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Blog Bestialmente Conhecido

Stress pós parque infantil

Eu sempre fui uma criança bastante sossegada. Reza a história de que me davam uns brinquedos e eu encontrava forma de me entreter sem ser preciso grande supervisão.

O Nuno era um rapazito tranquilo, que nunca deu grandes dores de cabeça, tinha lá o seu feitio, mas não desgastava os pais por aí além.

Pequeno sôtor vem provar que a matemática está sempre certa: menos com menos dá mais.

 

Ele tem a energia de 20 crianças. Parece um poço inesgotável de adrenalina. 

 

Por isso temos de encontrar formas de ele conseguir desgastar essa pinha Duracell que tem lá dentro.

 

Quando está bom tempo é fácil, levamo-lo ao jardim e ele brinca, corre, inventa corridas, saltos, o que for. Chega a casa capaz de se sentar a lanchar e ver uma Patrulha Pata. Mas, quando está mau tempo - ou seja chuva - as coisas mudam de figura e é preciso entrete-lo dentro de casa.

Não é fácil. Porque quer atenção e fica aborrecido porque não tem como canalizar os watts todos que lhe correm pelo corpo.

Por isso, quando ele fez 3 anos fomos com ele pela primeira vez a um parque de diversões infantil. Daqueles que têm piscinas de bolas, trampolins, insufláveis e uma caixa gigante com escorregas e atividades. Uma espécie de caixa que engole a criança para uma teia de brincadeira.

Ele não adorou. Ele VIBROU com aquilo. Ficou doido. Está sempre a pedir para ir.

Descobrimos um parque desses a 5 minutos de carro da nossa casa, por isso, quando conseguimos sair mais cedo à sexta-feira - porque fizemos horas a mais nos outros dias - vamos busca-lo aos avós e fazemos uma surpresa com uma ida inesperada à - como ele chama - "Quinta das Bolas".

Normalmente à sexta-feira, já perto da hora de fecho, quase não há crianças - vezes há em que está mesmo só ele - e eu, apesar de saber que é menos divertido para ele, sei que é mais descasado para mim. Ninguém para o empurrar, consigo saber onde está a todos os segundos. Respiro melhor.

 

Mas, nem sempre dá para ir à sexta-feira.

 

A semana passada e esta fomos ao sábado. Logo de manhã, depois de abrir, lá estamos nós. Sabemos que fazem festas de aniversário e as crianças estão ao rubro. Mas ninguém nos preparava para o choque da primeira vez.

Quando abrimos a porta parecia que estávamos a chegar ao zoo. A loucura total. Os miúdos ficam mesmo ensandecidos com aquilo. O nosso entrou logo nesse modo assim que a porta se abriu, como se houvesse uma onda magnética que os contagia a todos.

Descalçou-se e lá foi ele, qual sagui agarrado aos ramos das árvores. E descalço-me também, dou coordenadas ao Nuno para que ele esteja atento ao outro lado das trincheiras.

Medos vários: que caia, que o empurrem, que lhe deem um sopapo sem querer, que o empurrem do escorrega...

Alerta mãe ao rubro. Parecia que estava numa operação de guerra no Afeganistão.

 

Fica lá uma hora (1 hora). A ele parece sempre pouco. A mim parecem-me 24 horas. 

Quando saímos estou em estado meio prostrado, vidrada no horizonte, o olho esquerdo aos saltos, as mãos a agitar-se sem razão. A cabeça a dizer de si para si:

 

(Este maravilhoso espaço de entretenimento tem conta no facebook e também arreia texto e imagem no Instagram. Ainda não segues?  Shame on you...)