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Blog Bestialmente Conhecido

A melhor resposta de sempre

Tenho 3 irmãos. Todos mais velhos que eu.

O mais novo dos 3 fez 41 anos na segunda-feira.

Liguei-lhe ao final do dia para dar os parabéns, para dois dedos de conversa, para saber como vai a vida no geral. O que é certo é que o tempo passa a correr e quando damos conta passa um mês que não nos falamos. Fica sempre no subconsciente aquela máxima de que as más noticias correm depressa, por isso deve estar tudo bem.

 

Atendeu-me. Estava em casa. Aliás tem estado em casa de baixa há umas 2 semanas e tal. Problemas na coluna. Tem vindo a arrastar ao longo dos anos problemas de costas que, com a idade e o desgaste a que se sujeita no trabalho, não melhoram. Vai na volta lá tem de ficar uns dias de cama. Vai na volta e lá anda a fazer fisioterapia.

Desta vez não tinham sido só dores, ficou com um braço “preso”, praticamente imobilizado. Tudo a acrescentar à dor.

 

O que vale é que nesta família de gente meio chalupa tudo serve para rir e fazer pouco dos percalços da vida, por isso, em vez de nos focarmos na chatice que tem sido, lá me esteve a contar que foi ao posto de saúde para ser visto pelo médico (tudo como se fosse uma espécie de anedota). Que o mandaram fazer um TAC e que, por indicação do médico, foi marcar uma consulta para ser visto o mais rápido possível.

Para garantir que conseguia ser atendido foi ao que chamam no SNS de “consulta aberta”, nesse dia o médico está de plantão e é certo que os pacientes conseguem ser atendidos.

Chega ao posto e pede para marcar consulta. A senhora da secretaria olha para ele, vê que tem um envelope na mão:

Senhora da Secretaria (doravante “SDS”) – Isso são exames?

Rui – São.

SDS – São para mostrar ao médico?

Rui – São para mostrar a UM médico.

SDS – Se forem para mostrar ao doutor não pode marcar uma consulta aberta!

Rui – Olhe, então veja lá se me consegue marcar uma fechada!

 

Desfizemo-nos a rir. Claro que teve de explicar à senhora que os exames não eram para aquela consulta e larailailai. Mas, para a postura e as questões estava mesmo a pedir.

 

Ele contava esta história e eu lembrava-me de uma muito mais antiga.

O meu irmão Rui sempre teve o dom de dar as respostas certas no melhor dos timings. Eu sou muito diferente, as respostas ideais ocorrem-me sempre cerca de 5 a 10 minutos depois da situação.

 

Eu devia ter os meus 6 ou 7 anos. Tinha ido brincar para a casa da vizinha que tinha um filho da mesma idade que eu, o João. Isso acontecia muitas vezes e, quando chegava a hora de ir para casa jantar um dos meus irmãos ia chamar-me.

Todos lá em casa tinham tarefas, e a dele, que era o mais novo dos mais velhos, era ir chamar-me à casa da vizinha.

Bateu à porta, a vizinha viu que era ele e chamou-me, estávamos já a ir embora…

 

Vizinha do andar de baixo (doravante “VDADB”) – Ó Rui, desculpa lá, deixa a vizinha fazer-te uma pergunta.

Rui – Diga vizinha.

VDADB – Vocês têm dinheiro no Banco?

Rui – Como assim?

VDADB – Tinha perguntado à tua irmã se ela tinha dinheiro no Banco. Sabes é que o Joãozinho tem uma conta com dinheiro no Banco, perguntei à tua irmã mas ela não me sabia responder.

Rui – Ahhh, já entendi. Sim vizinha a minha irmã tem dinheiro no Banco, não é todos os dias, mas tem.

VDADB – Como assim?

Rui – Então, é simples, quando ela diz que quer ter dinheiro no Banco, nos puxamos de um banco de cozinha, pomos lá umas moedas e ele tem dinheiro no Banco.

VDADB – (incrédula)

 

Ainda hoje me recordo desta conversa, a melhor resposta de todos os tempos. A vizinha, metida a esperta porque tinha herdado umas terras no Minho, achava que era especial, mas como a inteligência não vem em metros quadrados por herança….danou-se.