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Blog Bestialmente Conhecido

Festividades e ovos de páscoa

Eu até gostava das épocas festivas. Quando era miúda a sério que gostava. Tinha uma semana pelo Carnaval; tinha quinze dias pelo natal; tinha duas semanas pela Páscoa e depois lá vinha aquela enxurrada de meses no verão, só mesmo para uma pessoa estar, existir e não fazer rigorosamente nata. É tão bom uma pessoa poder apenas existir. Só esse verbo. O exercer dessa tarefa. A tal ponto que quando chegava a segunda quinzena de agosto já sentia falta da escola, para ver os camaradas de sala e ter atividades concretas, no lugar daquele marasmo de coça aqui, coça ali.

Isso eram festividades.

Depois cresci - depressa demais - comecei a trabalhar, e passei a ganhar uma certa aversão às festividades. É ver os miúdos de férias, é ver os colegas que vão de férias, e uma pessoa sentada a trabalhar, escritórios meio vazios, tudo a meio gás, 75% vá!

Até nos blogs se nota a diferença, menos a ler, menos a visitar, menos a escrever. Não é um marasmo, porque tal como eu há muitos para quem é dia. Mas é sentida a diferença.

Calho a estar em casa, a ver se arranjava maneira de encontrar um coelho que pusesse uns ovos de chocolate, preocupada com a distribuição das amêndoas, refastelada no sofá e em passeios com sol de março, aí sim, sentia as festividades com uma excitação incontrolada.

Devia ser regra: mantermos em adultos aquilo a que nos habituaram: 15 dias no natal, 5 no carnaval, 15 na Páscoa e 3 meses no verão.

Íamos rebentar a escala da felicidade, é certo.

 

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