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Blog Bestialmente Conhecido

A crescer demasiado depressa

Falta pouco mais de uma semana para fazer 3 anos e eu já ando a revisitar as fotos antigas. De quando em vez passeio-me pelas imagens antigas que tenho no telemóvel, aquelas fotografias sem grande qualidade, apanhadas em momentos avulsos e sempre que percebo que tenho de registar, mas não tenho a máquina para tirar uma foto a sério.

Não sou de andar com o telemóvel em punho, sempre a gravar e a fotografar tudo para gravar para o futuro. Às vezes contenho-me porque esse receio aparece, lá atrás na minha cabeça. Mas o que me interessa é estar ali a absorver aquele segundo. Depois logo aponto sobre esse dia nas minhas notas, nos meus cadernos de apontamentos soltos, de memórias.

Ando às voltas nas imagens de quendo era ainda mais pequeno, em que as pernas eram rechonchudas, em que a cara era a de um bebé e não de um rapazola. Nos vídeos onde as palavras ainda não saiam sabidas, onde as frases não eram compostas.

Estes primeiros anos duram o mesmo que todos os outros no calendário, mas parecem tão mais curtos. É tudo tão bom, mesmo aquilo de que nos queixamos, que parece passar a voar.

 

Ontem, estava eu a arrumar qualquer coisa e ele convidou-me para ir brincar com ele. Faz sempre isso: convida-me.

“Mãe queres vir brincar comigo?”

E eu aceito, como a donzela que, derretida, aceita dançar a valsa com o príncipe encantado.

 

Não fui a correr, tive de tratar de uma tarefa doméstica antes – porque afinal de contas eu sou uma donzela dona de casa – então perguntou-me do quarto:

“Mãe, esqueceste-te de mim?”

 

Sorri, porque sei que ele sabe que não me esqueço dele. Relembro-o disso. É uma forma de me chamar porque estou a demorar demasiado. Porque me perdi nas tarefas e havia uma coisa importante para fazer: brincar.

 

Estávamos a montar o puzzle que lhe estou a ensinar. Ele estava sentado em cima das peças e eu avisei-o de que estando ali, tirnava difícil montar a imagem. Ele olhou para mim e disse que tinha uma peça que sabia onde ficava.

Por fim olhou para mim, e como um adulto que argumenta em sua defesa disse:

“Mãe tu tens razão, mas eu também tenho.”

 

E eu ri, parei, pensei, e fiquei estarrecida.

Como é que já crescente tanto para seres mais sábio do que eu?

Vis ultrapassar-me em menos de nada.

 

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