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Blog Bestialmente Conhecido

Só pode ter genes marroquinos

Nunca fui a Marrocos. Gostava de ir, um dia, mas ainda não chegou o momento.

Dos amigos que já lá foram todos contam histórias iguais de regateio de valores.

"Aquela malta gosta de negociar. Regateiam tudo. E até ficam ofendidos quando aceitamos a primeira oferta."

A criança que tenho em casa parece estar sempre em cenário de negócio. Regateia tudo. Nada fica como proposto à primeira.

O tempo que fica no jardim, o número de mergulhos que ainda vai dar na piscina, os brinquedos que leva para a casa dos avós, as gomas que ganha depois do jantar e - note-se bem - até os brinquedos que lhe confisco quando se porta mal.

 

Entrou numa idade em que já sabe o que é bom e doce. Até fazer um ano não comeu 1 grama de açúcar. Depois disso não lhe podia continuar a esconder o mundo de sabores dos doces.

Ainda assim temos sorte.

Não é guloso.

(ou não muito vá!)

Dispensa praticamente todos os doces e bolos.

Mas quando falamos de gomas...

 

Ao jantar tenta que seja só o que quer. Procura abreviar os pratos, suprimir conteúdos e ver se chega à reta final o mais depressa possível.

Não há cedências, come o prato, come a sopa e no fim, se tudo correr bem, como desejado, ganha 2 gomas.

Tenho em casa vários tipos de gomas para esse efeito.

Marshmellos.

Gomas ditas "tradicionais" (mas sem açúcar por fora).

Gomas "saudáveis", daquelas feitas com sumo de frutas e sem adição de açúcar.

Tento variar.

Ele gosta de todas e eu descobri há algum tempo uma marca de gomas "saudáveis" que ele adora, até as prefere às outras. Acaba o jantar e diz-me:

- Agoa 2 gomas.

- Achas que jantaste bem?

- Comi a sopa toda.

- Tá bem, vou trazer.

- Queo 2 pontes e 1 amoa.

- Isso são 3 gomas...

- Queo 3.

- Mas eram 2...

- Comi a sopa toda...

- Tá bem....dessas podem ser 3.

 

Ele dá nomes específicos às gomas para as destingir. As pontes e as amoras são as gomas saudáveis. A essas eu cedo.

Quando são das outras ele já sabe que é diferente.

 

Com 3 anos começaram as primeiras patifarias à séria. Sobe para cima da cama calçado, quer andar aos saltos. Tenta fazer o mesmo no sofá. Anda atrás do cão. Quer que os cães queiram estar sempre com ele e os coitados já estão velhos demais para isto. Querem é sopas e descanso.

Desarruma tudo, não quer voltar a pôr no lugar.

Anda a correr pela casa e nós sempre de sobreaviso para não haver manobras perigosas e haver um "desastre".

Ralho. Não funciona grande coisa. Ou pelo menos não por muito tempo.

É demasiado parecido comigo.

Não gosto de palmadas e afins. Não acredito que seja com uma lamparina que aprendem melhor.

Um dia destes, já no limite da minha condição nervosa, com um olho a piscar sozinho, descompassado e sem a minha autorização; decidi confiscar brinquedos.

Funciona.

Não se quer ver privado das suas coisas e aligeira a tonteira.

Agora sempre que lhe digo que vou começar a confiscar brinquedos liga o botão do negociador:

- Vais confiscar cales binquedos?

- Não sei, logo vejo.

- Podes confiscar este e este.

(aponta para aqueles que menos lhe interessam)

- Eu é que sei quais confisco, se eu achar melhor podem sempre ser todos!

- Todos!?!?!?!? Todos nã pode ser!

- Se a mãe quiser, se tu continuares a ter maus comportamentos, pode sim!

(pensa nisso e já está a resultar, mas nunca sem uma tentativa de moldar a situação para o melhor cenário possível para si).

 

Em resumo, o miúdo só pode ter genes marroquinos. Algures uma tetra avó minha deve ter-se apaixonado por um jovem em Marrocos e o gene ganhou vida com este artista que tenho em casa.

Só pode!

Só tenho pena que com este não tenha ficado também com o gene do cabelo negro, longo, farto e super liso.

 

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