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Blog Bestialmente Conhecido

Nunca o apanharemos a escavar bosta de pónei

Tirámos o dia de férias. Acordámos devagar. Cocegas. Sem pressa. Leite. Penico. Decisões stressantes do que fazer com o tempo quando não há compromissos. Ahhh, o desgaste.

Eu tive de resolver umas coisas de trabalho. Fechei a porta do escritório e dei ao dedo. Vantagens de poder trabalhar à distância (ainda que seja dia de férias, muamuamua).

Vestimos roupa de fim de semana. E ala que se faz tarde.

Destino: Colombo.

Sôtor anda há semanas a pedir para ir ao shopping que fica ao pé do trabalho da mãe. Andou em todos os bonecos de moeda, mas só o da Porquinha Pepa é que levou moeda. Se eu der 1€ cada vez que ele pede já não tenho ordenado ao dia 2 de cada mês.

Vamos ao Continente, investiga a secção de brinquedos e ganha mais um Super Wings.

Partida: Colombo

Destino: Jardim Zoológico

Objetivo: andar de metro

Viu um episódio do Ruca a andar de Metro e anda há mais de 2 meses a pedir para andar de Metro. Já estava pensado para estas mini-férias. Andámos 3 estações e ele estava radiante. Eu estive a mentir o tempo todo. Detesto andar de Metro, não fui feita para estar debaixo do chão e sufoca-me fazer de conta que sou toupeira. Mas engoli os meus medos e disse-lhe que era tudo espetacular. Afinal de contas não quero que o miúdo cresça um choninhas como eu.

Chegamos ao Jardim Zoológico. Tinham dado mau tempo e então o objetivo não era propriamente ir AO Jardim Zoológico. Era mais para iniciar a criança em maus caminhos, coisas que mães do demo fazem.

Fomos almoçar ao Mcdonalds.

Pela primeira vez a criança foi a um Mcdonalds.

Não gosta de hambúrgueres no pão. Bebeu um gole de coca-cola e parecia que tinha engolido fogo. Água, água. Pedia ele. Comeu douradinhos que desta vez, na loucura, foram comidos fritos pela primeira vez. Até aqui só comeu os ditos feitos no forno.

Viu macacos. Viu crocodilos. Viu excursões de crianças.

Pediu para voltar a andar de Metro.

Disse mil vezes que era a coisa mais divertida do dia.

De volta ao Colombo, foi à secção de brincadeira. Saltou. Pulou. E andou lá numa piscina de bolas estranha, onde bateu 3 vezes com a cabeça. Eu, depois de o ver quase a rachar a tola 3 vezes passei a seguir-lhe os passos como um falcão e a ditar coordenadas cá de fora. Estilo treinador de bancada, mas com os verbos bem conjugados. Não é difícil que toda a gente me fique a achar uma mãe neurótica. Mas estava à beira do enfarte do miocárdio cada vez que via aquela tola aproximar-se da parede baixa.

Voltámos para casa. De caminho adormeceu.

Acordou da sesta.

Fomos comer o Sundae de caramelo que me ficou a faltar. Ele não quis. Não gosta de gelados.

Seguimos para a quinta das bolas (também conhecido por parque de diversões). Era a única criança. Brincámos com ele. Deu um jeito ao pé e não quis brincar mais.

É resistente. Pediu para ir ver brinquedos novamente. Fomos. Meio coxo insiste que não tem nada.

Quando mexemos não doí. Consegue andar. Se correr a coisa fica pior. Estamos de sobreaviso, se não melhorar, doutor connosco. Pergutamos-lhe. Não me doí nada! Diz o que for para que não tenha de parar a diversão.

No carro, a caminho de casa o pai perguntou-lhe se tinha gostado do dia.

Resposta: Não, não gostei.

E eu digo-lhe meio indignada: Nem de andar de Metro?!

Resposta: Também não gostei.

Lição que eu aprendi: este a gente nunca o vai ver a escavar bosta de pónei. Disso podemos ter a certeza!

 

Contexto:

No livro "O Deus das Pequenas Coisas" há uma história que me ficou muito presente. Havia um homem com 2 filhos gémeos. Um filho era extremamente otimista, via sempre o lado bom das coisas. Outros era extremamente pessimista, via sempre um qualquer defeito em qualquer coisa. No dia do décimo aniversário dos miúdos o pai decidiu coloca-los à prova. No quarto do filho pessimista colocou os melhores brinquedos. E mandou encher de estrume o quarto do filho otimista.

De manhã bateu à porta do quarto do filho pessimista:

- Então filho, gostaste das tuas prendas?

- Nem por isso. Não eram bem o que eu queria.

E prosseguiu para encontrar mil defeitos.

De seguida o pai bateu à porta do quarto do filho otimista. Quando abriu viu o filho a escavar fervorosamente o estrume que estava no chão:

- Olá filho, o que estás a fazer?

- A escavar.

- Para quê filho?

- Então pai, com tanta merda tem que haver um pónei.

 

Então a ver?

 

Rico filho de sua mãe.