Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blog Bestialmente Conhecido

A vida do hipocondríaco é taaaaão divertida!

Só neste ano de 2017 tive 5 amigdalites, consequência de vírus macacos que senhor meu filho transporta para casa (como se já não chegasse a lama nos ténis) e com os melhores cumprimentos dos ares condicionados do trabalho. Estou certa que a par com as amigdalites, cenas simpáticas que me obrigaram a antibiótico (juntamente com o que a vaquinha do hambúrguer tomou) devo ter tido outras inflamações várias ao nível do trato respiratório e organlhada que a este assiste.

Há certa de um mês e pouco comecei a ter uma pontada forte do lado direito do pescoço, ali na linha da orelha. Queixava-me e chorava-me e aquela porra não queria passar, vai daí e um dia ao final do dia ponho-me a fazer de doutora e dedico-me às palpações, a esforço dou com um caroço. Acedem-se-me todas as red lights do cérebro e acomete-me um medo profundo de que tenho um qualquer elemento cancerígeno do pescoço. Sensata como sou marco uma consulta para o dia seguinte e, só mesmo para garantir que não sou enganada pela médica, pesquiso informação no Google.

Gosto de me sentir preparada.

Três sites depois estava certa de que tinha um linfoma não hodgkin. Não sabia qual deles era o mais grave o hodgkin ou o não hodgkin, mas o melhor era acautelar pelo pior. Passei a noite preocupada, imaginei-me a despedir-me do meu filho depois de uma forte batalha, criei para mim mesma palavras de incentivo porque eu ia vencer o maldito.

No dia seguinte chego à consulta e, depois de descrever a minha situação a médica conteve uma gargalhada. Fez-me as palpações necessárias e explicou que uma coisa era certa, eu não tinha nada de grave. A verdade é que com tanta amigdalite e infeção respiratória era normal que aquele gânglio – que todos temos no pescoço e faz parte da nossa constituição, apressou-se a esclarecer – fique inflamado, aumente de tamanho e até possa doer.

Passou-me uma ecografia ao pescoço – por descargo de consciência – e uma análises.

Fiz ambos os exames. Não revelaram nada com que me deva preocupar, excetuando a minha cabeça que cria fábulas e histórias não-encantadas em torno de acontecimentos que não existem.

Fiquei descansada.

Mas como a vida de um hipocondríaco nunca tem descanso…

De há umas semanas para cá tenho tido com muita frequência dores de cabeça. Sempre focadas no mesmo sitio, vão e voltam.

Durante uma semana e meia tive essas dores todos os dias. Ao segundo dia pensei que estava perto do fim, afinal de contas para mim uma dor de cabeça é um sinal quase imediato de duas coisas: AVC ou Aneurisma. É aquilo que receio de imediato. Quando passa sinto sempre um alivio de quem acabou de fazer uma rabeta à morte, como quem pensa “tive quase, quase a ter um AVC, depois guinei ali à esquerda e pumbas, safei-me”. Quando a dor de cabeça se arrasta mais de dois dias é quase certo que tenho um tumor cerebral, volto a imaginar-me a despedir-me do meu filho porque os médicos vão descobrir uma coisa em estado de tal forma avançado que não vão conseguir fazer nada a não ser dar-me algum conforto até ao fim.

Neste cenário fico sempre com algum receio de me deixar adormecer, porque pode correr mal quando eu não estou atenta e ficar-me para ali.

Quando acordo, penso “porreiro, esta noite até correu bem, pá!”.

Ontem fui à médica, mostrar os exames e queixar-me das dores de cabeça, quis saber se tenho tido mais stress (estou sempre em stress), se tenho tido mais preocupações (não conheço a vida sem elas), se tenho descansado bem à noite (não durmo uma noite seguida desde Fevereiro de 2015), se tenho feito exercício (às vezes sim, outras não). Diz-me que pode ser do cansaço, apenas isso, e, se a dor tem origem na cervical pode ser má postura.

Preocupada pergunta-me se tenho alguma coisa para tomar em caso de estar com dores de cabeça, respondo:

- Sim, tenho sempre lá Ben-U-rons 1000 em casa! Tem de ser o 1000 porque o 500 não me faz nada. – digo-lhe pensando que ela me ia alertar para andar a carregar desnecessariamente na medicação. Em vez disso a mulher fica petrificada e incrédula a olhar para mim:

- As suas dores de cabeça passam com Ben-U-Ron?

- Sim, as fortes só com o 1000.

- Uma dor de cabeça que passa facilmente com Ben-U-Ron nem conta propriamente como uma dor de cabeça. A maior parte das pessoas só se safa com medicação pesada. Tem noção da sorte que tem?

- Não doutora, não tinha. Mas olhe que só me passa com o 1000. – alerto-a novamente.

- O 500 é suposto nem fazer efeito em adultos…é dosagem de criança. Mas bom, ainda bem para si. Devia era voltar para a natação ou ir para o pilates por causa das costas.

- O pilates é muito lento doutora, uma pessoa parece que nunca mais acaba de fazer nada. Dá-me nervos.

- Então a natação. Pense nisso.

 

E assim me vim embora, contente porque está tudo nos conformes, com umas vitaminas para o cansaço, a prescrição da natação e um alerta porque ainda não fiz a ecografia mamaria.

A caminho do trabalho só me apoquentou a hipótese de - agora que sabia que estava tudo bem – me cair um sacana de um drone no alto da pinha. Uma pessoa nunca sabe quando é que aquilo não choca com um pombo ou fica sem pilhas.

 

 

  • 2 comentários

    Comentar post