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Blog Bestialmente Conhecido

Workaholic

Quando somos pequenos estão sempre a perguntar-nos o que queremos ser quando formos grandes?

E o que queremos ser, assume-se sempre que seja uma profissão, como se aquilo que decidimos fazer para ganhar a vida nos definisse.

Ainda hoje, depois de velhos a pergunta é muitas vezes a mesma: o que é que é?; em vez de o que é que faz?

 

Quando sabemos que vamos ter um filho, quando damos connosco de cabeça meio perdida a imaginar o futuro, é inevitável pensar "o que é que ele vai ser?". E tal como todas as outras pessoas, acabamos por pensar na profissão que vai escolher: engenheiro, médico, piloto, professor, jornalista, empreiteiro, gestor, pasteleiro, padeiro e por aí fora.

Ao fim de muito pouco tempo dei comigo a pensar: o que eu quero que ele seja é feliz. Que saiba aproveitar a vida. Que tenha a sorte necessária para ter uma vida longa, saudável e cheia de coisas boas. Que tenha a possibilidade de escolher uma profissão que o complete. Que seja um bom homem, uma boa pessoa, um ser humano de que eu me orgulhe, mas mais importante de quem ele próprio se orgulhe. Que goste de si mesmo.

A nossa profissão é uma ínfima parte do que somos e não nos deve definir.

 

(a não ser que a nossa profissão seja ser bandido...)

 

Desde que ficou amigo do médico otorrino que o operou, e mais ainda desde que ficou amigo do pediatra, que brinca a ser médico. Inventa objetos para fazer de conta de cuida dos brinquedos, está sempre a examina-los e eu tenho de guardar a 7 chaves os xaropes e os supositórios - não porque ele se possa magoar com eles (ele não os quer para ele) - mas porque ele os quer gastar a curar os bonecos.

 

Ontem oferecemos-lhe uma mala de médico. Uma coisa muito singela, uma gracinha, só mesmo para perceber se ele achava graça.

Ficou doido e meteu logo as mãos ao trabalho, o quarto transformou-se num consultório e só houve pausa no que estava a fazer para me ajudar a preparar um sumo de laranja. Até porque toda a gente sabe que mais importante do que salvar pessoas é espremer laranjas para lhes dar vitamina c 

 

Hoje depois de acordar quis logo ir para o quarto. Tinha coisas para fazer.

O pequeno almoço estava no bucho desde as 6 e qualquer coisa e então lá foi ele.

Estivemos a desconfiscar brinquedos. E se eram muitos!

 

Aqui em casa não há palmadas. Há ralhetes e confiscamento de brinquedos. Há televisões que se desligam. Impõe-se uma noção clara de que os bons comportamentos fazem com que tenhamos as coisas que gostamos, e os maus têm o sentido inverso.

Ainda não há mesada, por isso, quando os maus comportamentos imperam, há brinquedos que são confiscados pela mãe. Multa imediata. Mínimo uma semana. Saem de encarceramento no fim de semana. Isto se as coisas melhorarem. Senão é tipo pontos para a carta, acomula...

 

Hoje foi dia de restituição de pertences. Como a semana foi, digamos que, preenchida, havia muita coisa a devolver.

Depois de entregues todos os brinquedos perguntou-me:

- Mãe, agoa que tenho eta mala shô dotô?

- És filho, agora és um doutor.

- Se calar é milhô mostá aos binquedos as minhas coisas de dotô.

E assim fez, com os brinquedos em linha, começou a apresentar-lhes os objetos da sua mala, que é para eles saberem que agora, se tiverem alguma enfermidade, podem recorrer ao médico de serviço.

No meio disto aparece o pai para saber se ele queria comer mais qualquer coisa. A resposta foi simples:

- Huummm (pensou)....não. Agoa tenho de tabalar. Tô a tabalar, nã pocho!

 

E assim descobri que o meu filho é um potencial workaholic.

Eu farto-me de trabalhar para ele ter uma vida mais folgada, e agora o tipo quer é labuta e labuta.

Realmente Deus dá nozes a quem não tem dentes. 

 

Quando os cocós têm vida

"Mãe anda cá vê o meu cocó! Olha ele tem um amigo. É vedade. E sabes?! O meu cocó tem um filho...é...e o cocó-pai foi à loja compar uma escova de dentes nova para o cocó amigo"

 

by Sôtor meu rico filho

 

#tudoéumahistória

#nãoprecisofazertesteDNA

#sópodiasermeufilho

 

Há uns meses que andamos na dança do penico. Temos-lhe dado o espaço que precisa. O tempo que precisa. Cada um tem o seu tempo para aprender e não se devem forçar estas coisas.

Como em tudo na vida desta criança, de um dia para o outro, como se de uma resolução se tratasse, ele decidiu começar a pedir para ir ao penico. E tem sido assim desde então.

 

Depois dessa "decisão", chamemos-lhe assim, começou a normalização do tema e o achar graça a ir ao penico. Com esse à vontade chegou a sua interpretação criativa das suas "obras".

Há umas semanas chamou-me para o limpar e, como já vem a ser seu apanágio, pediu para observar o seu "presente", depois disse-me:

- Olha mãe, é tão bonito, paece um jadim!

 

Depois houve outra ocasião em que me disse:

- Olha para o cocó que eu fiz, tão gande, quase paece um castelo!

 

Na semana passada apareceu com mais uma pérola:

- Olha mãe, paece o meu alicate!

 

E é assim, há senhoras que veem o futuro nas borras de café, sôtor meu rico filho vê arte no cocó. Eu devo ser uma espécie de agente do artista porque ele chama-me sempre para que eu valide a qualidade da "escultura".

 

(Este maravilhoso espaço de entretenimento tem conta no facebook e também arreia texto e imagem no Instagram. Ainda não segues?  Shame on you...)

Banco "Mãe"

Domingo é dia de piscina e compras da semana. 

Com as semanas atarefadas que temos é importante fazer as compras durante o fim de semana para que não passemos os dias a ir comprar coisas em falta ao supermercado.

Por isso, e tendo em conta que a piscina e o nosso supermercado de escolha são mesmo ao lado um do outro temos sempre o mesmo programa: piscina seguida de compras semanais.

O pequeno já sabe disso e, quando sai da piscina, pergunta logo se vamos à compras a seguir.

 

Sôtor tem uma preocupação extrema com os seus dentes. Não sei explicar porquê, mas gosta de lavar os dentes. De manhã, antes de almoço, depois de almoço, a meio da tarde, antes de jantar, depois de jantar, antes de deitar e, se por acaso passar à porta da casa de banho e se lembrar disso pede para lavar os dentes.

Não os lava sempre com pasta, a maioria das vezes esfrega só um pouco os dentes com a escova e lá vai à vida dele.

 

Quando vai às compras ao fim de semana gosta de compras escovas de dentes. Isso mesmo: escovas de dentes.

Prefere isso a um kinder surpresa.

 

Hoje não foi exceção.

 

Chegámos ao supermercado e começou por pedir gomas. Estão logo à entrada e são dos poucos doces que ele gosta de comer.

- Não, não podes comprar mais gomas, senão qualquer dia em casa nadamos em pacotes de gomas.

Disse-lhe eu, porque já temos gomas a mais para esta habitação.

- Então queo compá uma escova de dentes nova!

Responde imediatamente.

E eu que ele tinha comprado a semana passada duas escovas.

E ele que precisava na mesma de outras de cor diferente.

Lá falámos e ficou decidido que comprava as escovas. Assim que se viu com as benditas na mão comportou-se lindamente e não quis mais nada. 

Quer dizer...ainda tentou pedir um ovo de chocolate (as lojas já começam a estar cheias de coisas de Pascoa, sou só eu ou ainda falta um bocado de tempo?!), mas não teve sorte, porque depois não o come, só o quer abrir e fico eu, que preciso de aligeirar o tamanho do meu lombo, agarrada ao ovo de chocolate.

 

Estávamos a caminho da caixa quando ele me diz:

- Mãe eu consigo pagar as minhas escovas sozinho.

- Aí é filho. Então e tens dinheiro para isso?

- Não. Tenho muita pena, mas não tenho dinheiro.

Parou um pouco para pensar.

...

...

- Mãe?

- Sim.

- Tu tens dinheiro?

- Tenho.

- Empestas-me pa eu pagar as minhas escovas?

 

#sem problema.

Em caso de falta de verba é pedir ao "Banco" Mãe. Vai tendo saldo e é a spread 0%.

 

Sôtor vs conversa de chacha

Sôtor é uma pequena cópia de sua rica mãe.

Em resultado de tal circunstância têm pouca pachorra para conversa de encher chouriços e que repitam aquilo que acabou de dizer, prova disso foram estas duas conversas de ontem:

Eu: Este peixe tem umas espinhas valentes.

Sôtor: Tem espinhas como aqueles peixes que nós vimos na loja grande dos animais que fica no shopping e que tem muitos peixes.

O pai: Este peixe tem muitas espinhas como os peixes que viste na loja de animais do shopping, filho? Pois é.

Sôtor (enquanto faz scroll no tlm pelo tédio de ouvir o pai repetir): Sim pai, era o que eu estava a dizer...

 

Depois, já na cama estava a adivinhar as cores dos lençóis

Sôtor: Aqui é creme, aqui é azul e aqui é laranja.

O pai: Aqui é laranja, não é filho?

Sõtor: Sim pai, era o que eu estava a dizer. Vamos ler uma história.

Como quem diz: esta conversa já foi chão que deu uvas, vamos mazé fazer outra coisa.

 

Rico filho, que é a mãezinha chapada.