelo melhor, até disse ao meu irmão - confiante, eu - que íamos lá almoçar hoje, claro que sim.

Ao fim da tarde a minha garganta já tinha uma opinião diferente, a noite foi infernal e quando me levantei constatei que as únicas partes do meu corpo que não estavam doridas eram: o meu cabelo e as minhas unhas.

Que raio de células são estas que ficam doentes quando estamos em descanso?

As minhas, como é evidente.

Estava eu a contar com 3 dias frios mas de passeio, assim a contrariar a minha tendência naturalmente catastrófica, cheia de positivismo e tumbas!, vai de ficar com gripe. 

É por isso que eu sou como o outro: prognósticos só depois do fim de semana.

 

Espera-me então uma Páscoa de chá, canja, Griponal, pijama, mantas e muitos, muitos, muitos, muitos Rucas...(já estou a ficar passada).

E ainda por cima lá fora até está um tempo compostinho, ao contrário do que tinham dito, rai's-parta!

 

O que vale no meio disto é que a minha criatividade se vai mantendo no seu auge e ontem, a olhar para a caixa de medicamentos, encontrei o nome ideal para um medicamento contra a gripe: Gripefighter. Porque não há nada que nos dê mais descanso do que que um medicamento que mande cá para dentro um conjunto de carecas da trança longa e Van dammes para dar umas bufatadas à gripe.

Vou ficar rica quando as farmaceuticas souberem desta ideia.

 

 

O meu superpoder

É feriado e estou a pé desde as 5:45.

Sôtor espirrou um numero considerável de vezes ontem à noite, digamos que as suficientes para hoje de madrugada não estranharmos que estivesse lamurioso.

Levantou-se com o nariz entupido era 5:45, queria colo, queria ir para a sala, queria ver a Patrulha Pata.

Fomos.

Ambos meio dormentes, ele tremendamente cansado, a testa um bocadinho quente e o nariz a pingar. Conseguimos convence-lo a comer alguma coisa e a tomar o anti-histamínico.

Eram 6:30 (mais coisa menos coisa, adormeceu ao colo do pai). Olhámos um para o outro e soubemos que não era hora de voltar para a cama, ainda acabávamos os dois com uma neura.

Sôtor dormiu ao meu colo - para ter a cabeça bastante levantada - enquanto, às 6 e tal da manhã, víamos um episódio do This is Us.

Pensei muito, rendi-me outra vez, e acabei - como sempre - com lágrimas na cara. 

Sôtor foi para cama. Eram 7 e qualquer coisa e nós começámos a ver um filme. Às 10, quando o conseguimos acordar já tínhamos no bucho 1 filme inteiro e 1 episódio do This is Us.

Nunca antes na minha vida....

O anti-histamínico e o descanso fizeram milagres, os mimos deram o aconchego final. Há 1 hora que me anda a perguntar onde é que vamos à tarde e que planos temos para o dia.

A mim só me ocorre que eu vou dormir, não sei como é com ele.

 

Enquanto escrevo está a fazer corridas e delegou no pai a incumbência de fazer bolas de sabão para ele rebentar.

 

Antes de me sentar para escrever disse-me:

- Mãe, anda fazer bolas de sabão pa mim.

Eu levantei-me e pus o braço direito no ar, disse-lhe:

- Sou uma super heroína.

Responde-me:

- Não, não és! És só a mamã.

Eu...

 

Não me ocorre um titulo em condições

Aproveitámos a hora de almoço para ir comprar um agrado pró piqueno. Um singelo carrinho para celebrar o final da semana e a substituição das amêndoas que ele não come.

 

O hipermercado estava carregado com todo o tipo de material humano, parecia um zoo, mas em pior.

 

Chegamos à fila das caixas rápidas e está uma abécula parada na fila com um carro apinhado de produtos. E eu penso: se esta alma vai picar tudo na caixa rápida estamos fodidos.

 

Estávamos nós a ver no que aquele trabalho ia dar e aparece a abécula dois, com o carro dois:

 

- ‘lha lá, não podes parar aqui pá! Estas caixas não dão pa quem tem carrinho!

- Ah não, atão porquê?

- Não dá pá! Arranca e põe-te a mexer!

 

Ou seja a abécula 2 era mais esperta que a abécula 1 que, perante a informação da amiga se sentiu privada daquele momento delicioso de picar sozinha 200 artigos. Falta saber como é que aquela tecla 3 ia pousar 1 carrinho de compras cheio na banca minúscula das caixas rápidas.

 

Seguiram caminho - para meu descanso - e a mim só houve uma coisa que me ocorreu:

 

Fear the walking ALIVE!

 

(é por isso que não me aparece na mente um titulo de jeito...que é que uma pessoa chama a isto?)

 

Então e como passas essa Páscoa?

Grata pelo feriado.

 

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Abismada por uma tanga monumental me continuar a garantir um dia sem trabalhar.

 

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Confiante que, se há 2018 anos a medicina tivesse a mesma evolução que tem hoje não havia Páscoa, porque Cristo não ressuscitou, a ter acontecido a história como contam, recuperou de um estado comatoso.

 

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Intrigada com a conversa dos coelhos que põem ovos.

 

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Danada porque tenho de comer os ovos que oferecem ao miúdo considerando que ele não gosta de chocolate. (é um processo difícil, o pós-Páscoa, ali com os chocolates todos nas ancas e na pança, esmifrar aquilo pa fora do corpinho é de horrores...).

 

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No domingo às 20, num momento de interior rescaldo e ponderação, com a promessa que a partir de segunda só vai dar quinoas, sojas, frutas e grelhados.

 

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Dito isto, não desgosto da Páscoa, mas tenho um lugar especial no meu coração para a sexta-feira santa…não sei bem porquê…

 

Páscoa Feliz!

 

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A filosofar a vida e os comportamentos que me enfadam

As variantes do comportamento humano ainda me entristecem (e é pena que assim aconteça), mas já não me surpreendem. O avançar da idade demonstra que, apesar do numero ilimitado de possibilidades, existe uma tendência cansativamente redundante nas escolhas e condutas de cada um.

 

Quando era miúda, devia ter os meus 15 anos, mudei de turma, ou melhor, como escolhi a área de ciências – recordo-me agora – fui parar a uma turma onde só conhecia uma ou duas almas. O resto dos colegas vinham de outra escola, não havia ensino secundário na área de residência deles, não tinham sido colocados na escola que gostavam e foram todos ali bater com os costados.

Todos se conheciam da escola anterior, vinham com preconceitos, com amores e dissabores bastante antigos.

Começou o processo de recrutamento. Todos queriam angaria o máximo de elementos para o seu grupo. As freaks queriam mais gente de t-shirts desbotadas que recusavam entrar no Mcdonald's e atiravam pedras a quem comia carne. As conservadoras, que iam à missa e faziam parte da catequese, queriam mais crentes. As que não se enquadravam nas freaks, não conseguiam ser tão boas alunas quanto as excelentes e viviam para canalizar as suas frustrações na relação que tinham com os demais pares, da necessidade de forma depreciativa sobre aquelas que mantinham notas altas e namorados em simultâneo, essas queria mais bocas para maldizer.

 

Nunca gostei de grupinhos. Gosto de grupos de pessoas. Mas não gosto de grupinhos. Daqueles em que me sinto parte de uma qualquer estrutura da qual eu constituo uma peça, não necessariamente insubstituível, mas que conta numero. Uma espécie de cabeça de gado.

Nunca gostei de andar a dar elogios ao desbarato, porque uma pessoa para merecer a minha atenção mais positiva tem de ser alguém a quem eu reconheço valor, e isso não acontece certamente só porque respira.

 

Recordo-me que nessa altura era muitas vezes abordada por diferentes colegas. A Maria que me elogiava pela forma como falava, a Cláudia que achava que eu era muito inteligente, a Judite que queria ir beber café para nos conhecermos melhor (eu era de certeza uma pessoa espetacular), e podia estar aqui até amanhã, a recordar pessoas atrás de pessoas que passaram pela minha vida.

Nunca me deixei iludir pela bajulação, porque a bajulação pede bajulação e eu, para além de não gostar de a receber, detesto ter de a dar. Não gosto de lambe botas e detesto que esperem isso de mim.

 

Com o tempo aprendi que estas pessoas querem dar-nos a sua atenção, fazer-nos sentir especiais, para que nós passemos a fazer parte do seu leque de seguidores. Como uma mãe pata que dá um pouco da sua atenção a cada patinho e que depois de eles aprenderem bem o caminho, depois de percorrerem sempre as suas pisadas, pode seguir para outras pastagens.

 

Encontro pessoas destas em todos os lados e em todos os cenários: na vida real, no dia a dia, nas redes sociais (aquela expectativa de troca de likes), nos blogs (aquela expectativa de troca de comentários, até que já há um grupo de seguidores simpáticos, fieis, consistentes, e depois já não vale a pena “dar mais conversa”). Fico sempre um pouco desconfiada sobre o que estas pessoas esperam da vida, se vivem para que os outros estejam a seus pés, as achem tão especiais, as queiram tanto. É o completo inverso do modo de vida que apregoam. Quanto mais se dizem independentes, fortes, “eu mais eu”, mas precisam que os outros lhes calcorreiem os passos, validando cada decisão, porque de outra forma as coisas perdem-lhes o sentido.

 

Permitam-me que pegue num exemplo aqui desta vila coaxadora. Sou uma ignorante em tudo o que é digital, vou aprendendo aos poucos isto e aquilo e dou comigo a descobrir coisas mil anos depois de os outros já o saberem até ao tutano do cansaço, por isso foi sem querer que me apercebi que, correndo o espaço de Leituras é possível selecionar posts como favoritos (que, sejamos francos, é o like da blogosfera sapo) – eu não fazia ideia disto, descobri sem querer – basta clicar na estrelinha que está no canto superior direito de cada post da secção de leituras. A estrelinha passa de vazia a dourada e plim!, a pessoa que escreveu tem um favorito.

Eu estranhava alguns favoritos que recebia porque, por mais rápido que a pessoa conseguisse ler, era preciso uma velocidade raio-x para ler, processar e favoritar com tamanha ganância. Quando isso me aconteceu – esse sem querer que trouxe conhecimento – percebi então o que se andava a passar. Não eram lidos os posts, eram postos favoritos com aquela premissa do “olha que eu gosto tanto do que tu escreves, vem lá agora adorar-me um bocadinho a mim”. Falhada a retribuição acabaram-se os textos bons, é que aparentemente nunca mais escrevi uma porra de um texto decente.

É curioso.

 

Eu também gostava de uma serie de coisas, que a minha escrita fosse adorada estratosfera afora, mas daí a recorrer a estratégias de marketing doméstico para obter validação para o meu contar de histórias…não fui talhada para isso.

Mais prefiro fazer como a outra: se tiver de chegar a algum lado, chego, as coisas ganham tração por si próprias.

 

Este tema do gosto-de-ti-vem-gostar-de-mim leva-me a outra questão: a necessidade que se presencia para obter a apreciação alheia sobre a vida que escolhemos ter.

 

Que sentido tem afinal a vida sem a validação alheia?

Para mim todo. Cada vez me cansam mais as redes sociais, a publicação de trechos triviais de vida, para quê? Para mostrar o quê? Que curiosidade é esta que faz interessar aos outros o que eu jantei? Quanto eu corri? Se apanhei os cocós dos cães ou se os deixei no jardim para estrumar? Que raio tem o mundo a ver com os sentimentos que tenho pelo meu filho? Porque seduz tanto as pessoas a partilha de fotografias dos restaurantes, das viagens? Parece que antigamente se escrevia numa árvore, com a ajuda de um canivete, tal-e-tal esteve aqui. Agora tira-se uma foto e vai de colocar nas redes sociais, para marcar que ali estivemos. Os outros a pôr os likes, mais porque querem likes de volta, porque têm pena de quem não tem likes, porque são amigos e têm de likar; do que porque de facto tiveram interesse naquela imagem.

 

Porque raio precisam as pessoas que os outros gostem delas? Porque precisam tão seriamente dessa validação?

Porque só essa necessidade de aceitação, de validação, de ser gostado, justifica o escrutínio no que é dito, a escolha astuta e fofinha das palavras, o cuidado nas histórias partilhadas. Se não é para o agrado dos outros porque não ser como se quer ser?

Porque se quer ser mais, porque se quer ser o centro das atenções. Porque existem objetivos para ser cumpridos e no fundo, todos querem ser os miúdos populares da escola, mesmo que já não tenham idade para isso.

 

Acho que é por isso que gosto de conhecer as pessoas em situações que lhe são adversas, é a melhor forma de lhe conhecer a natureza, está acionado o seu lado mais cru, não estão preocupados com a sua agenda: de ser os melhores, os maiores, os que têm mais seguidores, os mais adorados; estão preocupados, como qualquer outro animal, em sair daquela embrulhada.

 

Burrice vs Bajulação

Sou uma apreciadora e atenta observadora do comportamento animal. Tenho a minha especialização no mamífero homo sapiens e não me canso de estudar a sua conduta. Ao contrário do que acontece com os demais mamíferos e até mesmo com os primos babuínos, o homo sapiens é um animal dotado de raciocínio, ou pelo menos assim se espera. A par com essa capacidade de raciocínio, que varia de forma abissal de individuo A para o individuo B, existe uma condicionante associada à necessidade de validação, em forma de elogio permanente, que tem uma maior incidência para o homo sapiens que é burro que nem uma porta e uma menor incidência para o homo sapiens que é esperto o suficiente para saber o que vale.

 

Não falo na satisfação por compreender que está integrado entre os seus pares. Falo na carência de graxa como se de um sapato se tratasse.

 

São pessoas que gostam de trazer agarradas a si elementos dados à louvaminhice num índice exacerbado com vista à satisfação das suas próprias necessidades. Ou seja graxistas profissionais.

 

Assim, após longos anos de estudos da condição humana, cheguei ao desenho do quadro abaixo. Quanto mais burro se é, mais é precisa a bajulice. Quanto mais esperto se é, menos paciência se tem para lambe botas.

 

Ora botem os olhos:

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(faço notar que se incluem aqui as pessoas que providenciam a sua própria bajulice, que são aqueles espécimes que estão sempre a auto idolatrar-se, fazem sempre tudo bem, são sempre lindos, sempre super espertos, muita engraçados, e por aí em diante…)

 

A importância da saude dentária

No domingo à tarde fomos passear ao Parque da Paz, andava desde o inicio da semana passada a pedir para ir ao jardim dos patos, para lhes irmos dar pão.

Lá fomos.

Chegámos ao fim da tarde e a bicharada já estava de bandulho cheio, resguardada no meio das ervas altas a preparar-se para o final de dia.

- Mãe, os patos não têm mais fome?

- Parece que não filho, estão a preparar-se para ir dormir?

- Não se podem esquecer de lavar os dentes!

- Pois não, é muito importante ter uns dentes saudáveis...especialmente para os patos!

 

(tem uma preocupação muito grande com a saúde dentária este meu filho)

 

Festividades e ovos de páscoa

Eu até gostava das épocas festivas. Quando era miúda a sério que gostava. Tinha uma semana pelo Carnaval; tinha quinze dias pelo natal; tinha duas semanas pela Páscoa e depois lá vinha aquela enxurrada de meses no verão, só mesmo para uma pessoa estar, existir e não fazer rigorosamente nata. É tão bom uma pessoa poder apenas existir. Só esse verbo. O exercer dessa tarefa. A tal ponto que quando chegava a segunda quinzena de agosto já sentia falta da escola, para ver os camaradas de sala e ter atividades concretas, no lugar daquele marasmo de coça aqui, coça ali.

Isso eram festividades.

Depois cresci - depressa demais - comecei a trabalhar, e passei a ganhar uma certa aversão às festividades. É ver os miúdos de férias, é ver os colegas que vão de férias, e uma pessoa sentada a trabalhar, escritórios meio vazios, tudo a meio gás, 75% vá!

Até nos blogs se nota a diferença, menos a ler, menos a visitar, menos a escrever. Não é um marasmo, porque tal como eu há muitos para quem é dia. Mas é sentida a diferença.

Calho a estar em casa, a ver se arranjava maneira de encontrar um coelho que pusesse uns ovos de chocolate, preocupada com a distribuição das amêndoas, refastelada no sofá e em passeios com sol de março, aí sim, sentia as festividades com uma excitação incontrolada.

Devia ser regra: mantermos em adultos aquilo a que nos habituaram: 15 dias no natal, 5 no carnaval, 15 na Páscoa e 3 meses no verão.

Íamos rebentar a escala da felicidade, é certo.

 

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