Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blog Bestialmente Conhecido

Estou num estado que não sei

Não sei de dispa o casaco se o mantenha vestido. Não sei se coma uma se coma duas. Olha, malhei quatro. Não sei se desça já as escadas, se espere mais um bocado. Se faça a salada ou lave a loiça de pequeno almoço. Se me sente, se ande um um lado para outro. 

Estou tão cansada que o cérebro já me parece dormente, como quando nos sentamos muito tempo em cima de uma perna e a circulação desiste de lá chegar. Não está a latejar, é uma espécie de turbulência lenta, acompanhada de uma compreensão vagarosa, com gestos pausados e lógica atrasada.

Não sei se me deite se me sente e aponte. Não se se jante se tome já banho. Não se se pare à janela a ver o pequeno a chegar se me sente a olhar para a televisão minuto e meio.

Não sei. Estou tão cansada que já não sei.

 

Apontamentos da vida sobre coisas que pouco importam aos outros

O meu pai é um tipo caricato. Faz lá os seus raciocínios sobre a vida. Bebe os seus 7 golos de água quando se levanta, apenas acende o cigarro depois do primeiro café com um biscoito de manteiga, despede-se sempre com a mesma frase, uma espécie de superstição que lhe diz que se ontem correu bem assim, não mexas.

O meu pai não passa à porta de estabelecimentos que lhe causaram algum desprazimento, opta por passar para o outro passeio, dessa forma escusa-se ao bom dia hipócrita e ao contacto com quem não lhe agrada.

Cada vez mais me pareço com o meu pai, atravesso para o outro lado, ponho-me na parte mais afastada do passeio, evito a rua dos estabelecimentos que causam sofreguidão e disforia. O mesmo vai para as pessoas.

Estou assim, cada vez mais parecida com o meu pai. Ou então é o caminhar para os 40, que me deixa instável e com parca paciência para as politiquices do dia-a-dia.