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Blog Bestialmente Conhecido

Devia ser sempre assim

Sábado, 7:45. Mãe acorda! Sorriso. Mãe temos de acordar! Boa disposição.

Eu ainda me estou meio a babar.

Sábado, sonhei que dormia até às 11 como nos tempos de adolescente.

Mãe temos de levantar! Onde vamos hoje? Quero ir à quinta das bolas! Vamos, vamos, vamos, vamos brincar!

Vesti-lhe o robe. Vesti o meu. Sem certezas do meu estado pseudo-quase-não-clínico-comatoso.

Ele brincou. Nós comemos tapioca com ovos mexidos e iogurte. Fomos ao mercado. Compramos fruta e legumes frescos. Uma senhora distribuiu uma revista com o programa de atividades da Câmara. Assistimos à primeira parte de um teatro de marionetas. Fomos ao parque de diversões. Corri, stressei, tive 3 princípios de enfarte, entrei para dentro da caixa. Ralhei.

É uma criança tremendamente meiga, mas, é também uma criança demasiado despachada, então, quando há coisas para fazer e os outros não se adiantam ele quer que lhe saiam da frente.

Em resumo andamos a trabalhar para que - ainda que aconteça de quando em vez - não empurre os outros. Não gosto que o empurrem a ele, não gosto que ele empurre os outros e, mesmo que haja quem relativize, eu acho que tenho de lhe dizer sempre que acontece.

Empurrou um mais pequeno, peguei nele pela mão, a mãe do outro a dizer "deixe estar..." e expliquei-lhe que não pode ser. Expliquei porquê, é fundamental que entendam o porquê.

Voltou para o trampolim e foi dar um abraso ao amigo pequenino.

 

Almoçámos. Nós fingimos uma sesta. Ele adormeceu mesmo. Um "This is us". Lágrimas. Sempre. Que argumento brilhante. Acordar a pedra que adormeceu. 

 

Sol, praia, passeio, muita areia, diversão e cansaço bom.

 

Fomos todos. Pequenos, graúdos e cães.

 

Corremos. Atrás dele. Com os cães. Fizemos castelos. "Trepámos rochas". Comemos farturas. Acabámos a sacudir areia até à medula óssea.

 

Percebemos que o fim de semana devia ter 3 dias. Um para descomprimir do stress da semana de trabalho. Um para descansar. Um para preparar a cabeça e o corpo para a semana que está para chegar.

 

Voltámos a casa com um frango assado que nos poupa aos cozinhados. Comemos todos à mesa ao mesmo tempo.

 

Um dia bom. Devia ser sempre assim.

 

Perguntei-lhe (a sôtor):

- Então, gostaste do dia de hoje?

E ele:

- Não, nem um bocadinho!

 

Tangas! Só tangas!

 

O humor está pela hora da morte

O entretido pede que o entretenham:

"Ocupa-me o tempo e faz-me rir, mas cuidado, não me ofendas, tem atenção aos meus princípios, aos meus gostos e desamores, às minhas crenças, à minha experiência de vida, aos meus limites, aos meus preconceitos, às minhas recentes mudanças de vida, ao meu aspeto físico e às maleitas da minha família. Não se faz pouco das caracteristicas de outras pessoas, ou, pelo menos não das que eu gosto, das outras podes, tem é de adivinhar quais são. Faz-me rir a bandeiras despregadas, é tua obrigação, ter graça. Mas lembra-te que há coisas com que não se brinca. Não se faz pouco de coisas sérias. "

Brincar com as coisas que já são de brincar é, como diria o RAP, chover no molhado.

Ser engraçado, fazer rir dando a cara é difícil, mas mais fácil de entender. Um gesto de corpo, uma careta, uma risada no fim de uma frase, a entoação; transmitem inequivocamente ao outro que o que está a ser dito é a brincar. Esclarece quem é o visado na piada.

Quando se escreve humor (na minha humilde opinião de quem consume o produto do humor escrito e admira o desafio), a piada, a critica humorística - se é que isso existe - depende de duas partes: em primeiro lugar do humorista, que tem de conseguir um texto bem construido e que faça acender as luzes da gargalhada no leitor; em segundo, mas com igual importância, quem lê; é fundamental que tenha a capacidade de interpretar o que está a ser transmitido, sem leituras literais. Compreender assim o sentido que lhe está a ser transmitido.

 

No tempo da outra senhora os humoristas eram os bobos da corte, com os seus fatos espampanantes e os seus gestos exagerados, destinguiam-se dos outros e todos sabiam pela sinalética vestuária que era sempre "tudo a brincar", ainda assim, as massas esperavam pela gargalhada do rei, o riso da rainha, esses sim ditavam se tinha ou não graça. O pescoço do bobo estava sempre a 10 centímetros da guilhotina.

Enfim, uma profissão de risco.

 

Infelizmente para mim que adoro rir, parece-me que caminhamos a passos largos para um tempo menos evoluído que a era da outra senhora. O que é preocupante. Uma vez que estamos mais próximos de 2100 do que de 1700.

O humor parece estar pela hora da morte.

 

Não tenho ações investidas no humor, mas para quem tem o meu conselho é vender na bolsa enquanto ainda valem alguma coisa.

Vender, vender, vender.

Depois é investir na censura, tem ganho valor de forma galopante e falta pouco para que arrecadem uma fortuna.

 

(Este texto não pretende comentar ou refletir nada da minha realidade presente, felizmente, é uma avaliação que faço do mundo quando vejo as noticias...por isso evito tanto)