Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blog Bestialmente Conhecido

O livreiro de Paris

Comprei porque o titulo me encantou. As possibilidades...um romance...Paris...

A capa...aí memórias.

O livro...

 

Este livro tinha tudo para dar certo. Uma boa capa, um título bastante atractivo para quem é apaixonado por livros e até uma contracapa resumida que chama à atenção. Tudo neste livro me chamou à atenção e tudo nele me pareceu ser um presságio para uma excelente leitura. Ora, tudo aconteceu ao contrário. Já há muito tempo que um livro não me desiludia tanto, já há muito que não me sentia traída pelas promessas de um bom livro. 

 

...exatamente isto...podia ter sido uma paixão tão bonita eu e este livro...mas foi uma desilusão.

 

Li este post e pensei...alguém me entende.

 

Devia ser sempre assim

Sábado, 7:45. Mãe acorda! Sorriso. Mãe temos de acordar! Boa disposição.

Eu ainda me estou meio a babar.

Sábado, sonhei que dormia até às 11 como nos tempos de adolescente.

Mãe temos de levantar! Onde vamos hoje? Quero ir à quinta das bolas! Vamos, vamos, vamos, vamos brincar!

Vesti-lhe o robe. Vesti o meu. Sem certezas do meu estado pseudo-quase-não-clínico-comatoso.

Ele brincou. Nós comemos tapioca com ovos mexidos e iogurte. Fomos ao mercado. Compramos fruta e legumes frescos. Uma senhora distribuiu uma revista com o programa de atividades da Câmara. Assistimos à primeira parte de um teatro de marionetas. Fomos ao parque de diversões. Corri, stressei, tive 3 princípios de enfarte, entrei para dentro da caixa. Ralhei.

É uma criança tremendamente meiga, mas, é também uma criança demasiado despachada, então, quando há coisas para fazer e os outros não se adiantam ele quer que lhe saiam da frente.

Em resumo andamos a trabalhar para que - ainda que aconteça de quando em vez - não empurre os outros. Não gosto que o empurrem a ele, não gosto que ele empurre os outros e, mesmo que haja quem relativize, eu acho que tenho de lhe dizer sempre que acontece.

Empurrou um mais pequeno, peguei nele pela mão, a mãe do outro a dizer "deixe estar..." e expliquei-lhe que não pode ser. Expliquei porquê, é fundamental que entendam o porquê.

Voltou para o trampolim e foi dar um abraso ao amigo pequenino.

 

Almoçámos. Nós fingimos uma sesta. Ele adormeceu mesmo. Um "This is us". Lágrimas. Sempre. Que argumento brilhante. Acordar a pedra que adormeceu. 

 

Sol, praia, passeio, muita areia, diversão e cansaço bom.

 

Fomos todos. Pequenos, graúdos e cães.

 

Corremos. Atrás dele. Com os cães. Fizemos castelos. "Trepámos rochas". Comemos farturas. Acabámos a sacudir areia até à medula óssea.

 

Percebemos que o fim de semana devia ter 3 dias. Um para descomprimir do stress da semana de trabalho. Um para descansar. Um para preparar a cabeça e o corpo para a semana que está para chegar.

 

Voltámos a casa com um frango assado que nos poupa aos cozinhados. Comemos todos à mesa ao mesmo tempo.

 

Um dia bom. Devia ser sempre assim.

 

Perguntei-lhe (a sôtor):

- Então, gostaste do dia de hoje?

E ele:

- Não, nem um bocadinho!

 

Tangas! Só tangas!

 

Let's talk about food baby...

Não sigo tendências.

Não gosto de dietas da moda.

Detesto as palavras dieta e regime.

Desligo o sensor de atenção sempre que me querem fazer acreditar que há uma filosofia alimentar para todos, daquelas que deveriam ser mais ou menos como as luvas mágicas (lembram-se?! muito populares nos anos 80 e 90), adequadas para qualquer tamanho de mão.

Talvez seja assim porque já fiz várias experiências e hoje acredite que só há uma coisa que faz sentido: o equilíbrio. Já deixei de comer carne por 5 anos. Já reduzi de forma drástica os hidratos de carbono, já deixei o glúten e os laticínios, já cortei com o açúcar. Só não me meti naquela de comer um alimento por dia. Fazia-me confusão a coisa de passar um dia a ananás, um dia a morangos e por aí em diante.

Hoje tenho uma política de balanço, como de tudo e evito os excessos.

 

Cada corpo é um corpo diferente, com necessidades que devem ser adaptadas. E esta é para mim uma ideia fundamental à qual também eu tive de me adaptar.

 

Por exemplo: enquanto a maior parte das pessoas recebe recomendações para reduzir a quantidade de sal consumida, eu tenho conselho do médico para comer mais sal. Porquê? Porque tenho a tensão arterial de um passarinho e para que seja mais saudável deve estar um pouco mais alta. Café, sal e algum açúcar ajudam.

Humm, alimentos proibidos para muita gente....

 

Outro exemplo, a minha mãe comia pouco açúcar e andava em dieta de quando em vez, lembro-me de a ver a comer peixe cozinho com legumes sem qualquer tempero. Tinha diabetes e às vezes tinha de fazer uma alimentação mais restritiva para melhorar a sua saúde geral. Faleceu com cancro aos 46 anos.

O meu pai tem 69 anos, gosta do seu wiskey, come mais chupas que 15 crianças, os chocolates mal pousam no armário, o pequeno almoço são bolachas de manteiga (há mais de 35 anos), fuma 1 maço e meio de tabaco por dia e, para além das maleitas da idade nada de grave a apontar.

De acordo com todos os alertas que se veem o meu pai é um milagre da natureza.

 

O chocolate faz bem à saúde, os frutos secos são uma excelente fonte de proteína vegetal e de óleos essenciais, para a maioria das pessoas, se eu der um cheirinho de um destes à minha querida Paula ela cai-me para o lado com um choque anafilatico. 

 

A aveia é excelente, bem como o leite e a farinha de amêndoa, mas e se eu disser que amêndoa em excesso me faz eczema na pele e a aveia me dá cabo dos intestinos?

 

Os espinafres são uma extraordinária fonte de fibra e de ferro. Mas a minha cunhada não os pode comer porque tem síndrome de Crohn, que já a fez perder uma parte do intestino. Vegetais de folha verde escura estão banidos da alimentação.

 

Podia continuar com mil exemplos, mas a conclusão é muito simples: a alimentação deve ser adequada e adaptada às necessidades de cada um. Está errado acreditar que aquilo que a pessoa A come é inquestionavelmente bom para todo o universo.

 

Dito isto, gosto de aprender. Gosto de saber que outras coisas existem que possam enriquecer o meu cardápio, seja um doce bem calórico e carregado de açúcar, para fazer quando há um jantar cá em casa ou só porque estou deprimida e preciso de alguma coisa para me adoçar o dia; seja para saber como se fazem uns bolinhos porreiros para levar para o lanche, preferencialmente nada de muito pesado e com pouco açúcar.

 

Acho fundamental que a alimentação que escolhemos fazer seja essencialmente nutritiva, mas parece-me um crime considerar que há venenos que têm de ser banidos para todo o sempre.

Os fundamentalismos nunca foram bons e as ideias radicais também já demonstraram ter algumas lacunas, pelo que me parece que o meio termo, o equilíbrio, é sempre o melhor caminho.

 

O único fundamentalismo que aceito é o do equilíbrio.

 

Afinal de contas posso sempre fazer a alimentação certa, posso virar a cara a todos os Pasteis de Belém e depois vem um carro descompensado e pumbas!, de nada valeu aquele cuidado todo.

Viver, não passa só por viajar e vestir roupas de marca e ir a spas e tal. Viver passa por ter prazer nas coisas mais pequenas da vida, como um souflé de chocolate, ou um snikers comprado numa máquina no meio de um dia de stress.

 

Dito isto, cada um deve fazer o que o deixa confortável com a sua decisão, respeitando sempre as opções dos outros. E isto é muito importante: respeitar as decisões dos outros.

 

Assim, e depois desta palheta toda, quero deixar aqui algumas receitas de coisas saudáveis que incorporei nos cardápios de pequeno almoço e lanche cá de casa. Todas são saborosas e se repetem diversas vezes.

 

A primeira são estes queques de laranja do blog Mama Paleo. São deliciosos e super fáceis de fazer.

 

Outra são estes muffins de coco e pepitas de chocolate que encontrei na NIT.

 

Por fim o best seller cá de casa: as minhas panquecas adaptadas.

A receita original é do Gorden Ramsey (video abaixo), eu adaptei com ingredientes diferentes. Ficam ótimas, super fofas e um brilharete com sôtor que já ajuda a fazer.

 

Cá vai:

 

  • 3 Ovos
  • 1 Embalagem de natas de soja
  • 1 Colher de sopa de açúcar de coco
  • 1 Colher de sopa de linhaça
  • 1/2 Colher de sobremesa de fermento para bolos (gosto de usar sem glúten, há à venda barato da marca do Continente)
  • 125 gramas de farinha de espelta (tem glúten, mas tem em muito menor quantidade que o Trigo tradicional; é mais leve e de mais fácil digestão)

Tudo bem batido e frigideira com elas. Meia concha de sopa dá uma panqueca. Não uso gordura nenhuma, como a frigideira tem um bom anti aderente não precisa.

 

 

 

Se chegaram ao fim deste post sem desistir, deixem-me antes de mais felicitar-vos pela paciência e perseverança, depois dar-vos uma espécie de conselho: se os miúdos vos pedirem um chupa, se eles se portaram bem, façam o favor de lho comprarem, só se é criança uma vez na vida, não se esqueçam disso. Eles devem viver de forma saudável, mas livres dos nossos medos e fantasmas, esses chegam para nós.

 

Bom dia com Kung Fu ganga

É sexta-feita.

O dia até amanheceu com algum sol, vamos esperar que se mantenha para o fim de semana. Já estou farta de estar fechada em casa, quero passear, quero jardins, quero beira mar, quero correrias em Belém e croissants do Careca.

A disposição humorística está a ficar mais alegre e trago comigo a satisfação de um dia que começou com um belo kung fu ganga.

 

Lembrei-me do texto que escrevi, um dos que me deu mais gozo até hoje.

Espreitem aqui.

 

Depois, se tiverem tempo, digam-me se deu para dar uma gargalhada, ou um risito, vá!

 

O puto tem imaginação fértil #1

Em 3 anos tenho tido provas irrefutáveis de que o miúdo é constituído por 80 % genes da mãe e apenas 20 % genes do pai.

Hoje tive mais uma prova.

Estava a prepara-lo para ir ao penico.

- Mãe, vou levar os meus 2 aviões.

(não, eu não levo aviões quando vou à casa de banho...não tenho aviões)

 

Diz que é um piloto e persiste em mandar os aviões ao chão. Explico-lhe que se for um piloto que despenha aviões não terá muita empregabilidade. Não estou certa de que tenha entendido.

 

Pousa os dois aviões e, antes de se sentar diz-me:

- Quero contar uma história. Era uma vez os meus 2 aviões que iam a voar muito e iam para a selva, depois ficaram sem bateria e caíram no mar, estavam a ir ao fundo e depois apareceu o avião verde para os salvar. O avião verde é a Mira dos Super Wings.

 

Imaginação não lhe falta. Isso é certo. Saí à mãezinha, meu rico menino!

 

Notas domésticas

Ele - Dando razão ao que me tinhas dito...

(eu levanto a mão em sinal de stop, há uma coisa importante a adicionar)

Eu - Eu tenho sempre razão. Tu dás-me sempre razão, assim, por defeito. O que acontece é que às vezes tu dás-me razão porque faz parte do acordo nupcial e dás-me - adicionalmente - razão com vontade própria...é...assim uma espécie de 2 toppings de razão, como o sundae de caramelo. Continua...

(e ele continuou...sem vontade...meio atordoado...mas continuou)

À beira da rutura conjugal

No sábado esteve um dia de chuva. Eu só gosto de chuva quando o programa previsto é estar fechada em casa a ver filmes e a comer pipocas, enrolada nas minhas mantas polares, com os cães enfiados no bolso….ou quase. Mas o São Pedro persiste em querer ajudar as pessoas do cultivo e descurar os males da gente da cidade, que tem 3 máquinas de roupa da criança para lavar, uma máquina de roupa de desporto e nem vamos falar de toalhas.

 

Tudo isto é preciso secar São Pedro, e eu já mal ganho para a conta da eletricidade. E nem vamos falar no tempo que é preciso investir.

Vejamos:

Mínimo de 40 minutos para a lavagem.

Mínimo de 30 minutos para o enxaguar e centrifugar com amaciador (para ficar assim cheio de cheirinho)

Mínimo de 120 a 140 minutos para a máquina de secar.

 

Ora se eu chego a casa, com sorte, às 19, querido São Pedro diz-me: como é que eu faço isto sem me deitar para cima da 1 da manhã?

Vou deixar a pergunta no ar.

 

Bom, queixume de lado. Vamos ao que interessa.

 

Sábado o dia estava chocho, chuvinha que impedia o passeio na praia ou no jardim. Não me apetecia ir para o shopping ver lojas e ter o miúdo a mil. Mas, por outro lado, apetecia-me ir comprar velas ao IKEA. Ou melhor, eu precisava como de pão para a boca, de ir comprar velas de cheiro. Gosto das do IKEA, porque são boas e têm um excelente preço.

 

Quando apresentei a minha ideia houve alguma reticencia na aceitação da proposta, mas a hipótese de comer um bolinho de canela fechou o tema.

 

Lá fomos.

O Nuno ia comprar velas, um balde para lixo de escritório, um banco para o pequeno conseguir chegar ao lavatório e lavar as mãos e mais nada.

Eu ia comprar velas, velas, velas, velas, velas, velas, velas, velas, velas, velas, velas e um banco para o pequeno conseguir chegar ao lavatório.

 

Claro que assim que começámos o passeio apareceram logo mais coisas para trazer, mais um penico (uma pessoa sabe que tem filhos quando percebe que o processo escatológico está sempre na berlinda, mesmo quando vai às compras numa superfície de bens de mobiliário e logística doméstica), mais um brinquedo para sôtor, mais uns copos porque já partimos quase todos da coleção anterior e depois chegou o momento esperado: velas.

 

Nuno – Não vale a pena levar assim tantas.

Eu – (silêncio)

 

Calada e a sorrir comecei a recolher velas, velas e velas. Parecia a doida das velas. Uma verde, uma laranja, duas vermelhas, uma de canela, uma roxa….uma de cada.

 

Nuno – Para quê tanta vela!!!!???

Eu – Não. Me. Moas. Não. Te. Metas. Com. As. Minhas. Velas.

 

Trouxe tantas quanto quis, ou quase, porque podia ter trazido o stock total. Cheguei a casa e acendi velas. Ahhhh o cheirinho a frutos vermelhos.

 

Da cozinha:

 

Nuno – ‘Lha lá!?

Eu – Hummmmmmm….

Nuno – Havia aqui uma vela grande e mais 4 pequenas.

Eu – E então?!

Nuno – Agora temos velas repetidas.

Eu – Não se eu as acender já e gastar.

Nuno – Eu não quero uma vela por assoalhada! Nada disso! Uma VELA DE CADA VEZ!

 

O homem estava doido…para cima de 15 euros em velas, que se gastaram. Uma loucura de dinheiro...

 

Ele não entende que o miúdo agora anda sempre com o penico às costas…e quando as coisas acontecem nas assoalhadas o cheiro não é agradável. Adoro o meu filho, mas o cheiro a rosas não está envolvido no processo.

 

Posso apenas dizer que pelas 21 já tinha ganho o argumento…e só por causa das coisas foi ele que limpou o penico.

 

PUMBAS!

 

Avatar

Quando me inscrevi na Sapo Blogs não me recordo de ter sequer colocado uma foto no avatar. Com o tempo, e ajustando o template do blog anterior lá considerei pôr uma foto. Eu a rir, eu a olhar para o lado, eu a olhar para o outro lado, os meus pés, a minha sombra na praia e mais umas coisas.

Umas vezes não me importo que apareça parcialmente a minha cara, outras acho estranho ter a minha cara ali, mesmo em cima da cara das pessoas quando leem.

Mudo.

Quando criei este espaço novo decidi que tinha de ter um avatar que me agradasse mais. Descarreguei uma app para o telemóvel que desenhou um boneco com a minha foto.

Mas cansei-me. Estou farta de ver a boneca com ar de enjoada a olhar para mim quando visito o meu próprio espaço.

 

Ontem procurei uma foto. Não quero a minha cara, não quero a minha barriga, quero uma foto que me diga alguma coisa.

 

Não encontrei nenhuma que fosse exatamente o que eu queria, mas encontrei uma em que estava a correr com o meu miúdo, numa manhã alegre de primavera no ano passado. Quando eu ainda conseguia ter umas manhãs para correr e enquanto ele ainda achava giro ficar sentado no carrinho enquanto eu corria às voltas no parque.

 

Ou isso ou sou eu a fugir das frustrações da minha vida…que hoje deram para me entristecer. Há dias assim.

 

Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor.

 

Escrevo persistentemente na ardósia da minha mente. Até ela acreditar.

 

Sou eu a correr, a fazer uma coisa que me deixa contente, a correr com a melhor pessoa do mundo, o meu filho, a ser fotografada pela segunda melhor pessoa do mundo, o tipo que mora lá em casa e reclama por causa das velas.

 

Frustrações, Karma e Trânsito

São os 3 ingredientes do texto de hoje. Não necessariamente por esta ordem.

Vou lamentar-me um pouco, é possível que divague e que me queixe, por isso, tenham alguma paciência comigo.

 

O despertador tocou às 6 como é hábito. Desliguei-o e deixei-me adormecer, acordei 30 minutos depois. Tomei o pequeno almoço e estive mais de 10 minutos a assoar-me, ainda não me consegui livrar das sequelas desta porcaria desta gripe.

Parei 10 minutos à frente do guarda fatos. A condição de voltar a usar as meias de compressão dá cabo da minha escolha de roupas para trabalho, não posso usar todo o tipo de sapatos, não posso usar todo o tipo de vestidos, as calças mais justas ficam esquisitas se não usar umas botas de cano alto.

Brrrrrrr! Raios partam as minhas pernas de fraca condução venosa!

 

Escolho a roupa, visto-me, arranjamos Sôtor que ainda dorme e descemos. Hoje é dia de ser eu a condutora de serviço.

 

O Nuno não se importa de conduzir sempre, mas chegámos a acordo de que alternaríamos durante a semana. É importante que eu não me desabitue de conduzir e assim ele também tem alguns dias de descanso porque é muito cansativo todos os dias estar no para-arranca da Ponte 25 de Abril.

 

Seguimos para a casa dos meus sogros para deixar o pequeno, é uma rua a um quarteirão da minha casa, pouco movimentada, onde as pessoas por regra conduzem devagar e com atenção porque há sempre famílias a sair de casa, com crianças. Há sempre carros a sair do estacionamento. É a hora das pessoas saírem para o trabalho.

Chego perto da porta da casa dos meus sogros e abrando o carro para escolher o lugar, quando faço pisca e olho para o lado tenho uma carrinha de transporte de crianças de um colégio, que deve ficar nas imediações, parado ao meu lado. Foi tudo muito rápido, mas pelo que percebi, quando eu abrandei o tipo optou logo por me ultrapassar sem perceber porque motivo eu estava a imobilizar a viatura. Podia estar a parar porque um carro estava a sair de estacionamento, podia ser porque uma criança ou até um animal se tinha lançado à estrada. Por acaso foi porque estava a chegar ao meu destino. Para aquele senhor o conceito de “distância de segurança” não representa nada.

Assustei-me porque podia ter batido.

Não satisfeito, e com crianças na carrinha, o tipo faz marcha atrás, abre o vidro e começa a mandar vir comigo. Ao lado trazia uma miúda com os seus 8 ou 9 anos que manteve o olhar para a frente, envergonhada.

Não abri sequer o vidro do meu carro, esperei que ele saísse da minha frente para poder estacionar.

Passaram-me pela cabeça mil coisas, uma delas mandar um e-mail para o colégio a alertar para o tipo de conduta do seu colaborador. Mas depois desisti dessa ideia, não sei se o colégio até não sabe bem se esse é ou não o método do seu funcionário e, a verdade é que muitos colégios também querem é o serviço feito depressa sem que seja necessariamente bem feito.

Acresce que pode até ser uma boa pessoa, que estava a ter um mau dia e que fez uma má escolha. Não sei. Por algum motivo decidi relativizar a questão.

É comum ver carrinhas de colégios – de vários que não aquele – mal estacionados para entregar ou recolher crianças, pelo que me parece um pouco uma gestão de vale tudo.

 

Tenho carta desde os 18 anos, ou seja há qualquer coisa como 17 anos.

Desde os 22 que conduzo quase todos os dias, já me habituei a que nas estradas há de tudo, como na selva. Já relativizo ao fim de 5 minutos a maior parte das coisas a que assisto, mas há duas que ainda me fazem muita confusão:

  1. Pais, avós, tios, (entre outros) que conduzem de forma arriscada com crianças no carro;
  2. Carrinhas de colégios que, com a viatura cheia de crianças, conduzem como se transportassem outro tipo de mercadorias.

 

Ultrapassado o segundo stress da manhã. Rumo à Ponte.

Uma fila interminável. Começava nos Foros de Amora, o que, para quem vem do outro lado é o equivalente ao IC19 estar muuuuuuuuuuuuuuuuito mais do que entupido.

 

Estou cansada de trânsito. Ainda no outro dia fiz as contas ao número de horas que já gastei em filas. Demasiadas. São as pessoas que batem, que não fazem uma condução mais cuidadosa, adaptada à condição da estrada, são os tipos das motas que querem passar por entre os carros e buzinam porque os automobilistas deviam deixar espaço entre si porque as motas querem passar. Como se isso fosse condição das regras da estrada. São os chicos-espertos que se metem à frente nas filas, porque aparentemente devem ter uma vida muito mais importante que a de todos os outros. É o parar em cima da ponte, sem saber porquê, porque há mais carros do que as estradas comportam.

Os transportes não são solução. Porque são muito mais caros que ir de carro e porque quando se atrasam é um drama para chegar a casa.

 

Nestes momentos abate-se sobre mim o arrependimento geral, apetece-me gritar com a vida em geral e com as minhas escolhas em particular. Lamento ter escolhido viver do outro lado, a mais de 30 km do trabalho. Lamento algum dia ter decidido trabalhar em Lisboa, se tivesse escolhido ficar a trabalhar do outro lado da ponte não passava por isto todos os dias. Lamento não ter uma casa à beira mar, para pelo menos ver as ondas antes de me fazer ao trânsito. Lamento não ter uma casa com jardim, para facilitar o passeio dos cães de manhã e à noite, quando há pouco tempo ou pior, quando está mau tempo e me apetece ficar em casa agarrada a uma caneca de chá. Arrependo-me de não ter uma casa com jardim e um telheiro, debaixo do qual o miúdo poderia brincar ao fim de semana quando está demasiado mau tempo para ir passear ao parque.

Lamentos. Lamentos. Lamentos.

Começam com o trânsito e acabam com as trivialidades do dia-a-dia.

 

Chego à portagem e há um tipo que pára muito afastado do guiché. Reclamo dentro do carro, sem razão eu sei (mas não buzinei, quando estou para rezingar por tudo e por nada pelo menos mantenho o mau feitio dentro das 4 portas do carro), mas nestes momentos o mundo é um lamento e eu só queria que ele tivesse parado o carro no sitio certo para não precisar de puxar do travão de mão, para não precisar de abrir a porta, para não precisar sair do carro para passar o cartão da Via Card.

Chegou a minha vez e quando abro a janela vejo que fiz exatamente a mesma coisa que o outro. Estava demasiado longe. Tive de puxar do travão de mão, tive de abrir a janela na totalidade, tive de tirar o cinto e tive de meter metade do corpo de fora da janela.

O karma funciona depressa comigo, bolas!

Pensei com os meus botões.

 

Ufa!

Acho que já está, hoje com pouco humor e muita rezinguice. Pode ser que melhore ao longo do dia.