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Blog Bestialmente Conhecido

Frustrações, Karma e Trânsito

São os 3 ingredientes do texto de hoje. Não necessariamente por esta ordem.

Vou lamentar-me um pouco, é possível que divague e que me queixe, por isso, tenham alguma paciência comigo.

 

O despertador tocou às 6 como é hábito. Desliguei-o e deixei-me adormecer, acordei 30 minutos depois. Tomei o pequeno almoço e estive mais de 10 minutos a assoar-me, ainda não me consegui livrar das sequelas desta porcaria desta gripe.

Parei 10 minutos à frente do guarda fatos. A condição de voltar a usar as meias de compressão dá cabo da minha escolha de roupas para trabalho, não posso usar todo o tipo de sapatos, não posso usar todo o tipo de vestidos, as calças mais justas ficam esquisitas se não usar umas botas de cano alto.

Brrrrrrr! Raios partam as minhas pernas de fraca condução venosa!

 

Escolho a roupa, visto-me, arranjamos Sôtor que ainda dorme e descemos. Hoje é dia de ser eu a condutora de serviço.

 

O Nuno não se importa de conduzir sempre, mas chegámos a acordo de que alternaríamos durante a semana. É importante que eu não me desabitue de conduzir e assim ele também tem alguns dias de descanso porque é muito cansativo todos os dias estar no para-arranca da Ponte 25 de Abril.

 

Seguimos para a casa dos meus sogros para deixar o pequeno, é uma rua a um quarteirão da minha casa, pouco movimentada, onde as pessoas por regra conduzem devagar e com atenção porque há sempre famílias a sair de casa, com crianças. Há sempre carros a sair do estacionamento. É a hora das pessoas saírem para o trabalho.

Chego perto da porta da casa dos meus sogros e abrando o carro para escolher o lugar, quando faço pisca e olho para o lado tenho uma carrinha de transporte de crianças de um colégio, que deve ficar nas imediações, parado ao meu lado. Foi tudo muito rápido, mas pelo que percebi, quando eu abrandei o tipo optou logo por me ultrapassar sem perceber porque motivo eu estava a imobilizar a viatura. Podia estar a parar porque um carro estava a sair de estacionamento, podia ser porque uma criança ou até um animal se tinha lançado à estrada. Por acaso foi porque estava a chegar ao meu destino. Para aquele senhor o conceito de “distância de segurança” não representa nada.

Assustei-me porque podia ter batido.

Não satisfeito, e com crianças na carrinha, o tipo faz marcha atrás, abre o vidro e começa a mandar vir comigo. Ao lado trazia uma miúda com os seus 8 ou 9 anos que manteve o olhar para a frente, envergonhada.

Não abri sequer o vidro do meu carro, esperei que ele saísse da minha frente para poder estacionar.

Passaram-me pela cabeça mil coisas, uma delas mandar um e-mail para o colégio a alertar para o tipo de conduta do seu colaborador. Mas depois desisti dessa ideia, não sei se o colégio até não sabe bem se esse é ou não o método do seu funcionário e, a verdade é que muitos colégios também querem é o serviço feito depressa sem que seja necessariamente bem feito.

Acresce que pode até ser uma boa pessoa, que estava a ter um mau dia e que fez uma má escolha. Não sei. Por algum motivo decidi relativizar a questão.

É comum ver carrinhas de colégios – de vários que não aquele – mal estacionados para entregar ou recolher crianças, pelo que me parece um pouco uma gestão de vale tudo.

 

Tenho carta desde os 18 anos, ou seja há qualquer coisa como 17 anos.

Desde os 22 que conduzo quase todos os dias, já me habituei a que nas estradas há de tudo, como na selva. Já relativizo ao fim de 5 minutos a maior parte das coisas a que assisto, mas há duas que ainda me fazem muita confusão:

  1. Pais, avós, tios, (entre outros) que conduzem de forma arriscada com crianças no carro;
  2. Carrinhas de colégios que, com a viatura cheia de crianças, conduzem como se transportassem outro tipo de mercadorias.

 

Ultrapassado o segundo stress da manhã. Rumo à Ponte.

Uma fila interminável. Começava nos Foros de Amora, o que, para quem vem do outro lado é o equivalente ao IC19 estar muuuuuuuuuuuuuuuuito mais do que entupido.

 

Estou cansada de trânsito. Ainda no outro dia fiz as contas ao número de horas que já gastei em filas. Demasiadas. São as pessoas que batem, que não fazem uma condução mais cuidadosa, adaptada à condição da estrada, são os tipos das motas que querem passar por entre os carros e buzinam porque os automobilistas deviam deixar espaço entre si porque as motas querem passar. Como se isso fosse condição das regras da estrada. São os chicos-espertos que se metem à frente nas filas, porque aparentemente devem ter uma vida muito mais importante que a de todos os outros. É o parar em cima da ponte, sem saber porquê, porque há mais carros do que as estradas comportam.

Os transportes não são solução. Porque são muito mais caros que ir de carro e porque quando se atrasam é um drama para chegar a casa.

 

Nestes momentos abate-se sobre mim o arrependimento geral, apetece-me gritar com a vida em geral e com as minhas escolhas em particular. Lamento ter escolhido viver do outro lado, a mais de 30 km do trabalho. Lamento algum dia ter decidido trabalhar em Lisboa, se tivesse escolhido ficar a trabalhar do outro lado da ponte não passava por isto todos os dias. Lamento não ter uma casa à beira mar, para pelo menos ver as ondas antes de me fazer ao trânsito. Lamento não ter uma casa com jardim, para facilitar o passeio dos cães de manhã e à noite, quando há pouco tempo ou pior, quando está mau tempo e me apetece ficar em casa agarrada a uma caneca de chá. Arrependo-me de não ter uma casa com jardim e um telheiro, debaixo do qual o miúdo poderia brincar ao fim de semana quando está demasiado mau tempo para ir passear ao parque.

Lamentos. Lamentos. Lamentos.

Começam com o trânsito e acabam com as trivialidades do dia-a-dia.

 

Chego à portagem e há um tipo que pára muito afastado do guiché. Reclamo dentro do carro, sem razão eu sei (mas não buzinei, quando estou para rezingar por tudo e por nada pelo menos mantenho o mau feitio dentro das 4 portas do carro), mas nestes momentos o mundo é um lamento e eu só queria que ele tivesse parado o carro no sitio certo para não precisar de puxar do travão de mão, para não precisar de abrir a porta, para não precisar sair do carro para passar o cartão da Via Card.

Chegou a minha vez e quando abro a janela vejo que fiz exatamente a mesma coisa que o outro. Estava demasiado longe. Tive de puxar do travão de mão, tive de abrir a janela na totalidade, tive de tirar o cinto e tive de meter metade do corpo de fora da janela.

O karma funciona depressa comigo, bolas!

Pensei com os meus botões.

 

Ufa!

Acho que já está, hoje com pouco humor e muita rezinguice. Pode ser que melhore ao longo do dia.

 

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