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Blog Bestialmente Conhecido

Uma família, dois ninjas

Temos brincadeiras só nossas.

Ao final do dia compensamos o tempo que estamos longe um do outro.

Eu estou sempre desejosa de sentir o cheirinho dele - enquanto ainda é "cheirinho" um dia vai ser a sebo de gajo crescido - e ele pergunta por mim logo ao entrar.

Começam as brincadeiras. Só algumas para desanuviar o dia e não ser só tarefas, tarefas, tarefas.

Quando faço eu o jantar brinca com o pai ou pega nos brinquedos e vem ter comigo à cozinha.

Quando o pai faz o jantar somos os 2 crianças.

Sou ama e parceira de crime, tudo numa mãe só.

Uma das nossas brincadeiras favoritas é ser ninjas. Não andamos á batatada. Longe disso. Detesto violência. Imitamos posições de Karaté e dizemos "watáááááááá!".

Andamos pela casa desta forma.

- Mãe faz de ninja.

E eu...

- Watáááááááá!

E ele...

- Watáááááááá!

E eu....

- Filho ninja!

E ele...

- Mãe ninja!

E eu...

- O pai também é ninja.

E ele...

- Não é não. O pai é o pai.

 

Porque nesta casa há, pelo menos, um crescido.

Por isso, se estavam preocupados podem descansar, as crianças estão sempre a ser supervisionadas. E o pai, esse esta sempre seguro...com  ninjas sempre ao dispor...

Watáááááá!

 

Nada é como no cinema

Decidimos ficar pelas redondezas de casa. Em vez de pegar no carro e ir passear longe de casa - como é hábito - decidimos dar um passeio perto de casa. Calçamos ténis confortáveis, pusemos o indispensável nas mochilas e saímos confiantes. Poderia parecer que íamos escalar o Monte Everest, dado que até levávamos mantimentos. Mas íamos só à nossa pastelaria favorita.

A grande diferença é que normalmente vamos de carro e hoje fomos a pé.

Sensivelmente 900 metros para cada lado.

 

O sonho

Íamos caminhar lado a lado. As casas iam parecer tão encantadas que quase combinavam em cores, aos nossos olhos. Conversávamos sobre tudo e nada. Riamos com as piadas de sôtor. Quase parecia que havíamos de dar connosco com calças caqui e um pullover amarelo aos ombros, saídos e uma caixa de bonecos.

 

A realidade.

Assim que começámos caminho sôtor sai-se com a pergunta "quem mora aqui?" e eu respondi "pessoas" ou "vizinhos". Fez a mesma pergunta para todas as casas em que passamos. Sendo que foram 900 metros de ida, dá para imaginar que foram 2 ou 3 casas.

Chegamos à pastelaria e quis logo ir para o parque. Enquanto comemos esteve sempre a despachar-nos. Excetuando aquela parte em que decidiu fazer em farelos o suspiro que lhe comprei.

Fomos ao parque.

Divertiu-se.

Não tanto quando tivemos de vir embora.

 

Fizemo-nos ao caminho de regresso. 

Tenho a dizer que tudo poderia ser mais encantado se neste país os passeios tivessem uma largura decente, para deixar caminhar confortavelmente uma loucura de 2 pessoas. Não sei como fazem pessoas com carrinhos de bebé, mas decerto que passam a vida num aperto, e nem vamos falar das pessoas com dificuldade motora. Deve ser uma brisa.

 

Chegamos ao jardim ao pé da nossa casa, que é enorme e tem um palco montado a meio. Ao fim de semana há atividades e de manhã há aulas de ginástica, pelo que o palco fica montado o ano todo.

Como choveu havia poças de água. Muitas.

Estava tranquilo a brincar quando apareceu outro miúdo que o desafiou para irem brincar para o palco. Ele foi. Começaram a brincadeira de saltar nas poças de água. O Nuno ia ralhar e eu, perdida num qualquer sonho cinematográfico vi aquele momento em câmara lenta, senti-me mais tolerante que a minha mãe e disse para o deixar estar, só se é criança uma vez. Aquele tipo de frases que só se diz quando não se têm filhos ou quando eles já cresceram que chegue para nos esquecermos.

 

O sonho

Ele saltou. Riu. Encharcou-se. Divertiu-se. Rio perdido. Eu vi-o saltar e sorrir em câmara lenta. Gravei os momentos mágicos na minha mente. Senti que a alegria são aqueles segundos. Devemos poder ser crianças. Saltar nas poças.

Ia ficar tão feliz por saber que eu o deixo fazer coisas que a avó não deixaria que, quando lhe dissesse para ir embora nem faria birras.

 

A realidade

De tanto saltar nas poças ficou com os ténis encharcados e as meias também. Eu dei-lhe a abébia para saltar, molhando só os pés e em menos de nada já ele estava a espetar lá com o carrinho e eu a dizer "vou contar até 3, metes aí o carro outra vez vamos embora, toutávizar!".

Saiu dali para ir andar no "comboio" que fica numa caixa de areia. Ao fim de nada já tinha os pés que pareciam 2 croquetes. E eu pensei que se calhasse a andar a saltar nas poças a minha mãe me dava era uma lamparina, porque ficar com os sapatos de berloques cheios de areia era um delito muito grave, 15 pontos a menos da carta de criança. 

Dali foi para o escorrega, os sapatos faziam shuac-shuac a andar e o puto que vinha atrás começou a cuspir terra, porque este enquanto subia largava rastos de pó atrás de si.

Quando dissemos que vínhamos embora começou a mandar vir e, quando percebeu que não valia a pena a fita, resolver moer-me a cabeça até à exaustão.

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

 

E foi assim até eu ir comprar farinha e o pai seguir com ele para casa.

 

A realidade NUUUUNNNNCA é como nos filmes. NUUUUNNNNCA. Por isso é que se chamam filmes.

 

O gajo que inventou o conceito dos terrible 2 deve ter deixado a mulher e o filho nessa altura...para achar que os 2 é que são difíceis...arre, 2 voltem, estão perdoados!

 

 

Algumas observações de uma mãe em estado de desgaste

1. Acordar de manhã. O miúdo pergunta "vamos para os avós?" só mesmo para morder o ambiente e perceber que tipo de dia tem pela frente. E nós darmos-lhe a possibilidade de escolher um sitio para ir. Vai escolher sempre o mais esfrangalhador de nervos. Como o shopping.

Note to self: crianças não devem escolher os sítios onde vão. Apenas o podem fazer em datas especiais, como o aniversário e o Natal, porque essas só acontecem 2 vezes ao ano e uma pessoa ainda aguenta.

 

2. Acreditar que ir a um shopping do estilo retail, que é parcialmente em espaço aberto, pode fazer com que seja mais fácil levar uma criança de 3 anos.

Nada mais errado.

Vai querer mexer em tudo o que não pode. Vai pedir tudo o que aparece à frente. Vai prometer que aceita que seja só uma coisa e quando lha damos vai dizer "também queo aquilo!", quando explicamos que não e porque não repete mil vezes "masjeuqueo!". E a conversa dá-se até chegarmos ao carro.

Pior, acreditar mesmo que há alguma hipótese de conseguir ir a uma sapataria com um grau mínimo de descanso para comprar uns sapatos.

Note to self: já és mãe há 3 anos, 3. É profundamente idiota achares que te safavas com esta.

 

3. Levar a criatura ao mercado comprar os legumes. Ele vai mexer nas cebolas da vizinha e tentar descasca-las todas. Vai fazer das cenouras microfones e só vai descansar quando lhe dermos uma maçã lavada. A mesma que vai roer até chegar ao carro e depois vai dizer "toma, podes comer o resto se quiseres!".

E a pessoa vai roer a maçã e vai arranjar um saco para espetar com os restos daquilo.

 

4. Para o carro enquanto o pai vai buscar o almoço e oferecer-se para ficar com o pequeno demónio. 

"Porque é que estamos aqui?"

"Onde está o meu pai?"

"Queo ir ter com o meu pai!"

"Dá-me uma bolacha!" e eu arranco com um como é que se pede?

"Faxavore!"

Tiro a bolacha do pacote e ele diz.

"Afinal tenho sede."

"Queo água!"

"Dá-me água"

"Po favore"

Quase parece que acabou de chegar do deserto de tão seco que está.

Despacha-se ao terceiro gole.

"Porque é que ainda aqui estamos!"

"Quando é que o pai chega?"

E tudo se repete novamente até o outro desgraçado chegar com o almoço. Uma pessoa já está num esgotamento nervoso tal que só lhe apetece arrear uma porradona à pessoa com a qual contraiu matrimonio.

 

5. Dias de chuva. Estou farta da merda da chuva. Ficar fechada em casa com uma criatura de 3 anos num dia de chuva é o teste máximo ao sistema nervoso de uma pessoa cansada.

Já fingi que arrancava macacos com uma tesoura de médico, aproximadamente 40 vezes. Ação arrematada com uma careta. Ao fim de 40 vezes fiquei com a sensação que os nervos da minha cara iam entrar em falência...tal não era o estado de dormência. Ler histórias. Fazer perguntas. Ver Rucas. Colorir os cadernos que ele me entrega enquanto o vejo a espalhar as peças do lego. Não ser capaz de ver a cor do chão...porque há demasiadas bugigangas no chão. As mesmas que uma pessoa pisa e depois diz "Foooooooodaaaaaa-se, pá!". Mas para dentro. Porque se aquilo sai em voz alta a pessoa sabe que vai sofrer com o deslize nos próximos 2 anos. 

É extraordinário como o cérebro aprende a ser rápido. Quando uma pessoa tem filhos, fica pior que os gajos da Mossad, faz uma vistoria ao perímetro antes de verbalizar os effes e os cês.

 

Resto de bom sábado a todos, com umas valentes hemorroidas na peida no recto do meu querido São Pedro. Tens guardado um lugar especial no meu coração, seu cabão meu querido.

 

Nunca o apanharemos a escavar bosta de pónei

Tirámos o dia de férias. Acordámos devagar. Cocegas. Sem pressa. Leite. Penico. Decisões stressantes do que fazer com o tempo quando não há compromissos. Ahhh, o desgaste.

Eu tive de resolver umas coisas de trabalho. Fechei a porta do escritório e dei ao dedo. Vantagens de poder trabalhar à distância (ainda que seja dia de férias, muamuamua).

Vestimos roupa de fim de semana. E ala que se faz tarde.

Destino: Colombo.

Sôtor anda há semanas a pedir para ir ao shopping que fica ao pé do trabalho da mãe. Andou em todos os bonecos de moeda, mas só o da Porquinha Pepa é que levou moeda. Se eu der 1€ cada vez que ele pede já não tenho ordenado ao dia 2 de cada mês.

Vamos ao Continente, investiga a secção de brinquedos e ganha mais um Super Wings.

Partida: Colombo

Destino: Jardim Zoológico

Objetivo: andar de metro

Viu um episódio do Ruca a andar de Metro e anda há mais de 2 meses a pedir para andar de Metro. Já estava pensado para estas mini-férias. Andámos 3 estações e ele estava radiante. Eu estive a mentir o tempo todo. Detesto andar de Metro, não fui feita para estar debaixo do chão e sufoca-me fazer de conta que sou toupeira. Mas engoli os meus medos e disse-lhe que era tudo espetacular. Afinal de contas não quero que o miúdo cresça um choninhas como eu.

Chegamos ao Jardim Zoológico. Tinham dado mau tempo e então o objetivo não era propriamente ir AO Jardim Zoológico. Era mais para iniciar a criança em maus caminhos, coisas que mães do demo fazem.

Fomos almoçar ao Mcdonalds.

Pela primeira vez a criança foi a um Mcdonalds.

Não gosta de hambúrgueres no pão. Bebeu um gole de coca-cola e parecia que tinha engolido fogo. Água, água. Pedia ele. Comeu douradinhos que desta vez, na loucura, foram comidos fritos pela primeira vez. Até aqui só comeu os ditos feitos no forno.

Viu macacos. Viu crocodilos. Viu excursões de crianças.

Pediu para voltar a andar de Metro.

Disse mil vezes que era a coisa mais divertida do dia.

De volta ao Colombo, foi à secção de brincadeira. Saltou. Pulou. E andou lá numa piscina de bolas estranha, onde bateu 3 vezes com a cabeça. Eu, depois de o ver quase a rachar a tola 3 vezes passei a seguir-lhe os passos como um falcão e a ditar coordenadas cá de fora. Estilo treinador de bancada, mas com os verbos bem conjugados. Não é difícil que toda a gente me fique a achar uma mãe neurótica. Mas estava à beira do enfarte do miocárdio cada vez que via aquela tola aproximar-se da parede baixa.

Voltámos para casa. De caminho adormeceu.

Acordou da sesta.

Fomos comer o Sundae de caramelo que me ficou a faltar. Ele não quis. Não gosta de gelados.

Seguimos para a quinta das bolas (também conhecido por parque de diversões). Era a única criança. Brincámos com ele. Deu um jeito ao pé e não quis brincar mais.

É resistente. Pediu para ir ver brinquedos novamente. Fomos. Meio coxo insiste que não tem nada.

Quando mexemos não doí. Consegue andar. Se correr a coisa fica pior. Estamos de sobreaviso, se não melhorar, doutor connosco. Pergutamos-lhe. Não me doí nada! Diz o que for para que não tenha de parar a diversão.

No carro, a caminho de casa o pai perguntou-lhe se tinha gostado do dia.

Resposta: Não, não gostei.

E eu digo-lhe meio indignada: Nem de andar de Metro?!

Resposta: Também não gostei.

Lição que eu aprendi: este a gente nunca o vai ver a escavar bosta de pónei. Disso podemos ter a certeza!

 

Contexto:

No livro "O Deus das Pequenas Coisas" há uma história que me ficou muito presente. Havia um homem com 2 filhos gémeos. Um filho era extremamente otimista, via sempre o lado bom das coisas. Outros era extremamente pessimista, via sempre um qualquer defeito em qualquer coisa. No dia do décimo aniversário dos miúdos o pai decidiu coloca-los à prova. No quarto do filho pessimista colocou os melhores brinquedos. E mandou encher de estrume o quarto do filho otimista.

De manhã bateu à porta do quarto do filho pessimista:

- Então filho, gostaste das tuas prendas?

- Nem por isso. Não eram bem o que eu queria.

E prosseguiu para encontrar mil defeitos.

De seguida o pai bateu à porta do quarto do filho otimista. Quando abriu viu o filho a escavar fervorosamente o estrume que estava no chão:

- Olá filho, o que estás a fazer?

- A escavar.

- Para quê filho?

- Então pai, com tanta merda tem que haver um pónei.

 

Então a ver?

 

Rico filho de sua mãe.

 

Sôtor, o troca-tintas

No continente pediu para ir ver as miniaturas da Patrulha Pata.

 

Sôtor: Posso levá uma?

Eu: Não filho. É muito caro e hoje não é dia de surpresas.

 

Corre para o escaparate dos carrinhos da hot wheels (sabe que tem mais hipóteses).

 

Sôtor: Posso levá um?

Eu: Não filho, hoje não é dia de surpresas.

(pega num carro)

Sôtor: Olha este mãe. É bonito?

Eu: É.

Sôtor: Gostas?

Eu: Sim, é bonito.

Sôtor: Queres levar este pa casa?

Eu: Não, não quero.

(para para pensar um pouco)

Sôtor: Queres comprar em conjunto?

(tive de respirar um momento para não me partir a rir)

Eu: Não, não quero comprar em conjunto. Mas obrigada pela sugestão.

 

É verdade. Mentimos ao puto!

Quando pensamos em ser pais ninguém nos informa das realidades mais cruéis. A parentalidade no geral é bastante simples. Os pais (ou alguns deles vá!) deixam a educação para as mães, “eu jogo à bola terças, quartas, quintas e sábados, é a nha menher que trata das coisas dos putes!”. (quem não conhecer pais assim que meta a mão no ar!) As mães, tem de olhar para a maternidade como o cálice sagrado da vida.

Pariu, logo vive para cuidar.

 

Tem calma, pondera, lê livros diversos de puericultura, decora o quarto, compra roupas com 2 estações de avanço, faz os cadernos das crianças, dá banho ao Tózé e à Amélinha e fica radiante quando o pai os leva ao jardim para que ela possa varrer a casa descansada ou fazer aquela limpeza do mês onde bota cortinados para baixo e pulveriza com lixívia os cantos à casa.

 

Ninguém explica às mulheres que não deve ser assim. E ninguém elucida os homens que ser pai é limpar rabos e também, não é só levar à bola e dizer que o Quinzinho remata como ninguém.

 

Aliás, as próprias mulheres (as mães) são muito culpadas (desculpem-me senhoras, mas é verdade), porque se os putos querem um nenuco para aprender a limpar o rabo a um boneco, desviam logo a atenção para uma caçadeira de canos cerrados que esguicha água, não vá a cria ficar efeminada e ser gozada pelos outros machões de 3 e 4 anos porque tem um nenuco para brincar.

Os putos interiorizam isso, crescem, tornam-se homens e, quando as mulheres lhes pedem para limpar a fralda aos putos saem-se com pérolas como esta: “para quê, ele vai cagar outra vez!?”

 

(isto não tem que ver com o ponto geral, foi uma introdução que se me apeteceu por contas cá de umas coisas que me andam a fazer fornicoques e sobre as quais falarei mais adiante nesta vida)

 

Moimeme, pessoa que, antes de estar grávida de 5 meses, julgava que puericultura tinha que ver com pecuária e que era algo afeto à criação de porcos e seus similares, quando decidi que traria uma cria ao mundo seria para dividir afazeres com seu pai. Afinal de contas foi uma aposta 50-50, eu dei o óvulo, ele deu o espermatozoide. Cada um participou voluntariamente com a sua célula reprodutora, pelo que, toda a gente tem de pôr as mãos na massa.

 

Nesta altura, em que descobri os grandes livros de puericultura, encontrei muita coisa, mas em lado nenhum explicavam que os putos entram pela casa de banho adentro quando uma pessoa está no trono ou a sair do banho em pleno inverno fazendo os pulmões de uma pessoa encolher-se até ao tamanho de duas nectarinas. Ninguém explicou que os putos passam as noites a acordar a querer coisas, que invadem as camas dos pais, que dão lambadas aos progenitores. Ninguém esclarece de forma inequívoca que a pessoa vai passar anos da sua vida a ver series de televisão às escondidas como se pertencesse à máfia. Ninguém informa que a pessoa se torna bilingue falando com seu esposo em inglês para que o puto não entenda que estão a planear ver aquele filme enquanto o gajo dorme a sesta.

 

Enfim, ninguém assume que para ser pai ou mãe, mantendo a sanidade mental é fundamental que nos tornemos mentirosos patológicos.

 

Isso mesmo: mentirosos patológicos.

 

Não saltes em cima da cama Luís Miguel que partes a clavícula e passas o resto da vida entrevado.

Queremos apenas que tire os ténis borrados de cima da cama e que não volte a faze-lo. Pretendemos também evitar o esbardalhamento e o eventual partir de braço, mas sabemos que temos de aumentar o risco para a coisa funcionar.

 

Não andes nessa parte do parque porque há bichos cá em baixo. Tens de ser maior.

O puto quer meter-se no meio das cordas e odespois fica todo enlameado e corre o risco de partir uma pernas. Uma pessoa diz o que for preciso.

O puto diz que não tem medo dos bichos.

Uma pessoa arremessa: Desces nesse escorrega Alberto Afonso e eu juro que chegamos a casa e dou todos os teus brinquedos. Minimanismo on your ass, tou-te a dezer!

 

A pessoa precisa de descansar porque tem as olheiras pelos joelhos, cérebro em caca e já se começa a babar um pouco do lado direito da boca, a pessoa precisa de encaminhar o puto para a casa de um familiar. Tios, primos, avós.

 

Vai daí e aparece um feriado. Até que a criança entre para a escola e aprenda o que é um feriado os pais podem sempre dizer que é um dia como outro qualquer, mas que, por estar um tempo agradável há mais gente na rua e há também lugar a algumas comemorações onde se canta em loop musicas de Zeca Afonso.

 

Pode dar-se o caso de, por exemplo, uns quaisquer pais se vestirem como se fossem para o trabalho, levarem a criança para os avós, prometerem ir buscar mais cedo porque iam sair mais cedo e ir para casa arrumar roupa e babar em frente à televisão.

 

Pode acontecer.

 

Por exemplo com pessoas normais e honestas como nós lá em casa.

 

Descansámos, babámos em frente ao ecrã, vimos um This is us e outro filme que parecia divertido mas que me fez chorar como o caraças no fim. Arrumámos coisas. E eu fui buscar Sôtor mais cedo, sentindo a necessidade de justificar as minhas jardineiras e a t-shirt que trazia vestida com outra mentira, “a mãe veio mais cedo e ainda foi a casa trocar de roupa!”. Ele não perguntou, mas só para me adiantar.

 

É isto…

 

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Lá há coisa mais gira que os comentários? #1

Não sou a pioneira desta descoberta. Todo o mundo já sabe que a maior das belezas de quem cria conteúdos são os comentários feitos a esses conteúdos. Uma pessoa pode ser um peixinho de água fria num aquário redondo de cozinha, ou um tubarão no Oceanário de Lisboa, vão sempre aparecer comentários levados da breca.

 

Eu por exempes tenho um carinho muito especial pelos comentários de cocó produzidos por pessoas anónimas. Daqueles que não querem dizer nada, não servem para muita coisa e que de quando em vez pretendem ofender alguém, não importam quem, alguém, assim alguém.

 

Esses, da ofensa, eu elimino. Só assim, PLIM! faz se conta que nunca aconteceu. Já passou, já passooooouuuu! Não me apetece lidar com isso.

 

Quanto aos outros que mandam umas coisas para o ar sem pensar assim muito, uma pessoa pode sempre aproveitar para se grisar um pedaço.

 

E assim nasceu esta espécie de rubrica que visa gerar entretenimento com base na matarronice de quem comenta. Ou seja, se decide deixar um comentário matarroano, pode dar-se o caso de a produtora destes conteúdos pegar no dito e, PUMBAS!, fazer uma dissecagem do mesmo.

 

Pois que é uma forma de celebrar a liberdade de quem comenta, com a liberdade de quem disseca.

 

O primeiro contemplado ou comtemplada é o comentador anónimo das 21:58 deste post publicado ontem.

 

Diz então o/a comentador/comentadora:

 

“ Gostava de saber a onde está a liberdade . “

 

Ora bem, como eu lhe respondi, o sítio onde está a liberdade depende muito da circunstância de vida de cada um. Vamos imaginar que o anónimo foi condenado a 5 anos de prisão pelo crime de peculato. Se está na choldra é natural que a sua liberdade esteja condicionada a uma gaiola de 3 metros por 4 e que o sol nasça em quadriculado como aqueles cadernos irritantes de matemática. Respondendo à sua observação, neste cenário, a liberdade está no final da pena. Altura em que lhe devolvem os seus pertences e pode ir para casinha.

 

E porque motivo a liberdade esteve condicionada? Pode perguntar.

 

Porque para que haja liberdade têm de haver regras, caso contrário isto não era uma anarquia, era um bacanal social. Cada um fazia o que queria e vencia aquele que conseguisse dar mais pancada nos outros. Não pode ser assim. Quando as regras são incumpridas é preciso punir.

 

É mais ou menos como Skinner tentou provar com os seus ratinhos. (este é o momento pedagógico do post) Um ratinho foi colocado numa gaiola e, sempre que pisava uma alavanca ganhava um pedaço de queijo, chama-se a isto reforço positivo. A certa altura o ratinho dava tanta lambada na alavanca que mais parecia uma cena sado com um botão, ali o rato dar nalgadas à alavanca.

Noutra situação o rato, sempre que pisava o sítio errado da gaiola, recebia um choque, ou seja, reforço negativo. Ao fim de pouco tempo o ratinho sabia que havia sítios que podia pisar – eram seguros – e outros que não devia porque recebia um choque, passou a evita-los.

 

Estas condicionantes são impostas ao homem na vida real, para fazer com que consigamos todos viver em sociedade.

Se isso pode parecer para algumas pessoas que não há liberdade?

Pode. Porque há pessoas que acham que a liberdade é fazer tudo o que se quer sem ter a existência dos outros em consideração.

Não é a mesma coisa.

 

Vamos ver uma coisa, a liberdade acarreta elevados níveis de responsabilidade e nem todas as pessoas estão preparadas para isso. Por exemplo, o meu filho de 3 anos têm um nível de liberdade muuuuuuuuuito reduzido. Para quê? Para sua própria segurança. Porque se ele tivesse toda a liberdade que gostaria, a casa já tinha explodido e ele já se teria magoado. Sou eu e o pai que temos de lhe mostrar os limites de forma clara e inequívoca.

 

Eu, por exemplo, não faço todos os dias o que quero. Tenho de ir trabalhar, tenho de me levantar cedo. Gosto? Não. Tenho possibilidade de escolher? Tenho. E eu escolho ir trabalhar porque quero um conjunto de coisas que o resultado desse trabalho me proporciona.

 

Sim?!

 

Podíamos estar aqui infinitos mas a minha liberdade diz-me que eu decido terminar com esta conversa agora e ir fazer outras coisas.

 

Vê? Há ou não há liberdade?

 

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Sunshine blogger award. Fui nomeada!

Fui nomeada pela Joana.

Que escreve num blog que ninguém conhece.

Obrigada Joana, já sabes que daqui nunca sai grande coisa, vamos ver o que se arranja.

 

award (1).png

 

Nota introdutória: este desafio/nomeação é longo, mas longo e tem buedesde regras, só me foi possivel levar a cabo porque é feriado e o pequeno ainda não sabe o conceito de feriado e foi para a casa dos avós a pensar que era dia de trabalho a ver se a gente descansa cá por casa. Inspira, respira, que esta foi à Saramago!

 

As respostas são encantadoras, como eu, naturalmente.

 

1. Porque decidiste criar um blog?

 

Em 2014 fiquei grávida. Estava no auge da minha felicidade, satisfeita com uma barriga maior que a do meu pai, a achar que apesar de me vomitar 3 vezes de manhã e 3 vezes à tarde a vida estava a andar pelo melhor e que era uma grávida capaz de tudo.

A médica mandou-me para casa. Gravidez de risco. Muamuamua. Para uma tipa que não sabe ter só um projeto de cada vez e que gosta de ter a cabeça ocupada, é difícil.

Eu, fechada em casa. Eu, com os cães. Eu a ler 2 livros por semana e a ficar cheia de dores nas costas.

Decidi criar um blog para escrever e entreter a mente. Esse foi à vida quando regressei ao trabalho.

Mas...esta coisa da escrita ficou. Descobri, aos 30 anos de vida, que preciso de escrever, que me faz falta, me dá uma certa comichão nas mãos.

Criei um blog novo. Desta vez na Sapo. Esse foi fechado porque achei que o nome já não ia ao encontro do que eu descobri que queria fazer dele e assim nasceu esta chafarica.

 

2. Por aqui pelo Sapo, ou fora dele, que blog ou blogs gostas?

 

É um cliché, bem sei, mas não me parece justo enumerar um ou dois blogs. Há blogs de todas as formas e feitos, uns mais cómicos, outros mais românticos, outros mais sérios, de opinião. Gosto de os ir visitando a todos, sendo que, dependendo dos meus dias tenha mais tendência para ir a este ou aquele.

Aqui no Sapo tenho vários blogs subscritos e, gosto de uma vez por dia, ou uma vez de dois em dois dias, correr a secção de leituras, ver que posts há, e vou escolhendo os posts que leio. Porque não há tempo para ler todos. Era bom...

 

3. Se tivesses que escolher um personagem animado, qual serias? 

 

Eu gostava de ser a Ariel da Pequena Sereia. Sempre foi a minha personagem favorita. Mas acho que se for para escolher a que mais se parece comigo, desde o cabelo desgrenhado à incapacidade de ser uma menina princesa é a Merida do filme Brave.

 

4. Qual a musica que melhor te define?

 

Não acho que exista uma música que me defina, penso que seria muito redutor. Contudo acho que o álbum Jagged Little Pill de 1995 da Alanis Morissette define muito do que penso e sinto em relação à vida. Nos momentos mais difíceis ajuda-me sempre voltar a ouvir.

 

5. Que livro estás a ler neste momento?

 

"Escombros" da Elena Ferrante.

 

6. Que viagem de sonho farias?

 

Partida: Lisboa.

Destino: Nova Yorque.

15 dias de 5th Avenue e Manhattan.

Partida: Nova Yorque.

Destino: Havai.

1 mês de praia, sol, bebidas coloridas, roupas leves, descanso e colares de flores.

Partida: Havai.

Destino: Nova Yorque.

5 dias para comprar umas coisinhas. Umas lembranças, vá!

Partida: Nova Yorque.

Destino: Lisboa.

Saudades e muito muamuamua porque tinha chegado ao fim.

 

7. O que é que pode estragar um dia perfeito?

 

Uma questão de saúde. Gastrite, por exemplo. Umas gambas estragadas. Um acidente de viação. Coisas drásticas destas. Um dia perfeito não se estraga com pouco.

 

8. O que gostas de fazer nos teus tempos livres?

 

Vou dividir isto entre dois momentos.

Antes de ser mãe: escrever, ler, correr, nadar, passear por qualquer lado para não estar fechada em casa.

Depois de ser mãe: babar em frente ao ecrã a ver o "This is us" e episódios sucessivos do Shark Tank".

p.s.: as mães só têm tempos livres quando os filhos estão nos avós.

 

9. Imagina que tinhas de mudar de profissão, o que escolherias?

 

Eu sou fã do Shark Tank e, desde que comecei a ver o programa que sei o que gostaria que acontecesse. O meu sonho de mudança profissional é o seguinte: eu gostava de inventar uma qualquer coisa sem a qual a maioria das pessoas não pode viver, ou quer muito, vá! Arranjava uma patente e licenciar a produção desse produto a várias marcas. Eu recebia royalties vitalícios.

Com isto deixava de ter de me preocupar com a questão financeira. Essa saía completamente da equação e assim eu podia dedicar-me a fazer apenas coisas que me dessem prazer ou gratificação.

Nesse cenário dedicava-me à escrita. E, como sou pessoa para gostar de ter mais do que um projeto criava uma pequena empresa de sabonetes naturais. Adoro sabonetes naturais, feitos com produtos orgânicos. Até já comprei um livro para aprender a fazê-lo, só ainda não consegui arranjar tempo para levar a cabo a primeira experiência.

 

10. Sais de casa, o que é que não pode faltar dentro da tua mala?

 

Depende.

Quando vou sozinha ou entre adultos: carteira, telemóvel (não pode faltar e deixa-me neurótica, desde que o miúdo nasceu sinto que tenho de estar sempre contactável) e lenços de papel.

Quando levo a criatura com menos de um metro: toalhitas, uma muda de roupa, uma mini lancheira com snacks, uma garrafa de água, dois brinquedos, os documentos dele e o doudou que o acompanha desde o primeiro dia de vida.

 

11. Para ti, o que é o melhor do mundo?

 

Essa é fácil. Para uma mãe o melhor do mundo são sempre os filhos. Para mim é o meu.

 

 

Diz que as regras para esta nomeação são:

* Agradecer à Blogger que te nomeou.

Done.

 

* Responder às 11 perguntas que te foram dadas. 

Na medida do possível. Feito!

 

* Nomear 11 bloggers e fazer-lhes 11 perguntas. 

Até fiquei a suar, mas já estão aqui em baixo.

 

* Colocar as regras e incluir o logótipo do prémio no post. 

Pois que sim que fiz sim sinhores!

 

 

As as almas que decidi nomear são:

 

Mãe Tástica 

João 

Just Smile 

Ana 

Margarida 

Maria Oliveira 

O meu maior sonho 

Marta 

Edite 

Isa  

Carolina 

 

Andei à pesca de pessoas para nomear que me parecesse que não tinham sido nomeadas ainda. Se já foram estejam à vontade para se borrifar ou para responder. Como acharem mais pertinente.

Se não foram ainda nomeadas, estão à vontade na mesma.

 

Eis as minhas perguntas (não esperem muito de mim que tenho o baralho avariado, sim?!):

 

1. O teu blog é hoje o que pensavas que seria quando o criaste?

2. Se pudesses mudar alguma coisa no teu espaço o que seria?

3. O que é que, num dia chato te consegue arrancar uma gargalhada?

4. Se não existissem constrangimentos financeiros o que gostarias de fazer na vida?

5. Reinventando uma pergunda cliché: praia com muita areia em todas as frestas do ser humano, ou campo com toda a bicheza que por lá existe?

6. Livros ou cinema? Porquê?

7. Se tivesses de escolher reencarnar entre um destes três animais qual seria e porquê? Uma galinha, um perú ou um porco? (e não, não há opções glamorosas)

8. Qual a tarefa doméstica que mais detestas fazer? Porquê?

9. Um episódio da tua infância que ainda hoje te faça rir.

10. Quão farto/farta estás das minhas perguntas?

11. Gostavas que continuasse ou deste um suspiro por perceber que chegou ao fim?

 

Como podem ver eu tenho um jeitinho levado da breca para estas coisas, sou uma entrevistadora nata. As perguntas são do mais acutilante possivel que se pode arranjar.

 

Nota final:

Alguém tem de arranjar uma versão abrevida destes desafios, porque isto demora tempo para dedéu! E para uma mãe com filhos para criar e uma casa para limpar é difiiiiiiicillllllll....que dói.

 

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