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Blog Bestialmente Conhecido

É verdade. Mentimos ao puto!

Quando pensamos em ser pais ninguém nos informa das realidades mais cruéis. A parentalidade no geral é bastante simples. Os pais (ou alguns deles vá!) deixam a educação para as mães, “eu jogo à bola terças, quartas, quintas e sábados, é a nha menher que trata das coisas dos putes!”. (quem não conhecer pais assim que meta a mão no ar!) As mães, tem de olhar para a maternidade como o cálice sagrado da vida.

Pariu, logo vive para cuidar.

 

Tem calma, pondera, lê livros diversos de puericultura, decora o quarto, compra roupas com 2 estações de avanço, faz os cadernos das crianças, dá banho ao Tózé e à Amélinha e fica radiante quando o pai os leva ao jardim para que ela possa varrer a casa descansada ou fazer aquela limpeza do mês onde bota cortinados para baixo e pulveriza com lixívia os cantos à casa.

 

Ninguém explica às mulheres que não deve ser assim. E ninguém elucida os homens que ser pai é limpar rabos e também, não é só levar à bola e dizer que o Quinzinho remata como ninguém.

 

Aliás, as próprias mulheres (as mães) são muito culpadas (desculpem-me senhoras, mas é verdade), porque se os putos querem um nenuco para aprender a limpar o rabo a um boneco, desviam logo a atenção para uma caçadeira de canos cerrados que esguicha água, não vá a cria ficar efeminada e ser gozada pelos outros machões de 3 e 4 anos porque tem um nenuco para brincar.

Os putos interiorizam isso, crescem, tornam-se homens e, quando as mulheres lhes pedem para limpar a fralda aos putos saem-se com pérolas como esta: “para quê, ele vai cagar outra vez!?”

 

(isto não tem que ver com o ponto geral, foi uma introdução que se me apeteceu por contas cá de umas coisas que me andam a fazer fornicoques e sobre as quais falarei mais adiante nesta vida)

 

Moimeme, pessoa que, antes de estar grávida de 5 meses, julgava que puericultura tinha que ver com pecuária e que era algo afeto à criação de porcos e seus similares, quando decidi que traria uma cria ao mundo seria para dividir afazeres com seu pai. Afinal de contas foi uma aposta 50-50, eu dei o óvulo, ele deu o espermatozoide. Cada um participou voluntariamente com a sua célula reprodutora, pelo que, toda a gente tem de pôr as mãos na massa.

 

Nesta altura, em que descobri os grandes livros de puericultura, encontrei muita coisa, mas em lado nenhum explicavam que os putos entram pela casa de banho adentro quando uma pessoa está no trono ou a sair do banho em pleno inverno fazendo os pulmões de uma pessoa encolher-se até ao tamanho de duas nectarinas. Ninguém explicou que os putos passam as noites a acordar a querer coisas, que invadem as camas dos pais, que dão lambadas aos progenitores. Ninguém esclarece de forma inequívoca que a pessoa vai passar anos da sua vida a ver series de televisão às escondidas como se pertencesse à máfia. Ninguém informa que a pessoa se torna bilingue falando com seu esposo em inglês para que o puto não entenda que estão a planear ver aquele filme enquanto o gajo dorme a sesta.

 

Enfim, ninguém assume que para ser pai ou mãe, mantendo a sanidade mental é fundamental que nos tornemos mentirosos patológicos.

 

Isso mesmo: mentirosos patológicos.

 

Não saltes em cima da cama Luís Miguel que partes a clavícula e passas o resto da vida entrevado.

Queremos apenas que tire os ténis borrados de cima da cama e que não volte a faze-lo. Pretendemos também evitar o esbardalhamento e o eventual partir de braço, mas sabemos que temos de aumentar o risco para a coisa funcionar.

 

Não andes nessa parte do parque porque há bichos cá em baixo. Tens de ser maior.

O puto quer meter-se no meio das cordas e odespois fica todo enlameado e corre o risco de partir uma pernas. Uma pessoa diz o que for preciso.

O puto diz que não tem medo dos bichos.

Uma pessoa arremessa: Desces nesse escorrega Alberto Afonso e eu juro que chegamos a casa e dou todos os teus brinquedos. Minimanismo on your ass, tou-te a dezer!

 

A pessoa precisa de descansar porque tem as olheiras pelos joelhos, cérebro em caca e já se começa a babar um pouco do lado direito da boca, a pessoa precisa de encaminhar o puto para a casa de um familiar. Tios, primos, avós.

 

Vai daí e aparece um feriado. Até que a criança entre para a escola e aprenda o que é um feriado os pais podem sempre dizer que é um dia como outro qualquer, mas que, por estar um tempo agradável há mais gente na rua e há também lugar a algumas comemorações onde se canta em loop musicas de Zeca Afonso.

 

Pode dar-se o caso de, por exemplo, uns quaisquer pais se vestirem como se fossem para o trabalho, levarem a criança para os avós, prometerem ir buscar mais cedo porque iam sair mais cedo e ir para casa arrumar roupa e babar em frente à televisão.

 

Pode acontecer.

 

Por exemplo com pessoas normais e honestas como nós lá em casa.

 

Descansámos, babámos em frente ao ecrã, vimos um This is us e outro filme que parecia divertido mas que me fez chorar como o caraças no fim. Arrumámos coisas. E eu fui buscar Sôtor mais cedo, sentindo a necessidade de justificar as minhas jardineiras e a t-shirt que trazia vestida com outra mentira, “a mãe veio mais cedo e ainda foi a casa trocar de roupa!”. Ele não perguntou, mas só para me adiantar.

 

É isto…

 

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