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Blog Bestialmente Conhecido

A melhor resposta de sempre

Tenho 3 irmãos. Todos mais velhos que eu.

O mais novo dos 3 fez 41 anos na segunda-feira.

Liguei-lhe ao final do dia para dar os parabéns, para dois dedos de conversa, para saber como vai a vida no geral. O que é certo é que o tempo passa a correr e quando damos conta passa um mês que não nos falamos. Fica sempre no subconsciente aquela máxima de que as más noticias correm depressa, por isso deve estar tudo bem.

 

Atendeu-me. Estava em casa. Aliás tem estado em casa de baixa há umas 2 semanas e tal. Problemas na coluna. Tem vindo a arrastar ao longo dos anos problemas de costas que, com a idade e o desgaste a que se sujeita no trabalho, não melhoram. Vai na volta lá tem de ficar uns dias de cama. Vai na volta e lá anda a fazer fisioterapia.

Desta vez não tinham sido só dores, ficou com um braço “preso”, praticamente imobilizado. Tudo a acrescentar à dor.

 

O que vale é que nesta família de gente meio chalupa tudo serve para rir e fazer pouco dos percalços da vida, por isso, em vez de nos focarmos na chatice que tem sido, lá me esteve a contar que foi ao posto de saúde para ser visto pelo médico (tudo como se fosse uma espécie de anedota). Que o mandaram fazer um TAC e que, por indicação do médico, foi marcar uma consulta para ser visto o mais rápido possível.

Para garantir que conseguia ser atendido foi ao que chamam no SNS de “consulta aberta”, nesse dia o médico está de plantão e é certo que os pacientes conseguem ser atendidos.

Chega ao posto e pede para marcar consulta. A senhora da secretaria olha para ele, vê que tem um envelope na mão:

Senhora da Secretaria (doravante “SDS”) – Isso são exames?

Rui – São.

SDS – São para mostrar ao médico?

Rui – São para mostrar a UM médico.

SDS – Se forem para mostrar ao doutor não pode marcar uma consulta aberta!

Rui – Olhe, então veja lá se me consegue marcar uma fechada!

 

Desfizemo-nos a rir. Claro que teve de explicar à senhora que os exames não eram para aquela consulta e larailailai. Mas, para a postura e as questões estava mesmo a pedir.

 

Ele contava esta história e eu lembrava-me de uma muito mais antiga.

O meu irmão Rui sempre teve o dom de dar as respostas certas no melhor dos timings. Eu sou muito diferente, as respostas ideais ocorrem-me sempre cerca de 5 a 10 minutos depois da situação.

 

Eu devia ter os meus 6 ou 7 anos. Tinha ido brincar para a casa da vizinha que tinha um filho da mesma idade que eu, o João. Isso acontecia muitas vezes e, quando chegava a hora de ir para casa jantar um dos meus irmãos ia chamar-me.

Todos lá em casa tinham tarefas, e a dele, que era o mais novo dos mais velhos, era ir chamar-me à casa da vizinha.

Bateu à porta, a vizinha viu que era ele e chamou-me, estávamos já a ir embora…

 

Vizinha do andar de baixo (doravante “VDADB”) – Ó Rui, desculpa lá, deixa a vizinha fazer-te uma pergunta.

Rui – Diga vizinha.

VDADB – Vocês têm dinheiro no Banco?

Rui – Como assim?

VDADB – Tinha perguntado à tua irmã se ela tinha dinheiro no Banco. Sabes é que o Joãozinho tem uma conta com dinheiro no Banco, perguntei à tua irmã mas ela não me sabia responder.

Rui – Ahhh, já entendi. Sim vizinha a minha irmã tem dinheiro no Banco, não é todos os dias, mas tem.

VDADB – Como assim?

Rui – Então, é simples, quando ela diz que quer ter dinheiro no Banco, nos puxamos de um banco de cozinha, pomos lá umas moedas e ele tem dinheiro no Banco.

VDADB – (incrédula)

 

Ainda hoje me recordo desta conversa, a melhor resposta de todos os tempos. A vizinha, metida a esperta porque tinha herdado umas terras no Minho, achava que era especial, mas como a inteligência não vem em metros quadrados por herança….danou-se.

 

O humor está pela hora da morte

O entretido pede que o entretenham:

"Ocupa-me o tempo e faz-me rir, mas cuidado, não me ofendas, tem atenção aos meus princípios, aos meus gostos e desamores, às minhas crenças, à minha experiência de vida, aos meus limites, aos meus preconceitos, às minhas recentes mudanças de vida, ao meu aspeto físico e às maleitas da minha família. Não se faz pouco das caracteristicas de outras pessoas, ou, pelo menos não das que eu gosto, das outras podes, tem é de adivinhar quais são. Faz-me rir a bandeiras despregadas, é tua obrigação, ter graça. Mas lembra-te que há coisas com que não se brinca. Não se faz pouco de coisas sérias. "

Brincar com as coisas que já são de brincar é, como diria o RAP, chover no molhado.

Ser engraçado, fazer rir dando a cara é difícil, mas mais fácil de entender. Um gesto de corpo, uma careta, uma risada no fim de uma frase, a entoação; transmitem inequivocamente ao outro que o que está a ser dito é a brincar. Esclarece quem é o visado na piada.

Quando se escreve humor (na minha humilde opinião de quem consume o produto do humor escrito e admira o desafio), a piada, a critica humorística - se é que isso existe - depende de duas partes: em primeiro lugar do humorista, que tem de conseguir um texto bem construido e que faça acender as luzes da gargalhada no leitor; em segundo, mas com igual importância, quem lê; é fundamental que tenha a capacidade de interpretar o que está a ser transmitido, sem leituras literais. Compreender assim o sentido que lhe está a ser transmitido.

 

No tempo da outra senhora os humoristas eram os bobos da corte, com os seus fatos espampanantes e os seus gestos exagerados, destinguiam-se dos outros e todos sabiam pela sinalética vestuária que era sempre "tudo a brincar", ainda assim, as massas esperavam pela gargalhada do rei, o riso da rainha, esses sim ditavam se tinha ou não graça. O pescoço do bobo estava sempre a 10 centímetros da guilhotina.

Enfim, uma profissão de risco.

 

Infelizmente para mim que adoro rir, parece-me que caminhamos a passos largos para um tempo menos evoluído que a era da outra senhora. O que é preocupante. Uma vez que estamos mais próximos de 2100 do que de 1700.

O humor parece estar pela hora da morte.

 

Não tenho ações investidas no humor, mas para quem tem o meu conselho é vender na bolsa enquanto ainda valem alguma coisa.

Vender, vender, vender.

Depois é investir na censura, tem ganho valor de forma galopante e falta pouco para que arrecadem uma fortuna.

 

(Este texto não pretende comentar ou refletir nada da minha realidade presente, felizmente, é uma avaliação que faço do mundo quando vejo as noticias...por isso evito tanto)

 

Ciclista vs gajo da bina

Atenção por favor: Antes de avançarmos quero deixar algumas notas para o leitor mais sensível: a) a autora do blog não se responsabiliza pelo tema, uma vez que foi escrito por sugestão de uma leitora, pelo que se não gostarem vão moer-lhe a cabeça a ela; b) a autora do blog gosta de chamar os bois pelos nomes sem o objetivo de melindrar ou ofender, pelo que se não há sentido pejorativo quando caracterizamos alguém como "magro", também não há sentido pejorativo quando dizemos "gordo", eu não vou dizer que uma pessoa loira é "aquela-rapariga-que-não-é-morena" por conta das anedotas totós que se contam de mulheres de cabelo amarelo.

Dito isto, prossigamos.

 

Nunca aprendi a andar de bicicleta, a minha mãe achava que eu já caia demasiadas vezes com os 2 pés no chão para arriscar pôr-me em cima de 2 rodas.

Toda a minha vida mantive um certo fascínio por bicicletas e por pessoas que conseguem fazer delas objetos úteis.

Este meu fascínio tem vindo a diminuir com o tempo e é tudo culpa da tipologia de pessoas que se dão aos prazeres do passeio em duas rodas sem motor.

 

Começou a tornar-se moda andar de bicicleta por toda a parte, ou melhor, pegou a moda do cycling (sim, moda, há 10 anos não se via tanta bicicleta na estrada, é mais ou menos como correr, enquanto foi apenas corrida, ninguém achava giro, quando passou a ser running, até os gorditos aderiram, especialmente aqueles que já tinham estado inscritos em 263 ginásios em todos os meses de janeiro (resoluções de fim de ano) e meses de abril (avizinha-se a época balnear)).

Ou seja, o que antigamente era o ciclismo - borring!!! - e agora é cycling ganhou todo um dress code e tudo é mais divertido. Para não falar que em pleno século XXI é extremely cool publicar o caminho percorrido na bina, para os amigos fazerem bueda likes e cenas...

De outra forma era só uma pessoa montada numa bicicleta a pedalar, sem ninguém lhe reconhecer o esforço e isso é tremendamente idiota.

Nesta senda é ver a malta montada nas suas binas de milhares de euros, com os seus capacetes cabeça-de-mosca e os seus calções cu-de-macaco. É vê-los felizes e contentes, bermas afora, pedalando e direção só-Deus-sabe-ao-quê-de-Expresso-chegavam-mais-depressa-e-com-preço-da-bina-dava-para-uma-porrada-de-viagens.

E é aqui, nas bermas dessas estradas nacionais afora, que importa identificar claramente os intervenientes que circulam pela selva de betão.

 

Temos o condutor de automóvel: que é o gajo do popó, à partida tem coisas para fazer - tipo tarefas que não conseguiu dar conta durante a semana porque tem de trabalhar - e que quer chegar a sítios dentro dos limites de velocidade permitidos.

Temos o gajo da mota, mas não vamos falar desse porque merece tempo de antena muito próprio e focado em si.

Temos o tipo perdido: que é o gajo que anda ali na berma da estrada, às vezes com uma camada (valente bebedeira) em cima, demasiado absinto de sexta para sábado, está a caminho de casa porque lhe fanaram o telemóvel e já não tem bago na carteira.

(não sei se já alguém apanhou um destes, mas é fantástico, nem eles sabem o que estão ali a fazer, parece que caminham em direção ao firmamento ou lá o que é)

Temos o ciclista: é o tipo que, habitualmente, tem a mesma largura que a própria bina, não sei se é porque passa muito tempo lá montado mas parece que já se fundem, o ciclista e a bina. Dá sempre a ideia que, depois de desmontar vai ficar na mesma posição, assim tipo de agachamento ou lá o que é. Aparenta carecer que lhes seja administrado, urgentemente, de forma intravenosa, um valente bitoque. Apresenta-se completamente apetrechado com todas as cenas do bina world, sabe bem para que servem os objetos e não receia usa-los. Na cabeça traz um capacete túnel-de-vento, na cara uns óculos-mosca, no tronco uma t-shirt cool de todas as cores menos amarelo, porque dessa forma seria catalogado como cagão na sua comunidade, na parte inferior uns calções cu-de-macaco que visam o não assamento da peida dos glúteos em resultado das horas em contacto com o selim. Nos pés uns sapatos lady gaga que servem para agarrar os pedais como ninguém.

E temos o tão esperado gajo da bina: frequentemente confundido com o ciclistas (especialmente e quase exclusivamente pelo próprio), o gajo da bina diferencia-se logo à partida pelo seu porte mais anafado. Tem sempre uma espécie de almofada abdominal - resultado dos treinos ao nível da imperial - e os calções, apesar de apresentarem a mesma proteção de peida de glúteos, no gajo da bina não aparentam fazer o tradicional cu-de-macaco, não sinhores!, aqui parece que observamos um homem adulto que decidiu nessa manhã proteger o befe com um penso Lindor da avó.

Ou seja, ao passo que o ciclista parece uma espécie de gazela-cu-de-macaco em duas rodas, o gajo da bina é um wannabe cansado que leva o lombo ao esgotamento quando chega à primeira subida, potencialmente sofrende de alguma incontinência urinária.

 

Definidas que estão as diferenças e as personagens desta história com cariz de sátira e exacerbação ao limite (nunca é demais deixar claro para não melindrar pessoas que não sabem fazer aquilo a que se chama de interpretação, Deus queira que não se dediquem ao ensino) passamos ao ponto fundamental: a convivência entre espécies.

 

O planeta é só um, e só Deus sabe que a estrada nacional é também só uma e tantas vezes estreita. A berma é larga e os ciclistas (a par com os gajos da bina) têm direitos que devem ser respeitados. Mas, com esses direitos vêm também os deveres e responsabilidades.

Não me aporrinha de todo - e estou certa que não aporrinha ninguém - que haja ciclistas na estrada, é um habito salutar que deve ser valorizado. Agora, o que não pode acontecer é que, porque as pessoas gostam de andar montadas numa bicicleta ao fim de semana, passem a achar que é tudo à vontade do freguês.

Por exemplo: desde quando é que os condutores dos carros vão na estrada lado a lado a conversar? Nunca, não podem, são multados e mesmo que não fossem não tinham interesse, se é para conversar vão os dois no mesmo carro ou, metem a conversa em dia quando chegarem à pastelaria.

O ciclista, na sua conduta corretíssima, ali vai na sua vida, pedalando forte para fazer os 134 km a que se propôs para esse sábado. Não quer conversa, quer pedalar, ajeita-se à berma ou vai no canto da estrada, quer estar na vida dele e não pretende importunar a dos outros. Já o gajo da bina tem outra agenda. O gajo da bina vai para o cycling pelo convívio, quer falar da bina que comprou, de quanto lhe custou, dos planos que tem para fazer uma porrada de quilómetros, do jantar de logo à noite e mais mil coisas que lhe podem ocorrer. O gajo da bina leva lanche e pedala em dor à mínima inclinação. Ou seja, o gajo da bina devia estar inscrito na hidroginástica com as velhotas da comunidade, que gostam de paleio, e não montado numa 'cicleta.

 

O ciclista, sabe que tem direitos, sabe que tem deveres, não incomoda e não quer ser incomodado.

 

O gajo da bina, antes sequer de a montar, já sabe que quem se meter com ele está fucked (sim, porque o gajo da bina está nisto pelo cycling e gosta de terminologia anglo-saxónica). O gajo da bina pedalou 1 mile e já está a mandar vir com o primeiro Opel Corsa que passa porque a estrada também é dos ciclistas e os carros têm de passar a metro e meio de distância. O gajo da bina vai pôr-se ao lado de outro gajo da bina e vão ali, a falar dos planos que não vão cumprir e das bicicletas que vão comprar para, mais cedo ou mais tarde, pendurar na garagem, enquanto fazem com que os automobilistas sofram. Olham para trás e, quanto mais desesperado está o condutor, mais devagar vai o gajo da bina. Porque o gajo da bina não tira prazer em andar de 'cicleta, o gajo da bina vibra em fazer com que os nervos dos outros fiquem em frangalhos.

 

Não param em sinais vermelhos, não abrandam em rotundas, porque os outros têm de dar prioridade aos gajos da bina. Agem como se fossem uma minoria ostracizada da sociedade, quando são os próprios que não cumprem com regras nenhumas.

O gajo da bina é aquele que um dia vai descobrir outro desporto de nome estrangeiro para o qual precisa de gastar uma pipa de massa - assim tem qualquer coisa que pode gabar aos amigos - muda de objetivos para estar em linha com o gang e mete a bina na garagem.

 

A nós, almas que penam com esta malta, resta desejar que descubram um novo rumo depressa e de preferência longe da vida dos outros.

 

A importância da saude dentária

No domingo à tarde fomos passear ao Parque da Paz, andava desde o inicio da semana passada a pedir para ir ao jardim dos patos, para lhes irmos dar pão.

Lá fomos.

Chegámos ao fim da tarde e a bicharada já estava de bandulho cheio, resguardada no meio das ervas altas a preparar-se para o final de dia.

- Mãe, os patos não têm mais fome?

- Parece que não filho, estão a preparar-se para ir dormir?

- Não se podem esquecer de lavar os dentes!

- Pois não, é muito importante ter uns dentes saudáveis...especialmente para os patos!

 

(tem uma preocupação muito grande com a saúde dentária este meu filho)

 

Que mal-criada pá!

Há quem não goste de vernáculo. Quem o tema. Quem se envergonhe. Quem se aporrinhe. Quem se ofenda. Quem fique fog-fog-tru-di-ru-dói-lhe-o-cu. Eu cá gosto muito e recomendo. É coisa para resolver p’a cima de uma porrada de irritações.

Para quem queira a receita, não tem glúten, não tem lacticínios e não tem proteína animal. Ah, e é tudo biológico. Nada de pesticidas e coisas que profanam o bem estar do corpo no seu ambiente natural de conservação.

 

Receita simples para ferroar 1 pessoa e libertar as energias do mal:

 

2 «P’ó caralhinho»

4 «Foda-se»

3 «Vai à merda»

5 «Rai’que ta parta!»

1 «P’á puta que te pariu»

 

Se o instrumento de aplicação for de difícil manuseamento, é sujeita-lo ao dobro dos quantidades dispostas na receita. Se mesmo assim não resultar é virar costas e deixar o tratamento em banho-maria.

 

De nada, ando cá mesmo para vos dar alento.

 

(este é o meu tratamento de hoje para a vida. porque quando a vida não nos faz rir discordo em fazer-lhe cocegas, é espatar-lhe com uma lambadona e perguntar "...se passa sua vadalhoca?!")

 

Limites

Não quero conhecer os meus.

Faço exercício porque quero que o meu lombo seja mais estreito e, se possível, mais rijo.

Corro, de quando em vez, porque já vi com os meus próprios olhos que me mirra as ancas como nenhum outro desporto.

Mas corro o suficiente para o efeito, não quero saber até onde consigo correr, nem a que velocidade. Deixo isso para o caso de um dia ter de dar à sola de um mitra, ou caso me dê para fazer um safari e um miau miau de beiças grandes decidir que me quer papar.

Tenho cuidado (algum) com o que como, sem fundamentalismos nem regras intransigentes, que mais não seja porque não sei se algum drone me acerta um dia no alto da pinha, deitando por terra os meus cuidados com a saúde.

Calho a poder e marchavam 3 bolos por dia sem qualquer problema.

 

Não sinto qualquer vontade de saltar de paraquedas ou de fazer bungee jumping. Não quero fazer festas a um tubarão dentro de uma gaiola. Não quero saltar de ravinas para o mar porque alguém disse que era libertador.

 

Está na moda testar os limites.

As pessoas que o fazer (ou que dizem que o fazem, nunca sabemos bem) são idolatradas por isso. Toda a gente fica num embasbacamento que mete dó.

Eu cá só quero conhecer os meu limite máximo aos 120 anos de idade. De resto vivo bem assim, com o q.b. do dia a dia. Tenho para mim que isto mais uns anos ainda volta a estar na moda. É como aquela saia xadrez da minha mãe que eu não quis guardar e há 3 semanas paguei caro para ter uma igual.

Sou mesmo um bicho muito sem interesse, eu sei, e cada vez mais me conformo que me sinto bem exatamente dessa maneira.

Sem comer sushi.

Sem ir a corridas e depois comparar tempos.

Sem saltar de ravinas.

Sem saltar de um avião com paraquedas.

Sem ir fazer mato com a carrinha.

Sem comer açorda. Blhac.

Entre outras coisas arriscadas.

 

Eu não sou velha do Restelo, sou as ossadas de dinossauro que alguém encontrou no jardim do Restelo, ali atrás dos croissants do Careca.

 

bored.gif

 

(Este maravilhoso espaço de entretenimento tem conta no facebook e também arreia texto e imagem no Instagram. Ainda não segues?  Shame on you...)

 

Quando os cocós têm vida

"Mãe anda cá vê o meu cocó! Olha ele tem um amigo. É vedade. E sabes?! O meu cocó tem um filho...é...e o cocó-pai foi à loja compar uma escova de dentes nova para o cocó amigo"

 

by Sôtor meu rico filho

 

#tudoéumahistória

#nãoprecisofazertesteDNA

#sópodiasermeufilho

 

Há uns meses que andamos na dança do penico. Temos-lhe dado o espaço que precisa. O tempo que precisa. Cada um tem o seu tempo para aprender e não se devem forçar estas coisas.

Como em tudo na vida desta criança, de um dia para o outro, como se de uma resolução se tratasse, ele decidiu começar a pedir para ir ao penico. E tem sido assim desde então.

 

Depois dessa "decisão", chamemos-lhe assim, começou a normalização do tema e o achar graça a ir ao penico. Com esse à vontade chegou a sua interpretação criativa das suas "obras".

Há umas semanas chamou-me para o limpar e, como já vem a ser seu apanágio, pediu para observar o seu "presente", depois disse-me:

- Olha mãe, é tão bonito, paece um jadim!

 

Depois houve outra ocasião em que me disse:

- Olha para o cocó que eu fiz, tão gande, quase paece um castelo!

 

Na semana passada apareceu com mais uma pérola:

- Olha mãe, paece o meu alicate!

 

E é assim, há senhoras que veem o futuro nas borras de café, sôtor meu rico filho vê arte no cocó. Eu devo ser uma espécie de agente do artista porque ele chama-me sempre para que eu valide a qualidade da "escultura".

 

(Este maravilhoso espaço de entretenimento tem conta no facebook e também arreia texto e imagem no Instagram. Ainda não segues?  Shame on you...)

…quando temos tanto trabalho…

…que mais parece que vamos pegar um touro de caras....

 

Primeiro ficamos incrédulos e revoltados com a vida em todas as suas vertentes...

 

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1 - giphy.gif

 

 

 

Depois tentamos incorporar o Gustavo que há em nós...

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2 - the limit does not exist.gif

 

 

 

O aceleração ganha compasso e só apetece é fumar uma cigarrada para acalmar tudo....porque nós conseguimos tudo...

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3 - I can do it.gif

 

 

 

Mas a ansiedade começa a levar a melhor e o aperto no peito fica mais forte...até porque já não fumamos, deixámos o glúten, evitamos o açúcar e só comemos laticínios 2 vezes por semana. E a segunda feira não é um desses dias. Ficamos sozinhos com o desespero....e a nossa coragem...

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4 - I can't breath.gif

 

 

 

Vai daí e intimamos o Gustavo que temos cá dentro novamente...já mais vidrado e passado, mas o Gugu na mesma...porque nós conseguimos tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, foda-se, conseguimos mesmo tudo...

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5 - I can do it all.gif

 

 

 

É só mais um bocadinho...esticar mais um nadinha e despachar mais aqueles 2553635635 temas e fica concluído. O segredo é não deixar que a mente nos minta e nunca parar, nem para mijar, nem para comer, mesmo o respirar deve ser contido...redução de custos corporais...

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No fim vamos conseguir...

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Nem que seja ficar de focinho no chão...mas vamos conseguir.

 

BORAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!

 

O leitor pede, o leitor tem (desde que seja decente) - os papa-torradas que malham a fatia do meio

Comer uma torrada não é um exercício desprovido de ciência, como alguns podem pensar. É preciso garantir que as duas fatias de pão estão corretamente barradas com manteiga de ambos os lados, nada daquelas mariquices lisboetas de só barrar a torrada de um lado, e ainda a vender mais caro porque assim é light.

Isso é só chico-espertismo. Uma forma de vender mais caro uma coisa que fica ais barata, usando o colesterol e o medo de falecimento por enfarte do miocárdio, como forma de convencer a pessoa.

Se algum dia vos fizerem isso, é devolver! De imediato!

Garantida a conformidade do barramento do pão passamos a uma avaliação rápida para que possamos começamos a comer a torrada do lado certo. Às vezes à pedaços de pão mais tortos, ou apenas com um aspeto menos sedutor. Pelo que é começar por esses primeiro e gradualmente passar aos mais atraentes. A ideia é deixar o melhor para o fim. Ou seja, se começamos com a côdea do lado direito ou com a côdea do lado esquerdo.

E damos inicio ao deglutição da torrada.

Naco mais à esquerda.

Naco mais à direita.

Passamos à fatia de baixo.

Repetimos o processo.

Naco mais à esquerda.

Naco mais à direita.

O objetivo é que, a meio do processo de degustação, esteja no prato uma espécie de uma torre de pão torrado, com ambos os nacos do meio de cada fatia de pão, maioritariamente miolo, boa quantidade de manteiga e pequenos pedaços de côdea nas extremidades, cujo único propósito é que a pessoa consiga segurar no pão sem se borrar toda.

Em circunstâncias ideais a pessoa consegue concluir a degustação da sua torrada sem incómodos. Mas depois há os papa-torradas.

 

O papa-torradas-que-malham-a-fatia-do-meio (doravante apenas papa-torradas porque não há pachorra para escrever isto tudo várias vezes) é um elemento que, caso houvesse justiça divina, seria arrebatado por um barrote de 20 quilos no alto da pinha, no preciso momento em que toca com as ganfias no naco do meio da torrada de outra pessoa.

Mas como não há justiça divina para estas calamidades mundanas....temos de conviver com eles.

 

Agem de forma displicente mas sabem bem ao que vão.

Por regra o comportamento começa por se manifestar na negação a pedir uma torrada própria, não têm fome, vontade, deixaram de comer pão, são intolerantes ao glúten e merdas afins.

Depois, quando chega a torrada do outro começam gradualmente a ficar gulosos, a olhar de forma pecaminosa para o naco alheio. Vai daí, oportunistas que são, aproveitam para ficar com a melhor parte.

Quando a torrada chega à mesa, o dono da torrada oferece, porque é educado e porque quer garantir que se dá, é uma parte carregada de côdea. Mas o papa-torradas é sabido e faz-se de difícil: que tem bom aspeto mas não tem vontade.

Assim que a pessoa pega no primeiro naco da direita, diz o papa-torradas:

- Bom, já que insistes, vou aceitar! (dito com o pesar de quem esteve a pensar uma porrada de tempo naquilo)

E, como que está no bingo a comer em linha, pega no primeiro naco do meio.

A outra possibilidade de papa-torradas, é o papa-torradas introvertido. Esse espera que a pessoa coma todo o contorno do pão para depois dizer que afinal tem um ratinho e que sempre comia qualquer coisa.

Devia ser um fato que estava preso no metro em dia de greve...por isso é que chegou atrasado...

 

Este tipo de gente não vinga comigo.

Se eu ofereci e não aceitaram em tempo útil, assim que estendem as ganfias em direção à torrada esclareço:

- Se não querias, agora já não queres!

Atão mas o que é isto!

 

Toda esta conversa fez-me lembrar uma história podre de velha.

Quando eu entrei para a faculdade havia um tipo do 2º ou do 3º ano, ou lá o que era, que se vinha sempre sentar na mesma mesa que eu e mais umas raparigas com quem fiz amizade na altura.

Como as tinha praxado achava que era uma espécie de galo na capoeira. Ora como je ne suis pa une galinhe, il ne ha pa de galo pa canter avec mon habitation. Estão a ver?!

Vai daí que este marmanjo era um para-torradas. Abancava em mesa alheia, não pedia nada para si e depois ia mamando torrada dos pratos das outra.

Uma delas uma vez queixou-se:

- Já viste que é a segunda torrada que vou comprar, o gajo comeu a torrada quase toda...eu ainda não tomei o pequeno almoço.

E eu tentei ensina-la:

- Isso acontece porque tu não o pões no lugar dele.

Nesse mesmo dia o jovem, depois de ter malhado forte na torrada dessa minha amiga, e aproveitando que eu também tinha uma torradinha à minha frente, entendeu que havia de esticar o braço e abarbatar um naco de pão da minha torrada. Ora pois que, assim que a primeira falange tocou no pão ouviu o seguinte:

- Vais comer da minha torrada é o caral&%! Tira já daí essas ganfias. Tens fome? Vai comprar para ti. Não tens dinheiro? Pede à mamã. Não és meu filho pois não!? Atão põe-te a andar.

Acontece que o jovem era de famílias com posses relativamente simpáticas, até porque tinha um popó melhor que o de muitos docentes. Se a mãe gastou tudo com o carro e as propinas, que vendesse uma jante.

(eu hoje sou uma pessoa mais madura, mais educada e com outro saber-estar...já lá vão os tempos em que eu usava este tipo de vernáculo)

 

E é isto, a Ângela e sua cara metade chamaram a minha atenção para esta raça de gente. Uma espécie com a qual não gosto de me dar, mas para a qual já desenvolvi algumas ferramentas para educar.

Espero ter contribuído para que, de futuro, se sintam mais capazes para enxotar esta escumalha da vossa vida.

 

Na loja do mestre André há um banquinho do pensamento

Supernanny_2.png

(deixa-me cá informar que esta imagem foi retirada da net, antes que a Nova Gente me faça comprar uma revista)

 

Ao que parece, após um pouco de indagação e vasculhamento na vida da magnifica domadora de crianças vem-se a saber que existe uma espécie de ligação sentimental com o não menos brilhante André Ventura.

Ora pois que a senhora que se parodia em programas de televisão onde se intitula como uma pessoa que quer garantir o equilíbrio e educação de crianças, mas depois, vai-se a ver e tem ali um soft spot por meninos mal comportados e respondões.

Pergunto-me se o sentará no banquinho do pensamento e se depois, munida do seu fato escuro e dos seus óculos de massa pretos, o faz vergar-se no seu joelho e lhe arreia umas nalgadas de mão cheia no pandeiro, que, ainda se vem a descobrir, está coberto por um cuecão comprado a 2€/ 3 pares na praça dos ciganos.

Já o senhor, que manifestou aqui há uns tempos uma certa aversão às pessoas de etnia cigana, podemos agora constatar que afinal, e para grande estranheza minha, que se deixa submeter a senhoras de cabelos negros e longos.

Estranho.

No final disto tudo ainda brincam às casinhas lá em casa, ele trata-a por “minha cigana tendeira” e ela, a ferver com o insulto, manda-o sentar-se no banquinho do pensamento enquanto o priva da chucha por 20 minutos. Depois de muito ponderar e prometer não voltar a fazer o mesmo, pede perdão à sua linda nanny tau-tau.

Ele há coisas do arco da velha.