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Blog Bestialmente Conhecido

Tou tão focada c'até me custa a piscar os olhos

Trabalho numa equipa pequena, somos, ao todo, 6 pessoas. Estamos num espaço relativamente aconchegado e dependendo do nível de dificuldade auditiva de cada um, até conseguimos dar pela musica que passa no MP3 do lado.

Um decide ir buscar pães com chouriço. A esta hora saem quentes na Padaria Portuguesa.

Quatro destas almas decidem pedir pães. Está um cheiro a pão com chouriço quente qu'eu quase sinto tonturas.

Todos á minha volta a malhar o pãozinho e eu, eu focada. Saco do poster da Ritinha e penso: este verão vão-a-ver vamos ficar tão parecidas qu'eu ainda cresço 10 centímetros. Dizem que a moça é estrabica, a moça explica que tem os olhos juntos, eu não lhe olho para os olhos porque estou preocupada em ter uma barriga igual à da magana.

Vai daí e vamos-a-ver, fico magra, fico sarada, fico morena, e se olharem bem até vai um olho para as bolas de Berlim e outro a dar conta de onde anda o miúdo.

Agora vou ali buscar a minha fatia de pão com centeio que até se me está a crescer água na boca a pensar na bendita!

 

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Caro Universo (ou entidade delegada para o tratamento da vida quotidiana dos pobres terrestes)

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Venho por este meio tirar algumas satisfações gastronómicas com vossemecê. O planeta terra, e muito em especifico o piqueno retângulo à beira mar plantado aqui na Europa, tem um vasto leque de matérias degustáveis que eu e a maioria dos meus conterrâneos terrestres apreciamos, falo de um bom cozido à Portuguesa, de Cachupa (que não é de origem mas agente tamém gosta), de Leitão da Bairrada (com molho é claro!), de batatinhas fritas com molho do Bife da Portugália; falo de chanfana, de um bitoque, de uma francesinha (não a gaja, mas o amontoado de carnes, pão e molhanga que se come no Porto); falo de bifinhos com cogumelos, de frango assado no churrasco, o qual sem ser acompanhado de batatinha estaladiça não sabe ao mesmo; falo de um belo hambúrguer em bolo do caco barrado com manteiga de alho,; falo de pizza extra queijo. Hummm, tás a ver do que falo. Se fores mais para o guloso, meu caro Universo (ai como te compreendo!), falo de uma boa mousse de chocolate, de um palmier duplo com creme de manteiga, de palmier coberto, de palmier simples (pronto!), de um belo de um pastel de Belém, de um croissant do careca; falo de um travesseiro de noiva, de uns ovos moles, de umas natas do céu; atrevo-me a lançar um bolo de bolacha, um croissant de chocolate e até, em determinados momentos da vida, bolo de aniversário desde que coberto de massa de açúcar.

Estamos alinhados sobre o tema para falar? Hummm. Estamos?

Ainda bem.

Ambos concordamos que estas delicias devem ser degustadas, certo? Exato.

 

Mas se assim é, porque carga de água é que todas elas fazem mal? Porque raio de cosmos é que têm tanta caloria? Aliás, porque raio é que a caloria engorda? Podia dar-se o caso de terem imeeeeeensas calorias, mas depois a caloria ser uma coisa que não acresce à nádega de uma pessoa, que não causa entrave ao nível da cintura, dando aquele volume indesejado e que obriga à aquisição de fatos de banho slim. Que é o mesmo que dizer “fatos de banho que empurram as tripas para dentro a ver se a cintura, não podendo parecer de vespa, também não se compara à de uma hipopotama”.

 

Porque raio de ideia é que se cria todo um mundo pornográfico de prazer culinário e depois a pessoa tem de escolher entre as calças da Zara e o bola de Berlim? É que uma pessoa está espojada na areia, malha forte a Bola de Berlin e depois, culpada, sente-se tentada a ir nadar 10 km bruços mesmo com a bandeira vermelha, sujeita a ficar-se ali perto das rochas. Ao menos boia melhor, com o pneu em torno da cintura.

 

Universo, a cintura de uma pessoa está dependente de talos de aipo, rodelas de cenoura, sopa sem batata, carnes grelhadas e peixe no forno com menos de colher e meia de azeite. As nádegas têm de se tornar submissas a uma ditadura de courgette e beringela salteadas. Quem sabe, na loucura, uns rebentos de soja. Resignadas à contagem de peças de fruta para que não excedam a unidade.

 

Porque raio não se troca esta tendência? Que sejam as courgettes do mal. Que se condenem as cenouras e as alfaces. Que se excomunguem as beringelas.

 

Universo, vamos dizer sim ao pastel de nata e não aos frutos secos.

 

Pensa nisso Universo, o mundo seria mais perfeito. Estou certa disso.

 

Assinado:

Pessoa desesperadamente necessitada de um croissant de chocolate, daqueles que depois de darmos uma dentada escorre chocolate derretido por todo o lado. Tudo cagado. Quase pornográfico. Não fosse a realidade revestir-se de talos de aipo.

 

 

Esta coisa de rir e fazer rir

Fazer rir pode ser um lugar muito só. As pessoas olham para nós com uma certa imposição de “então, faz-me lá rir, pá! É para isso que aqui venho”. Essa imposição pesa, pesa porque nem sempre existe disposição para fazer rir. Aliás, muitas vezes não há qualquer vontade de rir sequer. Mas quem faz rir (ou quer fazer rir, vá!) também usa o humor como uma catarse individual e egoísta, para melhorar o seu dia, um momento, nem que seja para esquecer as trivialidades nefastas do dia a dia, quem sabe aquilo que corre mal e que lhe apetece guardar para si.

“Mais vale rir”, diremos.

Todas as pessoas têm direito a maus dias, mas quem faz rir, quem “tem sentido de humor”, perde, de alguma forma, esse direito que se não é, devia ser constitucional. Ou seja, o direito à liberdade para se sentir sem pachorra para arrancar uma gargalhada a alguém. Para estar sem paciência para falar de coisas, sejam elas quais forem. Sem o direito de poder ser sério, se assim entender.

Há uma espécie de jogo do sério, mas na vida real, em que quem faz rir parece perder, de alguma forma, uma parte da sua credibilidade, o que diz tem de ser sempre uma chalaça, quando não tem graça há sempre a avaliação do “ficou chato” que é como quem diz “hoje não me causaste entretenimento”. Tudo isto até ao dia em que se pisa os calos a alguém, nesse momento, no segundo concreto em que a piada não surte o efeito pretendido, invariavelmente pelas seguintes ordens de razão: mexemos com crenças, gostos e hábitos de alguém; fizemo-lo em relação a alguém que gostam. Nessa altura, quem faz rir ganha drasticamente uma seriedade que não procurava e passa a ser um pulha da sociedade. Um alvo para critica desmedida, ofensa ocasional e desdém, perdendo qualquer interesse tudo o que fez até esse momento.

Fazer rir é das posições mais ingratas que se podem encontrar. Primeiro porque é preciso ter uma opinião. E sabemos que ter opiniões hoje em dia, se não forem ao encontro das modas, está logo tudo estragado.

Fazer rir pode oferecer dos momentos mais gratificantes que podemos encontrar, arrancar uma gargalhada a alguém que está a ter um mau dia é uma espécie de prenda. Melhora o dia de quem se ri e melhora o dia de quem fez rir.

 

Mas para rir e fazer rir é sempre preciso a participação despretensiosa, descomplexada, não-paranoica e não-critica, de pelo menos 2 pessoas: a que ri e a que faz rir.

Isso nem sempre acontece.

 

Frustra-me ver que existem pessoas que se intitulam ao direito de definir aquilo sobre o qual podemos rir. Cada um sabe o que é que lhe arranca uma gargalhada, nem a própria pessoa sabe porque é assim, é. Ponto. Como um mistério não desvendado dentro da nossa cabeça.

Espanta-me que em pleno seculo XXI ainda se considere que há um tipo de humor certo. Parecem existir caixinhas imaginárias sobre temas que podem ter usados para rir e outros não. As mulheres estão a chegar ao poder (Ámen), a liberdade sexual já não é um tabu (Graças a Deus), mas o humor, esse ainda está nas trincheiras, um negro, outro alternativo, presumo que haja um branco e ainda o cor-de-rosa.

As pessoas que fazem humor têm de ter sempre as mesmas características e as exigências que lhe são feitas sempre iguais. Fazer rir independentemente da sua vontade porque quem gosta de fazer rir gosta sempre, cá agora problemas quotidianos a meter-se pelo caminho e escolher bem os temas em que se mete porque se a pata pisa a poça “está o caldo entornado”.

Por cima disso ainda tenho o direito de lhe dizer das boas se a graçola não me cair cá no goto como eu acho que devia.

 

Este provavelmente é mais um daqueles posts que nem são lidos até ao fim, como já me foi dito. Não fazem rir, não têm palhaçada imediata, pelo que, adiante.

 

Hoje não me apetece fazer rir, porque também eu estou assim um pedaço blhec cá para mim.

 

Ósculos e Amplexos

JJ fala sobre o terror em Alcochete

Atão agente tavamos a ver as tatisticas de jogo (masca forte), estivéramos a treinar forte, fizéramos ejercicios dificeles e estivéramos cansados.

Eu estava a motivarem a equipe por causas que ficaramos sem os pontos que erem pecisos pa ir à Liga dos champinoles majagente tem de olharem para a frente e quando estaramos ali com o dedo grande das patas a pisar o abisque temos de darem o passo à frente para chegarem-mos antes dozotres.

(masca forte….suga saliva pelo canto direito da boca…ajeita cabelo mal pintado)

Tava o Baza Dosta a despirem os calções pa ir pó banho e a gentes começa a ouvirem uma chinfrineira do ca…muita forte.

Cando olháramos pa porta vinham a entrarem uns mafarricos com encapaçados que começarem a partirem tudo. Os mês nérones – aquelas cebulas que a gentes tem no miole, tarem a ver? – disserem uns-pós-otres “Cralhe!”. E foi aí que um encapaçado me deu uma arroichada.

Eu pus-me a andar dali pa fora e só vi os gaijes irem direites ao Baza Dosta e arreaem-lhe com umas mocadas.

Pensei, foirem-xe! Aquele irem levar pontes!

Os encapaçados não digeriram palavres págente e per’isso não saberamos por que cargas de bóis levaramos uma cronhadas.

É uma vergonhe, fizéramos o melhor que saberamos. Nem quando eu viverem na Amadora cafamilia vi tanto gaijo de capuz pronto pa arrear umas porradas num gaijo. (masca forte….sorve com força…ajeita cabelo pintado).

Eu tiverem a Amadora cá dentres, mas tive de cavar porque uma Amadora contra uma caitrefada de gaijos da Juba Levo não s’aguenta!

Eu e os j’gadores esperáramos que estes malandres sejam encontrades e que se faça injustiça.

É tudo o que tenha a d’zer!

(masca forte…sorve alvo e ajeita melenas de cor indefinida)

 

Pensamentos de "reeducação alimentar" #2

(Aviso ao leitor mais sensível e que pode porventura não chegar ao fim de todos os posts: nenhum animal foi aleijado para a escrita deste post e o mesmo está carregado daquilo a que se pode chamar de figuras de estilo ou lá o que é)

 

Delícia de meio da manhã: iogurte de soja NATURAL com uns cereais que são uma espécie de pevides que até parecem adocicadas dada a falta de tudo do iogurte.

 

Neste momento estava capaz de matar uma foca bebé para comer um croissant com chocolate. Tal não é a secura em que se encontra o meu coração.

 

Pondero.

 

Penso mais um pouco.

 

Olho para a foca.

 

A foca olha para mim....

 

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Raios partam a foca que é fofinha pá. Ofereço o meu iogurte à foca. Ela faz um sinal de "deixa lá tar isso" assim meio como quem sustem um grego e preferia matar um humano para comer um croissant.

 

Suspiro…

 

Ahhhhh, tá bem, ganhaste foca…eu como o iogurte…vai lá à tua vida.

 

A diferença entre dieta e reeducação alimentar

Está no nome que damos à mesma coisa.

 

Porque é uma e a mesma coisa. A sério que é.

 

Senão vejamos.

 

Lembro-me de ver a minha mãe a fazer dieta. Nesses dias comia peixe cozido com poucas ou nenhumas batatas, alguns verdes e nenhum tempero. O lanche eram umas peças de fruta, água com limão, chá e outras mezinhas. Os bifinhos podia come-los grelhados e acompanhados de salada.

Podia comer muita sopinha e verduras.

Estavam proibidos os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos e os fritos.

 

Havia muita fominha envolvida e uma privação do catano.

 

Hoje os tempos mudaram. As pessoas não fazem dieta. Quem quer perder peso como deve de ser segue a corrente da reeducação alimentar, que, como o próprio nome indica, é uma espécie de revolução da papinha para uma pessoa saber mandar para o bucho material em condições.

Muitas verduras. Muitos grelhados, cozidos e estufados. Muito legume salteado. Muita sopa. Algum (pouco) pãozinho de centeio. Iogurtes com os índices de açúcar reduzidos. Cereais de caixa onde indica sem açúcar. Muita água. Chá sem açúcar. Galão sem açúcar. Café sem açúcar. Enfim é agarrar no açúcar e leva-lo ao topo de um monte para o abater com uma caçadeira.

Estão proibidos os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos, os fritos e os refrigerantes.

 

Ou seja, o mundo deu voltas e voltas, a dieta passou a chamar-se pomposamente de “reeducação alimentar” porque desta forma, a modos que, o cérebro é iludido a acreditar que não está em dor e privação e uma pessoa tenta acostuinar-se ao facto de que pode passar por uma pastelaria sem querer malhar o primeiro palmier-recheado-com-creme-de-manteiga-e-polvilhado-com-açúcar-de-pasteleiro que aparece.

 

A pessoa tem um dia para fazer uma “refeição livre” que é uma coisa que sabe um pouco a penitenciária, na realidade da pessoa que teve a semana toda na solitária e à sexta pode ir dar um passeio ao pátio, sabendo que, vai voltar para o lado escuro da vida, onde os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos e os fritos estão longe de ser uma presença bem vinda.

 

Assim, neste processo iniciado no sábado, concluo que estou em dieta, mas com a possibilidade de comer mais palitos de cenoura que no tempo da minha mãe. Estou livre de comer sopa as vezes que quiser desde que a maldita não tenha batata. Posso beber o que quiser, desde que seja chá, e que o mesmo não seja adoçado.

 

Estou no céu e agora vou ali comer o meu iogurte de coco (que me custou os olhos da cara), com as não mais e não menos que duas colheres de cereais, sem açúcar. Vou fazer-me acreditar que é tudo delicioso e que as calças, daqui a umas semanas, vão cair depois de abotoadas.

 

(isso e procurar uma influenciadora boa como o milho que me faça acreditar que legumes salteados, se insistirmos em come-los tempo suficiente, até sabem melhor que batatas fritas)

 

#tenhobuéexcuses #nãosirvioparamotivarninguém #querocomerqualquermerdaesermagranamesma

 

O Capuchinho cor de laranja (vintage edition)

Todos os dias lemos uma história antes de ir dormir. É uma coisa que gostamos de fazer e que já faz parte das rotinas de final de dia. Muito sinceramente, para mim, das que mais gosto. Por regra, sendo eu a palhaça de serviço, mãe faz vozes, bicho que desencanta caretas e orquestra uma completa dança de sobrancelhas arqueadas, o leitura de histórias está conferida à mamã Cê Mê.

 

O problema é que as histórias são lidas muitas vezes, porque a criança ganha gosto por uma e depois outra e por vezes leio a mesma 15 dias seguidos (se não mesmo mais).

 

O Capuchinho vermelho já tinha sido suficientemente lido e estava na prateleira há uns meses valentes, mas, este fim de semana Sôtor considerou que estava na altura de a revisitar. E eu, enquanto lia a história percebia que hoje aquele belo conto da minha infância não faz qualquer sentido. Que, apesar da mensagem que passa ser boa, essa já não tem grande aplicabilidade nos dias de hoje.

 

Senão vejamos.

 

Em primeiro lugar já não se devia chamar de Capuchinho vermelho, porque o vermelho indicia uma tendência política e uma tendência clubística, logo dois temas cheios de não-me-toques, pelo que o melhor era escolher uma cor menos tendenciosa. Assim, e considerando as regras da moda em vigor, poderíamos seguir por um, suponhamos, cor-de-laranja. Orange is the new Red.

 

A história começa por uma menina que pega em sua cesta e vai – a pedido da mãe – levar lanche à avó que está doentinha em casa.

O primeiro motivo pelo qual já não faz sentido é porque se os vizinhos calhassem a dar nota disto chamavam logo a CPCJ para espetar com a miúda numa instituição libertando-a de uma mãe descuidada e inconsequente.

Depois, porque os miúdos não vão a parte nenhuma sozinhos antes dos 15. E mesmo quando vão – lá para aquelas matinés e ou lá o que é – os pais levam os putos ao sitio, vão busca-los à porta, e têm de ter sempre os telemóveis ligados, se possível com um tracking device para caso os putos se mexam dali saber exatamente onde estão. Eles ou quem lhes possa ter palmado o telemóvel.

Eu, por exemplo, quando penso no futuro, tenho a certeza de que gostaria de por um ship no cachaço do meu filho com vista a saber sempre onde ele está. Se alguém pensa que mo gama está bem enganado.

 

Mas vamos supor que a miúda até vai alegre e contente. Mato afora a apanhar flores.

Nos dias de hoje não ia parar para apanhar flores, porque com a poluição que se sente nem amargas se apanham, quanto mais um raminho de florzinhas. Depois, a Capuchinho, ao ver o lobo, famoso como é das histórias de encantar, pedia-lhe logo um autografo nas cuecas.

 

Mas vamos supor que a piquena Capuchino até ia pela floresta, que encontrava o lobo e que lhe dizia que ia à casa da avó (coisa pouco provável porque os putos hoje, a falarem com alguém, conhecido ou desconhecido é por Whatsap…pelo que…). E vamos ainda supor que o lobo ia até à casa da avozinha com vista a papar a velha.

Aqui temos dois cenários. Se a velhota for uma espécie de MILF, era bem capaz era que o lobo papasse a velha, mas não necessariamente como jantar. Era uma loucura de regabofe.

O outro cenário possível era a velhota até ter aspeto sénior, mas, na verdade, não ser tão frágil como se pensa. Uma velhota que se preze nos dias de hoje, com tempo livre e acesso à Universidade sénior, faz, pelo menos, kickboxing 3 vezes à semana, Muai Thai 2 vezes e corre 1 Iron Man a cada 6 meses. Pelo que assim que lá entrasse em casa o lobo levava pau naquele focinho como nunca antes.

 

Mas vamos entreter a ideia de que a velhota até é frágil e o lobo a papa. Deita-se na cama e entra a Capuchinho. Na história a menina parece sofrer de uma espécie de amnesia ou então é mais distraída que a tia Mizé, porque ainda há pouco tinha falado com o lobo e agora já não o conhece por conta da toca cor de rosa.

No século XXI a Capuchinho, perante a dúvida, sacava logo do I-PHONE, ia ao Instagram e comparava as fotos que tinha tirado com a avó na semana passada. Percebia, pela selfie que tirara com o lobo na mata, de que era ele ali, com o intuito de lhe pregar um cagaço e depois pespegar o vídeo no Youtube com vista a obter bueda visualizações no canal dele.

 

Mas vamos supor que a miúda não percebe que era o lobo e que lhe faz aquelas perguntas parvas todas.

Quando o lobo arrancasse atrás dela comia logo com um rotativo pela boca, Capuchinho Chuck Noris on the wolf’s ass. Porque criança que se preze tem no mínimo 4 atividades extra-curriculares, onde se incluem, naturalmente, 2 de artes marciais. O lobo estava, literalmente, fucked.

 

Mas vamos acreditar que o lobo ia mesmo comer a Capuchinho e que aparecia o caçador para lhe limpar o sebo.

O caçador saberia hoje que, ao espetar com um balázio no lombo do lobo poderia ver-se em problemas, por causa da presunção de inocência e outras merdas. Pelo que o melhor mesmo era dar-lhe um tranquilizante, chamar uma equipa especializada para tirar a velha e a miúda da pança do lobo e aguardar pela equipa de intervenção. Quando o lobo acordasse teria 3 psicólogos e um terapeuta espiritual à sua espera. Procurariam fazer com que o lobo passasse a aceitar o seu eu e a amar o que era. Fá-lo-iam entender que estava a canalizar a sua raiva para presas inocentes e que, sempre que pensasse em papar uma velha devia abraçar uma arvore, sentir o amor do Universo e ser feliz. Porque afinal de contas ser feliz é uma escolha, mesmo que se seja atropelado por um camião TIR com atrelado.

 

Fim.

 

Acho que o mercado de histórias infantis está a precisar de ser revisitado e eu conheço a pessoa certa para esse trabalho. Eu.

 

Um punhado de genes, uma nutricionista e um jesuíta

O meu pai é uma pessoa peculiar, como aliás também eu sou. Fuma, gosta do seu whiskey e da sua jola fresca. Aprecia um bom cozido à Portuguesa e tem preferência por uns bolinhos com manteiga ao pequeno almoço.

O meu pai, homem sempre atento ao que lhe convém – condição de reformado que lhe permite fazer o que lhe dá na real gana – sempre que tem consulta marcada envereda numa empreitada de “alimentação equilibrada” 2 dias antes de se apresentar perante o médico. Sempre que me diz que jantou um peixinho grelhado com uma salada, eu ouço “dia 23 vou ao médico”. Já sei que, daí a dois dias lá vai ele mostrar exames, fazer análise, o que for. Objetivo: mostrar ao médico que cumpre com o que ele manda fazer, mas que mesmo assim a vida teima em lixa-lo mantendo as análises com resultados menos do que desejáveis. E sim, poderia mentir, podia inventar, mas, como não sabe pregar petas convenientemente e, porque também ele precisa de acreditar que as coisas não estão melhores porque todo o Universo conspira contra si (não é nada que ele faça mal, shhshshshshshssh), transforma-se num homem saudável. Até vai ao pão a pé. Nos outros dias vai de carro porque está cansado. E atenção! O homem faz muita piscina, não necessariamente piscinas molhadas de óculos abelha e em posição bruços, mas piscinas quarto-sala, com agachamento no senta sofá, levanta sofá.

 

Vai disto e eu, que para além de hipocondríaca – que quer dizer que tenho muitas doenças imaginárias e quase já morri 3452452425 vezes, só no último ano – sou pessoa que, de facto, tem maleitas ao nível físico, especificamente associadas ao trato gastrointestinal, decidi, tarararararara! ir à nutricionista. Objetivo primordial: melhorar os meus hábitos de alarve, saber o que comer e ver se descubro que raio de alimentos é que me dão cabo da tripa (porque já percebi que os há e pelo-me de medo de pensar que me vão arremessar com um “o glúten está a fuck o seu stomach”, e lá se me vão os bolos do caco com manteiga ao pequeno-almoço. Um breve momento para eu chorar por favor e fazer birra…pronto, já está!). O outro objetivo, não menos importante, é libertar-me deste peso a mais que, apesar de não se fazer sentir no dia-a-dia, faz-se notar sempre que vou comprar umas calças de ganga, um vestido mais justo ou o horror de um biquíni (este ano Cátia Filipa, ainda vais de burca pá praia filha, que a nutricionista pode ser boa, mas não é Deus, nem o ex-marido da Elsa Raposo para te sugar as banhas purum-tubo – pequeno momento de conversação comigo mesma, às vezes é preciso).

Assim, na loucura da tarde, ontem, fui ao site, registei os meus dados e cliquei em submeter.

Ao fim da tarde a nutricionista ligou e marcámos, o nosso encontro é amanhã. Ao fim da tarde.

Medo. Horror. E tragédia. No âmbito da supressão de hidratos e açucares simples.

 

Então, eu que tenho uma genética muito parecida com a de meu pai, mas ao contrário para determinadas cenas, decidi que, a melhor coisa a fazer - já que vou entrar numa espiral de cenouras e talos de aipo - é enfardar um valente croissant de chocolate. Despedir-me convenientemente dos hidratos, antes de eles me serem literalmente saqueados do prato.

Fomos à “nossa” pastelaria. Comprei um jesuíta (já não havia croissants de chocolate) gigante, cheio de cobertura de açúcar por cima. Disse adeus à massa folhada, bye-bye ao doce de ovo, aufiderzin à cobertura fina de açúcar.

Penso-me pronta para enveredar por uma vida mais equilibrada e feliz, ao lado das cenouras, dos talos de aipo, dos bifes grelhados sem molho, das batatas-doces no forno, do açúcar de coco, das farinhas alternativas, da chia e da maca. Sim, quero acreditar que vejo a luz, uma luz sem açúcar que brilha lá ao fundo.

 

(qualquer coisa compro o livro do Gustavo santos e passo a amar-me como nunca antes, amo-me ao nível 1 e depois amo-me ao nível 2. Tanto que me canso e tenho uma conversa comigo mesma e digo: “não és tu, sou eu, mas já não dá….”)

 

Nota: ainda não parei com o açúcar e já estou a alucinar, ou isso ou são os neurónios que andam a boiar de colete salva vidas com tanta água que bebi ontem.

 

A melhor resposta de sempre

Tenho 3 irmãos. Todos mais velhos que eu.

O mais novo dos 3 fez 41 anos na segunda-feira.

Liguei-lhe ao final do dia para dar os parabéns, para dois dedos de conversa, para saber como vai a vida no geral. O que é certo é que o tempo passa a correr e quando damos conta passa um mês que não nos falamos. Fica sempre no subconsciente aquela máxima de que as más noticias correm depressa, por isso deve estar tudo bem.

 

Atendeu-me. Estava em casa. Aliás tem estado em casa de baixa há umas 2 semanas e tal. Problemas na coluna. Tem vindo a arrastar ao longo dos anos problemas de costas que, com a idade e o desgaste a que se sujeita no trabalho, não melhoram. Vai na volta lá tem de ficar uns dias de cama. Vai na volta e lá anda a fazer fisioterapia.

Desta vez não tinham sido só dores, ficou com um braço “preso”, praticamente imobilizado. Tudo a acrescentar à dor.

 

O que vale é que nesta família de gente meio chalupa tudo serve para rir e fazer pouco dos percalços da vida, por isso, em vez de nos focarmos na chatice que tem sido, lá me esteve a contar que foi ao posto de saúde para ser visto pelo médico (tudo como se fosse uma espécie de anedota). Que o mandaram fazer um TAC e que, por indicação do médico, foi marcar uma consulta para ser visto o mais rápido possível.

Para garantir que conseguia ser atendido foi ao que chamam no SNS de “consulta aberta”, nesse dia o médico está de plantão e é certo que os pacientes conseguem ser atendidos.

Chega ao posto e pede para marcar consulta. A senhora da secretaria olha para ele, vê que tem um envelope na mão:

Senhora da Secretaria (doravante “SDS”) – Isso são exames?

Rui – São.

SDS – São para mostrar ao médico?

Rui – São para mostrar a UM médico.

SDS – Se forem para mostrar ao doutor não pode marcar uma consulta aberta!

Rui – Olhe, então veja lá se me consegue marcar uma fechada!

 

Desfizemo-nos a rir. Claro que teve de explicar à senhora que os exames não eram para aquela consulta e larailailai. Mas, para a postura e as questões estava mesmo a pedir.

 

Ele contava esta história e eu lembrava-me de uma muito mais antiga.

O meu irmão Rui sempre teve o dom de dar as respostas certas no melhor dos timings. Eu sou muito diferente, as respostas ideais ocorrem-me sempre cerca de 5 a 10 minutos depois da situação.

 

Eu devia ter os meus 6 ou 7 anos. Tinha ido brincar para a casa da vizinha que tinha um filho da mesma idade que eu, o João. Isso acontecia muitas vezes e, quando chegava a hora de ir para casa jantar um dos meus irmãos ia chamar-me.

Todos lá em casa tinham tarefas, e a dele, que era o mais novo dos mais velhos, era ir chamar-me à casa da vizinha.

Bateu à porta, a vizinha viu que era ele e chamou-me, estávamos já a ir embora…

 

Vizinha do andar de baixo (doravante “VDADB”) – Ó Rui, desculpa lá, deixa a vizinha fazer-te uma pergunta.

Rui – Diga vizinha.

VDADB – Vocês têm dinheiro no Banco?

Rui – Como assim?

VDADB – Tinha perguntado à tua irmã se ela tinha dinheiro no Banco. Sabes é que o Joãozinho tem uma conta com dinheiro no Banco, perguntei à tua irmã mas ela não me sabia responder.

Rui – Ahhh, já entendi. Sim vizinha a minha irmã tem dinheiro no Banco, não é todos os dias, mas tem.

VDADB – Como assim?

Rui – Então, é simples, quando ela diz que quer ter dinheiro no Banco, nos puxamos de um banco de cozinha, pomos lá umas moedas e ele tem dinheiro no Banco.

VDADB – (incrédula)

 

Ainda hoje me recordo desta conversa, a melhor resposta de todos os tempos. A vizinha, metida a esperta porque tinha herdado umas terras no Minho, achava que era especial, mas como a inteligência não vem em metros quadrados por herança….danou-se.

 

O humor está pela hora da morte

O entretido pede que o entretenham:

"Ocupa-me o tempo e faz-me rir, mas cuidado, não me ofendas, tem atenção aos meus princípios, aos meus gostos e desamores, às minhas crenças, à minha experiência de vida, aos meus limites, aos meus preconceitos, às minhas recentes mudanças de vida, ao meu aspeto físico e às maleitas da minha família. Não se faz pouco das caracteristicas de outras pessoas, ou, pelo menos não das que eu gosto, das outras podes, tem é de adivinhar quais são. Faz-me rir a bandeiras despregadas, é tua obrigação, ter graça. Mas lembra-te que há coisas com que não se brinca. Não se faz pouco de coisas sérias. "

Brincar com as coisas que já são de brincar é, como diria o RAP, chover no molhado.

Ser engraçado, fazer rir dando a cara é difícil, mas mais fácil de entender. Um gesto de corpo, uma careta, uma risada no fim de uma frase, a entoação; transmitem inequivocamente ao outro que o que está a ser dito é a brincar. Esclarece quem é o visado na piada.

Quando se escreve humor (na minha humilde opinião de quem consume o produto do humor escrito e admira o desafio), a piada, a critica humorística - se é que isso existe - depende de duas partes: em primeiro lugar do humorista, que tem de conseguir um texto bem construido e que faça acender as luzes da gargalhada no leitor; em segundo, mas com igual importância, quem lê; é fundamental que tenha a capacidade de interpretar o que está a ser transmitido, sem leituras literais. Compreender assim o sentido que lhe está a ser transmitido.

 

No tempo da outra senhora os humoristas eram os bobos da corte, com os seus fatos espampanantes e os seus gestos exagerados, destinguiam-se dos outros e todos sabiam pela sinalética vestuária que era sempre "tudo a brincar", ainda assim, as massas esperavam pela gargalhada do rei, o riso da rainha, esses sim ditavam se tinha ou não graça. O pescoço do bobo estava sempre a 10 centímetros da guilhotina.

Enfim, uma profissão de risco.

 

Infelizmente para mim que adoro rir, parece-me que caminhamos a passos largos para um tempo menos evoluído que a era da outra senhora. O que é preocupante. Uma vez que estamos mais próximos de 2100 do que de 1700.

O humor parece estar pela hora da morte.

 

Não tenho ações investidas no humor, mas para quem tem o meu conselho é vender na bolsa enquanto ainda valem alguma coisa.

Vender, vender, vender.

Depois é investir na censura, tem ganho valor de forma galopante e falta pouco para que arrecadem uma fortuna.

 

(Este texto não pretende comentar ou refletir nada da minha realidade presente, felizmente, é uma avaliação que faço do mundo quando vejo as noticias...por isso evito tanto)