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Blog Bestialmente Conhecido

A diferença entre dieta e reeducação alimentar

Está no nome que damos à mesma coisa.

 

Porque é uma e a mesma coisa. A sério que é.

 

Senão vejamos.

 

Lembro-me de ver a minha mãe a fazer dieta. Nesses dias comia peixe cozido com poucas ou nenhumas batatas, alguns verdes e nenhum tempero. O lanche eram umas peças de fruta, água com limão, chá e outras mezinhas. Os bifinhos podia come-los grelhados e acompanhados de salada.

Podia comer muita sopinha e verduras.

Estavam proibidos os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos e os fritos.

 

Havia muita fominha envolvida e uma privação do catano.

 

Hoje os tempos mudaram. As pessoas não fazem dieta. Quem quer perder peso como deve de ser segue a corrente da reeducação alimentar, que, como o próprio nome indica, é uma espécie de revolução da papinha para uma pessoa saber mandar para o bucho material em condições.

Muitas verduras. Muitos grelhados, cozidos e estufados. Muito legume salteado. Muita sopa. Algum (pouco) pãozinho de centeio. Iogurtes com os índices de açúcar reduzidos. Cereais de caixa onde indica sem açúcar. Muita água. Chá sem açúcar. Galão sem açúcar. Café sem açúcar. Enfim é agarrar no açúcar e leva-lo ao topo de um monte para o abater com uma caçadeira.

Estão proibidos os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos, os fritos e os refrigerantes.

 

Ou seja, o mundo deu voltas e voltas, a dieta passou a chamar-se pomposamente de “reeducação alimentar” porque desta forma, a modos que, o cérebro é iludido a acreditar que não está em dor e privação e uma pessoa tenta acostuinar-se ao facto de que pode passar por uma pastelaria sem querer malhar o primeiro palmier-recheado-com-creme-de-manteiga-e-polvilhado-com-açúcar-de-pasteleiro que aparece.

 

A pessoa tem um dia para fazer uma “refeição livre” que é uma coisa que sabe um pouco a penitenciária, na realidade da pessoa que teve a semana toda na solitária e à sexta pode ir dar um passeio ao pátio, sabendo que, vai voltar para o lado escuro da vida, onde os bolos, o pão, as gorduras, as massas, os molhos e os fritos estão longe de ser uma presença bem vinda.

 

Assim, neste processo iniciado no sábado, concluo que estou em dieta, mas com a possibilidade de comer mais palitos de cenoura que no tempo da minha mãe. Estou livre de comer sopa as vezes que quiser desde que a maldita não tenha batata. Posso beber o que quiser, desde que seja chá, e que o mesmo não seja adoçado.

 

Estou no céu e agora vou ali comer o meu iogurte de coco (que me custou os olhos da cara), com as não mais e não menos que duas colheres de cereais, sem açúcar. Vou fazer-me acreditar que é tudo delicioso e que as calças, daqui a umas semanas, vão cair depois de abotoadas.

 

(isso e procurar uma influenciadora boa como o milho que me faça acreditar que legumes salteados, se insistirmos em come-los tempo suficiente, até sabem melhor que batatas fritas)

 

#tenhobuéexcuses #nãosirvioparamotivarninguém #querocomerqualquermerdaesermagranamesma

 

Então quando é que dão um irmão ao puto?

Quando namoramos com alguém há algum tempo, já apresentámos à família, até já comprámos casa ou já juntámos os trapos; quando parece que a coisa é para ser séria a pergunta que se impõe sempre é: então quando é que casam?

Não é se querem casar, se gostariam de casar, se pensam em casar, o que pensam do casamento, ou se estão felizes assim, sem festas de vestidos brancos e papillons. Não, é sempre para acontecer restando saber quando.

Toda a minha gente o pergunta. É como se fosse uma espécie de pergunta de elevador mas para pessoas mais próximas.

Depois casam e a malfadada passa a ser: então e filhos?

Não é se querem filhos, se está a correr bem, se têm planos conjuntos.

Filhos. É o único passo aceitável.

Se um casal, depois de 1 ou 2 anos de casamento ainda não tem herdeiros começam-se a orçamentar razões: um deles não consegue, ela anda a fazer tratamentos, ela é muito independente e não se quer ver agarrada a filhos, ele é muito infantil, discutem demasiado e já houve alguém que soubesse que ela foi passar uns dias a casa dos pais (mesmo que não tenha ido). Contam-se pelos dedos de uma mão - e não são precisos todos - as pessoas que se inibem de fazer conjeturas e ditar novelas com as vidas alheias.

 

Eu tratei de todos os assuntos de uma só vez. Planeámos o casamento em Janeiro (ninguém soube), engravidei em Maio, soube em Junho que estava grávida, casámos em Julho e em final de agosto comunicámos a toda a gente que tínhamos casado e que íamos ser pais.

 

A diferença deixa as pessoas sem palavras. A certeza de que somos meio estranhos. A mim deu-me o descanso de fazer as coisas à minha maneira.

 

Chegamos então à terceira pergunta da praxe: para quando mais filhos?

Não é se queremos. Para quando o próximo? É isso, sempre o quando, nunca o se.

Quando temos um filho com 3 anos as pessoas começam a pressionar para que venha mais um. Se temos algum apoio são ainda mais incisivas. Porque temos muita sorte de ter os avós para ajudar, por isso podemos sempre fazer como os Gremlins e orientar uma cria por ano.

Tudo o resto é acessório.

Para os outros, que estão de fora. Porque a vida dos outros é sempre fácil de gerir.

 

Não deixa contudo de ser engraçado que, quando alguém anuncia um terceiro filho se encontre uma manifestação de surpresa acoplada com as perguntas e observações também mais batidas que o catano: a vida deve estar a correr bem, três porra!, mas os segundos são gémeos?, devem estar a ganhar bem, se dois já é difícil imagino com 3. Ou seja, como sempre, na vida dos grandes gestores de vida alheia há um numero certo e uma hora ideal para fazer tudo. Pena que não apareça escrita num livro. 

 

Importa contudo fazer a diferença entre quem brinca e quem fala a sério. Eu não sou dada à deixa do casamento, talvez porque não goste de casamentos, mas já mandei a "agora é começar a fazer filhos pá!", claro que o faço com quem estou à vontade e com quem confio que sabe que estou a fazer pouco da situação.

Até porque as pessoas quando se põem com esta conversa não sabem em que momento da vida estão os outros, não sabem se até o querem mas não estão a conseguir, e por isso não sabem que às vezes causam dor em quem já está magoado por ver um sonho por realizar.

 

Nunca gostei que me fizessem estas perguntas de algibeira. Sim de algibeira. Uma coisa é uma pessoa amiga, próxima, que sei que gosta de saber de mim. Se essa pessoa me pergunta se não estou a pensar em casar, fá-lo num contexto mais intimo, em que não estejam mais 10 pessoas a assistir à minha resposta, e fá-lo porque quer genuinamente saber de mim. Nos outros cenários a pessoa faz a pergunta para não ficar calada, para atirar para o ar, desconsiderando por completo o incomodo que pode causar.

Vamos pegar num exemplo. Um casal que está junto há bastante tempo mas as coisas têm estado tremidas, é algo que não tem de ser do conhecimento de todos, e e algo que pode gerar incomodo.

O mesmo acontece com um casal que esteja a tentar ter filhos, se quer manter essa dificuldade para si - eu sei, as pessoas tendem a achar que se tem de partilhar tudo (não têm!!!) - vão ficar incomodados com a pergunta.

 

Eu tive momentos em que me incomodei. Depois fui aprendendo a borrifar-me e agora, que me deparo frequentemente com a 3ª maldita tenho já resposta pronta:

 

Estou a pensar dar-lhe uma playstation aos 5. Um cão de grande porte - que possa lidar com as suas brincadeiras mais brutas - logo que nos mudemos para uma vivenda. Um gato pela mesma altura. O novo Patrulheiro da Patrulha Para quem sabe para o Natal. Mas um irmão é coisa que não está nos planos e até ver o futuro parece-me brilhantemente delineado apenas com um filho. Até porque os pais devem ter filhos porque querem ser pais, não porque os filhos querem irmãos. Pelo menos na minha cabeça é assim: Todos os filhos devem resultar de um desejo carregado de amor dos pais (sejam homem e mulher; homem e homem; mulher e mulher; seja que tipo de casal for, valendo o mesmo para famílias mono-parentais) de ter um filho, seja o primeiro ou o décimo.

 

E porquê? Para os mais curiosos.

Não esperei anos para engravidar, ao contrário do que pensei que pudesse acontecer. Mas tive uma gravidez difícil de de alto risco, como eu nunca julguei possível.

Vomitei-me durante 4 meses. Enjoei coisas que ainda hoje não consigo comer. Antes dos 5 meses já ficava sem fôlego em qualquer circunstancia e rapidamente tive de lidar com contrações que me obrigavam a estar escarrapachada no sofá como se fosse uma amiba.

A cesariana não foi tão simples quanto eu pensava e a minha ligação com esta criatura foi mais intensa do que eu estava à espera.

Não me consegui tornar na mãe sensata e sempre com os livros certos na ponta da língua que julguei. Vou aprendendo a descomplicar as coisas conforme aparecem e percebi que a melhor coisa que tenho a fazer é deixar os livros na prateleira.

É claro que há muitas dicas úteis, mas para a maior parte dos casos é preciso confiar na nossa forma de pensar e naquilo que sabemos dos nossos filhos. Nos livros os miúdos parecem sempre iguais. Na realidade são muito diferentes, porque não há duas pessoas iguais, mesmo que sejam gémeas.

Porque me entristeço todos uns dias um pouco com a vida que tenho e com a falta de tempo que dela resulta para que eu possa ser uma mãe mais dedicada, mais presente, que ensina com tempo, com detalhe.

Depois recupero e penso que a vida é como é e para a frente é que está o caminho.

O meu miúdo tem uma energia infindável e eu não me imagino a passar por outra gravidez destas enquanto corro atrás desta criatura duracell.

Não consigo cozinhar na minha cabeça como é que conseguiria absorver os momentos importantes de ambos. Assusta-me profundamente perder ainda mais deste e não registar nada de um próximo.

Por isso a resposta é: provavelmente nunca. Porque na maior parte dos dias consigo chegar a um equilíbrio com este. A gravidez já lá vai, o tempo é escasso mas eu ainda o estico para estar todos os dias. 

Aos poucos vou conseguindo ser pessoa também, vou organizando e reorganizando os dias para que me permitam ser pessoa e mulher sem ter de estar sempre com o fato de mãe vestido. Momentos pequenos, minutos, que me permitam respirar, fazer algo por mim e estar mais satisfeita comigo e com a vida o que resulta numa pessoa mais satisfeita e disponível para o seu filho muito ativo.

Por hora a vida é assim. Estamos organizados na nossa desorganização.

E estamos muito bem assim.

 

O humor está pela hora da morte

O entretido pede que o entretenham:

"Ocupa-me o tempo e faz-me rir, mas cuidado, não me ofendas, tem atenção aos meus princípios, aos meus gostos e desamores, às minhas crenças, à minha experiência de vida, aos meus limites, aos meus preconceitos, às minhas recentes mudanças de vida, ao meu aspeto físico e às maleitas da minha família. Não se faz pouco das caracteristicas de outras pessoas, ou, pelo menos não das que eu gosto, das outras podes, tem é de adivinhar quais são. Faz-me rir a bandeiras despregadas, é tua obrigação, ter graça. Mas lembra-te que há coisas com que não se brinca. Não se faz pouco de coisas sérias. "

Brincar com as coisas que já são de brincar é, como diria o RAP, chover no molhado.

Ser engraçado, fazer rir dando a cara é difícil, mas mais fácil de entender. Um gesto de corpo, uma careta, uma risada no fim de uma frase, a entoação; transmitem inequivocamente ao outro que o que está a ser dito é a brincar. Esclarece quem é o visado na piada.

Quando se escreve humor (na minha humilde opinião de quem consume o produto do humor escrito e admira o desafio), a piada, a critica humorística - se é que isso existe - depende de duas partes: em primeiro lugar do humorista, que tem de conseguir um texto bem construido e que faça acender as luzes da gargalhada no leitor; em segundo, mas com igual importância, quem lê; é fundamental que tenha a capacidade de interpretar o que está a ser transmitido, sem leituras literais. Compreender assim o sentido que lhe está a ser transmitido.

 

No tempo da outra senhora os humoristas eram os bobos da corte, com os seus fatos espampanantes e os seus gestos exagerados, destinguiam-se dos outros e todos sabiam pela sinalética vestuária que era sempre "tudo a brincar", ainda assim, as massas esperavam pela gargalhada do rei, o riso da rainha, esses sim ditavam se tinha ou não graça. O pescoço do bobo estava sempre a 10 centímetros da guilhotina.

Enfim, uma profissão de risco.

 

Infelizmente para mim que adoro rir, parece-me que caminhamos a passos largos para um tempo menos evoluído que a era da outra senhora. O que é preocupante. Uma vez que estamos mais próximos de 2100 do que de 1700.

O humor parece estar pela hora da morte.

 

Não tenho ações investidas no humor, mas para quem tem o meu conselho é vender na bolsa enquanto ainda valem alguma coisa.

Vender, vender, vender.

Depois é investir na censura, tem ganho valor de forma galopante e falta pouco para que arrecadem uma fortuna.

 

(Este texto não pretende comentar ou refletir nada da minha realidade presente, felizmente, é uma avaliação que faço do mundo quando vejo as noticias...por isso evito tanto)

 

Let's talk about food baby...

Não sigo tendências.

Não gosto de dietas da moda.

Detesto as palavras dieta e regime.

Desligo o sensor de atenção sempre que me querem fazer acreditar que há uma filosofia alimentar para todos, daquelas que deveriam ser mais ou menos como as luvas mágicas (lembram-se?! muito populares nos anos 80 e 90), adequadas para qualquer tamanho de mão.

Talvez seja assim porque já fiz várias experiências e hoje acredite que só há uma coisa que faz sentido: o equilíbrio. Já deixei de comer carne por 5 anos. Já reduzi de forma drástica os hidratos de carbono, já deixei o glúten e os laticínios, já cortei com o açúcar. Só não me meti naquela de comer um alimento por dia. Fazia-me confusão a coisa de passar um dia a ananás, um dia a morangos e por aí em diante.

Hoje tenho uma política de balanço, como de tudo e evito os excessos.

 

Cada corpo é um corpo diferente, com necessidades que devem ser adaptadas. E esta é para mim uma ideia fundamental à qual também eu tive de me adaptar.

 

Por exemplo: enquanto a maior parte das pessoas recebe recomendações para reduzir a quantidade de sal consumida, eu tenho conselho do médico para comer mais sal. Porquê? Porque tenho a tensão arterial de um passarinho e para que seja mais saudável deve estar um pouco mais alta. Café, sal e algum açúcar ajudam.

Humm, alimentos proibidos para muita gente....

 

Outro exemplo, a minha mãe comia pouco açúcar e andava em dieta de quando em vez, lembro-me de a ver a comer peixe cozinho com legumes sem qualquer tempero. Tinha diabetes e às vezes tinha de fazer uma alimentação mais restritiva para melhorar a sua saúde geral. Faleceu com cancro aos 46 anos.

O meu pai tem 69 anos, gosta do seu wiskey, come mais chupas que 15 crianças, os chocolates mal pousam no armário, o pequeno almoço são bolachas de manteiga (há mais de 35 anos), fuma 1 maço e meio de tabaco por dia e, para além das maleitas da idade nada de grave a apontar.

De acordo com todos os alertas que se veem o meu pai é um milagre da natureza.

 

O chocolate faz bem à saúde, os frutos secos são uma excelente fonte de proteína vegetal e de óleos essenciais, para a maioria das pessoas, se eu der um cheirinho de um destes à minha querida Paula ela cai-me para o lado com um choque anafilatico. 

 

A aveia é excelente, bem como o leite e a farinha de amêndoa, mas e se eu disser que amêndoa em excesso me faz eczema na pele e a aveia me dá cabo dos intestinos?

 

Os espinafres são uma extraordinária fonte de fibra e de ferro. Mas a minha cunhada não os pode comer porque tem síndrome de Crohn, que já a fez perder uma parte do intestino. Vegetais de folha verde escura estão banidos da alimentação.

 

Podia continuar com mil exemplos, mas a conclusão é muito simples: a alimentação deve ser adequada e adaptada às necessidades de cada um. Está errado acreditar que aquilo que a pessoa A come é inquestionavelmente bom para todo o universo.

 

Dito isto, gosto de aprender. Gosto de saber que outras coisas existem que possam enriquecer o meu cardápio, seja um doce bem calórico e carregado de açúcar, para fazer quando há um jantar cá em casa ou só porque estou deprimida e preciso de alguma coisa para me adoçar o dia; seja para saber como se fazem uns bolinhos porreiros para levar para o lanche, preferencialmente nada de muito pesado e com pouco açúcar.

 

Acho fundamental que a alimentação que escolhemos fazer seja essencialmente nutritiva, mas parece-me um crime considerar que há venenos que têm de ser banidos para todo o sempre.

Os fundamentalismos nunca foram bons e as ideias radicais também já demonstraram ter algumas lacunas, pelo que me parece que o meio termo, o equilíbrio, é sempre o melhor caminho.

 

O único fundamentalismo que aceito é o do equilíbrio.

 

Afinal de contas posso sempre fazer a alimentação certa, posso virar a cara a todos os Pasteis de Belém e depois vem um carro descompensado e pumbas!, de nada valeu aquele cuidado todo.

Viver, não passa só por viajar e vestir roupas de marca e ir a spas e tal. Viver passa por ter prazer nas coisas mais pequenas da vida, como um souflé de chocolate, ou um snikers comprado numa máquina no meio de um dia de stress.

 

Dito isto, cada um deve fazer o que o deixa confortável com a sua decisão, respeitando sempre as opções dos outros. E isto é muito importante: respeitar as decisões dos outros.

 

Assim, e depois desta palheta toda, quero deixar aqui algumas receitas de coisas saudáveis que incorporei nos cardápios de pequeno almoço e lanche cá de casa. Todas são saborosas e se repetem diversas vezes.

 

A primeira são estes queques de laranja do blog Mama Paleo. São deliciosos e super fáceis de fazer.

 

Outra são estes muffins de coco e pepitas de chocolate que encontrei na NIT.

 

Por fim o best seller cá de casa: as minhas panquecas adaptadas.

A receita original é do Gorden Ramsey (video abaixo), eu adaptei com ingredientes diferentes. Ficam ótimas, super fofas e um brilharete com sôtor que já ajuda a fazer.

 

Cá vai:

 

  • 3 Ovos
  • 1 Embalagem de natas de soja
  • 1 Colher de sopa de açúcar de coco
  • 1 Colher de sopa de linhaça
  • 1/2 Colher de sobremesa de fermento para bolos (gosto de usar sem glúten, há à venda barato da marca do Continente)
  • 125 gramas de farinha de espelta (tem glúten, mas tem em muito menor quantidade que o Trigo tradicional; é mais leve e de mais fácil digestão)

Tudo bem batido e frigideira com elas. Meia concha de sopa dá uma panqueca. Não uso gordura nenhuma, como a frigideira tem um bom anti aderente não precisa.

 

 

 

Se chegaram ao fim deste post sem desistir, deixem-me antes de mais felicitar-vos pela paciência e perseverança, depois dar-vos uma espécie de conselho: se os miúdos vos pedirem um chupa, se eles se portaram bem, façam o favor de lho comprarem, só se é criança uma vez na vida, não se esqueçam disso. Eles devem viver de forma saudável, mas livres dos nossos medos e fantasmas, esses chegam para nós.

 

Ciclista vs gajo da bina

Atenção por favor: Antes de avançarmos quero deixar algumas notas para o leitor mais sensível: a) a autora do blog não se responsabiliza pelo tema, uma vez que foi escrito por sugestão de uma leitora, pelo que se não gostarem vão moer-lhe a cabeça a ela; b) a autora do blog gosta de chamar os bois pelos nomes sem o objetivo de melindrar ou ofender, pelo que se não há sentido pejorativo quando caracterizamos alguém como "magro", também não há sentido pejorativo quando dizemos "gordo", eu não vou dizer que uma pessoa loira é "aquela-rapariga-que-não-é-morena" por conta das anedotas totós que se contam de mulheres de cabelo amarelo.

Dito isto, prossigamos.

 

Nunca aprendi a andar de bicicleta, a minha mãe achava que eu já caia demasiadas vezes com os 2 pés no chão para arriscar pôr-me em cima de 2 rodas.

Toda a minha vida mantive um certo fascínio por bicicletas e por pessoas que conseguem fazer delas objetos úteis.

Este meu fascínio tem vindo a diminuir com o tempo e é tudo culpa da tipologia de pessoas que se dão aos prazeres do passeio em duas rodas sem motor.

 

Começou a tornar-se moda andar de bicicleta por toda a parte, ou melhor, pegou a moda do cycling (sim, moda, há 10 anos não se via tanta bicicleta na estrada, é mais ou menos como correr, enquanto foi apenas corrida, ninguém achava giro, quando passou a ser running, até os gorditos aderiram, especialmente aqueles que já tinham estado inscritos em 263 ginásios em todos os meses de janeiro (resoluções de fim de ano) e meses de abril (avizinha-se a época balnear)).

Ou seja, o que antigamente era o ciclismo - borring!!! - e agora é cycling ganhou todo um dress code e tudo é mais divertido. Para não falar que em pleno século XXI é extremely cool publicar o caminho percorrido na bina, para os amigos fazerem bueda likes e cenas...

De outra forma era só uma pessoa montada numa bicicleta a pedalar, sem ninguém lhe reconhecer o esforço e isso é tremendamente idiota.

Nesta senda é ver a malta montada nas suas binas de milhares de euros, com os seus capacetes cabeça-de-mosca e os seus calções cu-de-macaco. É vê-los felizes e contentes, bermas afora, pedalando e direção só-Deus-sabe-ao-quê-de-Expresso-chegavam-mais-depressa-e-com-preço-da-bina-dava-para-uma-porrada-de-viagens.

E é aqui, nas bermas dessas estradas nacionais afora, que importa identificar claramente os intervenientes que circulam pela selva de betão.

 

Temos o condutor de automóvel: que é o gajo do popó, à partida tem coisas para fazer - tipo tarefas que não conseguiu dar conta durante a semana porque tem de trabalhar - e que quer chegar a sítios dentro dos limites de velocidade permitidos.

Temos o gajo da mota, mas não vamos falar desse porque merece tempo de antena muito próprio e focado em si.

Temos o tipo perdido: que é o gajo que anda ali na berma da estrada, às vezes com uma camada (valente bebedeira) em cima, demasiado absinto de sexta para sábado, está a caminho de casa porque lhe fanaram o telemóvel e já não tem bago na carteira.

(não sei se já alguém apanhou um destes, mas é fantástico, nem eles sabem o que estão ali a fazer, parece que caminham em direção ao firmamento ou lá o que é)

Temos o ciclista: é o tipo que, habitualmente, tem a mesma largura que a própria bina, não sei se é porque passa muito tempo lá montado mas parece que já se fundem, o ciclista e a bina. Dá sempre a ideia que, depois de desmontar vai ficar na mesma posição, assim tipo de agachamento ou lá o que é. Aparenta carecer que lhes seja administrado, urgentemente, de forma intravenosa, um valente bitoque. Apresenta-se completamente apetrechado com todas as cenas do bina world, sabe bem para que servem os objetos e não receia usa-los. Na cabeça traz um capacete túnel-de-vento, na cara uns óculos-mosca, no tronco uma t-shirt cool de todas as cores menos amarelo, porque dessa forma seria catalogado como cagão na sua comunidade, na parte inferior uns calções cu-de-macaco que visam o não assamento da peida dos glúteos em resultado das horas em contacto com o selim. Nos pés uns sapatos lady gaga que servem para agarrar os pedais como ninguém.

E temos o tão esperado gajo da bina: frequentemente confundido com o ciclistas (especialmente e quase exclusivamente pelo próprio), o gajo da bina diferencia-se logo à partida pelo seu porte mais anafado. Tem sempre uma espécie de almofada abdominal - resultado dos treinos ao nível da imperial - e os calções, apesar de apresentarem a mesma proteção de peida de glúteos, no gajo da bina não aparentam fazer o tradicional cu-de-macaco, não sinhores!, aqui parece que observamos um homem adulto que decidiu nessa manhã proteger o befe com um penso Lindor da avó.

Ou seja, ao passo que o ciclista parece uma espécie de gazela-cu-de-macaco em duas rodas, o gajo da bina é um wannabe cansado que leva o lombo ao esgotamento quando chega à primeira subida, potencialmente sofrende de alguma incontinência urinária.

 

Definidas que estão as diferenças e as personagens desta história com cariz de sátira e exacerbação ao limite (nunca é demais deixar claro para não melindrar pessoas que não sabem fazer aquilo a que se chama de interpretação, Deus queira que não se dediquem ao ensino) passamos ao ponto fundamental: a convivência entre espécies.

 

O planeta é só um, e só Deus sabe que a estrada nacional é também só uma e tantas vezes estreita. A berma é larga e os ciclistas (a par com os gajos da bina) têm direitos que devem ser respeitados. Mas, com esses direitos vêm também os deveres e responsabilidades.

Não me aporrinha de todo - e estou certa que não aporrinha ninguém - que haja ciclistas na estrada, é um habito salutar que deve ser valorizado. Agora, o que não pode acontecer é que, porque as pessoas gostam de andar montadas numa bicicleta ao fim de semana, passem a achar que é tudo à vontade do freguês.

Por exemplo: desde quando é que os condutores dos carros vão na estrada lado a lado a conversar? Nunca, não podem, são multados e mesmo que não fossem não tinham interesse, se é para conversar vão os dois no mesmo carro ou, metem a conversa em dia quando chegarem à pastelaria.

O ciclista, na sua conduta corretíssima, ali vai na sua vida, pedalando forte para fazer os 134 km a que se propôs para esse sábado. Não quer conversa, quer pedalar, ajeita-se à berma ou vai no canto da estrada, quer estar na vida dele e não pretende importunar a dos outros. Já o gajo da bina tem outra agenda. O gajo da bina vai para o cycling pelo convívio, quer falar da bina que comprou, de quanto lhe custou, dos planos que tem para fazer uma porrada de quilómetros, do jantar de logo à noite e mais mil coisas que lhe podem ocorrer. O gajo da bina leva lanche e pedala em dor à mínima inclinação. Ou seja, o gajo da bina devia estar inscrito na hidroginástica com as velhotas da comunidade, que gostam de paleio, e não montado numa 'cicleta.

 

O ciclista, sabe que tem direitos, sabe que tem deveres, não incomoda e não quer ser incomodado.

 

O gajo da bina, antes sequer de a montar, já sabe que quem se meter com ele está fucked (sim, porque o gajo da bina está nisto pelo cycling e gosta de terminologia anglo-saxónica). O gajo da bina pedalou 1 mile e já está a mandar vir com o primeiro Opel Corsa que passa porque a estrada também é dos ciclistas e os carros têm de passar a metro e meio de distância. O gajo da bina vai pôr-se ao lado de outro gajo da bina e vão ali, a falar dos planos que não vão cumprir e das bicicletas que vão comprar para, mais cedo ou mais tarde, pendurar na garagem, enquanto fazem com que os automobilistas sofram. Olham para trás e, quanto mais desesperado está o condutor, mais devagar vai o gajo da bina. Porque o gajo da bina não tira prazer em andar de 'cicleta, o gajo da bina vibra em fazer com que os nervos dos outros fiquem em frangalhos.

 

Não param em sinais vermelhos, não abrandam em rotundas, porque os outros têm de dar prioridade aos gajos da bina. Agem como se fossem uma minoria ostracizada da sociedade, quando são os próprios que não cumprem com regras nenhumas.

O gajo da bina é aquele que um dia vai descobrir outro desporto de nome estrangeiro para o qual precisa de gastar uma pipa de massa - assim tem qualquer coisa que pode gabar aos amigos - muda de objetivos para estar em linha com o gang e mete a bina na garagem.

 

A nós, almas que penam com esta malta, resta desejar que descubram um novo rumo depressa e de preferência longe da vida dos outros.

 

Trabalhar a partir de casa

6160 são as horas.

Uma média de 256 dias.

Este é o tempo estimado que perco por ano em viagens de trabalho casa / casa trabalho.

 

Um ano tem - normalmente - 365 dias, desses, aproximadamente 250 são dias úteis, se excluirmos os fins de semana e feriados. Retirando férias ficamos com uma média simpática de 220 úteis.

Demoro todos os dias um mínimo de 60 minutos a chegar ao trabalho, o mesmo para regressar a casa, isto se não houver engarrafamentos, obras, operações stop, acidentes, tentativas de suicídio, avarias e por aí em diante.

Esta média de 2 horas diárias resulta em aproximadamente 440 horas por ano em filas de trânsito. O que equivale a mais ou menos 18 dias por ano. Se considerarmos que eu trabalho há 14 anos, significa que, desde que estou empregada já gastei 6160 horas - equivalentes a 256 dias - em momentos completamente inúteis, ou seja, em filas de trânsito.

Estas são horas que eu podia ter usado para: descansar, correr, fazer tricot, cozinhar, passear os cães, ver uma serie, brincar com o meu filho, arrumar a casa, a fazer serviço comunitário ou alguma espécie de voluntariado; foram antes gastas em filas, a encher-me de nervos, a esfrangalhar-me de stress e a poluir a atmosfera. Para não falar na minha ansiedade nos píncaros pelas coisas que tinha de fazer antes das 9 e só consegui começar quase às 10. E nem vamos tocar na frustração de ter de ficar a trabalhar até mais tarde para compensar atrasos resultantes de esbardalhamentos na via.

 

Quero desesperadamente trabalhar a partir de casa. Continuar a fazer o trabalho que faço hoje, manter o meu querido empregador, mas poder fazer a maioria do meu trabalho a partir da secretária do meu escritório doméstico.

 

Sei que há pessoas que gostam e preferem "ir para o emprego". Sentem que precisam de estar num determinado sitio para cumprirem com as suas obrigações porque de outra forma se distraem. Mais, precisam de conviver com outras pessoas e de interagir.

Eu compreendo.

Não acho que as pessoas devam ser obrigadas a trabalhar a partir de casa. Acho que devem ter essa escolha.

Para mim não se impõe a necessidade de ir ao escritório. Em primeiro lugar porque, a menos que tenha reuniões, não preciso de estar num sitio especifico para fazer o meu trabalho, posso faze-lo em qualquer lado, até numa esplanada de café. Tenho a disciplina necessária para cumprir com todas as minhas tarefas sem me distrair com series de TV ou refastelando-me de forma babada no sofá.

Cumpriria precisamente da mesma forma e se calhar até conseguia fazer mais, porque não tinha atrasos, porque não me preocupava nem stressava com as 18 horas: porque tenho de ir buscar o miúdo e pode estar transito e tenho de fazer o jantar, etc. Porque me sobrava tempo para fazer coisas que gosto, para conviver com pessoas cuja presença me faz falta e para quem tenho sempre tão pouco tempo. Ficaria mais satisfeita e trabalharia com mais afinco ainda.

A juntar a isto conseguiria fazer aquilo que as mulheres são mestres a levar a cabo. Enquanto faço um relatório, a roupa lava na máquina. Em vez de fazer pausa para cigarro, ponho a roupa a secar no estendal. Enquanto coze o arroz para o almoço respondo a mais um e-mail. Na pausa da tarde posso aproveitar para passear os cães ou dar uma aspiradela na sala. Às 18 fiz o mesmo, não tendo pela frente uma viagem de 1 hora até casa, posso ir correr, ir ao ginásio, fazer algo para mim, e ainda ir buscar o pequeno com tempo de sobra para brincarmos e fazermos o jantar.

 

Estas férias de Páscoa passei-as enfiada em casa. Ranhosa, a arrastar-me pelos cantos.

Ainda não estou melhor, desta vez a gripe acertou-me em cheio.

Na quinta feira trouxe o PC para casa, tinha a ideia de adiantar algumas coisas para esta semana. Foi uma sorte. Como já tenho acessos remotos, em vez de ficar em stress porque ia ficar com muito trabalho em atraso por estar em casa doente, ainda que a meio gás, posso adiantar trabalho.

Ainda não é política da empresa que possamos trabalhar a partir de casa, mas já é possível faze-lo e hoje, ranhosa, com o miúdo ainda com pingo no nariz mais mais rijo, pude pedir aos avós que ficassem com ele umas horas e eu, enquanto fungo, despacho relatórios, e-mails e temas que precisava que ficassem fechados esta semana.

Doente mas produtiva.

Agora só falta poder fazer isto mesmo nos dias bons e sãos.

 

Burrice vs Bajulação

Sou uma apreciadora e atenta observadora do comportamento animal. Tenho a minha especialização no mamífero homo sapiens e não me canso de estudar a sua conduta. Ao contrário do que acontece com os demais mamíferos e até mesmo com os primos babuínos, o homo sapiens é um animal dotado de raciocínio, ou pelo menos assim se espera. A par com essa capacidade de raciocínio, que varia de forma abissal de individuo A para o individuo B, existe uma condicionante associada à necessidade de validação, em forma de elogio permanente, que tem uma maior incidência para o homo sapiens que é burro que nem uma porta e uma menor incidência para o homo sapiens que é esperto o suficiente para saber o que vale.

 

Não falo na satisfação por compreender que está integrado entre os seus pares. Falo na carência de graxa como se de um sapato se tratasse.

 

São pessoas que gostam de trazer agarradas a si elementos dados à louvaminhice num índice exacerbado com vista à satisfação das suas próprias necessidades. Ou seja graxistas profissionais.

 

Assim, após longos anos de estudos da condição humana, cheguei ao desenho do quadro abaixo. Quanto mais burro se é, mais é precisa a bajulice. Quanto mais esperto se é, menos paciência se tem para lambe botas.

 

Ora botem os olhos:

 chart 2.png

 

(faço notar que se incluem aqui as pessoas que providenciam a sua própria bajulice, que são aqueles espécimes que estão sempre a auto idolatrar-se, fazem sempre tudo bem, são sempre lindos, sempre super espertos, muita engraçados, e por aí em diante…)

 

Por um serviço de estética silencioso

Fui pela primeira vez a uma esteticista devia ter os meus 16 anos.

Desde então já perdi a conta ao numero de esteticistas das quais fui cliente, mas tenho a certeza absoluta que é exatamente o mesmo numero de esteticistas aos quais deixei de ir.

Podia ter sido por mau serviço, por me terem deixado a cramalheira sem sobrancelhas, por me terem depilado em demasiado ou deixado matas de pelo onde devia haver pele lisa. Por se queixarem de ser só canelas e elas a querer depilar perna completa.

Mas não. Não me queimaram, não me arrancaram pelos a mais nem pelos a menos.

 

Excetuando uma moça que mudou de área de residência (para minha grande infelicidade), deixei de ir a todas pelo mesmo motivo: falam demais para o meu gosto.

 

Detesto conversa de circunstância, detesto ter de falar de tempo e da novela das nove, detesto fazer conversa para encher chouriços em qualquer circunstância, mas repudio ainda mais ter de ser alvo de entretenimento vazio quando me estão a infligir dor. Eu não quero ser entretida quando estou em sofrimento. Sou como os animais irracionais, gosto que me deixem com o meu sofrimento em paz, a ultrapassar aquele momento da forma que o meu cérebro o consegue aceitar. Procurando auto convencer-me de que existe um motivo racional, válido e proveitoso para eu estar 15 minutos a arrancar pelos da minha cara, sofrendo por cada pilosidade extraída e repetindo o processo com uma periodicidade inferior a 1 mês.

 

Quando me sento para ser "arranjada" quero que o momento acabe depressa, não quero saber da vida da pessoa, de como chegou ao trabalho, do que vai almoçar, do que pensa dos sons que a rodeia, se demora a comer ou se come mais rápido que um dragão do komodo atrasado prá missa. Quando a conversa entabulada vai para lá do "o que é que vamos fazer hoje?!" eu começo a sentir um aperto forte no peito, o corpo endurece e a agonia é palpável na minha garganta.

 

As coisas ficam ainda piores quando me querem vender produtos que eu não quero.

Nota importante: eu não acredito que haja um creme (nem mil) que façam com que a fronha que recebi para enfrentar o mundo fique igual à da Charlize Theron, pelo que não me moam a carola. Se eu quiser comprar 25 cremes para barrar a tromba e iludir a mente de que fico mais nova e fresca, eu pergunto por eles. Até lá, não me massacrem o crânio com informações que eu já conheço e muito menos com a ênfase de todos os defeitos da minha cútis. Não é perfeita nem há de ser.

EU JÁ SEI!

 

Dito isto, decidi começar a ir às senhoras da linha. Aquilo parece uma espécie de malabarismo que envolve um cruzamento de costura com arte manual e dentária. Uma ponta da linha em cada mão, um pedaço na boca e, após vários movimentos estranhos elas conseguem extrair pelos e pelos da cramalheira de uma pessoa.

Fica sempre bem (tirando aquela vez em que a moça estava ainda a aprender e me sacou uns pedaços de chicha também. acontece!).

 

Gosto de lá ir porque o trabalho é sempre bem feito e porque, como raras vezes é a mesma pessoa e elas têm um tempo curto para cada cliente, nunca há muita conversa.

O é que vai ser?

Vai ser isto?

E siga pa bingo!

 

Hoje calhou-me uma moça com carências de desabafo. Ela falava e eu sorria por fora e implorava por dentro que me deixasse estar.

Não suporto aquela coisa de pim, pim, pim, sabe que este fim de semana vai chover outra vez, pim, pim, pim. Eu em agonia. Está um barulho estranho aqui hoje, pim, pim, pim, não estou habituada a este barulho, pim, pim.

 

Por isso enquanto estava em sofrimento duplo, causado pela dor física e pela dor mental; ocorreu-se-me que devia ser criado um sistema de senhas com opção sobre a forma de atendimento. Uma pessoa chega, tira a senha e recebe três opções:

a) Com conversa.

b) Conversa mínima.

c) Silêncio total.

Dessa forma a esteticista já sabe como garantir que dá à cliente o que esta procura, e a cliente sabe que vai ter um serviço à sua medida.

 

Para mim opção c) como é evidente.

 

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Dia internacional do cheira-cús

Qualquer pessoa que tenha carta há quaisquer 15 dias já sabe o que é um cheira-cús.

Trata-se de uma estirpe de condutor que prossegue o seu caminho sempre alapado à traseira do nosso carro. Pode ser porque o nosso carro tem uma bagageira tremendamente sensual, mas pode também ser porque são pessoas absurdamente parvas que acham que se forem ali bem juntinhas, espetam fartas no sistema nervoso do condutor que vai à frente e o pressionam a fazer uma de duas coisas: andar mais depressa ou sair da frente.

O condutor cheira-cús é uma espécie de atrelado sem ligação física. Não é preciso cabos para o prender a nós, ele segue com destreza no nosso encalço. Porventura porque aproveita o túnel de vento que criamos com a nossa passagem, e assim desgasta menos o cromado do seu potente Ford Fiesta rebaixado-com-tubo-de-escape-do-tamanho-de-uma-bazuca.

Mas não são só os kitados que são uns afaga-nalgas do trânsito. Há malta que parece assim até que vai cumprir com o código da estrada e odespois, pumbas!, quando olhamos para o espelho, qual elemento da Mossad qual quê, estão ali, tão rentes que nos fazem apitar os sensores de estacionamento.

Se calhar é por contas disso, querem derreter-nos os sensores de estacionamento, por isso se põem tão perto.

Dão-se depois aqueles momentos em que conseguem, derretem os sensores e metem a bagageira pa dentro.

Hoje a caminho do trabalho apanhei dois. Um cheira-cús a seguir ao outro, por isso palpita-me que deve ser o dia Internacional deste animal e eles andam a comemorar.