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Blog Bestialmente Conhecido

Petição pela normalização da indumentária polar

Não sou uma pessoa apaixonada pelas temperaturas nórdicas. Tenho muito pouco apreço pela chuva, por muita falta que ela faça, e detesto o frio.

Como costumo dizer: eu sou uma pessoa que sofre com o frio.

As mãos gelam de uma maneira que parece que transporto dois tarolos com dedos na extremidade sul (pressupondo que nenhum agente de autoridade me diga "alto!") dos meus braços.

Acordo de madrugada manhã, faço um scan à minha vida. Compreendo que afinal não estou nas Maldivas, com cenários de areia branquinha e águas de azul cristal. Estou envolta em materiais polares, comprimida contra a minha mesa de cabeceira. Passei a noite a ser pontapeada pelo ser que trouxe ao mundo em 2015 e pergunto-me pela enésima vez "porque raio gastaste tu dinheiro com uma cama para ele?".

Juro que tenho dias em que dou graças a Deus por não viver na mesma casa que os meus sogros e o meu pai. Tenho a certeza que havia de acordar com toda a gente enfiada na minha cama. Isto é gente que gosta de estar sempre pespegada uma a outra. Razparta!

Levanto-me e pondero sobre a minha vida. Penso sobre as coisas que realmente importam no universo e nas respostas que daria se fosse miss mundo.

Pondero nas calamidades que infestam o mundo e dou comigo a elencar os três maiores flagelos da minha vida.

Primeiro.

Trabalho.

Eu gostava de ser podre de rica. Não fazer nada de útil. Deitar-me quando entendesse e acordar quando a biologia do corpo achasse que já tinha uma cota de sono suficiente. Cirandar entre ginásio com PT, spa, tratamentos de estética, lojas de roupa. Futilidades, umas atrás das outras. Comprar coisas só porque sim, sem saber sequer o preço. Viajar sempre à procura do tempo quente.

Mas não se vê melhorias para isto.

Todos os dias dou com o lombeiro no caminho para a ponte. Eu e os outros 176246 infelizes como eu. Todos a caminho da terra (quase) garantida, a possível. No bolso o talão para ver se a sorte nos dá a taluda, o caminho para a terra prometida. A terra das despreocupações financeiras.

 

Segundo.

Ter de acordar quando estou cheia de sono.

Eu sou uma pessoa que sofre com a privação do sono. Sou também uma pessoa que sofre de olheiras que ficam piores com o sono. Sou uma pessoa que é mãe de uma criatura que: ou acorda a meio da noite múltiplas vezes, ou passa a noite na cama dos pais amarfanhando o espaço todo só para ele.

Mas como a primeira é a realidade, tenho de erguer a viga e ir para o pica o boi.

 

Terceiro.

Ter de despir o pijama.

Conforme supra referido sou uma pessoa que sofre com o frio. Tenho muito frio. Sempre. No inverno só consigo estar de forma diferente se estiver envolta em matérias polares ou dentro do ventilador.

Não tenho palavras para descrever a minha satisfação ao final do dia, quando visto o meu pijama polar, calço as minhas peúgas da raquete, enfio as calças do pijama dentro das peúgas. Depois, para completar o ramalhete visto um robe polar.

Ahhhh, a satisfação!

Quando chega a hora de deitar ponho o robe de lado e deito-me nos meus lençóis polares.

Uma delicia.

Mas quando o despertador toca, e ainda se ouve a chuva lá fora, eu tenho de pôr de parte as matérias que me geram conforto em detrimento dos tecidos menos simpáticos da-roupa-de-trabalho.

 

É este terceiro ponto que justifica o post de hoje.

Tenho um nível elevado de certeza de que já faz sentido criar uma petição pela normalização e integração da roupa polar. Impedir que a roupa polar seja roupa ostracizada, para usar em casa às escondidas, em formato de pijama. Para usar nas camisolas com fecho de uma loja conhecida de desenho azul. Úteis apenas ao fim de semana e vistas como razoáveis para compras de mercearia.

A matéria prima, aquele suave e quente toque do polar devia ser usado para tudo. Vestidos, casados, calças de pinças. Imagino um belo tailleur creme polar com um colar de pérolas.

Porque não.

Houve roupas mas estranhas nos Oscars lou Orcares (conforme ofenda menos o leitor) e ninguém se queixou.

Vamos pensar nisso, mandar uma missiva para a AR e ver no que dá o debate.

Assim como assim, circo é sempre circo...

 

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