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Blog Bestialmente Conhecido

Carta aberta à Gisela

Querida Gisela,

Sou portuguesa e não estou habituada a mau tempo durante muitos dias. Sou mulher dona de casa e tenho 3 máquinas de roupa (eu disse TRÊS) para estender, mas não posso porque tu és uma maluca bipolar que ora faz sol ora vira e tá a cair uma carga dela capaz de afogar um peixe.

As barragens estavam no degredo e por esta altura já estão a transbordar, já se encheram bicas de reserva e já estão prontos os cantis dos escuteiros pra quando os gajos foram acampar lá pa junho.

Um dos ministros do Costa já está em conversações com um talibã qualquer a ver se exporta água pro deserto em troca de bicas de pitroil. Porque ao preço que tá o gasóile nesta terra é bom que se arranje aqui um entendimento generoso.

Minha doce Gisela, o Tuga está preparado para tudo, para cozinhar bacalhau de mil formas, para ter um Passos Coelho como primeiro ministro, para manter o Sócrates em liberdade, para deixar banqueiros fajutos com boa vida e com massas valentes em offshores. Mas o Tuga não está preparado pa esta chuva toda. É que isto sem vitamina S é demasiadamente depressivo. O Tuga não foi feito para trabalhar, conviver com transito e ter de faze-lo em tempo de chuva.

Gigi, minha porquinha de tempestade, hoje ias-me afogando a carrinha em plena auto estrada. Não estávamos preparadas para a carga que mandaste, pareces incontinente ou lá o-que-é. Põe Lindor, mas acaba com isto.

Espero que esta missiva te encontre de saúde, já a caminho do raio que te parta e que não voltes tão depressa porque não há pachorra pa tanta humidade.

 

 

Dia internacional do cheira-cús

Qualquer pessoa que tenha carta há quaisquer 15 dias já sabe o que é um cheira-cús.

Trata-se de uma estirpe de condutor que prossegue o seu caminho sempre alapado à traseira do nosso carro. Pode ser porque o nosso carro tem uma bagageira tremendamente sensual, mas pode também ser porque são pessoas absurdamente parvas que acham que se forem ali bem juntinhas, espetam fartas no sistema nervoso do condutor que vai à frente e o pressionam a fazer uma de duas coisas: andar mais depressa ou sair da frente.

O condutor cheira-cús é uma espécie de atrelado sem ligação física. Não é preciso cabos para o prender a nós, ele segue com destreza no nosso encalço. Porventura porque aproveita o túnel de vento que criamos com a nossa passagem, e assim desgasta menos o cromado do seu potente Ford Fiesta rebaixado-com-tubo-de-escape-do-tamanho-de-uma-bazuca.

Mas não são só os kitados que são uns afaga-nalgas do trânsito. Há malta que parece assim até que vai cumprir com o código da estrada e odespois, pumbas!, quando olhamos para o espelho, qual elemento da Mossad qual quê, estão ali, tão rentes que nos fazem apitar os sensores de estacionamento.

Se calhar é por contas disso, querem derreter-nos os sensores de estacionamento, por isso se põem tão perto.

Dão-se depois aqueles momentos em que conseguem, derretem os sensores e metem a bagageira pa dentro.

Hoje a caminho do trabalho apanhei dois. Um cheira-cús a seguir ao outro, por isso palpita-me que deve ser o dia Internacional deste animal e eles andam a comemorar.