Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blog Bestialmente Conhecido

O meu superpoder

É feriado e estou a pé desde as 5:45.

Sôtor espirrou um numero considerável de vezes ontem à noite, digamos que as suficientes para hoje de madrugada não estranharmos que estivesse lamurioso.

Levantou-se com o nariz entupido era 5:45, queria colo, queria ir para a sala, queria ver a Patrulha Pata.

Fomos.

Ambos meio dormentes, ele tremendamente cansado, a testa um bocadinho quente e o nariz a pingar. Conseguimos convence-lo a comer alguma coisa e a tomar o anti-histamínico.

Eram 6:30 (mais coisa menos coisa, adormeceu ao colo do pai). Olhámos um para o outro e soubemos que não era hora de voltar para a cama, ainda acabávamos os dois com uma neura.

Sôtor dormiu ao meu colo - para ter a cabeça bastante levantada - enquanto, às 6 e tal da manhã, víamos um episódio do This is Us.

Pensei muito, rendi-me outra vez, e acabei - como sempre - com lágrimas na cara. 

Sôtor foi para cama. Eram 7 e qualquer coisa e nós começámos a ver um filme. Às 10, quando o conseguimos acordar já tínhamos no bucho 1 filme inteiro e 1 episódio do This is Us.

Nunca antes na minha vida....

O anti-histamínico e o descanso fizeram milagres, os mimos deram o aconchego final. Há 1 hora que me anda a perguntar onde é que vamos à tarde e que planos temos para o dia.

A mim só me ocorre que eu vou dormir, não sei como é com ele.

 

Enquanto escrevo está a fazer corridas e delegou no pai a incumbência de fazer bolas de sabão para ele rebentar.

 

Antes de me sentar para escrever disse-me:

- Mãe, anda fazer bolas de sabão pa mim.

Eu levantei-me e pus o braço direito no ar, disse-lhe:

- Sou uma super heroína.

Responde-me:

- Não, não és! És só a mamã.

Eu...

 

A importância da saude dentária

No domingo à tarde fomos passear ao Parque da Paz, andava desde o inicio da semana passada a pedir para ir ao jardim dos patos, para lhes irmos dar pão.

Lá fomos.

Chegámos ao fim da tarde e a bicharada já estava de bandulho cheio, resguardada no meio das ervas altas a preparar-se para o final de dia.

- Mãe, os patos não têm mais fome?

- Parece que não filho, estão a preparar-se para ir dormir?

- Não se podem esquecer de lavar os dentes!

- Pois não, é muito importante ter uns dentes saudáveis...especialmente para os patos!

 

(tem uma preocupação muito grande com a saúde dentária este meu filho)

 

Sôtor, o osteopata?

Domingo é dia de natação. Vai a família toda: pai, mãe e filho. Com os filhos podem entrar na piscina o pai ou a mãe – excluindo épocas festivas em que a “prendinha” são 45 minutos de brincadeira para todos. Nós escolhemos ir à vez, uma semana vou eu com ele, outra vai o pai. Assim ambos gozamos a experiência e ele aprende a estar na água e a fazer os exercícios com os dois.

 

Como vamos pai e mãe, como ele é uma criança muito ativa e para fazer aquilo a que se chama “dividir o mal pelas aldeias” sempre optámos por repartir tarefas: aquele que vai com ele para a piscina veste-se enquanto o outro trata de vestir sôtor (uma tarefa de significativa envergadura, é preciso dizer). Acabada a aula, um vai tomar banho, o que ficou de assistente trata de secar sôtor e voltar a vestir.

Tudo organizado e bem oleado desde os 6 meses de idade.

 

Mas…

 

Há duas semanas o Nuno fui fazer a meia maratona, eu fiquei com sôtor em casa e combinei comigo mesma que, se estivesse bom tempo íamos à piscina os dois, caso contrário ficávamos em casa (caso não se lembrem foi o fim de semana da tempestade Gisela e caiu água a dar com um pau).

Ficámos em casa.

Sozinha com os meus pensamentos – porque o pequeno estava mergulhado nos seus episódios da Patrulha Pata – dei comigo a matutar que era importante começarmos a fazer o circuito todo de piscina sozinhos com ele. Podia voltar a ser preciso por alguma razão e não estávamos de todo preparados para uma tarefa de tamanha esquizofrenia.

Combinámos então que no fim de semana seguinte íamos começar a fazer isso: quem ia com ele vestia-o, vestia-se, ia à piscina, dava banho, vestia-o e vestia-se. Só de pensar já uma pessoa fica cansada.

Calhou ao Nuno.

Mas, nesse fim de semana houve um contratempo e ficou adiado para domingo passado.

Calhou-me a mim.

 

Tomei um valente pequeno almoço, sabia que não ia à guerra mas acabaria essa manhã mais apta para qualquer cenário de calamidade. Se o meu sistema nervoso resistisse, resistiria a qualquer coisa.

 

Entrámos. Optei por vestir o meu fato de banho primeiro. Assim ficava eu ao frio e não ele.

- Mãe vamos, vamos, vamos, vamos, vamos…

E arrancou em direção à piscina vestido, colete de penas e gorro na cabeça, eu com meio fato de banho vestido, a tapar-me com uma mãe, descoberta com a outra, um chinelo no pé ou outro ao pé do banco. Apanhei-o a tempo.

- Mamã, apanhaste-me.

- Pois apanhei.

- Mamã, vens comigo à piscina?

- Sim.

- O que é isto?

(começou a vasculhar a mala: era o champô)

- É o champô, deixa estar na mala.

- Para que serve?

- Para lavar o cabelo.

- Posso abir?

- Não!!!!!

Já estava a desenroscar a tampa e pronto para espalhar champô por todo o lado. Tirei-lho. Eu ainda não estava vestida, faltava uma alça. Já arfava.

Correu para a porta. Fugiu com o champô. Voltou a tentar “desviar” um frasco da mala.

- Olha, vai-te esconder nos cacifos, não queres?

Todos os miúdos gostam de brincar a esconder-se nos cacifos. E as mães normalmente não se importam….é evidente o porquê, enquanto lá estão não estão a correr em direção à piscina com tudo vestido.

 

Chegou a vez dele.

Mil perguntas depois, lá estava vestido e a caminho da piscina.

 

PISCIIIIIIIIIIIIIIIINAAAAAAAAAAA!

 

(sim ele adora a água)

 

Quando chegámos a turma já estava a preparar-se para ouvir as instruções do professor. Consegui ouvir uma parte, a outra foi abafada por: vamos dar saltos mãe, boraaaaaaa, vamos saltar, vamos saltar, merguuuuuuuuuulhos!

E eu: sheeeeeee, vamos ouvir o Paulo; temos de ouvir; não estás a prestar atenção; presta atenção; a mãe tem de ouvir…

Fiquei com mais ou menos uma noção do que era para fazer, é o que normalmente acontece, vou vendo o que os outros apanharam e vou atrás...que remédio (todos temos de fazer isso porque os miúdos estão em completo êxtase). 

 

A aula correu com a satisfação habitual com os exercício feitos e os momentos de gozo profundo em que ele decide fazer pouco de mim, como quando lhe peço que suba as escadas com cuidado, sem saltos nem correrias – com vista a evitar o esbardalhamento – e o tipo se põe de gatas e diz: de-va-ga-ri-nho!

 

Quando a aula acabou não estava pronto para sair, queria fazer parte da aula seguinte e eu tive de o arrancar da piscina.

Tinha chegado a hora de ambos irmos tomar banho.

 

Na minha mente tocou o “Eye of the Tiger” e eu estava decidida a levar a minha avante. Sôtor pela mão, fomos buscar as toalhas e o champô. Chegámos aos chuveiros e ele decide que a água que havia no chão era uma excelente fonte de brincadeira, queria deitar-se no chão, chapinhar. Por pouco não ficou encharcado em água, ele e o robe turco.

Eu ali, a segura-lo com uma mão, a segurar as toalhas debaixo do braço e com o outro a tentar pendurar as ditas no cabide de entrada para o chuveiro. É nessa altura que ele dá um salto e, usado todo o peso do corpo, se lança para o chão, eu fiz tanta força para o segurar que senti os músculos do lado direito do peito ganir. Foi um esticão e peras. Juro que vi estrelas, luas, planetas e inclusivamente duas galáxias próximas.

 

Ultrapassei a dor, dei-lhe banho e passei-me por água. Se fosse pôr champô na minha cabeça havia a forte probabilidade de, quando eu olhasse para onde ele estava, apenas constar um espaço vazio porque ele tinha: ou fugido de volta para a piscina, ou ido ter com o pai todo nu e molhado.

Fui vesti-lo.

Mil perguntas, uma bolacha Maria e chegou a vez de eu me vestir enquanto ele cirandava por ali.

(nestes momentos não é de estranhar se alguém vir uma mãe a vestir as calças na cabeça e a camisola nas pernas, a pessoa não consegue estar descansada a fazer o que tem de fazer com o mínimo de atenção...é frenético)

Não me apercebi a principio, mas um dos bancos estava com um parafuso em falta, então a ripa que segurava estava solta. Ele, em pandilha com outra miúda, decidiram andar a alçar aquilo. Objetivo: que ela – que estava na extremidade oposta – se desequilibrasse e malhasse no chão. Ou isso ou algo mais simples – dificultar a vida da mãe dela. Sou capaz de jurar que todos nascem com esta em mente: ver até onde a gaja vai! E para isso vou carregar nos botões todos...hehehehehe...

Sotôr acabou com o superwing confiscado.

 

Ambos vestidos, cabelos secos e mala arranjada, saímos cá para fora.

Eu tinha os olhos vidrados, como quem acaba de sair de uma situação traumática. Ele estava na boa e o Nuno estava com tanta pena de mim que era palpável.

 

Parte boa disto tudo, o esticão que ele me deu fez com que a dor que ando a sentir há mais de um ano desaparecesse. Foi como se eu tivesse um nervo com um nó e aquele esticão o tivesse desfeito. O miúdo para além de médico, piloto e humorista ainda vai ser osteopata, tá visto!

 

Dia da mãe é quando os filhos querem

O dia da mãe não é quando o homem quer, nem mesmo quando a mulher quer. O dia da mãe é quando o filho quer.

Quando o filho, porque ama a mãe que lhe calhou, acha que ela merece um dia especial.

 

Esta semana começou com o dia do pai; um desenho na biblioteca, uma surpresa, uma espécie de presente. Um dia especial para dizer ao pai o quanto ele vale. Muito.

Ontem, ao final do dia, sentou-se na cadeira da cozinha. Apanhou gosto por me ajudar a fazer tarefas de cozinha, acho que o tempo que tenho é tão pouco que ele começou a aprender a olhar para as tarefas domésticas, aquelas que um dia, adulto, irá detestar, rogar pragas; passou a considera-las brincadeiras de que faz parte.

Ajuda-me com o jantar, tarefas simples, sentado na cadeira da cozinha, afastado do lume e do forno, ajuda a pesar as farinhas, a pôr o queijo nos folhados, a perguntar qual o ingrediente seguinte.

Assim a mãe não se esquece de nada da receita.

Tínhamos acabado de preparar os folhados para o jantar, ele brincava com os carrinhos novos que deslizavam em cima da mesa, nas suas pistas imaginárias, competiam uns com os outros; eu acabava de lavar a loiça velha da manhã. Ele estacou a olhar para mim e disse:

- Sabes de uma coisa mãe? Hoje é dia da mãe.

- Aí sim filho?!

- Sim, e vais ganhar uma shupeja.

Pedi-lhe um beijo. Ele não sabe mas eu já tinha ganho a minha surpresa.

Esta semana foi dia do pai, e na sua pequena cabecinha fez todo o sentido que também haja o dia da mãe. Afinal de contas ama os dois e ninguém fica de fora.

 

mommy.gif

 

 

Como ultrapassar uma pergunta embaraçosa de um filho em contexto de supermercado

"Mãe o que é isto?"

 

Qualquer mãe que tenha um filho entre os 2 e os 3 anos compreenderá este post de uma forma muito pessoal e única.

Quando nos falam de maternidade preparam-nos para muitas coisas, mas ninguém nos consegue dar noções claras a respeito das respostas adequadas para as perguntas que se fazem num contexto de supermercado.

Ao principio tudo parece simples:

Para que serve o arroz?

Para que serve o atum?

Para que servem os cotonetes?

Para que servem os courgettes?

Para que serve o detergente para a roupa?

Até aqui nada a objetar nem circunstâncias a temer, estamos, como se costuma dizer “em casa”.

 

Mas há um dia em que o supermercado põe os preservativos de determinada marca em promoção, e por isso eles estão em escaparate espalhados por toda a superfície comercial.

Chega a primeira pergunta:

Filho: O que é isto mãe?

Mãe: São coisas para crescidos.

 

Dependendo da idade da criança e do seu nível de curiosidade bastará esta resposta, mas se a criança quiser saber mais sobre o mundo vai passar à pergunta seguinte:

Filho: Como se chama isto?

Mãe: Preservativos.

 

Se forem mães honestas vão dizer o nome verdadeiro, se forem mães esquivas vão dizer a marca, se não estiverem para se chatear e com medo da pergunta que já sabem que se segue, fingem não ouvir.

Para as que avançam para o nível seguinte. Para as que não têm fuga possível, chega a terceira pergunta?

Filho: Para que servem mãe?

 

A pessoa fica uns segundos sem saber como abordar o tema. Olha para a criança, olha para a caixa dos ditos. Olha para a criança, olha para a caixa dos ditos. Numa espécie de gaguez mental.

 

Eu, após vivência de momento difícil, descobri a resposta ideal. Para quem quiser usar, aqui vai:

Mãe: Servem para evitar a sobre população mundial e minimizar as ausências laborais que resultam de licenças de maternidade prolongadas, permitindo, ainda assim, algum divertimento à pessoa que é adulta.

 

No fim, a criança vai parar por 2 segundos, pensar e dizer:

Filho: Posso comprar gomas?

 

E a mãe: Podes filho, claro que sim.

 

mom.gif

  

Seguimos caminho vitoriosas, cabeça erguida pelos corredores do supermercado.

 

Não têm nada que agradecer, estou cá é para ajudar.

 

Atão diz que foi dia do pai – parte II (o sucedido)

Não tenho jeito para comemorações, datas especiais, surpresas e coisas de tais. Não me organizo para festas de aniversários, dia de natal ou dia de coisas várias (pai, mãe, avós, árvore, robalo, o que for). Gosto de saber que há datas comemorativas, mas depois faço pouco uso delas.

Isto acontece maioritariamente porque sou uma pessoa com pouco tempo no geral, e falta de horas no dia em particular.

 

Trabalho ao lado de um dos maiores centros comerciais do país, passei à porta das lojas com as bugigangas do dia do pai todos os dias, pensei que tinha de ir comprar alguma coisa de todas as vezes e ontem, Dia do Pai, percebi que ainda não tinha comprado nada.

A vantagem de trabalhar no mesmo edifício que o maridão é que não nos podemos queixar de que não temos tempo para nós, para conversarmos. Almoçamos juntos quase todos os dias, vamos para o trabalho juntos e voltamos para casa da mesma forma. A desvantagem é que para fazer uma surpresa é do caraças.

 

Ontem disse-lhe: calhas a ir almoçar mazé c’os amigos e eu tinha feito uma coisa diferente.

 

Há que imputar alguma desta culpa no outro, como é bom de ver.

 

Adiante com a coisa, disse-lhe palavras bonitas, de como é bom pai, de como o miúdo só o manda ir aspirar porque sabe que ele para além de uma magnifica pessoa é também um excelente ajudante na manutenção do saneamento do lar. Essas conceções fofinhas que deixam uma pessoa deleitada e capaz de dizer: olha, com essas palavras nem preciso de prenda.

 

Dito isto pusemos mãos à obra e toca de ir comprar chocolates para os velhotes. O pai dele e o meu.

 

Saímos à hora certa e zarpamos para casa de Augustinho (também conhecido como eu pai).

 

- Viemos só numa corridinha, nem vamos sentar, é Dia do Pai, vim dar-te um beijinho e deixar este miminho.

- E eu vim desejar um Bom dia do Sogro! – arremessa o Nuno.

- O teu irmão também já cá esteve. Trouxe-me uma daquelas que eu gosto. – E piscou o olho.

 

O que quer dizer duas coisas: a prenda do meu irmão era melhor que a minha; e era uma garrafinha de material de qualidade.

 

- Deu-me uma garrafinha de vinho do Porto!

- A sério?! Eu trago chocolates, que levam coco e RUM. Tudo coisas que tu gostas! Três em um. Pumbas!

 

Raios parta ao velho que gosta de uma pinga de qualidade.

 

Ficou feliz com a visita e nós ainda com mais um velhote para ver e um puto para estar com o pai.

 

O Nuno larga-me perto de casa, vai dar a prenda ao pai e buscar o filho. Eu “ia passear os cães”. Estava já com as coisas preparadas para fazermos alguma surpresa para oferecer ao pai mas o raça do miúdo larga-se-me numa birra descomunal. Era segunda feira, ninguém gosta de segunda feira, e ele tinha-se levantado mesmo muito cedo.

 

Acalmados os ânimos lá o convenci a irmos para o quarto. Preparámos em conjunto dois chapéus de policia. Um para o pai. Outro para ele. Tiraram a foto lado a lado.

O melhor pai, para o melhor filho.

 

Eram 22:00 da noite e ainda se salvou o dia do pai.

 

Porque eu posso ser uma nódoa nas festividades, uma tristeza nas surpresas, um zero à esquerda nos trabalhos manuais. Mas brilho no improviso.

 

 

IMG_20180320_084419_290.jpg

 

 

Meu amor, ainda és tão pequenino...

 

Numa semana em que se falou tanto de crianças, de educação, da falta dela, de pais - uns bons, outros piores, ou talvez apenas diferentes.

Numa semana de tantas opiniões.

Vou resumir a minha a esta música.

Isto com mais amor, mais 10 segundos de tempo, 1 caneca de paciência, uma pitada de ralhetes, meia dúzia de caras feias, umas gargalhadas, muita relativização e um punhado de exemplos. São coisa para ajudar nisto de criar os filhos.

Por hoje amor e encher de beijos.

A minha música para este fim de semana, da autoria da brilhante Luísa Sobral.

 

Às 5 da manhã não é justo...

O karma é tramado.

Ontem publiquei um texto sobre pais e filhos. Sobre as fragilidades. Sobre como temos de compreender que os miúdos têm de fazer as suas patetices e como temos de os entender.

Hoje, por volta das 4 horas e 50 minutos da madrugada, estive por um fio para retirar tudo o que disse.

 

Eram cerca de 4 e meia da manhã ouvimos:

- Pai! Mãe!

O pai foi lá, e deu para eu ouvir no nosso quarto.

- Queo ir pá cama do pai e da mãe…

Aquela hora e com aquele nível de desgaste não debatemos, arranjamos espaço para ele.

Chega à cama e mal os costados tocam nos lençóis já está a dizer:

- Queo bebê leitinho.

Lá foi o desgraçado do pai – que está com uma carraspana em cima - buscar leite morno.

Eu dou-lhe o leite, porque tudo na vida daquela criança tem um circuito.

Bebe o leite e mergulha de cabeça na cama.

Menos de 10 minutos depois abre os olhos e começamos neste diálogo:

- Vamos buscar o patulheiro autocarro…

(queria ir ao Continente comprá-lo….faltavam 20 minutos para as 5 da manhã e aquele boneco só o vai ver se o Cristiano Ronaldo lho quiser comprar porque é uma porcaria de um carro que custa 120 €. Respira que esta foi à Saramago e quase me aleijou o bolso)

- Dorme…

- Posso estacioná o veliculo do Maschal debaixo da tua mofada?

- Não. Dorme…

- Posso estacioná otos veliculos debaixo da tua modafa?

- Não. Dorme…

- Posso pô a mina cabeça na tua mofada?

- Podes.

Nisto abarbatasse de tal forma à almofada que eu fiquei com 10 % (ou seja a ponta da fronha) e ele ficou com a almofada toda.

Continuou:

- Mãe, a Patulha Pata vai ajudá!

- Dorme…

- Podemos ir busca o Patulheiro autocarro?

- Não é muito caro…dorme…

- É muito caro?

- Sim. Dorme.

- Posso…

(interrompo-o)

- Não tarda nada voltas para a tua cama. Abarbatas-te a minha almofada e estás aí que é só rebeubeubeu e a mamã tem de dormir filho. Vai dormir, amanhã falamos…

Passado um bocado adormeceu…e acabou por sair de cima da almofada.

 

Agora vejamos uma coisa, quando eu decidi ter filhos deram-me várias informações, por exemplo:

Que ia chorar – check

Que ia fazer birras – check

Que ia apresentar fraldas que pareciam cenários de crime mas em cocó – check

Que eu quase ia morrer com o cheiro – check

Que o quarto ia parecer um cenário de guerra 10 minutos depois de eu ter ganho 3 bicos de papagaio nas costas, ali debruçada a apanhar tralha para o manter arrumado – check

Que eu ia acordar de madrugada para falar da porra da Patrulha Pata – NÃO!!!! Não há check para isto.

E eu sou uma pessoa que precisa do seu sono.

 

Bom. Por enquanto por aqui me arrasto, a sentir quase uma espécie de stress pós traumático quando vejo a publicidade dos desenhos animados nos cartazes da NOS.

 

Um bom dia para as pessoas que, do alto da sua vida maravilhosa, puderam dormir a noite sem ser interrompidos.

 

Os filhos perfeitos que não temos

Tenham alguma paciência para mim hoje, que isto vai ser longo, não esperem!, vocês já estão habituados, isto aqui nesta chafarica é como com os livros dos JRS, é um bom rácio quantidade preço, barato à folha.

Vou falar de pais e filhos e depois de filhos e pais…pano para mangas…mas prometo que no fim há musica.

 

Como diriam os ingleses: bare with me just a little.

 

Ando nisto de estar viva há pouco mais de 34 anos e nunca encontrei um ser humano perfeito. Conheci gente que gosto, conheci gente que não gosto, gente a quem me apetecia arrear umas valente porradas; mas perfeição é coisa que este par de olhos nunca vislumbrou.

Faz-me crer que isto de ser perfeito está mais ou menos no mesmo patamar de realidade que os unicórnios, as fadas e as sereias.

Os chalupas e os bêbados de quando em vez lá dão por eles, mas a malta razoavelmente sã e completamente sóbria, nunca lhes pôs os glóbulos oculares em cima.

 

Muito se fala hoje da educação das crianças, da falta dela, do que é melhor e do que nunca deve acontecer. Toda a gente quer molhar a sopa porque é tema que tem assunto para dar e vender. Não há comprovações cientificas e por isso toda a gente pode alvitrar a sua tese.

Comummente, como devem ser educados os filhos dos outros, porque problemas de vida alheia resolvo eu bem.

Custam-me em particular os “instrutores” sem filhos. Pessoas que não fazem a menor ideia do que é criar um ser humano, mas que acham que têm a solução para todas as duvidas, até dos pais mais experientes.

Na berlinda estão sempre os maus comportamentos dos filhos (dos outros) e as más escolhas dos pais. A ocasional “no meu tempo levava umas lambadas” e o “se fosse comigo ia ver”. Mas na verdade não ia ver nada. Porque a maior parte das pessoas que conheço que prometiam, faziam e aconteciam, passaram a piar como canários roucos sem acesso a Mebocaína 6 meses depois de o primeiro filho nascer.

 

Antes de mais ter um filho é como jogar na lotaria. Podemos ganhar um grande prémio, como ficar na bancarrota. Pode ser mais fácil e melhor do que pensávamos, como pode ser mais difícil.

Quando eu andava na faculdade estudávamos Piaget, de forma muito sucinta Piaget acreditava que a influência exterior determinada a construção do indivíduo. Nunca gostei de Piaget porque não concordo com ele. Lá em casa éramos 4 filhos, os mesmos pais e a mesma educação. Todos temos formas diferentes de olhar para o mundo.

Há algo que pertence apenas à pessoa, e os mesmos fatores externos interagem com essas condicionantes de forma completamente diferente para cada individuo.

 

É por isso mesmo que há filhos maravilhosos que têm pais de merda. Histórias magnificas de sucesso.

E há pais fantásticos cujos filhos não se tornaram no que estavam à espera. Lembro-me de estar na faculdade e ter entrevistado um ex-toxicodependente com 40 anos, os pais eram tudo o que um filho podia querer, mas as influências, os amigos e a sua própria natureza ditaram que roubasse os pais, que os agredisse e que lhes tivesse destruído a vida.

 

São histórias de vida.

 

Por isso chateia-me esta permanente e incessante demanda em culpar ao pais. Se dão uma nalgada é uma desgraça, se não dão o miúdo fica mal educado.

É pá chega! As pessoas têm de olhar para dentro das suas casas e trabalhar para melhorar o que têm dentro das suas quatro paredes, em vez de ter sempre os olhos postos na tabanca dos outros.

 

Mas comecei com a perfeição e entretanto derrapei. Tenham calma, em principio vou chegar a qualquer lado.

 

Os miúdos querem-se perfeitos. Querem-se cheios de atividades extra curriculares para depois dizer aos colegas do trabalho como os miúdos são bons a tudo. Se não gostam têm de papar na mesma com aquilo, até porque o filho da Maria Amélia da Contabilidade faz e dá-se muito bem.

 

É suporto os miudos serem o que os pais não foram. Olhe-se para a quantidade de gente formada em temas que detesta. Os pais quiseram que tivessem o canudo - obviamente com a melhor das intenções - para que arranjassem, não um trabalho, mas um emprego. Para que pudesse estar à secretária todo o dia a ditar coisas e quem sabe um dia mandar em alguém.

Sim, porque neste nosso Portugal a carreira só levanta voo quando se manda em alguém.

 

E assim colocam-se as expectativas nos miúdos.

Não se lhes dá o acompanhamento necessário, não se conversa com eles, mas tiram-se fotos para pôr nas redes sociais e declarar o amor que não se diz ao ouvido antes de deitar.

 

Os miúdos revoltam-se com isto.

 

Os miúdos são umas pestes. Não prestam para nada.

 

Mas há motivos.

 

As crianças passam o tempo todo a desejar ser crescidas e quando lá chegam percebem que a vida não é nada do que estavam à espera. Os adultos só têm temas de merda.

As contas para pagar, o trabalho que detestam (na maioria), as maleitas de saúde, os miúdos que querem e querem e querem e a pessoa só queria estar descansada 5 minutos.

Então colocam-se os sonhos nos ombros dos filhos. A pessoa fracassou em tudo, mas aquele, aquele vai saber tudo e ter todo o acompanhamento necessário.

Mais ou menos como a promessa que se faz de ir ao ginásio no dia 31 de Dezembro. Parece tão real naquele dia, mas depois na prática é tudo tão mais complicado.

Vai daí e a criança ainda não largou as fraldas e o miúdo da Clarisse do arquivo até já limpa o rabo sozinho e tem menos 2 meses.

 

O filho da Joaquina só tira cincos e o idiota lá de casa mal passa a matemática.

 

Os sonhos começam a desvanecer.

 

A vida apressa os pais e os pais apressam os filhos: para aprender, para brincar, para crescer.

Pedem que se despachem a torto e a direito, tenham a idade que for, bufam: “ai filho, vá lá!” tantas vezes que as crianças já não sabem porque o estão a ouvir.

Eu sei, temos o jantar para fazer, o trabalho, os banhos, a casa, a roupa, os cães, os gatos e mais um par de botas. Têm lá agora vida para andar a jogar à apanhada.

Mas depois querem que os miúdos os ouçam, que se interessem, que brilhem.

 

Tudo o que os pais fazem é sempre pelos e para os filhos, e um dia, tal como os seus pais lhes disseram a eles e os avós disseram aos pais, um dia eles vão entender.

O quê, nem os pais sabem muitas vezes.

Por um motivo simples: fazem assim porque sempre se fez assim e quando passou a  haver maturidade para entender começou a faltar tempo para pensar.

Compram uma casa melhor, para eles.

Compram um carro mais caro, para eles.

As férias, são para eles.

São o bode expiatório para o tanto que os pais trabalham e é isso que se diz aos filhos: “temos de ir trabalhar para ganhar tostões”.

Não é por acaso que um dia acabem por achar que é para isso que os pais servem: para ganhar tostões.

 

Mas não é de propósito. As pessoas não queriam fazer assim. E os miúdos, no final das contas sabem que os pais não servem apenas para ganhar dinheiro.

 

Porque não há pais perfeitos.

Nem há filhos perfeitos.

Há educação.

Há algo intrínseco que apenas cada individuo consegue mudar.

E há a sorte que pode fazer toda a diferença.

 

Quando se está sempre a falar mal dos miúdos de hoje, quando se começa com a treta de que os miúdos agora não têm educação, importa lembrar que nós também já fomos miúdos e já fomos parvos. Para os nossos pais também foi esquisito lidar com os punks e freaks e piercings e coisas. Os putos de hoje também devem ter a oportunidade de errar.

Na loucura os pais podem optar por - e tenham calma, é só uma sugestão - falar com os miudos, explicar-lhes as coisas. Demonstrar porque é que está certo e porque é que está errado.

Mais ou menos o contrário do que aconteceu connosco porque eles agora têm acesso ao Google que lhes pode dar com uma serie de informação errada.

Na altura que éramos putos bastava que os pais dissessem: "é pá porque te estou a dizer pá!", e estava resolvido.

 

No fim, não fosse o tema da educação (ou falta dela) um nicho que alimenta muita coisa decide-se criar um programa para “resolver” - ou piorar (a ver) - a vida de miúdos que, obviamente, já não estão lá muito bem.

Programas que eu considero sensacionalistas e que expõem as fragilidades de uma criança.

Não vi, nem faço qualquer intenção de participar para o share de audiências. Também não vou bater no programa (acho que já foi dito mais do que suficiente), levanto apenas uma questão: estamos perante miúdos problemáticos, cujos pais já não sabem o que fazer com eles e consideramos, mesmo, que o melhor que há a fazer é expor todas as suas frustrações e fragilidades na TV generalista e em horário nobre?

A sério que achamos isto?

Como terá sido a segunda-feira na escola?

Terão sido gozados?

E daí por uma semana.

Será que não se vão sentir obrigados a fazer pior? Porque é óbvio que não têm as ferramentas necessárias para viver em sociedade.

Não se sentirão humilhados?

E será que a humilhação é a melhor forma de ensinar?

É apenas um pensamento de uma mãe que muito falha, com muitas imperfeições, mas parece-me que uma senhora super cool, com uns óculos de professora marota e ar de quem vai dar umas palmadas (não às crianças) mas aos papás mal comportados, não é a solução. Especialmente se acompanhada de câmaras.

 

Porque não há pais perfeitos.

Nem há filhos perfeitos.

Há educação.

Há algo intrínseco que apenas cada individuo consegue mudar.

E há a sorte que pode fazer toda a diferença.

 

O meu álbum favorito de todos os tempos é o Jagged little pill da alanis morissette. Na faixa 3 tema temos a musica Perfect, não é uma canção de amor como a do Ed Sheran, é sobre ser criança e o que se espera muitas vezes. Para quem é pai, para quem é mãe eu convido a ouvir, a olhar para os próprios defeitos (todos os temos) e perceber se às vezes é assim.

 

Sometimes is never quite enough
If you're flawless, then you'll win my love
Don't forget to win first place
Don't forget to keep that smile on your face

Be a good boy
Try a little harder
You've got to measure up
Make me prouder

How long before you screw it up
How many times do I have to tell you to hurry up
With everything I do for you
The least you can do is keep quiet

Be a good girl
You've gotta try a little harder
That simply wasn't good enough
To make us proud

I'll live through you
I'll make you what I never was
If you're the best, then maybe so am I
Compared to him compared to her
I'm doing this for your own damn good
You'll make up for what I blew
What's the problem, why are you crying

Be a good boy
Push a little farther now
That wasn't fast enough
To make us happy
We'll love you just the way you are
If you're perfect

 

 

 

Os filhos, os telemóveis e as encrencas em que nos metem

Ora muito bons dias.

tsitude?! Boa!

Então e eu?

Cá ando, com aquelas dores do costume e hoje a acrescer uma pontada de vergonha pelas situações em que me filho me coloca.

O meu maravilhoso rebento é uma criança tremendamente ativa e eu, pela hora de jantar sou uma mãe extremamente cansada. Ele quer correr pela casa toda. Eu quero sentar-me durante 10 minutos a comer uma bucha jantar, enquanto vejo um qualquer programa de decoração na TV.

Para que eu possa ter esses singelos 10 minutos tenho de o manter entretido e, manda-lo para o quarto brincar com as coisas dele não é opção, essencialmente porque com todas as horas que teve longe de nós quer atenção, em especial atenção da mãe, passando o todo a perguntar: “Já acabaste de comer, mãe?!”. O interrogatório de uma só questão começa, normalmente, antes mesmo de eu me sentar.

Vai daí e eu empresto-lhe o meu telemóvel. Normalmente vai sempre ao Youtube para ver os vídeos do homem aranha e do Hulk.

Ontem, depois de um dia de chuva e transito e trabalho e o diabo a sete, não foi exceção. Emprestei-lhe o telemóvel e comia a minha sopinha de espinafres biológicos (todo este post é para dizer que como sopa de espinafres biológicos) quando ouço o Nuno:

- O que é que estás a fazer? Dá cá o telemóvel.

Sem que nós estivéssemos a dar conta o pequeno estava a mandar por messanger uma todo nossa para todos os meus contactos. Conseguiu mandar para quase 30 pessoas. Entre os destinatários estavam o meu responsável do trabalho, a responsável do Nuno, a antiga responsável do Nuno, familiares, amigos, pais de amigos e ainda colegas de escola que já não vejo há quase 20 anos.

E que foto era?

Uma foto linda.

Quando eu e o Nuno fizemos 1 ano de casados achámos graça fazer uma montagem de fotos que tirámos nesse dia: nós abraçados, os dedos entrelaçados com as alianças, um beijinho com a lua atrás. Enfim, lamechices que fazem sentido quando se faz um ano de casado e ainda se está movido pela emoção de ter sido pais há menos de 6 meses.

Então foi essa montagem que seguiu para toda a gente.

Das pessoas que receberam a maravilhosa missiva recebi todo um pot-pourri de respostas...para as quais criei uma hierarquia para as que me fizeram rir mais.

Vamos ver? Bora lá!

  

Em 6º lugar ficam as pessoas que se borrifaram completamente para a foto.

Não disseram aí nem ui. Já sabem mais ou menos o que a casa gasta e, à partida, a menos que eu estivesse a ter algum acesso de paragem cerebral não estaria a mandar mensagem privada com uma foto daquelas para ninguém.

 

No 5º lugar estão os que perguntaram “isto é para mim?”.

Pessoas sensatas que quiseram apenas alertar numa espécie de: “se querias mandar para alguém parece-me que te enganaste!”.

 

No 4º lugar estão as pessoas que saíram do seu caminho para dizer que estamos lindos.

Ou seja é malta tão do bem que acha que eu, pessoa trombuda e circunspeta, com toda uma panóplia de redes sociais à disposição, havia enviado uma foto romântica por mensagem privada. Pessoas lindas….

 

No 3º lugar estão as pessoas que de facto pararam para nos dar felicidades.

Não sei o que raio lhes terá passado pela cabeça, mas pelos vistos acharam que nós andamos por aí, a uma terça-feira, a mandar fotos com montagens por mensagem privada. Não faço isso pessoas. Nunca. Melhores foram os que acharam mesmo que tínhamos voltado a casar. A sério? Com o mesmo homem. Que canseira….

 

No 2º lugar estão as que já sabiam quem tinha mandado a foto. E com estas escangalhei-me a rir.

Respostas como: “minha querida, acho que o teu príncipe está a bombar no facebook” e a minha favorita “estão lindos. Gosto de todas as fotos que o Ricardo me envia”, fizeram-nos partir a rir em casa. É gente que já está habituada a receber mensagens de meu filho e faz pouco disso. Gosto de gente desta.

 

A cereja no topo do bolo, a que leva o primeiríssimo prémio vai para o meu querido chefe. Homem sério e circunspeto que, após eu lhe ter mandado uma mensagem a dizer para desconsiderar a foto me disse “eu já tinha calculado”, quando lhe respondi que havia pessoas que tinham achado que tínhamos voltado a casar, deu-me a melhor resposta de todos os tempos “quando amamos, casamos todos os dias!”. AHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAHAHAAH. Fartei-me de rir. Claro que lhe respondi à altura com um “bla bla bla pardais ao ninho”.

 

E é isto. Estive mais de 30 minutos a explicar a pessoas que havia ocorrido uma situação de telemoveljacking feito por meu filho. Sendo aquela missiva o resultado de um equivoco.

Já sei que me vão dizer que as crianças não devem andar com os telemóveis e não lhe devia emprestar o objeto e ele devia saber estar quieto e rebeubeubeu e a Branca de Neve limpou a casa dos Sete anões e a Capuchinho Vermelho deu os queques a comer ao lobo quando fizeram um walk and talk pela floresta e tal e coise.

O que é certo é que uma pessoa está cansada ao final do dia e usa dos recursos que dispõe para que as coisas corram, se possível, a velocidade cruzeiro.

Algo que não aconteceu ontem, visto que bati de frente com este iceberg.