Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blog Bestialmente Conhecido

Net Zero…ou perto disso….

Nunca fui uma internet junkie. Sempre vivi muito alheia ao mundo digital e ainda hoje sou uma verdadeira naba em tudo o que são tecnologias. Aliás, fui das últimas pessoas do meu grupo mais próximo a ceder às maravilhas de um smartphone. Ainda assim, quando o comprei, fi-lo de contra vontade, porque não havia muita oferta de telemóveis “normais” e porque assim sempre podia tirar umas fotos melhores.

Mesmo comprando um smartphone, na altura que o comprei e com as funcionalidades máximas que aceitei, já era o que se podia chamar um stupidphone. O básico do básico.

 

Sempre gostei da vida vivida e fazia-me confusão aquela coisa das pessoas andarem sempre com um telefone do tamanho de um tablet, sempre agarradas ao ecrã, mais parecia que tinham uma vida paralela lá dentro.

 

Gosto de vida de faz de conta, mas em filmes, em bons livros. O cheiro das páginas, o folhear do papel.

 

Abri conta no Facebook em 2014 depois de uma conversa com uns primos do Algarve, que era bom para seguir algumas lojas com coisas para crianças e saber sempre que novidades havia, que podíamos mandar umas fotos para eles e larailailai. Abri uma conta sem fotos e tudo aquilo me pareceu estranho. Fazia-me confusão – e para dizer a verdade ainda me faz alguma – aquela coisa de pôr fotografias minhas a fazer não sei quê, com não sei quem, a ir para não sei onde. Que raio é que isto há de interessar às pessoas e porque motivo hão de gostar de saber que eu acabei de comer uma posta de bacalhau à lagareiro, e que que só se resolveu o assunto com 2 pastilhas efervescentes de ENO no bucho? Parece-me tolo.

Ainda hoje, se de vez em quando o faço – o que não acontece vai para cima de uma porrada de tempo – sinto-me esquisita, para dizer a verdade, meio aparvalhada, porque raio estou eu a mostrar coisas sem importância às pessoas, que raio é que esta trivialidade lhes interessa. O que comi, eu a rir ao lado de uma pedra, eu num passeio em família. Já agora eu nas mercearias, eu a lavar o chão lá de casa, eu a cortar as unhas. Porque não? Porque é meio esquisito…ou pelo menos às vezes parece. Não sei, porventura coisas desta minha tola que pensa demasiado em tudo.

(não é uma critica, també o faço...só que, sinto-me meio totó 25 segundos depois de clicar e "publicar")

 

Depois de ter aberto conta no Facebook, mal liguei aquilo. É claro que achei graça ao facto de encontrar alguns amigos de escola, para logo a seguir me arrepender por lhes ter mandado um pedido de amizade. Porque raio me havia de interessar saber da vida de alguém que não fazia parte da minha há mais de 15 anos? É estranho. Se nos tivéssemos feito falta uns aos outros teríamos certamente encontrado forma de nos irmos vendo.

 

Até ao inicio de 2015 a minha ligação com a internet era escassa e revolvia entre 2 coisas: ler primeiras páginas de livros na Amazon (há coisas bem giras publicadas diretamente pelos autores; e escrever no blog que tinha criado quando fiquei de baixa em casa.

Até ao inicio de 2015 visitava a minha conta de Facebook uma vez por mês. Se tanto.

 

Depois o pequeno nasceu e, quando estava sozinha em casa só com ele, quando ele estava a mamar, era uma seca estar ali, a olhar para a parede. Sim, porque eu gostava de estar o tempo todo do lado mais solarengo da casa, onde eu não tenho TV e, ao fim das primeiras 50 mamadas uma mãe também já precisa de se distrair. Foi aí que, pela primeira vez, o smartphone teve utilidade. Conseguia estar na net, a ocupar a minha cabeça, enquanto o bebé mamava.

Foi nessa altura que me fui habituando a ir ao Facebook, via o mural e ria-me com algumas coisas que se publicavam, ainda era demasiado inocente e estava excessivamente desesperada por entreter a minha cabeça, para encontrar a parte mais chata que hoje vejo.

Aos poucos foi-se tornando num vício.

 

Em 2016 criei um novo blog e a esse associei uma conta de Facebook com o objetivo de divulgar os posts escritos, ainda no mesmo ano, apesar de nada perceber da poda, abri uma conta no Instagram.

 

O que a principio era apenas para o blog, transformou-se num espaço de entretém e de escape. O olhar para o telemóvel com frequência – sem ser doentio, felizmente não entrei nesse campo – para ver qualquer coisa de diferente e evadir-me dos problemas, miudezas, tarefas e afins do dia a dia.

 

Comecei a achar que me ocupa demasiado tempo. Que estou na net mais tempo do que aquilo que acho saudável. Que vou demasiadas vezes ao telemóvel. Que funciona quase como um tique, quando pego no telemóvel e é uma espécie de ops!, já que aqui estou dou uma espreitadela! É claro que há momentos em que dá jeito, como quando estou no elevador. Mas é uma coisa mais incisiva do que isso. É uma distração.

 

Pareceu-me que tenho de fazer com a net o que fiz com o tabaco. Quando decidi que ia deixar de fumar impus-me uma redução significativa de cigarros ao dia. Não quis deixar logo porque era uma coisa que me dava prazer, um cigarro depois de almoço, com um cafezinho, era um momento prazeroso para mim. Por isso mantive-o.

 

Hoje não fumo de todo.

 

Com a net não pretendo isso. Não me imagino a viver fora da rede. Mas quero que os momentos em que estou dentro da rede sejam cada vez mais escassos, quase agendados ao longo do dia, mais ou menos como se faz com as crianças, estipular um período para “brincar” e dedicar mais a mente ao mundo real, a fazer coisas, em vez de absorver.

 

Talvez tenha sido de forma muito radical, mas decidi começar por tirar as apps do telemóvel.

 

Facebook? Gone!

Instagram? Gone!

 

É a forma de acesso direto e rápido mais premente que tenho. Por isso tirei.

 

Estipulei horas para ir à net.

 

Na minha pausa para almoço. A meio da tarde quando faço uma pausa para lanchar.

 

Ao fim de semana pode ser de manhã, se acordar antes do pequeno. Se possível durante a sesta. E não mais.

 

Tenho um miúdo pequeno e não quero que me veja sempre agarrada ao telemóvel ou ao computador. Acredito na educação pelo exemplo. E não gosto que ele me veja sempre com o telemóvel a fazer scroll para cima e para baixo.

 

No fim disto tudo espero ganhar mais tempo para mim. Espero um maior aproveitamento do meu tempo. Espero que me seja possível ver com olhos de ver (como diria o meu rico paizinho, que tem as melhores frases de sempre) que o que se passa na minha vida – por mais pequeno que seja - é de longe mais interessante do que qualquer coisa que outra pessoa no outro lado do mundo acabou de publicar.

 

Para já este é o primeiro dia e, há momentos em que me sinto para cima de confiante e há outros que, tal como aconteceu com o tabaco, me apetece encher a cara de chocolates e gomas para suprimir o vício.

 

  • 2 comentários

    Comentar post