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Blog Bestialmente Conhecido

3 Anos (e o tempo podia passar mais devagar)

Não houve festa da grossa. Não houve lugar para bolos da moda nem temas especiais. A toalha dos Super Wings e o bolo da Patrulha Pata, pequeno e singelo. Serviram perfeitamente para cantar os parabéns. Afinal de contas ele nem gosta muito de festas e o bolo, para ser considerado bolo, tem de ser pão de ló. Bolos com cremes e artefactos não entram nessa categoria.

(coisas de pessoas que, apesar de pequeninas, têm os mesmos critérios alimentares que sua mãe tinha com a mesma idade)

Não houve lugar para mascaras nem correria de outras crianças. É o preço que ele paga por os pais terem sido os últimos a ter filhos. 

Até ao ultimo momento estivemos sem certeza se haveria sequer um pequeno lanche. Um dos tios não conseguia mesmo vir, o outro só soube de véspera que podia cá estar.

Comprámos as prendas ao final da tarde de sexta-feira. Arranjámos o lanche durante a manhã de sábado.

Considerando os percalços do ano passado, em que ficámos os três doentes no aniversário, decidimos deixar andar para ver. Afinal de contas, havendo saúde seria sempre melhor que a festa dos 2.

Isso e porque ninguém tem muito jeito para festividades e hoje, tendo ele 3 anos, e demonstrando o mesmo apreço pela "loucura das festas de aniversário" já dissemos adeus à culpa e celebramos da forma que nos faz felizes. Em vez de ser a forma que aparentemente faz toda agente feliz.

De manhã fomos pela primeira vez a um parque de diversões. Ficou louco, perdeu a respiração por segundos tal não foi a injeção de adrenalina. Correu, brincou, desceu escorregas. Estava tão alegre, tão eufórico, que não consegui tirar-lhe uma única foto.

Também não levei a máquina. Quis dar-lhe um aniversário de afetos, de atenção, de memórias. Fazer o oposto dos aniversários digitais, em que os pais gravam mil imagens para a posteridade e não gozam 10 segundos do presente.

Fiz duas gravações breves enquanto corria de um lado para o outros, queria guardar a imagem da felicidade que lhe percorria o olhar enquanto brincava, o sorriso que não conseguir tirar do rosto.

Foi um momento para ele, só para ele. E é tão bom saber isso.

De tarde apareceram os tios, o primo favorito (o único primo rapaz, aquele que apesar de ter mais 9 anos que ele, continua a ser o mais novo, o que o gosta como um irmão), aquele que acompanha as suas brincadeiras, o que passou parte da tarde a ler a pedido (quando nem gosta muito de ler), o que acompanhou as brincadeiras em casa.

Ganhou alguns presentes. Recebeu uma bicicleta. Porque eu gostava que ele tivesse a oportunidade de aprender aquilo que eu nunca soube fazer.

E quando ele aprender, eu vou aprender também.

Recusou a ideia de o primo seguir caminho para casa dele.

E tem passado os dias a falar do primo. É sempre assim quando se veem. Quer ir visita-lo todos os dias. O que ele não entende é que o primo mora a mais de 150 km de distância.

Se ele ao menos pudesse ir no patrulheiro aéreo.

 

Da festa de aniversário tenho 3 fotografias. Prometi que ia estar com ele, para ele, e que não estaria atrás de um ecrã. Só depois de todos terem saído é que percebi que não tinha tirado uma única foto.

E foi tão bom assim.

Parei para escrever algumas palavras. Escrevi-as no meu instagram, enquanto ele dormia a sesta, enquanto esperávamos pelos ilustres convidados.

 

Da minhas palavras importa saber que é o filho que eu precisava ter. O meu amor maior.

Um miúdo cheio de genica, alegre, circunspeto, conversador, com uma enorme curiosidade pela via, com um palavreado acima da média para a idade dele, um puto conciliador, que não anda à bulha com os outros, tenta resolver as diferenças a bem. Um miúdo doce, mais doce do que eu era com a idade dele, um menino de afetos, ainda que os guarde para aqueles que lhe estão gravados no coração. 

Por vezes uma pequena cópia minha, com tantos pequenos detalhes que vão para lá do cabelo. Há momentos em que me parece que tive a oportunidade de me ver nascer de novo.

 

E assim se passou um fim de semana de aniversário em que parei para escrever às 23 horas de domingo. Porque gosto de registar estes momentos. Porque tenho as minhas palavras que são só para ele escritas em papel, para que ele um dia possa ler. Possa ler o que lhe digo todos os dias. Porque os filhos não devem descobrir que os pais os amam aos 18, quando encontram um caderno. Devem ouvir da boca dos pais, todos os dias o quão amados são. A importância que têm. Mesmo quando há erros, mesmo quando há mau comportamento. Porque os pais não amam menos por isso. Muito pelo contrário.

Vim aqui escrever umas notas neste meu bloco digital porque apesar da falta de capacidade de celebrar datas, gosto de partilhar com o mundo estes dias, particularmente este, que é, naturalmente, o mais especial de todos.

O texto não é o melhor, mas acho que esse é o preço de ter canalizado o tempo para sentir, para gozar o momento, sobra menos para descrever.

E não há mal nisso.

 

Assim, por aqui, nestas quatro paredes a que chamo lar, há muito amor, muita felicidade, muita vontade que o tempo ande mais devagar, que estes momentos contem pelo dobro, que a memória dure para sempre.

E mais do que tudo, que continuemos a ter a mesma sorte que tivemos até aqui: de ter o filho que precisávamos ter, aquele que é mil vezes mais do que o filho que poderíamos sonhar. Com o sempre importante pedido de muita saudinha, da bendita sorte e de que as bolas curvas lhe passem sempre ao lado.

 

Venham então os 3 em força (mas se possível mais devagarinho, que os dois, esses danados, passaram que nem um foguetão).

 

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