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Blog Bestialmente Conhecido

Isto de ter um blog

Não são poucas as vezes em que me pergunto porque raio tenho eu um blog? Porque obra e graça do Espírito Santo havia eu de ter decidido começar a escrever nesta espécie de diário/bloco de notas/caderno de riso?

A resposta é que não sei. Não sei mesmo.

Sei que gosto de escrever.

Sei que tem um efeito catártico. Para mim muito calmante, enquanto escrevo não penso em mais nada.

Sei que gosto de saber que alguém lê.

Sei que ter um blog é começar com pequenos passos. É escrever um primeiro texto e publica-lo quase a medo, porque não há quem queira ler isto "porque raio vou largar isto aqui para qualquer pessoa em todo o mundo ler?". É gostar da ideia de que contei algo ao mundo e querer contar mais. Aquelas histórias velhas como tudo, já cheias de bafio, aquelas que não vou contar no café com as amigas, mas que, enquadradas num titulo janota dão um post bem engraçado. Imortalizo a memória, escrevo e reflito sobre o que senti nesse dia.

Ter um blog é puxar pela criatividade. É ter dias em que há mil temas para escrever, mil coisas para contar, trezentas peripécias vividas. É ter dias em que não apetece escrever nada e sentir uma necessidade tremenda de ter alguma coisa para publicar. Como se o blog fosse um qualquer animal de estimação que tem de comer, pelo menos, uma vez ao dia. É preciso alimenta-lo. Alimenta-lo de palavras, de textos, de vida.

Ter um blog é ter uma vida em escrita. De forma digital. Seja de humor, de entretenimento, sobre maternidade, viagens ou peripécias do dia a dia. Ter um blog é partilhar alguma coisa. Que mais não seja uma piada ou uma opinião.

Ter um blog é estranhar o primeiro comentário. É sentir uma alegria imensa por perceber que alguém leu e teve alguma coisa a dizer sobre isso. É pensar que somos ridículos com tamanho jubilo por algo que não movimenta as peças do nosso dia a dia.

É ter pessoas que leem o que escrevemos com satisfação. Que nos dizem "hoje o dia estava pior, mas li isto, ri-me e olha, valeu por isso". É ter quem se identifique com um texto, que o leva para si, que o pensa, que o comenta, que o partilha.

Ter um blog é arranjar uma conta de facebook para granjear mais leitores, para chegar aqueles que não "navegam" na blogosfera, mas que gostam de ler textos engraçados, ou pensados, ou sentidos. O que for que se escreva. É sentir que um dia "normal" ficou um bocadinho mais interessante porque chegámos aos primeiros 100 likes.

Ter um blog é saltar para o Instagram. Arranjar fotos bonitas para partilhar com aqueles que voltaram as costas ao facebook, arranjar umas histórias para pôr naquela coisa do stories.

Ter um blog é esperar que mais pessoas o queiram ler.

É ver as estatísticas pelo menos uma vez por semana, é ficar alegre um um destaque na página da Sapo Blogs e ficar alegre (como quem ganha uma camisola nova de uma loja quase cara) porque está destacado na página principal da Sapo.

(Noto que isto são características desta plataforma...mas como é aqui que coaxo, é destas avenidas que tenho de falar)

É arranjar um gadget para saber onde a barraca fica nisto dos rankings. É arranjar maneira de saber quantos leem ao minuto e quem copia (porque raio haveria alguém de querer copiar?).

Ter um blog é pensar se havemos de começar anónimos ou não. Proteger a identidade. Morder o ambiente.

Ter um blog é fechar o primeiro que se abriu. Porque o titulo não era bom. Porque não há vida para isso. Porque há comentários parvos e não se ganha nada com isto.

Ter um blog é perceber que é possível ter saudades disto da escrita, disto da partilha. É abrir um novo com um nome refrescado. É prometer que não se vai passar cartão aos anónimos, nem aquele/a autora de outro blog que falou mal de nós.

Ter um blog é ter uma opinião. Uma história para contar. Sarcasmo para dar e vender. É gostar de fazer os outros rir e às vezes conseguir.

Ter um blog é pensar mil vezes que "vou mas é fechar aquilo" e depois receber meia dúzia de comentários e pensar que afinal "vou deixar por mais uns meses".

Ter um blog onde assinamos com o nosso nome é arrependermo-nos uma vez a cada 15 dias por não ter um nickname. Garantir a liberdade de escrita.

Ter um blog é aguçar a nossa paciência - e testa-la também - para as pessoas que partilham o planeta connosco. É manter o sistema nervoso firme perante determinados comentários. É perceber que os males de interpretação não acontecem só nos jornais, que nos podem bater à porta.

Ter um blog é programar posts quando temos uma semana difícil no trabalho. Ou programa-los sempre quando não temos outra forma de o fazer. É escrever ao final do dia para o dia seguinte. É aproveitar as horas de almoço.

Ter um blog pode ser convívio. Pode ser um bom treino de escrita. Pode servir para conhecermos aquilo que mais gostamos de escrever.

É um exercício para a mente.

Ter um blog pode ser uma profissão, pode ser um hobbie ou um entretém. Pode ser levado mais a sério ou de uma forma pontual.

Ter um blog é ter um certo primor na aparência do espaço, como quem se preocupa se a casa está arrumada quando vai ter visitas. Não quer porcarias no chão, nem pelos em cima do sofá. A toalha de mesa passada e o pó limpo.

Ter um blog é um vicio. Porque escrever pode ser um vicio.

É ficar entristecido/a quando ninguém tem nada a dizer. Estranha esta coisa de gostar de receber comentários. Porque não deveria ser preciso receber comentários. Porque é estranha esta coisa dos comentários para quem escreve há muito tempo. Para quem escreve por profissão.

Mas os comentários são o feedback de quem lê. É o "pagamento" de quem escreve de graça, por hobbie e para entretenimento - seu e de quem lê.

Ter um blog pode ser muita coisa. Para mim, que ando nisto dos blogs há quase 3 anos (porque para quem chegue de novo, antes deste havia outro, houve uma espécie de mudança de habitação e vim parar aqui há uns meses, vamos esperar que este seja o meu lar de escrita por mais tempo) ter um blog é isto.

Escrever, partilhar, rir, fazer rir, pensar, fazer pensar, opinar, esgrimir argumentos, programar, e esperar que haja quem goste de ler quase tanto quanto eu gostei de escrever.

 

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