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Blog Bestialmente Conhecido

ESPERA! Eu vou falar com a mãe dele

Fomos dar o dito “passeio do xixi” pelas redondezas. Mexer as pernas, passar pela secção de brinquedos do ‘Tinente, comprar algumas coisitas para o jantar. Enfim, coisa miúda de vidinha caseira.

No ‘Tinente o senhor segurança achou que lhe estava a fazer fornicoques o piqueno estar a experimentar o sofá de exposição e eu, que não estou para me chatear em dias de tranquilidade, disse-lhe que íamos andando até ao jardim.

Não sei bem como é que se espera que uns sofás de vendam só pela experimentação ocular, mas se essa é condição sine qua non, eu dispenso.

Estamos a falar de um estabelecimento frequentado maioritariamente por clientes sénior, que jogam valentes cartadas em dias de chuva com os befes sentados nas cadeiras da pastelaria do espaço a troco de 4 copos e água bem cheios faxavore!, e por fluxos extremos de chefes e chefas de família que têm o jantar para fazer. Há sempre 2 seguranças, os do turno de dia são sempre grandes matulões, lamento a comparação, mas parecem-se sempre armários de 4 portas. Os de final do dia, parece que tinham sido comidos pelos primeiros, franzinos que só eles.

Deve querer dizer que a mitragem da minha zona só ataca das 09 às 18, nada de horas extra para a gandulagem.

 

Vai daí e ontem, num tédio só, o senhor segurança achou que o que o maior delito era mesmo uma criança de 3 anos estar sentada num sofá de exposição.

Certo!

Pena que não ponham os olhos nos gatunos que roubam os brinquedos das caixas deixando o cartão que o bonequito segue no bolso. Mas bom, questões existenciais de moimeme.

 

Seguimos tranquilos para o jardim.

 

Duas voltas no escorrega, Sôtor identifica um menino a brincar com um carrinho amarelo na areia. Vai ter com ele.

 

Sôtor – Empresta-me o teu carro.

Miúdo que não sei o nome – (nada)

(à falta de resposta vira-se para o adulto mais próximo com o qual tem confiança, ou seja, eu)

Sôtor – Eu quero o carro dele.

Eu – Tens aqui o teu, o menino precisa do dele.

Sõtor – Mas eu quero o dele.

Eu – Mas ele também o quer.

Sôtor (para o Miúdo que não sei o nome) – Toma! Ficas com os meus brinquedos (eram 2) e eu brinco com o teu. Trocamos.

Miúdo que não sei o nome – (encolheu-se e nada)

Eu – Sôtor, o menino quer brincar com as coisas dele. Deixa o menino. Brinca com o teu carro.

 

(mais 3 insistências, parecia um daqueles vendedores agressivos, já tinha posto ao colo do Miúdo que não sei o nome os brinquedos dele e tudo)

 

Eu – Já vimos que o menino não quer trocar. Brinca com as tuas coisas. Já chega desta conversa.

Sôtor – ESPERA! Eu vou falar com a mãe dele.

 

No período de 30 segundos em que eu fiquei estupefacta a olha para ele, esta criatura-que-eu-trouxe-ao-mundo foi mesmo ter com a mãe do outro miúdo e disse-lhe:

- Ó mãe, diga-lhe lá para ele me emprestar o carro.

 

Eu morri de vergonha ao mesmo tempo que podia cair para o lado de riso não fosse estar de cócoras.

A senhora não sabia onde se enfiar. Riu-se.

 

Foi falar com a mulher 2 vezes, DUAS!

 

Lá falei com ele, fartou-se daquilo e fomos para outro sitio.

 

Contexto: Está habituado e ensinado para partilhar. Insistimos bastante com ele. Não gosto de egoísmos, ainda que os saiba naturais no ser humano e especialmente em crianças que estão a aprender. Gosto que saiba emprestar, trocar, e brincar sem se chatear com as outras crianças. Gosto disto tudo mas também não quero que seja um panhonha que empresta tudo e fica sem nada. É uma linha difícil às vezes, mas que deve ser ensinada. Por isso, para ele, é a coisa mais natural chegar, colocar os brinquedos dele à disposição e que os outros façam o mesmo. Mas, nem todas as crianças são assim (NEM TÊM DE SER!). É esta ultima parte que ele não aceita muito bem.

 

Fica para mim a capacidade estonteante que este meu filho tem de fazer 2 coisas: resolver problemas (ou tentar, vá!); deixar-me a fazer figura de “que raio de educação dá esta ao puto?” perante outros pais.

 

Para os que pensem esta última pergunta, apresso-me a responder: uma educação com liberdade mas com limites bem definidos. Uma com liberdade de pensamento para que ele nunca pare de procurar as soluções, nunca se foque nos problemas e consiga sempre ver o melhor da vida (ou sempre que possível, que eu também não sou dada a frases de pôr do sol). Uma educação em que ele é livre de tentar desde que seja educado e respeitador do outro.

 

Só pode ter genes marroquinos

Nunca fui a Marrocos. Gostava de ir, um dia, mas ainda não chegou o momento.

Dos amigos que já lá foram todos contam histórias iguais de regateio de valores.

"Aquela malta gosta de negociar. Regateiam tudo. E até ficam ofendidos quando aceitamos a primeira oferta."

A criança que tenho em casa parece estar sempre em cenário de negócio. Regateia tudo. Nada fica como proposto à primeira.

O tempo que fica no jardim, o número de mergulhos que ainda vai dar na piscina, os brinquedos que leva para a casa dos avós, as gomas que ganha depois do jantar e - note-se bem - até os brinquedos que lhe confisco quando se porta mal.

 

Entrou numa idade em que já sabe o que é bom e doce. Até fazer um ano não comeu 1 grama de açúcar. Depois disso não lhe podia continuar a esconder o mundo de sabores dos doces.

Ainda assim temos sorte.

Não é guloso.

(ou não muito vá!)

Dispensa praticamente todos os doces e bolos.

Mas quando falamos de gomas...

 

Ao jantar tenta que seja só o que quer. Procura abreviar os pratos, suprimir conteúdos e ver se chega à reta final o mais depressa possível.

Não há cedências, come o prato, come a sopa e no fim, se tudo correr bem, como desejado, ganha 2 gomas.

Tenho em casa vários tipos de gomas para esse efeito.

Marshmellos.

Gomas ditas "tradicionais" (mas sem açúcar por fora).

Gomas "saudáveis", daquelas feitas com sumo de frutas e sem adição de açúcar.

Tento variar.

Ele gosta de todas e eu descobri há algum tempo uma marca de gomas "saudáveis" que ele adora, até as prefere às outras. Acaba o jantar e diz-me:

- Agoa 2 gomas.

- Achas que jantaste bem?

- Comi a sopa toda.

- Tá bem, vou trazer.

- Queo 2 pontes e 1 amoa.

- Isso são 3 gomas...

- Queo 3.

- Mas eram 2...

- Comi a sopa toda...

- Tá bem....dessas podem ser 3.

 

Ele dá nomes específicos às gomas para as destingir. As pontes e as amoras são as gomas saudáveis. A essas eu cedo.

Quando são das outras ele já sabe que é diferente.

 

Com 3 anos começaram as primeiras patifarias à séria. Sobe para cima da cama calçado, quer andar aos saltos. Tenta fazer o mesmo no sofá. Anda atrás do cão. Quer que os cães queiram estar sempre com ele e os coitados já estão velhos demais para isto. Querem é sopas e descanso.

Desarruma tudo, não quer voltar a pôr no lugar.

Anda a correr pela casa e nós sempre de sobreaviso para não haver manobras perigosas e haver um "desastre".

Ralho. Não funciona grande coisa. Ou pelo menos não por muito tempo.

É demasiado parecido comigo.

Não gosto de palmadas e afins. Não acredito que seja com uma lamparina que aprendem melhor.

Um dia destes, já no limite da minha condição nervosa, com um olho a piscar sozinho, descompassado e sem a minha autorização; decidi confiscar brinquedos.

Funciona.

Não se quer ver privado das suas coisas e aligeira a tonteira.

Agora sempre que lhe digo que vou começar a confiscar brinquedos liga o botão do negociador:

- Vais confiscar cales binquedos?

- Não sei, logo vejo.

- Podes confiscar este e este.

(aponta para aqueles que menos lhe interessam)

- Eu é que sei quais confisco, se eu achar melhor podem sempre ser todos!

- Todos!?!?!?!? Todos nã pode ser!

- Se a mãe quiser, se tu continuares a ter maus comportamentos, pode sim!

(pensa nisso e já está a resultar, mas nunca sem uma tentativa de moldar a situação para o melhor cenário possível para si).

 

Em resumo, o miúdo só pode ter genes marroquinos. Algures uma tetra avó minha deve ter-se apaixonado por um jovem em Marrocos e o gene ganhou vida com este artista que tenho em casa.

Só pode!

Só tenho pena que com este não tenha ficado também com o gene do cabelo negro, longo, farto e super liso.

 

Nada é como no cinema

Decidimos ficar pelas redondezas de casa. Em vez de pegar no carro e ir passear longe de casa - como é hábito - decidimos dar um passeio perto de casa. Calçamos ténis confortáveis, pusemos o indispensável nas mochilas e saímos confiantes. Poderia parecer que íamos escalar o Monte Everest, dado que até levávamos mantimentos. Mas íamos só à nossa pastelaria favorita.

A grande diferença é que normalmente vamos de carro e hoje fomos a pé.

Sensivelmente 900 metros para cada lado.

 

O sonho

Íamos caminhar lado a lado. As casas iam parecer tão encantadas que quase combinavam em cores, aos nossos olhos. Conversávamos sobre tudo e nada. Riamos com as piadas de sôtor. Quase parecia que havíamos de dar connosco com calças caqui e um pullover amarelo aos ombros, saídos e uma caixa de bonecos.

 

A realidade.

Assim que começámos caminho sôtor sai-se com a pergunta "quem mora aqui?" e eu respondi "pessoas" ou "vizinhos". Fez a mesma pergunta para todas as casas em que passamos. Sendo que foram 900 metros de ida, dá para imaginar que foram 2 ou 3 casas.

Chegamos à pastelaria e quis logo ir para o parque. Enquanto comemos esteve sempre a despachar-nos. Excetuando aquela parte em que decidiu fazer em farelos o suspiro que lhe comprei.

Fomos ao parque.

Divertiu-se.

Não tanto quando tivemos de vir embora.

 

Fizemo-nos ao caminho de regresso. 

Tenho a dizer que tudo poderia ser mais encantado se neste país os passeios tivessem uma largura decente, para deixar caminhar confortavelmente uma loucura de 2 pessoas. Não sei como fazem pessoas com carrinhos de bebé, mas decerto que passam a vida num aperto, e nem vamos falar das pessoas com dificuldade motora. Deve ser uma brisa.

 

Chegamos ao jardim ao pé da nossa casa, que é enorme e tem um palco montado a meio. Ao fim de semana há atividades e de manhã há aulas de ginástica, pelo que o palco fica montado o ano todo.

Como choveu havia poças de água. Muitas.

Estava tranquilo a brincar quando apareceu outro miúdo que o desafiou para irem brincar para o palco. Ele foi. Começaram a brincadeira de saltar nas poças de água. O Nuno ia ralhar e eu, perdida num qualquer sonho cinematográfico vi aquele momento em câmara lenta, senti-me mais tolerante que a minha mãe e disse para o deixar estar, só se é criança uma vez. Aquele tipo de frases que só se diz quando não se têm filhos ou quando eles já cresceram que chegue para nos esquecermos.

 

O sonho

Ele saltou. Riu. Encharcou-se. Divertiu-se. Rio perdido. Eu vi-o saltar e sorrir em câmara lenta. Gravei os momentos mágicos na minha mente. Senti que a alegria são aqueles segundos. Devemos poder ser crianças. Saltar nas poças.

Ia ficar tão feliz por saber que eu o deixo fazer coisas que a avó não deixaria que, quando lhe dissesse para ir embora nem faria birras.

 

A realidade

De tanto saltar nas poças ficou com os ténis encharcados e as meias também. Eu dei-lhe a abébia para saltar, molhando só os pés e em menos de nada já ele estava a espetar lá com o carrinho e eu a dizer "vou contar até 3, metes aí o carro outra vez vamos embora, toutávizar!".

Saiu dali para ir andar no "comboio" que fica numa caixa de areia. Ao fim de nada já tinha os pés que pareciam 2 croquetes. E eu pensei que se calhasse a andar a saltar nas poças a minha mãe me dava era uma lamparina, porque ficar com os sapatos de berloques cheios de areia era um delito muito grave, 15 pontos a menos da carta de criança. 

Dali foi para o escorrega, os sapatos faziam shuac-shuac a andar e o puto que vinha atrás começou a cuspir terra, porque este enquanto subia largava rastos de pó atrás de si.

Quando dissemos que vínhamos embora começou a mandar vir e, quando percebeu que não valia a pena a fita, resolver moer-me a cabeça até à exaustão.

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

 

E foi assim até eu ir comprar farinha e o pai seguir com ele para casa.

 

A realidade NUUUUNNNNCA é como nos filmes. NUUUUNNNNCA. Por isso é que se chamam filmes.

 

O gajo que inventou o conceito dos terrible 2 deve ter deixado a mulher e o filho nessa altura...para achar que os 2 é que são difíceis...arre, 2 voltem, estão perdoados!

 

 

Nunca o apanharemos a escavar bosta de pónei

Tirámos o dia de férias. Acordámos devagar. Cocegas. Sem pressa. Leite. Penico. Decisões stressantes do que fazer com o tempo quando não há compromissos. Ahhh, o desgaste.

Eu tive de resolver umas coisas de trabalho. Fechei a porta do escritório e dei ao dedo. Vantagens de poder trabalhar à distância (ainda que seja dia de férias, muamuamua).

Vestimos roupa de fim de semana. E ala que se faz tarde.

Destino: Colombo.

Sôtor anda há semanas a pedir para ir ao shopping que fica ao pé do trabalho da mãe. Andou em todos os bonecos de moeda, mas só o da Porquinha Pepa é que levou moeda. Se eu der 1€ cada vez que ele pede já não tenho ordenado ao dia 2 de cada mês.

Vamos ao Continente, investiga a secção de brinquedos e ganha mais um Super Wings.

Partida: Colombo

Destino: Jardim Zoológico

Objetivo: andar de metro

Viu um episódio do Ruca a andar de Metro e anda há mais de 2 meses a pedir para andar de Metro. Já estava pensado para estas mini-férias. Andámos 3 estações e ele estava radiante. Eu estive a mentir o tempo todo. Detesto andar de Metro, não fui feita para estar debaixo do chão e sufoca-me fazer de conta que sou toupeira. Mas engoli os meus medos e disse-lhe que era tudo espetacular. Afinal de contas não quero que o miúdo cresça um choninhas como eu.

Chegamos ao Jardim Zoológico. Tinham dado mau tempo e então o objetivo não era propriamente ir AO Jardim Zoológico. Era mais para iniciar a criança em maus caminhos, coisas que mães do demo fazem.

Fomos almoçar ao Mcdonalds.

Pela primeira vez a criança foi a um Mcdonalds.

Não gosta de hambúrgueres no pão. Bebeu um gole de coca-cola e parecia que tinha engolido fogo. Água, água. Pedia ele. Comeu douradinhos que desta vez, na loucura, foram comidos fritos pela primeira vez. Até aqui só comeu os ditos feitos no forno.

Viu macacos. Viu crocodilos. Viu excursões de crianças.

Pediu para voltar a andar de Metro.

Disse mil vezes que era a coisa mais divertida do dia.

De volta ao Colombo, foi à secção de brincadeira. Saltou. Pulou. E andou lá numa piscina de bolas estranha, onde bateu 3 vezes com a cabeça. Eu, depois de o ver quase a rachar a tola 3 vezes passei a seguir-lhe os passos como um falcão e a ditar coordenadas cá de fora. Estilo treinador de bancada, mas com os verbos bem conjugados. Não é difícil que toda a gente me fique a achar uma mãe neurótica. Mas estava à beira do enfarte do miocárdio cada vez que via aquela tola aproximar-se da parede baixa.

Voltámos para casa. De caminho adormeceu.

Acordou da sesta.

Fomos comer o Sundae de caramelo que me ficou a faltar. Ele não quis. Não gosta de gelados.

Seguimos para a quinta das bolas (também conhecido por parque de diversões). Era a única criança. Brincámos com ele. Deu um jeito ao pé e não quis brincar mais.

É resistente. Pediu para ir ver brinquedos novamente. Fomos. Meio coxo insiste que não tem nada.

Quando mexemos não doí. Consegue andar. Se correr a coisa fica pior. Estamos de sobreaviso, se não melhorar, doutor connosco. Pergutamos-lhe. Não me doí nada! Diz o que for para que não tenha de parar a diversão.

No carro, a caminho de casa o pai perguntou-lhe se tinha gostado do dia.

Resposta: Não, não gostei.

E eu digo-lhe meio indignada: Nem de andar de Metro?!

Resposta: Também não gostei.

Lição que eu aprendi: este a gente nunca o vai ver a escavar bosta de pónei. Disso podemos ter a certeza!

 

Contexto:

No livro "O Deus das Pequenas Coisas" há uma história que me ficou muito presente. Havia um homem com 2 filhos gémeos. Um filho era extremamente otimista, via sempre o lado bom das coisas. Outros era extremamente pessimista, via sempre um qualquer defeito em qualquer coisa. No dia do décimo aniversário dos miúdos o pai decidiu coloca-los à prova. No quarto do filho pessimista colocou os melhores brinquedos. E mandou encher de estrume o quarto do filho otimista.

De manhã bateu à porta do quarto do filho pessimista:

- Então filho, gostaste das tuas prendas?

- Nem por isso. Não eram bem o que eu queria.

E prosseguiu para encontrar mil defeitos.

De seguida o pai bateu à porta do quarto do filho otimista. Quando abriu viu o filho a escavar fervorosamente o estrume que estava no chão:

- Olá filho, o que estás a fazer?

- A escavar.

- Para quê filho?

- Então pai, com tanta merda tem que haver um pónei.

 

Então a ver?

 

Rico filho de sua mãe.

 

Sôtor, o troca-tintas

No continente pediu para ir ver as miniaturas da Patrulha Pata.

 

Sôtor: Posso levá uma?

Eu: Não filho. É muito caro e hoje não é dia de surpresas.

 

Corre para o escaparate dos carrinhos da hot wheels (sabe que tem mais hipóteses).

 

Sôtor: Posso levá um?

Eu: Não filho, hoje não é dia de surpresas.

(pega num carro)

Sôtor: Olha este mãe. É bonito?

Eu: É.

Sôtor: Gostas?

Eu: Sim, é bonito.

Sôtor: Queres levar este pa casa?

Eu: Não, não quero.

(para para pensar um pouco)

Sôtor: Queres comprar em conjunto?

(tive de respirar um momento para não me partir a rir)

Eu: Não, não quero comprar em conjunto. Mas obrigada pela sugestão.

 

Mostra-me o teu cubo

Alguém conhece uma mãe cuja privacidade tenha sido esfrangalhada pelo rebeto piqueno, num daqueles momentos em que a pessoa vai à casa de banho fazer coisas da natureza humana e aproveita para respirar um pouco?

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu conheço.

 

Eu...

 

Ontem estava eu na casa de banho quando a porta se abre de repente. Entra Sôtor:

Eu - Sôtor põe-te a andar lá para fora.

Sôtor - Deixa-me ver o teu cubo.

Eu -    o meu cubo filho? Que cubo?

Sôtor - O teu cubo!

(e apontou para o meu rabo)

Eu - Ah! O meu cú?

Sôtor - Sim! Mostra-me o teu cú!

Eu -   (não sei o que responder)  (começo a rir-me)  olha, consegues ver o teu cú?

(ele olha para trás para ver se consegue)

Sôtor - Não.

Eu - Então se não consegues ver o teu também não podes ver o meu. Agora põe-te a andar!

 

Vida de mãe não é fácil, mas lá memorável é!

 

Sôtor, o anti-tabagista

Estava a fazer o seu passeio matinal com o avô. Por eles passa uma rapariga com os seus 16 ou 17 anos. A rapariga puxa de um maço de cigarros e põe um cigarro na boca. Sôtor para à frente dela, interceta-a e diz-lhe:

 

- Olha lá, quê isso que tás a por na boca?

 

A rapariga, a rir e sem saber o que responder aquela criatura de palmo e meio diz-lhe encolhendo os ombros:

 

- Olha, é um cigarro.

 

Ele seguiu à sua vida sem compreender porque raio uma pessoa põe na boca uma coisa que não é para comer. E a rapariga deve ter-se partido a rir a contar a lata daquela criatura às amigas.

 

Sôtor, o sociável

Passa pela praceta e é mais conhecido que o Marcelo.

 

Cumprimenta a vizinha do cabeleireiro, espreita lá para dentro, responde às perguntas dela e ainda lhe manda um beijinho.

A vizinha, que é religiosa diz sempre: Benzádeus, rico menino! Que tenha sempre muita saúde!

 

Passa pela padaria e cumprimenta a senhora que faz o horário da tarde. Metade das vezes ganha um biscoito. Encanta sempre com os seus: “Bom dia, Boa tarde, Boa noite”, “Faxavore”, “Obigada”, no gatilho.

 

Vai confirmar que a carrinha branca ainda tem o pneu furado e avaliar a arreliação do possível dono. (porque a carrinha não sai do mesmo lugar vai para cima de 2 anos)

 

Segue para avaliar os carros que estão na praceta e encontra o vizinho do andar de baixo. Trocam umas ideias sobre os carros, o vizinho tenta convencer que o dele é melhor que o Fiat que Sôtor gosta, mas este não de deixa influenciar, mesmo que as portas do carro do vizinho impressionem porque deslizam para trás e para a frente com um toque na chave.

 

Quer ir à papelaria, ver as fotografias dos jornais e cumprimentar o vizinho. Já não temos tempo para isso, subimos os degraus de entrada do prédio.

 

Entretanto chega a vizinha do 1º frente. Ela e a Camila, uma pug super bem disposta que adora crianças.

- Mãe, a Camila, a Camila!

Voltou a descer, cumprimentou a Camila que o adora. Cumprimentou a vizinha, respondeu às perguntas dela.

Despachados da vizinhança conversamos sobre coisas da Patrulha Pata escada acima.

 

Não sei a quem esta criatura saiu tão sociável. Sou uma pessoa educada e correta, mas pelo-me com conversa de circunstância. Sim, sou daquelas pessoas que, quando ouvem vizinhos a descer as escadas, espera um pouco para não ter de estar ali, rebeubeubeu o dia, larailailai o sol, etudoetudoetudo a roupa para secar e o António Costa e o diabo a quatro.

Este piqueno, adora uma conversa, não se incomoda com uma convivência de encher chouriços.

E eu, que ando com ele pela mão, cá vou arranjando como me habituar....a custo...a custo...

 

Pode ser que no fim ainda tenha para aqui o próximo PR, nunca se sabe.

 

Temo que se um dia calharmos a encontrar o Marcelo, se prendam os dois à conversa e eu tenha de convidar o PR para viver cá em casa.

 

O acordo

Tudo é uma negociação na vida de Sôtor.

Arriscaria a dizer que há verdadeiros homens de negócios que não fecham tantos acordos como esta pequena peste de 3 anos.

 

Para almoçar: sai acordo.

Para jantar: sai acordo.

Para ir à quinta das bolas: sai acordo.

 

Acordo para trás e acordo para a frente, lá vamos explicando ao rapaz que se tiver bons comportamentos as coisas que gosta têm maior probabilidade de acontecer.

 

Sim, eu sei que a vida se encarregará de lhe provar que não é bem assim, que nos podemos comportar como os maiores anjos e andar sempre a levar pancada da direita e da esquerda. Mas…o trabalho dos pais é mesmo este, fazer com que os filhos tenham princípios e sejam pessoas de caracter, que percebam que deve ser assim porque é a coisa certa a fazer, mas, até que tenha idade para compreender o conceito de forma mais complexa, é importante que apreenda que as coisas certas têm um resultado positivo.

 

Na terça feira não apanhámos muito transito e consegui chegar a casa a tempo de fazer um programa de 20 minutos da elíptica. Como ainda dava tempo tomei um banho à Quercus (dentro do espectro dos 5 minutos) e vesti uma roupa de andar por casa para o ir buscar ao caminho. O avô vinha do jardim direto para nossa casa com o piqueno artista.

Despacharam-se mais depressa e eu ainda estava de toalha na cabeça quando tocaram à campainha.

 

Para remediar a coisa, e porque precisava de lhe comprar o anti-histamínico que me passou na ideia à hora de almoço, perguntei-lhe se queria vir comigo ao Continente comprar as gotas.

 

Passeio? Alguém falou em laréu?

 

Para esta criatura qualquer motivo é um bom motivo para sair de casa.

 

Disse-me:

- Queo. Vamos vê os binquedos e depois vamos compá a comida.

 

Fui secar o cabelo e ele foi ter com o pai à cozinha. Ouvi-o dixer ao pai.

- Temos um acodo. Eu e a mãe. Pimeiro vemos os binquedos e depois compamos a comida. Temos um acodo.

 

E eu:

- Temos sim senhor!

 

Quando descemos encontrámos o avô outra vez, vinha a caminho da nossa casa porque lhe faltou trazer algumas coisas da criatura maravilha.

 

O avô pergunta onde ele vai e Sôtor…

 

Sôtor - Vamos ao tinente. Temos um acodo!

Avô – Aí sim! E que acordo é esse?

Sôtor – Amanhã conto, hoje nã poxo! Adeus avô!

 

E assim ficou. Tinha um acordo, da espécie secreto e o avô apenas podia saber no dia seguinte, não podia perder tempo.

 

Fomos até ao continente a falar. Ele fala ainda mais do que eu, o rapaz tem sempre conversa. É uma delicia. Fomos com tempo. Conversámos sobre os nossos dias, vimos os bonecos, comprámos o medicamento, voltámos com o ritmo dele, mais tranquilo que o meu, que passa o dia a toque de caixa. Eu deixei-me levar pelo compasso daquela coisa pequenina que segurava pela ponta da mão. Só o ouvia a ele, o dia estava ameno e aqueles 30 minutos lentos souberam melhor que mil horas.

 

São fins de dia que valem a pena e que dão algum brilho ao cinzento que ficou para trás.