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Blog Bestialmente Conhecido

Momentos nossos, sítios Felizes e apontamentos avulsos (2)

Dia dos namorados passado a três, apesar da insistência do sogro em que: fossemos jantar fora, fossemos ao cinema, fossemos ao teatro, fossemos arrumar a casa, fossemos passear, fossemos - basicamente - fazer alguma coisa para que o neto lhe ficasse a fazer companhia.

Vai daí que decidimos arrancar em direção a Sintra, já não lá íamos há uns 5 anos - sim eu sei, quase parece pecado - e foi giro revisitar sítios a 3, comer queijadas, tirar fotos, tentar ensinar sítios. Essas coisas.

Ficam as notas e as imagens.

 

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Não há nada como começar com a foto azeiteira da loja de lembranças acompanhada do "olha tem tantas coisas típicas!".

 

 

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Era um calduço por cada pintadela parva, uma trincha e um balde de tinta. A ver se não ficava recuperado a custo zero. Gente parva pá!

 

 

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Lá vão eles. O sensato e o apressado. Raio do miúdo que até nas subidas quer fazer corridas. Qualquer dia mando-o para a Jamaica a ver se faz estágio com o Bolt.

 

 

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Ó pra isto! É pitoresco, tem história e tem encanto. O meu Tugal é liiiindo!

 

 

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"Pelos caminhos de Portugal, eu vi tanta coisa linda vi um mundo sem igual..."

 

 

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"Eu vi Estoril, Eu vi Sintra, eu vi Cascais..."

 

 

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A apreciar a fonte da vida. A perceber porque raio a parede jorra água sem torneira e a esclarecer que alguém fez uma grande porcaria porque havia água espalhada por toda a parte.

 

 

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Os picuinhas vão ver umas unhas de calceteiro. O resto vai ver uma mão pequena que se segura ao conforto de quem lhe dá segurança, quando é apresentado a um mundo com imagens diferentes do seu.

 

 

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O sinal que me deixou doida. Quero um destes em cada semáforo da margem sul. Conta os segundos em que o sinal vai estar vermelho e quantos dura em verde. Para uma 'ssoa impaciente e ansiosa como esta que vos escreve, é fundamental.

 

 

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Sou tão profissional que aponto a máquina para o teto da carrinha e, mesmo sem olhar, saí isto. Pro-fi-ssi-o-nal! Pumbas!

 

 

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Ôtra! Vai buscari!

 

 

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Vai desta e, numa de sujeitar medos, fanicos, pânicos e sulipampas a terapia de choque, abro o tejadilho da carrinha, espeto comigo do lado de fora e, em pleno andamento, vai de disparar em todas as direções para tirar fotos.

Tava doida. Só podia. Ou então estava em negação, porque estávamos perdidos na serra se Sintra e não sabíamos bem onde raio íamos parar.

 

 

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Pau! Mais uma.

 

 

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E só mais esta.

 

 

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O puto adormeceu. Estávamos com tempo. Tínhamos conseguido sair da Serra de Sintra ainda de dia e então "ah e tal a não-sei-quantas-mora-com-vista-para-a-praia-das-maçãs", e depois "nunca lá fomos, bora?", "simbora, manel!".

Diz que o mar estava simpático e convidava ao mergulho fresquinho.

 

 

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No areal havia malta corajosa, a quem o frio não assiste.

 

 

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Odespois ainda fomos deitar a vista à Praia Grande! E o puto? Dormia.

 

 

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Next stop: Cabo da Roca.

Preocupou-me que esta pessoa se baldasse lá p'a baixo.

 

 

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O pai a explicar ao filho que não era possível ir dar um mergulho. E que o resto não era família e amigos, era tudo camones, avecs e xing lings que vêm a Tugal gastar o guito e isso é bom para o PIB e cenas.

 

 

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Mais uma tentativa de apanhar naturezas mortas, calhaus e ervas, mas os turistas insistiam em pôr-se à frente.

 

 

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A mãe reforça a explicação do pai e explica ainda que não podemos fugir desviando um dos autocarros que trouxeram os 55 asiáticos que se nos meteram à frente.

 

 

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"Olha mãe gochas!", e sim são rochas filho. Rochas giras, mas rochas. "o que elas tão a fajé?", aquilo que a mãe gostava de fazer no sofá às vezes...nada...

 

Depois ainda passámos por Cascais, fizemos caminho pela Marginal, o miúdo insistiu que queria andar de barco à vela e nós imaginámos como seria se arrendássemos uma casa daquelas com vista para o Guincho, coisa para custar quaisquer 550 €/mês com despesas de água, luz e gás incluídas.

Enfim, conversas de pobres.

 

 

 

There's nothing like a good wholesome portuguese family

Quando nos sentamos para almoçar não havia praticamente clientes. Ficamos sempre no mesmo canto, é o mais cómodo para colocar a cadeira de sôtor e almoçar sem o buliço do restaurante.

A sopa chega à mesa e não quer comer. Diz que tem sede.

Pedimos mais uma garrafa de água.

Bebe água.

Recusa a sopa.

Percorremos todos os nossos trunfos para convencimento, negciação, obrigação, you name it, com vista a que o tipo deglutice o bendito caldo e se comportasse como a criança-que-recebe-educação-em-casa que é.

Estamos a meio deste processo chega outro casal: pai, mãe, filho com (avaliaria eu) 10 anos e filha com (avaliaria eu) 2 anos.

Tudo a correr de forma serena.

Sôtor verbaliza de forma mais assertiva e igualmente alta um "vamos pa casa 'mediatamente". A mãe da mesa ao lado olha-nos de forma vagarosa.

Na minha mente a pessoa a cabeça da pessoa processou um "olha p'a isto, vieram p'aqui com o selvagenzinho e agora não o controlam". 

Findos 2 minutos pai e mãe da mesa ao lado prendem-se numa altercação de ideias por contas do aquecimento da casa.

E eu a pensar: that's more like it.

O puto mais velho decide espraiar-se em cima da mesa, a mãe ralha.

Eu a ficar mais descansada.

Ao que percebi a pequena vai de começar a mangar com o almoço.

E eu percebi que talvez a pessoa não tenha olhado para a nossa mesa com desdém, estava apenas a ver o futuro, a vislumbrar o que estava para rebentar na sua própria mesa de almoço.

Fiquei mais descansada e mais descontraída.

Assim tá melhor.

There's nothing like a good wholesome portuguese family.

 

 

Uma tarde em casa, um dia muito frio e um bolo de laranja

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De manhã fomos à piscina. Já tinha saudades e nadou até cair para o lado. Saltou das pranchas inventadas com tapetes de borracha, bateu as pernas agarrado à prancha, boiou com a ajuda da batata frita e deu mergulhos para apanhar arcos. Estava nas sete quintas. Ele e eu, que adoro a água e me sinto tão em casa como um peixe. Ficam a faltar as guelras.

Chegados a casa quis dormir, o dia tinha começado cedo, o desgaste era muito e o Domingo frio em casa sabe a cafune, mantas enroladas no sofá, desenhos animados na televisão e ao colo da mãe e do pai, que à vez, o abraçam horas a fio e ouvem atentos a sua descrição das peripécias daqueles bonecos que tanto admira.

O miúdo que tem cães que falam, os cães que salvam pessoas e animais, o avião conduzido por um robot e o autocarro que até tem home cinema.

A loucura para qualquer adulto, quanto mais uma criança.

 

Acordou da sesta com um sorriso, acordou com a calma que gosta, sem avisos para se despachar, espreguiçou-se quanto lhe apeteceu. Ele e eu, espraiada no meu sofá.

Perguntei-lhe:

- Queres ir ao jardim?

- Não…

- Ou ao shopping?

- Não, queo ficar em casa a bincar.

 

E dicámos.

Às vezes insisto, não quero que esteja sempre fechado em casa, ou que pense que os dias com os pais são de tarefas e de clausura. Por isso é para mim importante os momentos de passeio em família. Que tenhamos coisas que fazemos juntos. E ficar uma tarde em casa, a não fazer nada também é fazermos coisas juntos.

Ver o tempo passar sabe tão bem e é tão raro.

 

Lembrei-me de fazer um bolo. Há algum tempo que me apetecia uma tarde em que fazia um bolo para o lanche. Nada daqueles muffins que faço quase todas as semanas, receitas adaptadas das adaptações, com 10 ingredientes em vez de 5, metade deles para substituir as matérias que hoje têm aquilo que se abomina. O glúten, os lacticínios, o açúcar, o diabo a quatro. Habituei-me a estas modificações e são essas que faço por regra.

Mas desta vez apetecia-me um bolo com cheiro a bolo. Um bolo com farinha (mesmo farinha, daquela que a minha mãe usava quando a única coisa que fazia mal era a fome), manteiga, ovos, açúcar para alegrar a alma. Apetecia-me um bolo fofinho para partir e o cheiro adocicado que emana do forno quando há bolinho para sair. Toda a casa fica com aroma.

Meti-me na cozinha, peguei na primeira receita que encontrei. Só queria uma que tivesse poucos ingredientes e fosse rápida de fazer. Encontrei esta.

O bolo não ficou nenhuma figura, mas soube-me pela vida.

 

Tirei do forno e tirei-lhe uma foto. É o passo que se acrescenta à era da minha mãe. “Que tolice”, diria, tirar fotografias a bolos, “onde é que já se viu?!”. Depois todos o admirámos. O pai e o filho perguntava “quando é que se pode comer?” e eu perdi a conta às vezes que respondi “quando arrefecer, quente dá dores de barriga!”

 

Lanchámos os 3 à mesa, na televisão os desenhos animados, o bolinho uma delicia, e nós satisfeitos connosco mesmo. Até acho que o maridão se esqueceu das dores nas costas por 5 minutos.

 

Acho que era isso que me apetecia, um bolo que fosse mesmo um bolo e não uma adaptação-de-um-bolo. Uma tarde calma com todos e casa sem muita coisa para fazer. Um lanche caseiro com uma caneca de chá.

Soube-me pela vida.

 

(pena foram as tarefas que deixei para o final do dia….mas isso são outros quinhentos)