Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blog Bestialmente Conhecido

Os animais, os estabelecimentos comerciais, as pessoas e a sua persistente incapacidade de viver e deixar viver

Tinha decidido que não ia falar sobre este tema.

É polémico. Chato. E não devia - na minha opinião - ser sequer assunto para tanto paleio.

Falo da lei que permite aos proprietários de estabelecimentos comerciais decidir se querem permitir a entrada de animais de companhia nos seus espaços.

Esclareço desde já que não conheço a lei, não sou jurista e não podia estar mais alheia a quaisquer decretos lei que estão por base a esta alteração.

 

Importa também referir desde já que sou uma pessoa que, tendencialmente, gosta mais de animais irracionais do que de animais racionais (doravante designados por "pessoas", apesar de nem sempre merecerem que lhes seja empregue a palavra).

E porquê? Muito simples. Com os animais irracionais uma pessoa já sabe com o que é que conta: o cão morde, o gato arranha, o leão é bicho para nos papar. Mas com os racionais (as tais pessoas) nunca se sabe bem o que calha na rifa. Porque é suporto que estejamos perante um animal dotado de inteligência, sensibilidade, raciocínio, civismo e bom sendo. Mas o que acontece muitas vezes é que nos deparamos com bestas que, em contexto de manada (palavra usada para descrever um conjunto de vacas) não se conseguem destingir das leiteiras.

Posto isto e endereçando-me ao tema em questão, parece-me fulcral elencar algumas coisas - que já foram ditas e escritas mas que persistem em não ser entendidas - sobre estas medidas:

1. Com esta nova lei os estabelecimentos comerciais terão a possibilidade de decidir se querem permitir a entrada de animais de companhia nos seus botecos. Ou seja, vão haver espaços onde não é permitido e vão haver espaços onde é permitido entrar com o nosso mais que tudo peludo (a menos que tenhamos um sphynx).

2. As pessoas que querem levar o seu animal de companhia para ir às compras ou para ir jantar ou o que lhes apetecer já o podem fazer desde que escolham um espaço onde a sua entrada é permitida.

3. As pessoas a quem faz confusão o convívio com animais não racionais em estabelecimentos criados para o prazer humano podem escolher ir a espaços que proíbam a entrada de animais irracionais.

4. As pessoas que se estão a cagar para o facto de haver ou não um cão ao lado na loja das malas ou na casa dos bitoques (o meu caso) vão a qualquer lado.

5. Os animais não racionais sempre entraram em estabelecimentos comerciais. O que muda é o estado em que são aceites. Sempre foi condição o estado falecido: em formato chanfana, cozido, patanisca, bulhão pato, de entre outros. Em formato de mala para que senhoras finas possam guardar seus pertences. Agora vão haver sítios onde podem estar alguns em estado vivo enquanto outros só entram em estado falecido.

 

Dito isto, levanta-se o maior flagelo deste planeta: a falta de bom senso e a incapacidade de viver e deixar viver. 

Aqui não falo de quem se bate por esta medida como está. Mas dos extremos que me irritam comá merda.

Gera-se a loucura porque não há um bom tema sem extremos e os que são a favor desta medida estão descontentes porque não chega. para alguns Os estabelecimentos deviam ser destituídos da sua capacidade de decisão e os animais tinham de ser aceites em todo o lado.

"Atão agora estou habituado a ir ao xiribi e não posso porque lá não me aceitam a Clotilde."

Podes, tu podes, a Clotilde é que fica em casa.

Dizem que preferem os animais irracionais às pessoas e que há anos são habituados a ter de comer de contra-vontade nos mesmos sítios que estes.

"Prefiro os pelos dos cães ao Jaquim que passa a hora de almoço a puxar a escarreta."

E nesse ponto eu sou capaz de entender.

 

Do outro lado da barricada temos os contra que, usando um argumento similar só lhe mudam o sentido. Ou seja, estavam habituados a ir ao rebeubeubeu e agora se lá querem comer têm de levar com o cão do vizinho. O vizinho - apesar de chato - ainda vá que não vá - agora o cão cheio da pelos ali debaixo da mesa...isso não cuarailho.

 

Ou seja, falta pouco para as pessoas entrarem no TakiTaki - estabelecimento ficcional que apenas serve sushi - e exigirem ao senhor Tsunami que lhes faça um cozido para o almoço. "Afinal estamos em Tugal e não é razoável haver um estabelecimento sem este prato".

 

Nisto faz-se um debate na RTP. Três a favor e quatro contra (porque dos 5 minutos que vi pareceu-me que a mediadora também não quer jantar com o boby do vizinho).

Vai daí e na bancada dos a favor há - pelo menos - duas pessoas que têm uma coisa fundamental: bom senso. Esclarecem que têm cães mas que não os levam a estabelecimentos comerciais porque não estão ensinados ou não têm o comportamento adequado e por isso ficam em casa.

A mediadora espanta-se, ri e diz qualquer coisa como: "então se calhar nem deviam estar desse lado". 

A mesma que mais tarde pergunta a uma jurista do "a favor" se acha que as pessoas todas têm o bom senso necessário.

Calho a estar lá dizia-lhe que era notório que não. Porque se assim fosse a Fatinha não tinha feito a observação anterior.

Como em tudo na sociedade é preciso contar com o bom senso das pessoas. O que significa - muitas vezes - colocar as expetativas demasiado altas em relação ao ser humano.

Exemplo: nas auto estradas o limite máximo é de 120 km/h, mas não é sempre isso que se vê. Por isso se passam multas e se inibem pessoas de conduzir. Boa?!

Aparece depois um pentiadinho que se manifestava revoltado (ou insatisfeito, a dada altura já não sei bem) porque se gasta muito tempo e despesas a legislar coisas para animais irracionais quando há em falta coisas para tratar/legislar para os humanos.

Este senhor nunca ouviu a frase de Ghandi que diz que o nível de evolução de uma sociedade e visível pela forma como trata os seus animais.

(E desde quando é que uma coisa deve inviabilizar a outra?!)

Isso e um cabeleireiro em condições.

Estivesse eu a legislar e havia logo uma medida à kin jong pum. Meia dúzia de penteados e o do senhor pentiadinho ia logo com o galheiro.

Depois há sempre aquela coisa que faz uma pessoa pensar - para quem se dá ao trabalho de fazer isso - que é: "atão o senhor penteado acha que se gasta muito tempo com temas de animais e depois vem p'áqui palrar sobre isto?" Não se entende!!!

 

Quanto a mim arrebato o tema da seguinte forma: doravante quero ir a estabelecimentos comerciais onde possam estar um máximo de 5 pessoas vivas.

Num restaurante, por exemplo, podem estar: a minha pessoa, o meu marido, o meu filho, o empregado de mesa e a cozinheira. Os outros animais só em formato falecido e cozinhado. Calha a entrar uma mosca e eu chamo o funcionário:

- Olhe desculpe, agora somos 6, alguém tem de quinar.

(Para plantas não se estabelece limite de elementos)

 

(e sim, só 5 porque eu já janto com os meus cães todos os outros dias da semana, em minha casa, eu à mesa e eles na malga deles. acresce que eles são animais descompensados e eu sou uma pessoa dotada de bom sendo, pelo que não me apeteceria estar às voltas com o entrecosto enquanto me preocupo com as desgraças que eles estariam a levar a cabo.)

 

Nota: Para as pessoas que se perguntem: "mas afinal qual é a opinião desta gaja em relação ao tema?" Eu sou a favor desta medida, acho que os proprietários devem ter o direito de escolher se querem receber animais de companhia nos seus estabelecimentos. Acho que as pessoas que tenham animais de companhia devem ter a possibilidade de escolher sítios que possam frequentar com os seus animais (que são seus amigos e elementos da familia). Acho também que a liberdade acarreta mais responsabilidade e a responsabilidade exige bom sendo. Pelo que quem tem um gato assanhado se calhar deve deixa-lo no seu habitat (em casa); quem tenha um cão sem os parafusos todos (como eu) deve evitar levar o bicharoso consigo - porque será uma experiência provavelmente negativa e desgastante para toda a gente; quem tem uma iguana, uma ratazana ou qualquer outro animal similar, porventura talvez seja melhor deixar o bicharoco em casa e evitar fazer-se acompanhar do bicho e do seu snack (tipo baratas tropicais e petiscos de tais).

 

(Este maravilhoso espaço de entretenimento tem conta no facebook e também arreia texto e imagem no Instagram. Ainda não segues?  Shame on you...)