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Blog Bestialmente Conhecido

Sensores de estacionamento para a língua

Sou uma pessoa que caminha para uma certa idade, as rugas de expressão já começam a despontar e o facto de eu não usar cremes de dia, cremes de noite, cremes de fim de semana, cremes de lusco-fusco e outros tantos de tais (ninguém entende qual a diferença entre um creme de noite e um de dia, já li vários rótulos e ambos são, em resumo, hidratantes…); e com a idade chegam também as dores avulsas. Assim uma coisa ao calhas, por gramagem diversa, com posologia de incomodo diferenciada de dia para dia, e um impacto adaptado ao humor no dia. Fazendo com que o mesmo seja normal, de cocó ou mesmo de m#rd@.

 

Dito isto, agora que pausei o laboro por 10 minutos para comer 2 quadradinhos mirrados de chocolate negro, afinfo – não sei bem como – com uma dentada na ponta da minha própria língua. Bem sei que pode ser estranho comparar uma mordidela com a própria língua com a eventual mordidela da língua de outra pessoa, mas, a verdade é que a primeira uma pessoa tem a obrigação de saber por onde anda, a de outra pessoa, podemos não saber bem onde me mete e PUMBA! Dentuça nela.

 

Vai disto e vislumbro algumas estrelas, sinto os cabelos dos antebraços não-depilados todos hirtos como barras de ferro e mando uma alhada para o ar, afinal de contas, não só me mordi a mim mesma infligindo dor e irritação, como tenho de saborear o meu pedacinho de chocolate acompanhado por um toquezinho de sabor a sangue. Assim uma espécie de trufa ralada mas em mau.

 

Não sei se sou só eu, nas no catálogo das dores, diria que morder a própria língua se assemelha muito à irritação de um par de unhas de gel a raspar por uma ardósia afora. Não tem sentido, ninguém sabe porque raio acontece e apoquenta a pessoa levantando todas as pilosidades de seu corpo (pelo menos as que estão na zona inferior ao pescoço…algumas…).

 

Em profundo estado de insatisfação, dou comigo a pensar porque raio é que a nossa língua - visto que é dada a meter-se onde não deve, nomeadamente em situações perigosas para a sua condição – não tem uma espécie de sensores de movimento. Assim uns botõezinhos toda-volta que, quando a bicha se aproxima de esmalte fazem com que se emita uma espécie de uma vibração que afasta a chicha da língua para outra bandas.

 

É proteção, é evolução, e melhoramento do ser humano. Uma espécie de ideia Kinder.

 

Quem é que pensa em coisas que valem a pena, quem é?