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Blog Bestialmente Conhecido

Será que os meus neurónios se estão a transformar em pequenos Hannibal lecters?

O meu filho nasceu no dia 10 de Fevereiro de 2015 e, desde dia 9 de Fevereiro de 2015 que eu não durmo uma noite seguida, tranquila e sem sobressaltos ou acordamentos com pedidos de coisas e patrulhas patas e penicos e brinquedos e idas a parques de diversões e toda uma outra panóplia de coisas que podem apetecer a uma criança a meio da noite.

 

No dia anterior ao nascimento dele não consegui dormir com a ansiedade de o conhecer, aquele era o ultimo momento com a minha barriga. A nossa barriga. Foi uma noite e tanto.

No dia seguinte, pela mesma hora eu só dizia “porque raio não aproveitei para dormir ontem?!”.

 

Durante o primeiro mês de vida de meu rico filho dormi uma média de 1 hora por dia (sim 1 hora, 1) e andava meio tantã da cabeça. Acho que já alucinava e tudo.

 

Depois, um dia, pousei-o “só um segundo, só um segundo mesmo” – disse para mim – em cima da cama, no meio de nós. Adormeci. Dormi 3 ou 4 horas e quando acordei fiquei em pânico porque o miúdo estava na nossa cama e não estava no berço que tinha de estar 10 centímetros elevado e eu podia ter caído para cima dele e um de nós podia ter-lhe dado uma patada. Ufa! Passei-me. E jurei que não voltava a acontecer.

Aconteceu no dia seguinte.

O miúdo descansava. Percebemos que, quando dormia no meio de nós dormia um sono tranquilo e nós conseguíamos descansar. Borrifámo-nos no que os livros diziam e, tal como no momento de escolhermos o nome dele dissemos o mesmo: olha, na pior das hipóteses cresce para ser um palerma!".

Há momentos na vida dos pais em que é preciso relativizar, relaxar e acreditar que, a seu tempo, com amor, carinho, atenção, tempo, limites e dedicação, tudo se acabará por resolver da melhor forma.

Temos de pensar assim porque ninguém controla o futuro.

 

A minha vida transformou-se num mar de rosas. Aos meus olhos era perfeita.

 

Estava em casa e geria as minhas horas. Tinha o meu filho comigo – e o miúdo até nem era de birras nem nada. Lia bastante. Dormia todas as horas que precisava. Escrevia todos os dias. Via os programas que me interessavam. Só não estava bom tempo para andarmos a bater perna.

 

Depois acabou a licença de parentalidade e eu regressei ao trabalho.

 

Poucas horas de sono. Todas partidas em nacos de 2 horas porque o puto mamava de 2 em duas horas. Levantar às 6 da manhã. Adormecer muitas vezes depois das 23. A cabeça começou a ficar feita em bosta.

 

Pensei que fossem mil coisas, mas hoje tenho a certeza que a privação de sono dá cabo de mim. E não são só as poucas horas, é o facto de não conseguir dormir sequer 6 horas seguidas.

 

Por isso decidi pesquisar no Dr. Google “Privação de Sono” e cheguei à conclusão de que, mesmo quando dormia muitas horas tinha privação de sono. Conclui também que era importante escrever este texto, para guardar registo e exigir a Sôtor meu rico filho, que arranje uma profissão que pague bem e que compense sua mãe por todas estas calamidades vividas por conta das parcas horas de sono.

 

Ora diz a wikipédia que a privação de sono pode causar:

 

Confusão mental – confirma-se mas já é anterior à gravidez. Acho que sempre fui um tudo nada confusa.

Raciocínio lentificado – se for para equações e física quântica nem é lento, é parado.

Coordenação motora lentificada – sempre tive. Pareço uma tartaruga. Por exemplo quando vou dar uma corrida com o senhor meu marido…é uma vergonha.

Problemas de memória – por favor, vamos mesmo falar disto?

Irritabilidade – não é a falta de sono que me irrita. São as pessoas que eu encontro depois de dormir mal.

Hipoglicémia – às vezes penso que sim, mas parece-me que é mesmo só gula.

Aumento ou diminuição da pressão arterial – confirma-se. TA de periquito.

Prejuízo na capacidade de julgamento – pode ocorrer. Não estou certa. Tenho alguma dificuldade em julgar isto.

Desmaio – Nada. Felizmente.

Delírio e alucinação – há coisas que se me acontecem no dia a dia em que eu fico na dúvida se não estou a delirar, tipo quando me pedem 4 euros por um sumo de laranja natural.

Queda da imunidade – já esteve pior. Confirma-se.

Acidentes (especialmente automobilísticos) – até há data sinistralidade zero, mas lá está, ando quase sempre à pendura…não sei se conta.

 

Atão e comé que a Wikipédia sugere que se previna isto:

 

Refeições leves à noite – já faço e, em resultado do que corro atrás do meu filho, estou capaz de jantar outra vez quando me vou deitar.

Dormir e acordar sempre na mesma hora, mesmo aos fins de semana – acontece mais ou menos, o mal é que acordo sempre à mesma hora às 3, às 5 e por aí em diante. Quanto ao fim de semana: deixem o meu tempo de descanso em paz.

Fazer exercício físico apenas no período diurno – ora vamos lá a ver, na wikipedia as pessoas trabalham? Ah? É que dá a ideia que não. Ora se uma ‘ssoa sai de casa ainda de noite e volta depois de o sol de pôr como é que orienta o exercício com o sol?

Manter o quarto bem arejado e com temperatura agradável – estas pessoas haviam de ir passar 15 dias ao microclima onde eu habito que era para verem o que é bom pa tosse.

Evitar cafeína, nicotina e álcool nas ultimas horas do dia – café, enjoei. Nicotina, enjoei. Álcool, bebo tão pouco que um terço de um copo me deixa com uma cadela que nem vejo o caminho pro quarto direito.

Fazer exercícios de relaxamento ou tomar banho quente antes de deitar – Relaxamento não preciso porque já tenho o corpo suficientemente amassado ao final do dia, mas banho tomo, porque de manhã não há tempo.

Evitar dormir mais de uma hora por dia depois das três da tarde – Estão a brincar certo?

Se estiver deitado por mais de trinta minutos sem conseguir pegar no sono, saia da cama e vá ler um livro sob a luz de um abajur – portanto deixem-me tomar nota, tem mesmo de ser sob a luz de um abajur, não pode ser um candeeiro do IKEA ou uma lanterna? OK, então deve ser isso. Ficar 30 minutos sem conseguir dormir?! Vou mandar-me para o chão a rir pá!

 

E acaba aqui. Atão mas ninguém fala das pessoas que não conseguem dormir porque há “agentes” terceiros que os acordam? Pois, porque para esses não há soluções de caracaca, não é verdade bebés?!

 

Vai disto e dou com esta peça da Visão: “Privação de sono leva o cérebro a comer-se a si próprio” e imagino os meus neurónios todos com a cara do Anthony Hopkins, sentados à mesa, de guardanapo à volta do pescoço, talheres erguidos e à espera de limpar o cebo a outros para os malhar ao jantar.

Ou seja, tenho metade dos meus neurónios a ocupar o seu tempo a tentar descobrir como é que comem outros neurónios, e a outra metade cagada de medo de ser comido.

 

Como é que eu depois hei-de ter cabeça pro resto. Não dá!

 

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