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Blog Bestialmente Conhecido

O humor está pela hora da morte

O entretido pede que o entretenham:

"Ocupa-me o tempo e faz-me rir, mas cuidado, não me ofendas, tem atenção aos meus princípios, aos meus gostos e desamores, às minhas crenças, à minha experiência de vida, aos meus limites, aos meus preconceitos, às minhas recentes mudanças de vida, ao meu aspeto físico e às maleitas da minha família. Não se faz pouco das caracteristicas de outras pessoas, ou, pelo menos não das que eu gosto, das outras podes, tem é de adivinhar quais são. Faz-me rir a bandeiras despregadas, é tua obrigação, ter graça. Mas lembra-te que há coisas com que não se brinca. Não se faz pouco de coisas sérias. "

Brincar com as coisas que já são de brincar é, como diria o RAP, chover no molhado.

Ser engraçado, fazer rir dando a cara é difícil, mas mais fácil de entender. Um gesto de corpo, uma careta, uma risada no fim de uma frase, a entoação; transmitem inequivocamente ao outro que o que está a ser dito é a brincar. Esclarece quem é o visado na piada.

Quando se escreve humor (na minha humilde opinião de quem consume o produto do humor escrito e admira o desafio), a piada, a critica humorística - se é que isso existe - depende de duas partes: em primeiro lugar do humorista, que tem de conseguir um texto bem construido e que faça acender as luzes da gargalhada no leitor; em segundo, mas com igual importância, quem lê; é fundamental que tenha a capacidade de interpretar o que está a ser transmitido, sem leituras literais. Compreender assim o sentido que lhe está a ser transmitido.

 

No tempo da outra senhora os humoristas eram os bobos da corte, com os seus fatos espampanantes e os seus gestos exagerados, destinguiam-se dos outros e todos sabiam pela sinalética vestuária que era sempre "tudo a brincar", ainda assim, as massas esperavam pela gargalhada do rei, o riso da rainha, esses sim ditavam se tinha ou não graça. O pescoço do bobo estava sempre a 10 centímetros da guilhotina.

Enfim, uma profissão de risco.

 

Infelizmente para mim que adoro rir, parece-me que caminhamos a passos largos para um tempo menos evoluído que a era da outra senhora. O que é preocupante. Uma vez que estamos mais próximos de 2100 do que de 1700.

O humor parece estar pela hora da morte.

 

Não tenho ações investidas no humor, mas para quem tem o meu conselho é vender na bolsa enquanto ainda valem alguma coisa.

Vender, vender, vender.

Depois é investir na censura, tem ganho valor de forma galopante e falta pouco para que arrecadem uma fortuna.

 

(Este texto não pretende comentar ou refletir nada da minha realidade presente, felizmente, é uma avaliação que faço do mundo quando vejo as noticias...por isso evito tanto)

 

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