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Blog Bestialmente Conhecido

Detesto o Carnaval ou como eu posso ser umas das pessoas mais cinzentas e carrancudas à face da terra mas que se está a borrifar pa'isso

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 (a minha focinheira no meio de malta mascarada e com balõezinhos e merdinhas e coisas afins)

 

A primeira vez que me lembro de ter ido tirar fotografias a uma fotografa profissional - por acaso amiga e cliente da minha mãe - eu devia ter uns 3 anos. A minha mãe fez-me um fato de empregada doméstica, eu fiz cara carrancuda (a melhor face que tenho para apresentar, é um primor, ainda hoje), agarrei no espanador e esforcei-me por não esboçar um único sorriso.

Não sei se pelas fotografias, se por achar que devia ter um fato mais importante que empregada de limpeza, se porque decidi que não havia de colaborar e, tal como se havia de verificar nos anos vindouros, fui fiel ao que decidi cá para comigo.

Mascarei-me todos os anos até fazer 10 anos. Sempre com fatos XPTO feitos pela minha mãe. Gostei de um segundo fato, de baiana, de perna de fora e cheio de cores. Eu com a minha carapinha. E os colares de contas a dar-me conta da coluna ainda sem dores.

(ao que parece devo ser um tipo de carrancuda colorida e que gosta de um certo nível de forrobodó)

É das poucas fotos de carnaval em que estou verdadeiramente feliz. Tal só voltou a acontecer quando me mascarei de peixeira da Nazaré, com todas as saias e fios de ouro, tudo até ao ínfimo detalhe e pormenor que caracterizavam a conduta da minha mãe.

Fui escolhida para estar na dianteira das marchas de carnaval da escola, eu tímida, os outros a puxar por mim. Enchi-me de uma alegria sem precedente, gritei, pus as mãos à cintura, acenei e até me esqueci que me estavam a ver. Quando me voltei a lembrar a alegria voltou a desvanecer.

Sempre fui uma miúda metida com a minha vida. Muito diferente do que sou hoje, que me estou mais a cagar para o mundo em geral e digo o que se me vem a tola (com algum filtro...mas pouco...com uma certa contenção...mas menos vergonha desmedida).

Aos 10 mascarei-me pela ultima vez de Pierrot. Um fato espetacular numa miúda que detestava andas mascarada.

Havia de envergar um vestido preto a fingir que era bruxa pelos 16, mas nada mais que isso.

Porque o Carnaval devia ser uma época alegre, de pessoas em devaneio, a fazer-se de engraçadas e a ser alegres nas brincadeiras entre pares.

Mas o Carnaval em Portugal é também estupidez. São as bombinhas de mau cheiro, os estalinhos, os balões de água, os ovos podres, os balões com detergente, os putos idiotas de máscaras a gritar com adultos na rua porque nos dias que correm ninguém pode espetar com um estalo a ninguém que vem a policia e pagam-se indemnizações.

Hoje creio que já não há bombinhas de mau cheiro e estalinhos, mas continua a estupidez e os balões de água.

Nunca mandei um balão de água a ninguém. Sempre me pareceu algo idiota envolver numa brincadeira minha pessoas que não se tinham convidado para participar. Pelo que me causa aquela urticária especial pela satisfação em fazer mal aos outros.

Ou seja, há pessoas que só alcançam o estado de alegria se esse vier acompanhado pelo mal estar dos outros.

Por isso é que se escondem. Se estivessem a fazer alguma coisa engraçada e boa não precisavam de meter os cornos para dentro da janela depois da merda que acabaram de fazer.

Enervam-me em especial estes idiotas que mandam balões de água de andares. Será que estes montes de cocó não se apercebem que se acertarem numa criança podem deixa-la em mau estado?

Não. Porque isso implicaria ter um conteúdo mínimo de massa encefálica. O que não acontece na maioria destes casos.

 

Detesto o Carnaval. Não pelas pessoas que se mascaram. Mas pelos idiotas que me fazem preferir estar em casa a ter de dar de caras com eles e ficar com uma neura dos diabos.

 

Não gosto do Carnaval porque nunca gostei de confusões e com a idade, mais do que não gostar, fico incomodada com grandes multidões e pessoas em loucura e gente doida varrida em fatos de não-sei-quê.

 

Não gosto do Carnaval porque já ando mascarada o ano todo, não me apetece ser a princesa do Frozen por um dia.

 

Não gosto do Carnaval porque as fantasias são caras e acho que se fazem coisas mais engraçadas com o dinheiro.

 

Não gosto porque se vive um carnaval imitado de senhoras meio nuas em tempo quase negativo a parodiar-se como se estivessem no Sambodromo do Rio de Janeiro.

Isto não são os trópicos senhores!?

 

E não gosto do Carnaval por conta dos gajos e dos putos e dos parvos que mandam balões de água. Haviam de ficar com o cu com uma hemorroida dolorosa por cada balão arremessado.

 

(e sôtor? Sotôr ainda não sabe o que é o Carnaval, apenas que há pessoas estranhas na rua. Se um dia o apanho a mandar balões de água a pessoas que não pediram para brincar com ele confisco-lhe a PS que ainda não tem por tempo indeterminado.)

 

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