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Blog Bestialmente Conhecido

Tou tão focada c'até me custa a piscar os olhos

Trabalho numa equipa pequena, somos, ao todo, 6 pessoas. Estamos num espaço relativamente aconchegado e dependendo do nível de dificuldade auditiva de cada um, até conseguimos dar pela musica que passa no MP3 do lado.

Um decide ir buscar pães com chouriço. A esta hora saem quentes na Padaria Portuguesa.

Quatro destas almas decidem pedir pães. Está um cheiro a pão com chouriço quente qu'eu quase sinto tonturas.

Todos á minha volta a malhar o pãozinho e eu, eu focada. Saco do poster da Ritinha e penso: este verão vão-a-ver vamos ficar tão parecidas qu'eu ainda cresço 10 centímetros. Dizem que a moça é estrabica, a moça explica que tem os olhos juntos, eu não lhe olho para os olhos porque estou preocupada em ter uma barriga igual à da magana.

Vai daí e vamos-a-ver, fico magra, fico sarada, fico morena, e se olharem bem até vai um olho para as bolas de Berlim e outro a dar conta de onde anda o miúdo.

Agora vou ali buscar a minha fatia de pão com centeio que até se me está a crescer água na boca a pensar na bendita!

 

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Reeducação alimentar – o primeiro choque frontal com a balança

As expectativas estavam altas. Uma semana a pão de centeio, queijo com baixos níveis de gordura, sopa sem batata, zero açúcares e uma peça de fruta ao dia indiciariam que a pessoa alvo de tamanha tortura gastronómica teria perdido, um mínimo de, vá, 2 quilitos. Para quem nada se importa com o que come, uma semana de comida parecida poderia não ter qualquer impacto; mas para mim, que gosto de uma chichinha com molho, de umas batatinhas fritas, de um polvinho à lagareiro assim bem regadinho de azeite e alho, de um arrozinho de pato (tudo assim em inho para parecer mais fofinho e menos calórico), é um desafio.

Não posso dizer que tenha passado fome, porque não passei. A nutricionista garantiu que eu comesse vezes que cheguem ao longo do dia para me sentir saciada e sem quebras de açúcar. Mas iogurtes naturais sem adicionar uma única colherzita de mel, uma geleia de frutos vermelhos…..aiiiiiii….

Valeram-me os iogurtes de soja naturais da Alpro, que são menos azedos e que se mantém numa taxa de açúcares inferior a 5 gramas por cada 100 gramas.

 

Assim na sexta-feira estava esperançosa. Sem sentir grande coisa de diferença, aliás até me sentia mais inchada do que o habitual, mas estava esperançosa (porque a esperança é a última a morrer, afinal de contas!). Há que ter em conta que até tenho andado a beber água que chegue para as minhas células se terem precavido com coletes salva vidas, não vá haver alguma espécie de enchente. Devem estar a pensar que estou a encher as barragens do lombo. Só pode. Passar de 0,1 litros/dia para 1,25 litros/dia, é coisa para deixar uma célula confusa.

 

A consulta de acompanhamento estava marcada para o final do dia. Chego e sou logo atendida. No gabinete, tanto a Sr. Graça do secretariado, como a Dra. Margarida são uns amores. Uns amores em forma e ali bem esguias numas calças que presumo ser um 34, mas um doce, qualquer uma delas.

 

Entro e dedicamos tempo às questões, queixumes e dúvidas.

 

A minha primeira questão era essencial: durante quanto tempo teria de viver em provação? Quando é que iria ver fundo ao tacho dos legumes e dos bifes grelhados?

Uma pessoa sabe que é para mudar a sua alimentação, que é suporto ser uma coisa que não é temporária, é para a vida, como o matrimónio. Mas, tal como o matrimónio, aparentemente, também a reeducação alimentar é uma coisa que se tem de contrair, o que, pela palavra “contrair” não indicia que seja uma coisa saborosa. Ou seja, à semelhança do que acontece com o casamento, também aqui há a sua dose de peúgas pretas na cesta de roupa branca, mas em formato de pão escuro e iogurtes adoçados com o apoio do imaginário de cada um.

 

Como é óbvio foi-me esclarecido que o objetivo era encontrar uma alimentação equilibrada para mim, que eu pudesse manter para a vida, conhecendo melhor o meu corpo, o que me faz bem, o que não me faz tanto bem, e que tipo de “crimes” gastronómicos é que posso cometer para não andar em yo-yo, mantendo um peso estável e sentindo-e saudável.

Ou seja, a nutricionista teve de ter para comigo a mesma abordagem que tenho com o meu filho de 3 anos quando ele quer comer o pacote inteiro das gomas e só podem ser duas. Eu explico de forma racional, e no fim, ele diz "mas eu queo!".

 

Com as palavras da nutricionista quase ganhei um novo alento e me imaginei, nos meus cinquentas, seca e gostosa, já podre de rica nessa altura, a passear-me nas praias do Havai envergando um biquíni com pouco de tecido e de uma marca astronomicamente cara que ainda não inventaram (afinal de contas ainda me faltam uns 15 anos para os 50….  pensando bem, já só me faltam 15 anos para os 50…..  (gritos no meu cérebro, confusão e recusa a aceitar a verdade….no fim acalmia)).

 

Tiradas mais algumas dúvidas quanto ao plano alimentar, chegou a hora de subir para a balança. Confesso que quando a nutricionista me deu uma espécie de volante para eu segurar e e pediu para subir para a maldita, enquanto os números se acertavam, pude jurar que ouvia a música de suspense do Biggest Loser, e depois, ao contrário do que acontece na primeira semana de acampamento dos gordos, que largam ali 5 e 10 quilos de cada vez, eu perdi a estonteante quantia de 300 gramas. Isso mesmo, nem um cabrão de um quilo.

 

Primeiro a negação.

A merda da balança tem de estar errada. Aquilo deve ter falta de pilhas. Só pode. Ou deve estar a fazer mal a contagem.

 

Depois a procura de motivos.

É do casaco, de certeza que este casaco pesa muito. Não, não é do casado, é das cuecas, bem me pareceu quando peguei na embalagem que este algodão era mais pesado. Se calhar devia ter ido à casa de banho antes de me pesar. Por acaso estava aflita para fazer xixi, é esta água toda que me esta a lixar. Vou pedir para ir vazar a bexiga e já volto.

 

O aceitar da realidade.

Não perdi peso. Não é do casaco. Não é do mijo. Não é das calças, mas é do cu equ ainda está grande. Há qualquer coisa que não está a funcionar, eu anotei tudo o que comi e há alguma coisa que não está a dar certo.

 

A revolta.

Que se foda isto! Se é para estar gorda que seja a comer o que me apetece. Gorda a comer bolos e gorda a comer queijo fresco e iogurtes sem açúcar, voto na gorda lambuzada de croissant. Vou cagar para isto. Vou comer o que me apetece.

 

Ouvir quem sabe.

Ao que parece todos os corpos reagem de forma diferente, e, aparentemente, o meu não reage como o da Gisele Bunchen, pelo que tenho de dar tempo ao tempo. Pelas medidas, pela resposta da máquina e pelas contas da nutricionista, o meu corpo – que tem a mania que é esperto e está, evidentemente, em negação face a tudo isto – decidiu começar por perder líquidos, ou seja, reduzir a retenção de líquidos que tinha. Por outras palavras, abriu a escotilha da barragem e agarrou-se à chicha. Eu, olhei profundamente para o meu interior e pensei: mas eu quero é perder sólidos, suas células ignóbeis!

A nutricionista explicou-me que às vezes pode demorar 2 e até mesmo 3 semanas para o corpo se acomodar às alterações e começar a perder o peso. Que até lá devia ajustar as quantidades de fibra porque, como eu já havia indicado, quando as como em excesso o meu organismo não funciona bem e incha.

Porque o organismo desta menina acha que não é plebe, que deve ser alguma espécie de chiqueza, porque a maioria das pessoas tem de comer fibra para que tudo seja regular. Aqui a menina tem de comer fibra de forma comedida para não inchar como um balão de feira. Uma espécie de porquinha presa por um cordel.

 

Saí de lá com cara de quem era capaz de arrear umas porradas em qualquer coisa. Fiquei de neura até à manhã do dia seguinte, mas suportei a minha neura acompanhada por uma saladinha pouco temperada e um bifinho de peru grelhado.

 

No sábado – o dia que guardei para a minha cheat meal – fui buscar um valente de um jesuíta que papei saboreando cada dentada, com vista para o Tejo, no jardim ao lado da Fundação Champalimaud (e consegui escrever este nome sem erros e sem ajudas, estou orgulhosa de mim!)

O puto – que às vezes me dá a ideia que parece que é filho da Isabel Silva com o Salgueiro – fez-me andar a correr atrás dele e a subir e descer escadas como uma alucinada, pelo que, me pareceu que merecia mais 2 miniaturas de pastel de feijão. Deglutido o último, despedi-me da caixa de prazer com um “até para a semana” e agora vamos ver como corre.

É segunda, ontem já não houve refeição livre e estou nesta de me comportar como uma menina crescida até sexta para ver como corre.

 

Caro Universo (ou entidade delegada para o tratamento da vida quotidiana dos pobres terrestes)

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Venho por este meio tirar algumas satisfações gastronómicas com vossemecê. O planeta terra, e muito em especifico o piqueno retângulo à beira mar plantado aqui na Europa, tem um vasto leque de matérias degustáveis que eu e a maioria dos meus conterrâneos terrestres apreciamos, falo de um bom cozido à Portuguesa, de Cachupa (que não é de origem mas agente tamém gosta), de Leitão da Bairrada (com molho é claro!), de batatinhas fritas com molho do Bife da Portugália; falo de chanfana, de um bitoque, de uma francesinha (não a gaja, mas o amontoado de carnes, pão e molhanga que se come no Porto); falo de bifinhos com cogumelos, de frango assado no churrasco, o qual sem ser acompanhado de batatinha estaladiça não sabe ao mesmo; falo de um belo hambúrguer em bolo do caco barrado com manteiga de alho,; falo de pizza extra queijo. Hummm, tás a ver do que falo. Se fores mais para o guloso, meu caro Universo (ai como te compreendo!), falo de uma boa mousse de chocolate, de um palmier duplo com creme de manteiga, de palmier coberto, de palmier simples (pronto!), de um belo de um pastel de Belém, de um croissant do careca; falo de um travesseiro de noiva, de uns ovos moles, de umas natas do céu; atrevo-me a lançar um bolo de bolacha, um croissant de chocolate e até, em determinados momentos da vida, bolo de aniversário desde que coberto de massa de açúcar.

Estamos alinhados sobre o tema para falar? Hummm. Estamos?

Ainda bem.

Ambos concordamos que estas delicias devem ser degustadas, certo? Exato.

 

Mas se assim é, porque carga de água é que todas elas fazem mal? Porque raio de cosmos é que têm tanta caloria? Aliás, porque raio é que a caloria engorda? Podia dar-se o caso de terem imeeeeeensas calorias, mas depois a caloria ser uma coisa que não acresce à nádega de uma pessoa, que não causa entrave ao nível da cintura, dando aquele volume indesejado e que obriga à aquisição de fatos de banho slim. Que é o mesmo que dizer “fatos de banho que empurram as tripas para dentro a ver se a cintura, não podendo parecer de vespa, também não se compara à de uma hipopotama”.

 

Porque raio de ideia é que se cria todo um mundo pornográfico de prazer culinário e depois a pessoa tem de escolher entre as calças da Zara e o bola de Berlim? É que uma pessoa está espojada na areia, malha forte a Bola de Berlin e depois, culpada, sente-se tentada a ir nadar 10 km bruços mesmo com a bandeira vermelha, sujeita a ficar-se ali perto das rochas. Ao menos boia melhor, com o pneu em torno da cintura.

 

Universo, a cintura de uma pessoa está dependente de talos de aipo, rodelas de cenoura, sopa sem batata, carnes grelhadas e peixe no forno com menos de colher e meia de azeite. As nádegas têm de se tornar submissas a uma ditadura de courgette e beringela salteadas. Quem sabe, na loucura, uns rebentos de soja. Resignadas à contagem de peças de fruta para que não excedam a unidade.

 

Porque raio não se troca esta tendência? Que sejam as courgettes do mal. Que se condenem as cenouras e as alfaces. Que se excomunguem as beringelas.

 

Universo, vamos dizer sim ao pastel de nata e não aos frutos secos.

 

Pensa nisso Universo, o mundo seria mais perfeito. Estou certa disso.

 

Assinado:

Pessoa desesperadamente necessitada de um croissant de chocolate, daqueles que depois de darmos uma dentada escorre chocolate derretido por todo o lado. Tudo cagado. Quase pornográfico. Não fosse a realidade revestir-se de talos de aipo.

 

 

Às 16 horas e 39 minutos desta quinta feira…

…decidi o que quero para a minha vida.

 

Quero ter o corpo e a saúde de um atleta, com pernas rijas, lives de celulite e com abdominais definidos e pele sedosa…

 

…levando uma vida de obeso, comendo tudo o que me apetece e podendo estar espraiada como um choco sedentário sem fazer nada todódia.

 

Se alguém encontrar solução para que eu possa atingir os meus objetivos envie e-mail para o endereço que está no prefil.

 

Obrigada

A diferença entre dieta e reeducação alimentar

Está no nome que damos à mesma coisa.

 

Porque é uma e a mesma coisa. A sério que é.

 

Senão vejamos.

 

Lembro-me de ver a minha mãe a fazer dieta. Nesses dias comia peixe cozido com poucas ou nenhumas batatas, alguns verdes e nenhum tempero. O lanche eram umas peças de fruta, água com limão, chá e outras mezinhas. Os bifinhos podia come-los grelhados e acompanhados de salada.

Podia comer muita sopinha e verduras.

Estavam proibidos os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos e os fritos.

 

Havia muita fominha envolvida e uma privação do catano.

 

Hoje os tempos mudaram. As pessoas não fazem dieta. Quem quer perder peso como deve de ser segue a corrente da reeducação alimentar, que, como o próprio nome indica, é uma espécie de revolução da papinha para uma pessoa saber mandar para o bucho material em condições.

Muitas verduras. Muitos grelhados, cozidos e estufados. Muito legume salteado. Muita sopa. Algum (pouco) pãozinho de centeio. Iogurtes com os índices de açúcar reduzidos. Cereais de caixa onde indica sem açúcar. Muita água. Chá sem açúcar. Galão sem açúcar. Café sem açúcar. Enfim é agarrar no açúcar e leva-lo ao topo de um monte para o abater com uma caçadeira.

Estão proibidos os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos, os fritos e os refrigerantes.

 

Ou seja, o mundo deu voltas e voltas, a dieta passou a chamar-se pomposamente de “reeducação alimentar” porque desta forma, a modos que, o cérebro é iludido a acreditar que não está em dor e privação e uma pessoa tenta acostuinar-se ao facto de que pode passar por uma pastelaria sem querer malhar o primeiro palmier-recheado-com-creme-de-manteiga-e-polvilhado-com-açúcar-de-pasteleiro que aparece.

 

A pessoa tem um dia para fazer uma “refeição livre” que é uma coisa que sabe um pouco a penitenciária, na realidade da pessoa que teve a semana toda na solitária e à sexta pode ir dar um passeio ao pátio, sabendo que, vai voltar para o lado escuro da vida, onde os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos e os fritos estão longe de ser uma presença bem vinda.

 

Assim, neste processo iniciado no sábado, concluo que estou em dieta, mas com a possibilidade de comer mais palitos de cenoura que no tempo da minha mãe. Estou livre de comer sopa as vezes que quiser desde que a maldita não tenha batata. Posso beber o que quiser, desde que seja chá, e que o mesmo não seja adoçado.

 

Estou no céu e agora vou ali comer o meu iogurte de coco (que me custou os olhos da cara), com as não mais e não menos que duas colheres de cereais, sem açúcar. Vou fazer-me acreditar que é tudo delicioso e que as calças, daqui a umas semanas, vão cair depois de abotoadas.

 

(isso e procurar uma influenciadora boa como o milho que me faça acreditar que legumes salteados, se insistirmos em come-los tempo suficiente, até sabem melhor que batatas fritas)

 

#tenhobuéexcuses #nãosirvioparamotivarninguém #querocomerqualquermerdaesermagranamesma

 

Um punhado de genes, uma nutricionista e um jesuíta

O meu pai é uma pessoa peculiar, como aliás também eu sou. Fuma, gosta do seu whiskey e da sua jola fresca. Aprecia um bom cozido à Portuguesa e tem preferência por uns bolinhos com manteiga ao pequeno almoço.

O meu pai, homem sempre atento ao que lhe convém – condição de reformado que lhe permite fazer o que lhe dá na real gana – sempre que tem consulta marcada envereda numa empreitada de “alimentação equilibrada” 2 dias antes de se apresentar perante o médico. Sempre que me diz que jantou um peixinho grelhado com uma salada, eu ouço “dia 23 vou ao médico”. Já sei que, daí a dois dias lá vai ele mostrar exames, fazer análise, o que for. Objetivo: mostrar ao médico que cumpre com o que ele manda fazer, mas que mesmo assim a vida teima em lixa-lo mantendo as análises com resultados menos do que desejáveis. E sim, poderia mentir, podia inventar, mas, como não sabe pregar petas convenientemente e, porque também ele precisa de acreditar que as coisas não estão melhores porque todo o Universo conspira contra si (não é nada que ele faça mal, shhshshshshshssh), transforma-se num homem saudável. Até vai ao pão a pé. Nos outros dias vai de carro porque está cansado. E atenção! O homem faz muita piscina, não necessariamente piscinas molhadas de óculos abelha e em posição bruços, mas piscinas quarto-sala, com agachamento no senta sofá, levanta sofá.

 

Vai disto e eu, que para além de hipocondríaca – que quer dizer que tenho muitas doenças imaginárias e quase já morri 3452452425 vezes, só no último ano – sou pessoa que, de facto, tem maleitas ao nível físico, especificamente associadas ao trato gastrointestinal, decidi, tarararararara! ir à nutricionista. Objetivo primordial: melhorar os meus hábitos de alarve, saber o que comer e ver se descubro que raio de alimentos é que me dão cabo da tripa (porque já percebi que os há e pelo-me de medo de pensar que me vão arremessar com um “o glúten está a fuck o seu stomach”, e lá se me vão os bolos do caco com manteiga ao pequeno-almoço. Um breve momento para eu chorar por favor e fazer birra…pronto, já está!). O outro objetivo, não menos importante, é libertar-me deste peso a mais que, apesar de não se fazer sentir no dia-a-dia, faz-se notar sempre que vou comprar umas calças de ganga, um vestido mais justo ou o horror de um biquíni (este ano Cátia Filipa, ainda vais de burca pá praia filha, que a nutricionista pode ser boa, mas não é Deus, nem o ex-marido da Elsa Raposo para te sugar as banhas purum-tubo – pequeno momento de conversação comigo mesma, às vezes é preciso).

Assim, na loucura da tarde, ontem, fui ao site, registei os meus dados e cliquei em submeter.

Ao fim da tarde a nutricionista ligou e marcámos, o nosso encontro é amanhã. Ao fim da tarde.

Medo. Horror. E tragédia. No âmbito da supressão de hidratos e açucares simples.

 

Então, eu que tenho uma genética muito parecida com a de meu pai, mas ao contrário para determinadas cenas, decidi que, a melhor coisa a fazer - já que vou entrar numa espiral de cenouras e talos de aipo - é enfardar um valente croissant de chocolate. Despedir-me convenientemente dos hidratos, antes de eles me serem literalmente saqueados do prato.

Fomos à “nossa” pastelaria. Comprei um jesuíta (já não havia croissants de chocolate) gigante, cheio de cobertura de açúcar por cima. Disse adeus à massa folhada, bye-bye ao doce de ovo, aufiderzin à cobertura fina de açúcar.

Penso-me pronta para enveredar por uma vida mais equilibrada e feliz, ao lado das cenouras, dos talos de aipo, dos bifes grelhados sem molho, das batatas-doces no forno, do açúcar de coco, das farinhas alternativas, da chia e da maca. Sim, quero acreditar que vejo a luz, uma luz sem açúcar que brilha lá ao fundo.

 

(qualquer coisa compro o livro do Gustavo santos e passo a amar-me como nunca antes, amo-me ao nível 1 e depois amo-me ao nível 2. Tanto que me canso e tenho uma conversa comigo mesma e digo: “não és tu, sou eu, mas já não dá….”)

 

Nota: ainda não parei com o açúcar e já estou a alucinar, ou isso ou são os neurónios que andam a boiar de colete salva vidas com tanta água que bebi ontem.

 

A mulher do garrafão

Sofro com dores de estômago. Em 2010 foi-me diagnosticada uma bactéria, ou como diria um colega de trabalho "uma bicha", que me causava dores horríveis. A par com a dita bicha - e porque um mal nunca vem só - tinha também uma ulcera de sua condição nervosa ou-lá-o-que-é que se me estava a escavar um buraco no bandulho.

Tudo bonito.

Comprimidos para forrar o estômago (Omeprazol, o meu melhor amigo) e medicação para linchar a bicha.

Bicha morta e ulcera acalmada pude parar com medicações e comprimidos de revestimento.

Mas...

Há sempre um mas...

O meu estômago nunca mais ficou igual. Passou a ser um mariquinhas pé-de-salsa (como diz a criançada) e, a qualquer agressão pedido para digerir qualquer coisa mais carregada difícil decide moer-me o juízo.

E eu contorço-me com dores, e ando com azia e queixo-me quando como certas coisas. Nem vamos falar no stress.

Uma chatice.

 

Uma reportagem sobre a alimentação alcalina mudou o rumo das coisas (pelo menos até ver), falavam de como os médicos a recomendam porque as células cancerígenas ficam às mil maravilhas em ambientes ácidos, mas estão fora da sua praia em ambientes alcalinos, onde proliferam as células boas. Um dos elementos visados era a água, falavam das várias águas que existem no mercado e de como muitas delas têm um ph muito ácido e nem todas as pessoas se davam bem com essas águas.

Para meu espanto - sinto-me tremendamente mal informada nestes momentos - a água mais alcalina do mercado é portuguesa, produzida na Serra de Monchique, no Algarve, com um ph de 9 e qualquer coisa. Decidi experimentar.

E o resultado foi espetacular. Não sei o que é que as minhas células têm achado - não tive oportunidade de as entrevistar - mas o meu estômago está maravilhado. Um litro desta águinha por dia e o estômago até bate palminhas.

A acidez produzida pelo bandulho é acalmada pelo teor alcalino da água.

Perfeito.

Assim, e como tenho um hipermercado no piso 0 do emprego lá vou eu, à segunda feira, com o garrafão às costas. Um garrafão por semana. Se não o bebo todo - sou muito preguiçosa a beber água, shame on me - trago o resto comigo.

Eu e o meu garrafão, o meu garrafão e eu.

O Nuno goza, mas eu não consigo deixar ao abandono, nem que seja 500 ml, deste néctar dos estômagos. Não consigo.

Agora falta-me ir passar umas feriazitas às termas da Serra de Monchique, mas já vi que não está fácil...ocupação total até ao final do verão (sacanas dos camones, primeiro ficam-me com a Baixa, agora afinfam-se à Serra...)