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Blog Bestialmente Conhecido

Nada é como no cinema

Decidimos ficar pelas redondezas de casa. Em vez de pegar no carro e ir passear longe de casa - como é hábito - decidimos dar um passeio perto de casa. Calçamos ténis confortáveis, pusemos o indispensável nas mochilas e saímos confiantes. Poderia parecer que íamos escalar o Monte Everest, dado que até levávamos mantimentos. Mas íamos só à nossa pastelaria favorita.

A grande diferença é que normalmente vamos de carro e hoje fomos a pé.

Sensivelmente 900 metros para cada lado.

 

O sonho

Íamos caminhar lado a lado. As casas iam parecer tão encantadas que quase combinavam em cores, aos nossos olhos. Conversávamos sobre tudo e nada. Riamos com as piadas de sôtor. Quase parecia que havíamos de dar connosco com calças caqui e um pullover amarelo aos ombros, saídos e uma caixa de bonecos.

 

A realidade.

Assim que começámos caminho sôtor sai-se com a pergunta "quem mora aqui?" e eu respondi "pessoas" ou "vizinhos". Fez a mesma pergunta para todas as casas em que passamos. Sendo que foram 900 metros de ida, dá para imaginar que foram 2 ou 3 casas.

Chegamos à pastelaria e quis logo ir para o parque. Enquanto comemos esteve sempre a despachar-nos. Excetuando aquela parte em que decidiu fazer em farelos o suspiro que lhe comprei.

Fomos ao parque.

Divertiu-se.

Não tanto quando tivemos de vir embora.

 

Fizemo-nos ao caminho de regresso. 

Tenho a dizer que tudo poderia ser mais encantado se neste país os passeios tivessem uma largura decente, para deixar caminhar confortavelmente uma loucura de 2 pessoas. Não sei como fazem pessoas com carrinhos de bebé, mas decerto que passam a vida num aperto, e nem vamos falar das pessoas com dificuldade motora. Deve ser uma brisa.

 

Chegamos ao jardim ao pé da nossa casa, que é enorme e tem um palco montado a meio. Ao fim de semana há atividades e de manhã há aulas de ginástica, pelo que o palco fica montado o ano todo.

Como choveu havia poças de água. Muitas.

Estava tranquilo a brincar quando apareceu outro miúdo que o desafiou para irem brincar para o palco. Ele foi. Começaram a brincadeira de saltar nas poças de água. O Nuno ia ralhar e eu, perdida num qualquer sonho cinematográfico vi aquele momento em câmara lenta, senti-me mais tolerante que a minha mãe e disse para o deixar estar, só se é criança uma vez. Aquele tipo de frases que só se diz quando não se têm filhos ou quando eles já cresceram que chegue para nos esquecermos.

 

O sonho

Ele saltou. Riu. Encharcou-se. Divertiu-se. Rio perdido. Eu vi-o saltar e sorrir em câmara lenta. Gravei os momentos mágicos na minha mente. Senti que a alegria são aqueles segundos. Devemos poder ser crianças. Saltar nas poças.

Ia ficar tão feliz por saber que eu o deixo fazer coisas que a avó não deixaria que, quando lhe dissesse para ir embora nem faria birras.

 

A realidade

De tanto saltar nas poças ficou com os ténis encharcados e as meias também. Eu dei-lhe a abébia para saltar, molhando só os pés e em menos de nada já ele estava a espetar lá com o carrinho e eu a dizer "vou contar até 3, metes aí o carro outra vez vamos embora, toutávizar!".

Saiu dali para ir andar no "comboio" que fica numa caixa de areia. Ao fim de nada já tinha os pés que pareciam 2 croquetes. E eu pensei que se calhasse a andar a saltar nas poças a minha mãe me dava era uma lamparina, porque ficar com os sapatos de berloques cheios de areia era um delito muito grave, 15 pontos a menos da carta de criança. 

Dali foi para o escorrega, os sapatos faziam shuac-shuac a andar e o puto que vinha atrás começou a cuspir terra, porque este enquanto subia largava rastos de pó atrás de si.

Quando dissemos que vínhamos embora começou a mandar vir e, quando percebeu que não valia a pena a fita, resolver moer-me a cabeça até à exaustão.

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

 

E foi assim até eu ir comprar farinha e o pai seguir com ele para casa.

 

A realidade NUUUUNNNNCA é como nos filmes. NUUUUNNNNCA. Por isso é que se chamam filmes.

 

O gajo que inventou o conceito dos terrible 2 deve ter deixado a mulher e o filho nessa altura...para achar que os 2 é que são difíceis...arre, 2 voltem, estão perdoados!