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Blog Bestialmente Conhecido

A minha gravidez, o meu peso e meia dúzia de bombocas

A minha gravidez não foi o mar de rosas que eu sempre pensei que ia ser.

Sempre que me imaginava grávida, via-me uma daquelas grávidas super despachadas e praticas em que a única coisa que mudava era o tamanho da barriga.

 

Nada disso.

Mesmo nada disso.

 

Provando a mim mesma que ia ser assim, 3 dias depois de descobrir que estava grávida fui para Paris sozinha. Aviões, azafama, uma terra cuja língua não entendo nem à lei da bala.

Reuniões de empresa, formação e aproveitar para ficar o resto da semana e apresentar ao marido esta bela terra que é Paris (eu já lá tinha ido mais do que uma vez, para o Nuno era a primeira).

 

Tinha algumas restrições alimentares (como a salada por não ser imune à toxoplasmose) mas podia comer praticamente tudo e sentia-me bem. Cansada. Mas bem.

 

Dois dias depois chegou o Nuno, depois de uma gincana pelo metro francês encontramo-nos à porta do hotel onde tínhamos reservado estadia, a 500 metros da Torre Eiffel. A bonita ali ao virar da esquina.

 

O primeiro dia de passeio foi bom, percebi que não estava com a energia habitual para andar 15 km por dia a pé, mas estava bem para andarmos a bater perna.

O segundo dia a mesma coisa.

Ao final do segundo dia fomos comer a um bistro na rua do hotel. Comemos uma salada de entrada e eu pedi um bife de novilho com batatas fritas. Lancei-me ao prato como uma leoa se lança a uma presa e devorei o meu jantar.

O Nuno nunca me tinha visto comer tão depressa.

 

Mas eu estava fina e era normal ter “mais algum apetite”.

 

No dia seguinte acordei a pensar que me finava em terras de Napoleão. Estava capaz de vomitar todos os órgãos que tinha no corpo e, a única coisa que me ocorria, era que o bife tinha de estar estragado. Mas estava tão saboroso.

O mal estar matinal aliviou e, como me sentia capaz para passear lá fomos nós continuar a nossa excursão por terras de Edith Piaf.

Rien de rien, pensei eu. Vim passear e vou ver o que tenho a ver nem que seja com um vómito em cada esquina.

 

Recordo-me de estar sentada num banco ou coisa parecida na descida da praça dos pintores, de frente para um restaurante que se chamava “le Lapin” (as pessoas que me conhecem compreenderão que é cómico), com um croque monsieur na mão e forçar o dito goela abaixo porque tinha de comer.

Enjoei croque monsieur e até hoje, só a ideia de comer um me causa náuseas.

 

Estava na terra dos croissants e de toda pastelaria maravilha e só me apetecia fruta. A sorte é que também têm fruta maravilhosa e lá me safei.

No ultimo dia que passei em Paris só me apetecia comer 3 coisas: canja (prato que há à venda em qualquer esquina, como podem calcular), azeitonas e iogurte.

 

De tarde percorremos várias mercearias em busca de azeitonas.

 

Lembro-me de ter passado parte dessa tarde enjoada, sentada na ponta da cama com um iogurte numa mão e um frasco de azeitonas na outra. Uma colher de iogurte, uma azeitona, uma colher de iogurte, uma azeitona. Enquanto comia esta mistela estava bem. Quando o frasco de azeitonas acabou fiquei mal disposta outra vez.

Ao jantar procuramos em todos os bistros algum que servisse canja. Por estranho que possa parecer a única coisa que encontrámos foi sopa de peixe. Mas não era daquela das bifanas e foi um martírio para engolir aquilo.

 

Passei os primeiros 4 meses de gravidez a caminho da casa de banho. No tempo em que não vomitava tinha de estar a comer alguma coisa, e só me apeteciam porcarias. Dessa forma não ficava enjoada.

Ao 6º mês fui recambiada para casa. E não podia fazer quase nada, para além de comer, bater as pestanas e andar por casa.

 

Muitas vezes pensei que se calhar o miúdo ia nascer com os genes do avô materno. O meu pai não come praticamente nada saudável. Já perdi a conta ao numero de vezes que lhe disse: “Tu, um dia que calhes a comer um brócolo, tens um fanico. O corpo vai rejeitar a substancia”.

As únicas coisas verdes que o meu pai come são: alface, m&m’s verdes e gomas verdes. O resto são substancias não reconhecidas como alimentos.

 

Ao todo engordei quase 20 quilos.

 

E não voltei ao meu peso inicial.

 

Consegui perder 12 desses 20 e até não fiquei chateada.

 

Ontem fui-me pesar. Fui a uma daquelas máquinas em que uma senhora grita para pormos a mão no sitio certo e medir a tensão arterial, que nos manda estar direitos para tirar a altura e que no fim berra “SAIA DA PLATAFORMA”.

 

Tinha mais 2 quilos que da ultima vez.

Quê?! Atão mas eu ando a fazer exercício com bastante regularidade. Ali a esfalfar-me forte e é isto, em vez de derreter banhas as gajas estão a ganhar mais força.

 

Cuarailho!!! Fiquei mesmo danada!

 

Se calhar tenho de ir para o kickboxing, diz que aquilo deixa uma pessoa sequinha e ainda dá competências ao nível da defesa.

 

Chego ao escritório e a colega do lado tinha trazido uma caixa de bombocas. Quatro tipos de coberturas diferentes.

Eu sou viciada em bombocas, era capaz de comer a caixa toda sozinha em menos de meia hora.

 

Comi uma.

Depois outra.

Só mais uma.

E juro que é a ultima.

É pá ò coisa se tu me trazes mais disto pá, não te falo mais.

É desta que é a ultima.

E foi.

Foram 6 bombocas pró bucho.

Uma maravilha.

É hoje. É hoje que não meto mais uma grama de açúcar neste corpo…mas depois lá está, a outra maria-coisa-e-tal também fez anos e diz que traz bolo….

Lá está o meu objetivo de ser a Gisele no verão totalmente fucked....é o que é...

 

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