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Blog Bestialmente Conhecido

O mistério da roupa por lavar

Tudo começa com um casaco que é preciso lavar.

Depois olho para dentro da cesta e não há roupa que chegue para fazer uma máquina.

Começa toda uma aventura para encontrar material têxtil que justifique pôr a máquina de roupa em funcionamento. Porque quando uma gaja quer lavar uma coisa é porque quer lavar uma coisa.

 

Pôr roupa a lavar é, sem dúvida, um fenómeno esotérico que ainda não consegui deslindar na integra. É também a única tarefa que não consegui dividir com meu esposo, não que ele se negue, é só porque me dá uma certa pena vê-lo a olhar para a máquina quase tão abismado como eu a olhar para os botões do cockpit de um avião. Fica sempre no ar a sensação de que a máquina vai acabar por levantar voo. Ele fica inseguro quanto aos detergentes e ao programa escolhido, e a máquina fica sempre a dar alerta vermelho porque ele nunca fechou a porta até dar click.

Para a organização da roupa, e porque temos um serviço que nos passa a roupa a ferro, gosto de saber o que tenho para lavar e quando. Ou pelo menos era assim até termos um terceiro elemento que suja mais roupa que uma primmadonna.

Tenho 1 cesto que se reparte em 2, uma parte para a roupa escura e outra para a roupa branca, e tenho um cesto à parte, na casa de banho pequena, destinado a roupas de desporto mal cheirosas.

(é preciso deixar de parte e bem longe para bem de toda a humanidade que habita cá em casa)

Sendo certo que estes já são cestos de roupa a mais, amiúde fico com a sensação de que precisava de mais dez. Um para a roupa branca, um para a roupa escura, um para a roupa frágil, um para a roupa de lã, um para roupa de andar por casa, um para roupa com nódoas e outro de roupa só levemente usada.

Mas, como não tenho uma área na casa que se destine ao tratar da roupa, como acontece naquelas casas grandes do Canadá que eu vejo nos Property Brothers, tenho de me desenrascar com o que há.

Estando fechada em casa há 3 dias, já a ficar meio tantã de ver estas quatro paredes, com o miúdo a ficar frustrado porque está farto deste marasmo e eu capaz de mandar a mãe do Ruca para a guilhotina, tantas são as vezes que vejo os episódios uns atrás dos outros; como estou "de castigo" vou tentando fazer as tarefas domésticas mínimas. Vai daí e decidi deixar os cestos de roupa vazios envidando esforços por fazer as máquinas de roupa necessárias para esse fim. 

Quis começar com máquina de roupa de cor, porque as roupas de andar por casa, os pijamas e robes - que estão, na minha mente, conspurcados por estes microivios - têm de ser desinfestados e nada melhor que uma lavagem para esse fim. Aproveitava e garantia que a roupa do miúdo ficava toda pronta para a semana. As roupas dele estão sempre na berlinda e, depois de vazar o cesto da roupa escura pareceu-me que não tinha peças suficientes para encher uma máquina, foi quando decidi escarafunchas nas assoalhadas para ver se havia roupas "pousadas" ou penduradas atrás das portas.

No fim o resultado foi empurrar a roupa com os dois pés para dentro da máquina, tudo acompanhado de um "entra, heeeeeeeeeiiiiiiiiiii, só mais um bocadinho, só mais um bocadinho, entra, vai, vai, está quase fechada, mais um esforço, click!", máquina fechada. Ufa! Três pingas de suar na fonte esquerda.

- Quem manda - snif - aqui - snif - ainda sou eu funcionária-máquina-de-lavar-roupa! snif.

Eu não sei como é possível, entro num quarto "olha mais isto", ponho em cima do braço, vejo atrás da porta "olha mais aquilo", ponho em cima do braço, vejo-me ainda de pijama "olha, se calhar vai para a maquina que assim afogo os microivios. E no final de 5 minutos já precisava de uma máquina industrial para lavar isto tudo.

Se eu tivesse 5 filhos não sei como seria, não!

 

Parece que o raio das roupas de escondem atrás das portas e em cima de sofás e cadeirões só para me dar cabo da vida doméstica. Malditas...

 

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